terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

O brasileiro mais temido na Argentina


Alguns mitos cercam as campanhas vitoriosas do Cruzeiro pelos gramados da América do Sul. Uma delas é a de que somos o time brasileiro mais temido na Argentina. Esta referência foi criada na década de 1990 pelo comentarista Flavio Anselmo, do programa minas esporte da TV Bandeirantes, quando o Cruzeiro surrava com queria os hermanos na Supercopa.

Fomos senhores da Supercopa com a conquista dos títulos de 1991 e 1992, além dos vices de 1988 e 1996. O Independiente também foi duas vezes campeão em 1994 e 1995, mas o Cruzeiro teve uma campanha mais regular e liderou o ranking oficial da competição que foi disputada entre 1988 e 1997.

É bom lembrar que a Supercopa tinha um conceito técnico rígido, ou seja, só participava quem fosse campeão sulamericano. E, como levantar a Libertadores não é para qualquer um, trataram de criar uma maneira de extingui-la para valorizar a incompetência e assim ela foi extinta para dar lugar a duas bostas de competições: a Copa Mercosul (já extinta) e, em seguida, a ridícula Copa Sulamericana "de times mistos".

Na Supercopa o Cruzeiro foi o responsável por 7 eliminações dos clubes argentinos contra 5. Eliminou o Argentinos Juniors (1988), o Independiente (1988), o River Plate (1991 e 1992), o Racing (1992), o Estudiantes (1994) e o Boca Juniors (1996). E foi eliminado pelo Racing (1988 e 1990), Argentinos Juniors (1989), Independiente (1994) e Velez Sarsfield (1996).

Na Libertadores, o Cruzeiro ainda não construiu a imagem que teve na supercopa nos confrontos contra os platenses e já é hora de desfazer esse vexame. São duas eliminações contra quatro. Eliminou o River Plate (1976) e o Boca Juniors (1994). Esta última no chamado grupo da morte que tinha Palmeiras e Velez. Foi eliminado pelo Independiente (1975), Boca Juniors (1977 e 2008) e Estudiantes (2009).

E estou confiante que amanhã, contra o Velez, iremos iniciar a construção da imagem do clube brasileiro mais temido pelos argentinos também na Libertadores. Vamos, vamos Cruzerôôô!


Supercopa
25/02/1988 - 1 a 0 Independiente (La Doble Visera/Avellaneda)
*a vitória eliminou o Independiente das oitavas de final

18/05/1988 - 1 a 0 Argentinos Juniors (Jose Amalfitani/Buenos Aires)
*a vitória eliminou o Argentinos das quartas de final

18/06/1988 - 1 a 1 Racing (Mineirão/Belo Horizonte)
*o empate deu o título ao Racing

01/11/1989 - 0 a 2 Argentinos Juniors (Jorge Newberi/Buenos Aires)
*a derrota eliminou o Cruzeiro das quartas de final

07/11/1990 - 0 a 1 Racing (Jose Amalfitani/Buenos Aires)
*o Racing venceu a disputa de tiros livres por 4 a 2 e o Cruzeiro foi eliminado das oitavas de final

20/11/1991 - 3 a 0 River Plate (Mineirão/Belo Horizonte)
*a goleada deu o título ao Cruzeiro

28/10/1992 - 0 a 2 River Plate (Monumental de Nunes/Buenos Aires)
*o Cruzeiro venceu a disputa por tiros livres por 4 a 2 e eliminou o River das quartas de final

25/11/1992 - 0 a 1 Racing (Jose Amalfitani/Buenos Aires)
*o Racing não consegui reverter a goleada que sofreu por 4 a 0 no primeiro jogo da decisão no Mineirão e o Cruzeiro conquistou o título

12/10/1994 - 3 a 0 Estudiantes (Mineirão/Belo Horizonte)
*a goleada eliminou o Estudiantes das quartas de final

26/10/1994 - 0 a 4 Independiente (La Doble Visera/Avellaneda)
*a goleada eliminou o Cruzeiro da semifinal

23/10/1996 - 1 a 1 Boca Juniors (Mineirão/Belo Horizonte)
*o Cruzeiro venceu a disputa de tiros livres por 7 a 6 e eliminou o Boca das quartas de final

04/12/1996 - 0 a 2 Velez sarsfield (Jose Amalfitani/Buenos Aires)
*a derrota deu o título ao Velez na segunda partida da decisão


Libertadores
06/06/1975 - 0 a 3 Independiente (La Doble Visera/Avellaneda)
*a derrota eliminou o Cruzeiro na fase semifinal que ainda teve o Rosário Central disputando uma vaga no grupo.

30/07/1976 - 3 a 1 River Plate (Centenário/Santiago-Chile)
*foi a terceira partida da decisão da Libertadores disputada em campo neutro. A vitória deu o título ao Cruzeiro

14/09/1977 - 0 a 0 Boca Juniors (Centenário/Montevidéu-Uruguai)
*foi a terceira partida da decisão da Libertadores disputada em campo neutro. O Boca venceu a disputa por tiros livres por 5 a 4 e ficou com o título.

06/04/1994 - 2 a 1 Boca Juniors (Mineirão/Belo Horizonte)
*a vitória de 2 a 1, de virada, eliminou o Boca da Libertadores

07/05/2008 - 1 a 2 Boca Juniors (Mineirão/Belo Horizonte)
*a derrota eliminou o Cruzeiro das oitavas de final

15/07/2009 - 1 a 2 Estudiantes (Mineirão/Belo Horizonte)
*foi a segunda partida da decisão da Libertadores. A vitória deu o título ao Estudiantes

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Luxemburgo com saudades da "camisa 9"

Tava demorando! Após três jogos dirigindo o time das lurdinhas no Mineirão, Luxemburgo resolveu desabafar: “Ganhar de cinco a zero e gritar ‘Galooo’, não adianta. Quero ver com 0 a 0, 1 a 0 para o adversário”, disse o treinador em sua última entrevista coletiva.
No período que Luxa dirigiu o Cruzeiro a coisa foi bem diferente. O treinador ainda em 2002, quando o time estava em formação, chamou os cruzeirenses de "centro avantes". Ressaltou que a torcida do Cruzeiro não é o décimo segundo jogador que empurra o time, mas que bota a bola no gol como um centro avante que decide as partidas!
Faltou pouco para o Luxa mandar um recado para as lurdinhas para se espelharem na camisa 9 de Minas e aprenderem a torcer!

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

É gol do Guerrón, Satisfaction!


Estabanado, pouco criativo e sem técnica? E daí? A nação cruzeirense curte o futebol de Guerrón e o escolheu como o seu anti-herói.

E por quê? Porque Guerrón despertou na "camisa 9" o prazer de torcer pelo jogador mais carismático e não pelo melhor.

Não importam os erros de passe, de cruzamentos, as furadas nos arremates e as trombadas vizonhas com os defensores.

Guerrón trouxe de volta o verdadeiro sentido do que é torcer, ou seja, não ter o domínio das expectativas!

Estava chato ir ao Mineirão com aquela certeza de ver um dos nossos craques marcarem gols e ao final exclamar: eu sabia!

Por isso torcer por um gol do Guerron é diferente. Dele não estamos convictos de quase nada. Porque ele não é craque! E quando ele consegue mandar a bola nas redes adversárias, a "camisa 9" vibra como se fosse o melhor gol do jogo!

É gol do Guerrón ... tá-rá-rá ... satis-fac-tion ... tá-rá-rááá!
É gol do Guerrón ... tá-rá-rá ... satis-fac-tion!

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Cruzeiro pode perder pontos após quase 40 anos


O zagueiro Brito, de barba, observa Zé Carlos disputar a bola no meio campo, em clássico pelo Brasileiro (Robertão) de 1970

O Cruzeiro pode perder os pontos da vitória sobre o Uberlandia por ter escalado o atacante Wellington Paulista que deveria cumprir suspensão automática. Muitos dos atuais cruzeirenses não se recordam do time ter perdido pontos em uma competição oficial pela escalação de um jogador em condições irregulares. Até para os mais velhinhos isto é uma coisa inédita. Perder pontos por este motivo, aliás, sempre foi tratado como coisa de clube desorganizado, pequeno e dirigido por incompetentes.

Mas esta é a segunda vez que o Cruzeiro comete este equívoco em cinco anos. A primeira aconteceu no Campeonato Brasileiro de 2004, quando o departamento técnico do clube, que é dirigido por Benecy Queiroz, não observou a nova regra dos cartões vermelhos e amarelos.

Naquela ocasião, o volante Recife levou uma sequência de três cartões amarelos nas partidas contra o Atlético-MG (23/10/2004) e Vasco (07/11/2004). Nesta última levou o cartão vermelho direto e cumpriu a suspensão automática na partida seguinte contra o São Caetano (13/11/2004), mas o vermelho não anulava os dois cartões amarelos que havia levado em partidas anteriores, conforme a nova regra.

O jogador levou o terceiro amarelo contra o Vitória (12/12/2004) e deveria cumprir a suspensão automática contra o Flamengo (19/12/2004) pela última rodada, mas o departamento técnico do clube interpretou os cartões com a regra antiga e liberou a sua escalação.

O Flamengo que dependia da vitória para manter-se na série A, venceu a partida. Ainda assim, em parceria com o Atlético, entrou com um recurso no STJD pedindo a punição para o Cruzeiro que, com a perda de 5 pontos, caíria para a Série B. Por sorte, o departamento técnico atleticano foi mais incompetente ainda naquele caso e só deu conta da mancada cruzeirense quando o prazo para recurso estava prescrito.

Aliás, este foi o maior episódio de ingratidão registrado na história do futebol mundial, pois foi por causa da vitória do Cruzeiro por 4 a 0 sobre o Vitória, na penúltima rodada, que as lurdinhas foram mantidas na série A por mais um ano.

Agora, foi a vez do gagá do Benecy Queiroz falhar novamente e, desta vez, de forma mais amadora ainda, pois Wellington Paulista foi expulso na última partida do Campeonato Mineiro do ano passado contra o Atlético e deveria cumprir suspensão automática na partida de estréia do Campeonato deste ano.

A punição poderá levar o Cruzeiro a outra situação sem precedentes na história que é a de figurar na zona de descenso do Campeonato Mineiro.

A última vez que o Cruzeiro perdeu pontos em uma competição oficial foi no Campeonato Mineiro de 1970. No entanto foi de forma proposital. O Atlético já havia conquistado o Campeonato com uma rodada de antecedência e o clássico válido pela última rodada não alteraria as posições na tabela de classificação. Durante a semana, o presidente Felício Brandi agitou a cidade com a contratação do zagueiro Brito, que estava em litígio com o treinador Yustrich no Flamengo. Brito era o quarto jogador campeão mundial pela Seleção Brasileira de 1970 no plantel cruzeirense ao lado de Fontana, Piazza e Tostão.

Como as rendas das bilheterias eram a principal fonte de renda dos clubes naquele período, a diretoria resolveu escalar Brito, mesmo em condição irregular, para que a partida não servisse apenas para a comemoração do título por parte da torcida atleticana, mas também uma festa de boas vindas por parte da torcida cruzeirense para a nova atração do clube. A partida terminou empatada em 1 a 1, o Cruzeiro entrou em campo já com os pontos perdidos e o Mineirão recebeu um público de 70 mil presentes.

Curiosamente, foi o Cruzeiro que fez a festa das taças naquele clássico. A Federação Mineira resolveu antes da partida fazer a entrega com atraso dos troféus dos Campeonatos Estaduais de 1968 e de 1969 conquistados pelo Cruzeiro que fez a volta olímpica. E o Atlético, mesmo campeão, ficou sem troféu, sem volta olímpica, sem festa, sem porra nenhuma!

CRUZEIRO 1 x 1 ATLÉTICO
Motivo: 22a rodada do Campeonato Mineiro
Data: 20/09/1970
Estádio: Mineirão
Cidade: Belo Horizonte (MG)
Público: 61.655
Renda: Ncr$ 261.960,
Árbitro: Jarbas Castro Pedra
Auxiliares: Abel Santos e Maurílio José Santiago
Gols: Dario 22; Zé Carlos 29
Cruzeiro: Raul, Pedro Paulo, Brito, Fontana, Vanderley, Piazza, Dirceu Lopes, Zé Carlos, Natal, Tostão, Hilton Oliveira.
Técnico: Filpo Nuñes
Atlético: Careca, Humberto, Grapete, Vantuir, Cincunegui, Vanderley, Oldair, Vaguinho, Lacy, Dario, Tião
Técnico: Telê Santana

Não Farías falta alguma


As desistências do Porto e do Benfica na contratação do atacante Kleber é um bom motivo para a torcida cruzeirense comemorar. Não pelo fato de não ter perdido o futebol do garoto enxaqueca, mas porque o time acabou escapando de uma roubada - a vinda do argentino Ernesto Farías.

O site do jornal Record, de Portugal, publicou noticias de que o jogador foi oferecido aos dois principais clubes do país, o Porto e o Benfica, o que gerou uma troca de provocações entre os torcedores rivais pela internet.

O que me chamou a atenção foi a ironia dos torcedores do Benfica em relação a troca de Kleber pelo atacante Ernesto Farías. Lamentavam a saída do argentino para o Cruzeiro ao qual se referiam como "um grande atacante!"

Reproduzo aqui um dos comentários feitos por torcedores do Benfica, que se identificou como Diez de Aimar: "Por muito bom que o Kleber fosse não faria sentido a sua vinda para o Benfica. No meio disto tudo creio que o Porto ficou a ganhar ao manter o Farias, que é gradissimo jogador! Força SLB! (SLB são as iniciais de Sporting Lisboa e Benfica)

O Porto é o segundo clube de Farías no futebol europeu. O argentino teve uma passagem frustrada pelo Palermo, da Itália, e no Porto, é um mero reserva. Suas fracas atuações são motivo de chacota dos torcedores do Benfica.

Obrigado, Porto!

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

O futebol carioca ainda é superior ao mineiro

Há mais de uma década somos obrigados a escutar os comentaristas esportivos de Belo Horizonte como, por exemplo, o Flavio Carvalho, do programa Minas Esporte, da TV Bandeirantes, tripudiar o futebol carioca e, em especial, os grandes clubes do Rio de Janeiro. Costumam dizer que os clubes do Rio estão "desestruturados", "desorganizados", "falidos", "acabados"! E que sobrevivem graças ao oba-oba da imprensa carioca.

A análise teria sentido se os tais comentários partissem da imprensa paulista, mas vindos da imprensa belo-horizontina soa demasiado esquisito. Ainda mais que na última década levamos outra surra do futebol carioca! Os "acabados" do Rio chegaram a finais de Libertadores, da Copa Sulamericana, ganharam o Brasileirão e a Copa do Brasil. Em Minas apenas o Cruzeiro honrou o futebol mineiro e ainda assim, após o mágico ano de 2003, só voltou a decidir uma final em 2009, quando chegou a decisão da Libertadores e disputou o título brasileiro até a penúltima rodada.

O Campeonato Brasileiro nos últimos 10 anos teve o predomínio paulista que levou o caneco 6 vezes (Santos em 2002 e 2004, Corinthians em 2005 e São Paulo em 2006, 2007 e 2008) e ainda teve 5 vice-campeonatos (São Caetano em 2000 e 2001, Corinthians em 2002, Santos em 2003 e 2007).

Pois é, depois do futebol paulista, qual foi o estado que teve o segundo melhor desempenho? O Rio de Janeiro, né! Os "combalidos" levaram dois Brasileirões em 2000 com o Vasco e em 2009 com o Flamengo. E o futebol mineiro, como ficou? Bem, obrigado, mas atrás do Rio e do Paraná! Levamos apenas o caneco de 2003 com o Cruzeiro. O mesmo número de conquistas dos paranaenses que conquistaram o título em 2001 com o "Furacão", que também foi vice em 2004.

E a Copa do Brasil? Mais uma vez o predomínio foi paulista que levou 4 títulos (Corinthians em 2002 e 2009, Paulista em 2005, Santo André em 2004) e 3 vices (Corinthians em 2001 e 2008 e São Paulo em 2000).

E o futebol mineiro, como ficou em relação ao carioca? Atrás, novamente.Os "falidos" levaram duas vezes o caneco com o Flamengo em 2006 e o Fluminense em 2007, além de 4 vices (Flamengo em 2003 e 2004, Fluminense em 2005 e Vasco em 2006). O futebol mineiro levou o caneco duas vezes com o Cruzeiro em 2000 e 2003 e foi só. Porém, ficamos a frente dos gaúchos que levaram apenas o titulo de 2001 com o Gremio e um vice com o Internacional em 2009, dos pernambucanos que se sagraram campeões em 2008 com o Sport Recife e dos catarinenses e brasilienses que tiveram a gloria de um vicecampeonato cada em 2007 e 2002, com o Figueirense e o Brasiliense, respectivamente.

E no âmbito internacional? Os gaúchos foram os melhores. O Internacional conquistou 4 títulos (Mundial de 2006, Libertadores de 2006, Recopa de 2006 e Copa Sulamericana de 2008). E os Pampas também tiveram dois vice campeonatos (Libertadores de 2007 com o Grêmio e Recopa de 2008 com o Inter). Em seguida o futebol paulista aparece com 3 títulos. O Corinthians com o primeiro Mundial de 2000 e o São Paulo com o Mundial de 2005 e a Libertadores também de 2005. Os bandeirantes levaram 4 vice-campeonatos da Libertadores (Palmeiras em 2000, São Caetano em 2002, Santos em 2003 e São Paulo em 2006).

E, novamente, o Rio levou a melhor sobre nós. Os "desestruturados" chegaram a três finais internacionais: o Vasco do Mundial em 2000 e o Fluminense da Libertadores em 2008 e da Copa Sulamericana em 2009. O futebol mineiro ficou na quarta posição empatado com o paranaense com um vicecampeonato da Libertadores cada (Cruzeiro em 2009 e Atlético Paranaense em 2005)

E aí vem a questão: e se o futebol mineiro não tivesse o Cruzeiro, hein, como ficaríamos nessa análise comparativa, ou melhor, nesse "oba-oba"?

domingo, 24 de janeiro de 2010

Clubes brasileiros que mais disputaram a Libertadores

15 vezes
São Paulo (1972, 1974, 1978, 1982, 1987, 1992, 1993, 1994, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008, 2009, 2010)

14 vezes
Palmeiras (1961, 1968, 1971, 1973, 1974, 1979, 1994, 1995, 1999, 2000, 2001, 2005, 2006, 2009)

12 vezes
Cruzeiro (1967, 1975, 1976, 1977, 1994, 1997, 1998, 2001, 2004, 2008, 2009, 2010)
Gremio (1982, 1983, 1984, 1990, 1995, 1996, 1997, 1998, 2002, 2003, 2007, 2009)

10 vezes
Santos (1962, 1963, 1964, 1965, 1984, 2003, 2004, 2005, 2007, 2008)
Flamengo (1981, 1982, 1983, 1984, 1991, 1993, 2002, 2007, 2008, 2010)

8 vezes
Corinthians (1977, 1991, 1996, 1999, 2000, 2003, 2006, 2010)
Internacional (1976, 1977, 1980, 1989, 1993, 2006, 2007, 2010)

7 vezes
Vasco (1975, 1980, 1985, 1991, 1998, 1999, 2001)

4 vezes
Atletico-MG (1972, 1978, 1981, 2000)

3 vezes
Atletico-PR (2000, 2002, 2005), Bahia (1960, 1964, 1989), Botafogo (1963, 1973, 1996), Fluminense (1971, 1985, 2008), Guarani (1979, 1987, 1988), São Caetano (2001, 2002, 2004)

2 vezes
Coritiba (1986, 2004) e Sport (1988, 2009)

1 vez
Bangu (1986), Criciuma (1992), Goias (2006), Juventude (2000), Nautico (1968), Parana (2007), Paulista (2006), Paysandu (2003), Santo Andre (2005)

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

O equívoco da imprensa brasileira

Durante a transmissão da partida entre Cruzeiro e Uberlandia nesta quarta feira, o jornalista Bob Faria, da Rede Globo Minas, comentou que o Cruzeiro vai disputar uma vaga para a Libertadores contra o Real Potosí.

Bob e outros integrantes do jornalismo esportivo brasileiro ignoram o regulamento da Libertadores e acreditam que a competição só começa na etapa que eles rotularam como "fase de grupos" e que estes primeiros confrontos fazem parte de uma seletiva ou do Torneio Pré-libertadores! Assim, de acordo com o critério da tchurma, o Cruzeiro, caso não passe pelo Real Potosí, não terá mais uma participação na Libertadores computada em seu currículo!

Enganam-se! A Pre-Libertadores foi um Torneio criado em 1998, quando a Conmebol convidou os clubes mexicanos para participarem da competição. Assim, dois clubes mexicanos e dois clubes venezuelanos disputaram este certame até 2003. Era um torneio de pontos corridos em turno e returno. Os dois primeiros colocados se classificavam para a Libertadores. Como todo Torneio Seletivo, os eliminados não são considerados como participantes da competição.

Em 2004, a Conmebol ampliou o número de participantes da Libertadores de 32 para 36 criando mais um grupo, o de número 9, na Primeira Fase, e extinguiu o Torneio Pré-Libertadores. Os dois classificados do Mexico e da Venezuela foram integrados diretamente na competição sem a necessidade de disputarem duas vagas entre si.

Em 2005, a Conmebol aumentou o número de participantes da Libertadores de 36 para 38. E é verdade que essa primeira fase é uma seletiva para a Segunda Fase, que os jornalistas brasileiros rotulam como "Fase de Grupos". No entanto, pelo regulamento, ela é a Primeira Fase da competição e não um torneio alheio que serve apenas como uma seletiva como foi a Pré-Libertadores. Basta verificar o site oficial da Confederação Sulamericana.

Os confrontos entre Cruzeiro e Cerro Porteno, do Paraguai, não foram apenas válidos pela Primeira Fase de 2008, como computaram pontos para ambos no ranking oficial da competição atualizado todos os anos pela entidade! E o Cerro, mesmo eliminado, é tido como participante da Libertadores de 2008 neste ranking.

Estamos entendidos?!?

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

O importante é revelar



Ah, essa Federação Paulista! Como se explica o clássico júnior entre Cruzeiro e São Paulo ter sido marcado para um estádio de Jaguariúna! Era a partida mais importante e de maior expectativa de todos os confrontos marcados pelas quartas de final da Copa São Paulo Junior. Na opinião de todos os jornalistas que acompanham a Copinha era uma final antecipada! E por que não foi disputada na capital paulista, no pacaembu, por exemplo, que pertence a prefeitura de São Paulo? A Copa não foi criada para comemorar a data máxima paulistana? Com certeza teria casa cheia e, provavelmente, com a torcida tricolor em peso. Um motivo a mais para os jogadores cruzeirenses irem se preparando para os grandes jogos.

Aguardei com interesse o jogo e esperava assistir a um confronto entre duas escolas que praticam o futebol rápido e rasteiro, mas o que prevaleceu foi um jogo lento, de passes medidos, tabelas curtas, como recomenda os adeptos do chamado "futebol compacto". Ambos os times estavam cautelosos e precavidos com os contra-ataques e foi num desses, após o erro da arbitro que não marcou um pênalti a favor do Cruzeiro, que o tricolor conquistou o gol do triunfo. Gol este que contou com a má colocação do goleiro cruzeirense que tem o hábito de jogar adiantado.

Horas antes do jogo me deparei com uma matéria do jornal Hoje em Dia sobre a demissão da secretária da educação de Sete Lagoas, Maria Lisboa. O motivo alegado pelo prefeito Mario Marcio Campolina, do PSDB, é que ela era competente demais! Isso me fez recordar a demissão do treinador do junior do Cruzeiro, Enderson Moreira, que conquistou os dois maiores títulos da história da categoria pelo Cruzeiro: o Campeonato Brasileiro e a Copa São Paulo Junior em 2007.

Em 2008, pra quem não se recorda, foi instaurada a "República do Berimbau" na base do Cruzeiro encabeçada pelo novo diretor Dimas Fonseca, que veio da Bahia, junto com outros dirigentes. Assim como o prefeito de Sete Lagoas, o baiano reconheceu que Enderson era competente demais pra ganhar títulos, porém não revelava craques. No entanto saiu do time de Enderson o atacante Guilherme, que tornou-se a maior revelação do Campeonato Brasileiro de 2007 e o goleiro Rafael, titular da Seleção Brasileira da categoria e que hoje é o reserva imediato de Fábio.

Assim tive mudar o meu conceito de torcer pelo time junior. Os resultados não interessam. O que vale é o surgimento de um talento. Embora os atacantes titulares Allan Junior, Sebá e Elber, o lateral esquerdo Hyago e o meia Dudu, terem se destacado, quem mais me chamou a atenção foi o reserva Maranhão. Contra o São Paulo ele substituiu Allan Junior e deu um show de bola. O cara mostrou um futebol de primeira qualidade! Rápido, ousado e habilidoso. Joga como os antigos pontas abertos de tempos idos do futebol brasileiro e passa com facilidade pela marcação. Caso estivesse em campo um jogador de referência na área, como o Sebá, que estava suspenso, o Cruzeiro teria passado pelo São Paulo e avançado na competição. O garoto enxaqueca Kleber que se cuide, Maranhão vem aí!

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Nada Mudou!



O moribundo Campeonato Mineiro começou em 2010 sem nenhuma novidade. O Cruzeiro goleando um coadjuvante no Mineirão numa exibição de linha contra defesa, uma equipe do interior pecando novamente pela falta de planejamento fazendo sua estréia desfalcada de 6 atletas que a sua diretoria não conseguiu registrá-los a tempo, um árbitro fora de forma que sofreu uma distensão muscular na metade do segundo tempo! É o resumo que faço da abertura do Campeonato Estadual com a goleada de 6 a 0 do Cruzeiro sobre o Uberlândia.

E a Rede Globo, durante a transmissão, fez o possível para apaziguar a relação entre o gladiador Kleber e a Nação Cruzeirense, mas o jogador, assim como o campeonato mineiro, também continua o mesmo. Errou pênalti no início do jogo, marcou gols sem comemorar, desceu para os vestiários no intervalo recusando dar entrevistas. A equipe da Globo evitou criticar suas atitudes. Querendo ou não, Kleber é uma atração para a competição e a sua saída para o futebol do eixo Rio-São Paulo poderia diminuir o interesse dos torcedores que não são cruzeirenses em acompanhar os jogos pela TV e as vendas do pay-per-view e isso provocaria uma queda numa possível renda extra que a emissora deseja com a permanência do gladiador em Minas.

Kleber contou com a solidariedade de todo o plantel, após a perda do pênalti. Foi municiado de todas as formas para que fizesse gols. E acabou fazendo três! Ao fim do jogo resolveu conceder entrevistas, mas evitou reconhecer a solidariedade dos companheiros e agradecer ao perdão da torcida que cantou o seu nome. O cara é mesmo um mala! Preferiu justificar o mau desempenho no início do jogo a problemas particulares extra-campo. Ah, conta outra xará!

Respeitável foi o comportamento do plantel cruzeirense. Não levou em consideração a importância da competição, do adversário e do relacionamento de seu atacante com a torcida e tratou de fazer espetáculo. Jogou com alegria e com respeito aos torcedores que pagaram ingressos. Mesmo com o resultado definido no início do segundo tempo não modificou sua maneira de atuar, continuou ofensivo, buscando mais gols e jogando sério pra fazer valer cada centavo pago pela platéia que foi vê-lo jogar.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Em 1958 o Campeonato dos golpes baixos

Em 1958 havia duas divisões no futebol de Minas Gerais: a “Divisão Extra” que era a da Capital e organizada pela Federação Mineira e a “Divisão Especial” que era de Juiz de Fora e organizada pela Liga daquela cidade. E eram divididas, mesmo! Uma se considerava mais importante do que a outra. Tanto o Campeonato da Extra quanto da Especial eram regionais e englobavam equipes de várias cidades. Eram indiferentes e estavam pouco se fudendo um para o outro.

Era como se em Minas tivéssemos duas federações e dois campeonatos distintos. Foram vãs as tentativas de unirem os dois certames. E devido a politicagem tipicamente mineira, Minas não tinha o seu “campeão máximo”. Sim, porque desde 1927, os estatutos da Federação Mineira previam a disputa do título máximo de “campeão mineiro” entre os vencedores de ambos os campeonatos, que nunca ocorreu.

Quando o América sagrou-se campeão da Extra de 1957 e o certame da Especial estava prestes a ser decidido entre Tupi e Olimpic de Barbacena, o jornal Diário da Tarde de 23/01/1958 protestou contra a omissão da Federação em providenciar com antecipação a marcação das partidas pela decisão do título mineiro: “A propósito consta do calendário da entidade mineira o jogo entre o campeão da extra e de juiz de fora. O certame de Juiz de Fora está prestes a terminar, mas até o momento não se cogita de reservar a data. A entidade montanhesa parece ignorar a existência do calendário”.

A fórmula Siderúrgica
Antes da disputa do Campeonato de 1958 o Siderúrgica propôs as extinções das divisões “Extra” e “Especial” e a criação de um Campeonato Mineiro dividido em várias regiões do Estado com os campeões de cada uma decidindo o título de campeão mineiro. A proposta que foi apoiada por todos os círculos esportivos do Estado e que ficou conhecida como “fórmula Siderúrgica” enxugaria o calendário do futebol mineiro e alavancaria o progresso de muitas equipes do interior que não tinham campeonatos para disputar.

A fórmula revolucionária levou um duro golpe, quando da noite para o dia surgiu a notícia de que a “Divisão Extra” não apenas seria mantida, como teria o ingresso de mais 6 equipes sendo 5 delas do interior: Bela Vista (Sete Lagoas), Curvelo (Curvelo), Guarani (Divinópolis), Pedro Leopoldo (Pedro Leopoldo), Uberaba (Uberaba) e Renascença (Belo Horizonte).

Somando-se aos 10 clubes América, Atlético, Cruzeiro, Sete (Belo Horizonte), Asas (Lagoa Santa), Democrata (Sete Lagoas), Meridional (Conselheiro Lafaiete), Metalusina (Barão de Cocais), Siderúrgica (Sabará) e Villa Nova (Nova Lima) a divisão passou a ter 16 participantes.

A Federação comemorou a entrada dos cinco clubes do interior na “divisão extra” e promoveu o “torneio dos novos” entre eles em fevereiro que teve o Bela Vista como campeão. Por outro lado, os clubes da capital temiam o fracasso financeiro do certame, caso fosse disputado por 16 clubes e propuseram um campeonato com apenas 8 clubes que seriam selecionados num torneio de acesso denominado “torneio eliminatório”.

Os indigestos Asas e Metalusina
O Campeonato deveria ter sido disputado por 10 clubes, como estava ocorrendo há alguns anos, mas o América não digeria a participação do Asas, de Lagoa Santa e do Metalusina, de Barão de Cocais, e promoveu um golpe contra estes dois clubes propondo a redução de 10 para 8 participantes. Para o América, as partidas contra o Asas e o Metalusina resultavam em baixas arrecadações e prejuízo financeiro para o Campeonato.

O Metalusina foi fundado em 1939 na Compania das Usinas Siderúrgicas de Barão de Cocais e foi admitido na Divisão Extra em 1946. O Asas era o time da fábrica de aviões de Lagoa Santa e foi admitido na Extra em 1952. Os times seguiam a mesma política na formação de seus plantéis: jogadores não aproveitados ou veteranos dos clubes da capital. Como não tinham grandes pretensões terminavam os certames entre a parte intermediária e a lanterna da tabela de classificação.

O Asas e o Metalusina eram aceitos na Divisão Extra com a condição de pagarem uma quantia aos clubes da capital para mandar seus jogos em suas respectivas cidades sedes. Assim o que incomodava os clubes da capital era o aspecto técnico. Tanto Asas como Metalusina não eram atrações e, portanto, não enchiam estádios.

O Torneio de Acesso para a escolha dos 8 participantes do Campeonato foi disputado entre 27 de abril e 12 de outubro de 1958, em turno e returno, com rodadas duplas, em Belo Horizonte. O que não se previa era que os novos clubes do interior entrariam fortes na disputa. O Bela Vista e o Uberaba garantiram-se entre os oito. O Cruzeiro classificou-se a duras penas numa partida extra pela 8ª vaga contra o Renascença e o Villa Nova foi eliminado.

O Torneio de Acesso terminou com a seguinte classificação: 1º Atlético, 2º América, Democrata e Sete, 5º Uberaba, 6º Siderúrgica, 7º Bela Vista, 8º Cruzeiro, 9º Renascença, 10º Meridional, 11º Pedro Leopoldo, 12º Villa Nova, 13º Asas, 14º Metalusina, 15º Curvelo e 16º Guarani.

O Villa Nova tentou virar a mesa alegando que o Acesso não tinha amparo judicial e que tinha vaga garantida nos certames da extra por ser um dos fundadores (que nunca foi) da Federação Mineira de Futebol. De nada adiantou as alegações do Villa que acabou ficando de fora.

O prêmio ao mais irregular
Por causa do Torneio de Acesso que apontou os 8 classificados para o Campeonato de 1958, o certame só começou em fins de outubro e varou o ano de 1959. Dividido em dois turnos distintos, o título foi decidido entre os vencedores de cada fase. Esse tipo de sistema provou ser o mais fuleiro, porque premiou o Atlético, que foi o time mais irregular de todo o Campeonato, quando sagrou-se campeão do 1º turno e lanterna do 2º sem nenhuma vitória.

O América, que foi o campeão da Cidade de 1957, tinha o melhor plantel. No clássico do 1º turno deu um vareio de bola no Atlético no clássico válido pela última rodada a ponto do atacante Miguel tripudiar e humilhar os adversários alvinegros ao sentar-se na bola durante o jogo. O Atlético que, já naquela época, sofria da “síndrome de Estocolmo”, que é aquela em que o torturado se apaixona pelo torturador, quis contratá-lo em outubro do ano seguinte.

O mesmo aconteceria com o atacante Paulinho Maclaren no clássico contra o Cruzeiro no Campeonato Brasileiro de 1996, quando ao marcar o gol que decretou a derrota alvinegra por 2 a 1 saiu tripudiando a mascote do galo na comemoração. O Atlético foi atrás dele dois anos depois para contratá-lo.

O Cruzeiro foi o time mais regular e caso o Campeonato fosse disputado no sistema de pontos corridos teria sido o campeão. E não foi apenas o sistema de disputa que o prejudicou, mas a forte influência do América no Tribunal de Justiça Desportiva, o TJD. O Cruzeiro ficou de fora da decisão pelo título, devido a um golpe promovido pelo América naquele setor da Federação. É que a última rodada do 2º turno foi decisiva para as pretensões de três clubes: América, Cruzeiro e Uberaba empatados na liderança com 8 pontos cada. O Cruzeiro passou pelo Atlético com uma vitória por 1 a o, mas Uberaba e América empataram em dois gols no estádio Boulanger Pucci, em Uberaba, e morreram abraçados.

Daí surgiu o maior absurdo daquele Campeonato, quando o Uberaba combinado com o América, entrou com um recurso pedindo a anulação da partida acusando o seu próprio estádio de estar em condições irregulares! E o objetivo era para ambos (América e Uberaba) beneficiarem-se com a marcação de um novo jogo para terem uma segunda chance de, pelo menos, disputarem uma partida decisiva extra contra o Cruzeiro.

O TJD em mais uma de seus aberrantes golpes contra o Cruzeiro ao longo da história acatou o pedido, após consultar a súmula do árbitro Luiz Pereira Filho, o Luiz Guarda, que denunciou que as medidas do campo e do alambrado do Boulanger Pucci estavam irregulares! Outra partida foi marcada e o América venceu o Uberaba conquistando o direito de disputar o título do 2º turno contra o Cruzeiro.

Por causa da vitória do América, o Campeonato ficou paralisado por quase um mês para que o alviverde fosse cumprir uma excursão com a devida autorização da Federação Mineira. Ao retornar o América venceu o Cruzeiro na última partida da melhor de três (as duas primeiras terminaram empatadas) e foi para a decisão contra o Atlético.

Cansado devido a maratona de jogos amistosos e as três partidas contra o Cruzeiro que cumpriu em um mês, o América não foi o mesmo time que derrotou o Atlético nas duas fases do certame. E, assim como começou, o Campeonato de 1958 terminou com o seu último golpe baixo. Foi decidido na segunda partida com um pênalti inexistente marcado a favor do Atlético que, com duas vitórias, eliminou a possibilidade de uma terceira partida e terminou como campeão da divisão extra.

O derradeiro golpe viria acontecer na escolha do “campeão mineiro” para a disputa do 1º Campeonato Brasileiro que começaria em 1959 programado para ser disputado apenas entre os campeões de cada estado. A Federação Mineira, mais uma vez, tratou o Campeonato de Juiz de Fora como de outro galáxia, ignorou seus próprios estatutos, atropelou o calendário oficial e sem marcar a decisão do título mineiro entre os campeões das duas divisões proclamou o Atlético como “campeão mineiro” de 1958.

Campeonato Mineiro de 1958

Clubes Participantes:
AMÉRICA FUTEBOL CLUBE (BELO HORIZONTE)
CLUBE ATLÉTICO MINEIRO (BELO HORIZONTE)
BELA VISTA FUTEBOL CLUBE (SETE LAGOAS)
CRUZEIRO ESPORTE CLUBE (BELO HORIZONTE)
DEMOCRATA FUTEBOL CLUBE (SETE LAGOAS)
SETE DE SETEMBRO FUTEBOL CLUBE (BELO HORIZONTE)
SPORT CLUB SIDERÚRGICA (SABARÁ)
UBERABA SPORT CLUB (UBERABA)


1o TURNO

1a rodada
30/10 (Qui)
CRUZEIRO 1 X 0 SIDERÚRGICA – Barro Preto (Belo Horizonte)
[Guerino (Cru)]
01/11
AMÉRICA 1 X 2 DEMOCRATA - Alameda (Belo Horizonte)
[Délio contra (Ame); Chiquinho, Bertôlo (Dem)]
BELA VISTA 2 X 2 ATLÉTICO – Santa Luzia (Sete Lagoas)
[Nenenzão 2 (BV); Ubaldo, Isaías contra (Atl)]
UBERABA 2 X 2 SETE – Boulanger Pucci (Uberaba)
[Paulo Resende, Reinaldo (Ubr); Áureo, Capeta (Set)]

2a rodada
06/11 (Qui)
SETE 2 X 1 BELA VISTA - Independência (Belo Horizonte)
[Áureo, Dirceu (Set); Pedrinho (BV)]
09/11 (Dom)
SIDERÚRGICA 3 X 1 AMÉRICA - Praia do Ó (Sabará)
[Paulo Fernandes 2, Wilsinho (Sid); Gunga (Ame)]
ATLÉTICO 1 X 1 UBERABA - Independência (Belo Horizonte)
[Dino (Atl); Paulo Resende (Ubr)]
DEMOCRATA 2 X 1 CRUZEIRO - Duarte de Paiva (Sete Lagoas)
[Biguá, Chiquinho (Dem); Raimundinho (Cru)]

3a rodada
13/11 (Qui)
CRUZEIRO 2 X 0 BELA VISTA – Barro Preto (Belo Horizonte)
[Guerino 2 (Cru)]
16/11 (Dom)
DEMOCRATA 0 X 1 ATLÉTICO – Duarte de Paiva (Sete Lagoas)
[Alvinho (Atl)]
UBERABA 2 x 2 SIDERÚRGICA – Boulanger Pucci (Uberaba)
[Silvestre 2 (Sid); Reinaldo, Paulinho (Ubr)]
AMÉRICA 4 X 0 SETE - Alameda (Belo Horizonte)
[Miguel 2, Gunga, Ernani (Ame)]

4a rodada
20/11 (Qui)
AMÉRICA 2 x 2 CRUZEIRO - Independência (Belo Horizonte)
[Guerino, Raimundinho (Cru); Gunga, Miguel (Ame)]
23/11 (Dom)
SETE 1 x 2 ATLÉTICO – Independência (Belo Horizonte)
[Dino, Ubaldo (Atl); Rubim (Set)]
SIDERÚRGICA 3 X 0 DEMOCRATA – Praia do Ó (Sabará)
[Silvestre 2, Wilsinho (Sid)]
BELA VISTA 0 X 1 UBERABA – Santa Luzia (Sete Lagoas)
[Paulinho (Ubr)]

5a rodada
27/11 (qui)
SETE 0 X 1 CRUZEIRO - Independência (Belo Horizonte)
[Leston (Cru)]
30/11 (Dom)
ATLÉTICO 3 X 1 SIDERÚRGICA - Lourdes (Belo Horizonte)
[Ubaldo 2, William (Atl); Silvestre (Sid)]
UBERABA 3 X 2 DEMOCRATA – Boulanger Pucci (Uberaba)
[Machadinho 2, Reinaldo (Ubr); Bertôlo, Biguá (Dem)]
BELA VISTA 1 X 1 AMÉRICA – Santa Luzia (Sete Lagoas)
[Genuíno (BV); Ernani (Ame)]

6a rodada
04/12 (qui)
AMÉRICA 2 X 0 UBERABA – Alameda (Belo Horizonte)
[Gunga 2 (Ame)]
07/12 (Dom)
CRUZEIRO 0 X 3 ATLÉTICO – Independência (Belo Horizonte)
[Ubaldo, Dino, Amorim (Atl)
SIDERÚRGICA 9 X 4 BELA VISTA – Praia do Ó (Sabará)
[Guará 4, Paulo Fernandes 3, Silvestre, Salvatore contra (Sid); Genuíno 2, Baiano, Toledo (BV)
DEMOCRATA 2 X 0 SETE – Duarte de Paiva (Sete Lagoas)
[Bertôlo 2 (Dem)]

7a rodada
11/12 (Qui)
SETE 1 X 2 SIDERÚRGICA - Independência (Belo Horizonte)
[Gonçalves (Set); Silvestre, Alfeu contra (Sid)]
14/12 (Dom)
UBERABA 1 X 3 CRUZEIRO – Boulanger Pucci (Uberaba)
[Paulo Gonçalves (Ubr); Pelau 2, Emerson (Cru)]
BELA VISTA 0 X 1 DEMOCRATA – Santa Luzia (Sete Lagoas)
[Bertôlo (Dem)]
18/12 (Qui)
AMÉRICA 3 X 0 ATLÉTICO - Independência (Belo Horizonte)
[Gunga, Zuca, Miguel (Ame)]

CLASSIFICAÇÃO DO 1o TURNO
Pos Classificados PG J V E D GP GC SG
1º Atlético (*) 10 7 4 2 1 12 8 4
2º Cruzeiro 9 7 4 1 2 10 8 2
2º Siderúrgica 9 7 4 1 2 20 12 8
4º América 8 7 3 2 2 14 8 6
4º Democrata 8 7 4 0 3 9 9 0
6º Uberaba 7 7 2 3 2 10 12 -2
7º Sete deSetembro 3 7 1 1 5 6 14 -8
8º Bela Vista 2 7 0 2 5 8 18 -10
*finalista

2o TURNO

1a rodada
10/01 (Sab)
SETE 2 x 5 CRUZEIRO - Independência (Belo Horizonte)
[Haroldo 2 (Set); Pelau 2, Zezinho, Carioca, Gonçalves (Cru)]
11/01 (Dom)
SIDERÚRGICA 3 x 1 ATLÉTICO – Praia do Ó (Sabará)
[Silvestre 2, Paulo Fernandes (Sid); Ubaldo (Atl)]
DEMOCRATA 0 X 3 UBERABA – Duarte de Paiva (Sete Lagoas)
[Paulinho 2, Paulo Gonçalves (Ubr)]
AMÉRICA 2 X 1 BELA VISTA – Alameda (Belo Horizonte)
[Gunga, Zuca (Ame); Genuíno (BV)]

2a rodada
15/01 (Qui)
SETE 1 X 0 UBERABA – Independência (Belo Horizonte)
[? (Set)]
18/01 (Dom)
SIDERÚRGICA 1 X 0 CRUZEIRO – Praia do Ó (Sabará)
[Paulo Fernandes (Sid)]
AMÉRICA 2 x 1 ATLÉTICO - Independência (Belo Horizonte)
[Ubaldo (Atl); Gunga, Zuca (Ame)]
DEMOCRATA 2 X 1 BELA VISTA – Duarte de Paiva(Sete Lagoas)
[? (BV)]

3a rodada
24/01 (Sab)
ATLÉTICO 1 X 2 SETE - Lourdes (Belo Horizonte)
[Barbatana (Atl); Abelardo, Áureo (Set)]
25/01 (Dom)
AMÉRICA 1 X 1 CRUZEIRO - Independência (Belo Horizonte)
[Ernani (Ame); Guerino (Cru)]
UBERABA 4 X 1 BELA VISTA – Boulanger Pucci (Uberaba)
[Paulinho 2, Machadinho, Paulo Gonçalves (Ubr); Nenenzão (BV)]
DEMOCRATA 4 X 2 SIDERÚRGICA – Duarte de Paiva (Sete Lagoas)
[Chiquinho 2, Bertôlo, Perci (Dem); Sílvio, Wilson (Sid)]

4a rodada
31/01 (Sab)
CRUZEIRO 2 X 0 DEMOCRATA - Barro Preto (Belo Horizonte)
[Pelau 2 (Cru)]
01/02 (Dom)
UBERABA 2 X 1 ATLÉTICO – Boulanger Pucci (Uberaba)
[Paulinho 2 (Ubr); Anísio (Atl)
AMÉRICA 1 X 1 SIDERÚRGICA – Alameda (Belo Horizonte)
[Miguel (Ame); Paulo Fernandes (Sid)]
BELA VISTA 2 X 0 SETE – Santa Luzia (Sete Lagoas)
[Genuíno, Baiano (BV)]

5a rodada
12/02 (Qui)
ATLÉTICO 1 X 1 BELA VISTA - Lourdes (Belo Horizonte)
[Ubaldo (Atl); Murilinho (BV)]
15/02 (Dom)
SIDERÚRGICA 4 X 2 SETE – Praia do Ó (Sabará)
[Joãozinho 2, Paulo Fernandes, Silvestre (Sid); Abelardo 2 (Set)]
DEMOCRATA 2 X 1 AMÉRICA – Duarte de Paiva (Sete Lagoas)
[Chiquinho, Bertôlo (Dem); Dodô (Ame)]
CRUZEIRO 4 X 0 UBERABA – Barro Preto (Belo Horizonte)
[Nívio, Iranildo, Pelau, Dirceu (Cru)]

6a rodada
19/02 (Qui)
ATLÉTICO 2 X 2 DEMOCRATA - Lourdes (Belo Horizonte)
[Márcio, Nísio (Atl); Bertôlo, Jaime (Dem)
22/02 (Dom)
UBERABA 3 X 2 SIDERÚRGICA– Boulanger Pucci (Uberaba)
[Alaor, Paulinho, Paulo Gonçalves (Ubr); Guará, Joãozinho (Sid)]
SETE 0 X 3 AMÉRICA - Independência (Belo Horizonte)
[Ernani, Miguel, Zuca (Ame)]
BELA VISTA 0 X 0 CRUZEIRO – Santa Luzia (Sete Lagoas)

7a rodada
01/03 (Dom)
ATLÉTICO 0 x 1 CRUZEIRO - Independência (Belo Horizonte)
[Pelau (Cru)]
SETE 3 X 2 DEMOCRATA
[Abelardo 2, Novais (Set); Bertôlo, Silvinho (Dem)]
13/03 (Sex)
BELA VISTA 1 X 3 SIDERÚRGICA – Santa Luzia (Sete Lagoas)
[Genuíno (BV); Guará, Joãozinho, Perci (Sid)]
29/03 (Dom)
UBERABA 1 X 2 AMÉRICA – Boulanger Pucci (Uberaba)
[Paulinho (Ubr); Ernani, Gunga (Ame)]

CLASSIFICAÇÃO DO 2o TURNO
Pos Classificados PG J V E D GP GC SG
1º América (*) 10 7 4 2 1 12 7 5
1º Cruzeiro (*) 10 7 4 2 1 13 4 9
3º Siderúrgica 9 7 4 1 2 16 12 4
4º Uberaba 8 7 4 0 3 13 11 2
5º Democrata 7 7 3 1 3 12 14 -2
6º Sete deSetembro 6 7 3 0 4 10 17 -7
7º Bela Vista 4 7 1 2 4 7 12 -5
8º Atlético 2 7 0 2 5 7 13 -6
*Cruzeiro e América com o mesmo número de pontos decidiram o título do 2º turno e uma vaga para a final numa série de três partidas.

Decisão do 2o turno em Série de Três Partidas
05/04 (Dom)
CRUZEIRO 1 X 1 AMÉRICA - Independência (Belo Horizonte)
[Amauri (Cru); Zuca (Ame)]
09/04 (Qui)
AMÉRICA 1 X 1 CRUZEIRO - Independência (Belo Horizonte)
[Dodô (Ame); Amauri (Cru)]
12/04 (Dom)
AMÉRICA 3 X 1 CRUZEIRO - Independência (Belo Horizonte)
[Zuca 2, Ernani (Ame); Amauri (Cru)]
*América sagrou-se o vencedor do 2o turno

Decisão do Campeonato Mineiro de 1958
19/04 (Dom)
ATLÉTICO 1 x 0 AMÉRICA - Independência (Belo Horizonte)
[Ubaldo (Atl)]
23/04 (Qui)
ATLÉTICO 1 x 0 AMÉRICA - Independência (Belo Horizonte)
[Alvinho (Atl)]

Classificação final do Campeonato Mineiro
Pos Classificados PG J V E D GP GC SG
1º Atlético 16 16 6 4 6 21 21 0
2º América 22 19 8 6 5 31 20 11
3º Cruzeiro 21 17 8 5 4 26 17 9
4º Siderúrgica 18 14 8 2 4 36 24 12
5º Democrata 15 14 7 1 6 21 23 -2
5º Uberaba 15 14 6 3 5 23 23 0
7º Sete deSetembro 9 14 4 1 9 16 31 -15
8º Bela Vista 6 14 1 4 9 15 30 -15
*Classificado para o Campeonato Brasileiro (Taça Brasil)

Quadro de Artilheiros
10 gols
Silvestre (Siderúrgica) e Paulinho (Uberaba)
9 gols
Gunga(América), Ubaldo (Atlético), Bertôlo (Democrata) e Paulo Fernandes (Siderúrgica)
8 gols
Pelau (Cruzeiro)
7 gols
Zuca (América)
6 gols
Ernani, Miguel (América), Genuíno (Bela Vista) e Guará (Siderúrgica)
5 gols
Guerino (Cruzeiro), Chiquinho (Democrata) e Abelardo (Sete)
4 gols
Joãozinho (Siderúrgica) e Paulo Gonçalves (Uberaba)
3 gols
Dino (Atlético), Nenenzão (Bela Vista), Amauri (Cruzeiro), Áureo (Sete), Machadinho e Reinaldo (Uberaba)
2 gols
Dodô (América), Alvinho (Atlético), Baiano (Bela Vista), Raimundinho (Cruzeiro), Biguá (Democrata)
Haroldo (Sete), Wilsinho (Siderúrgica) e Paulo Resende (Uberaba)
1 gol
Amorim, Anísio, Barbatana, Marcio, Nísio, William (Atlético), Murilinho, Pedrinho, Toledo (Bela Vista), Carioca, Dirceu, Emerson, Gonçalves, Iranildo, Leston, Nívio, Zezinho (Cruzeiro), Jaime, Perci, Silvinho (Democrata), Capeta, Dirceu, Gonçalves, Novais, Rubim (Sete), Perci, Sílvio, Wilson (Siderúrgica), Alaor (Uberaba)
1 gol contra
Isaías – Bela Vista (para o Atlético); Salvatore – Bela Vista (para o Siderúrgica)
Délio – Democrata (para o América)
Alfeu – Sete (para o Siderúrgica)

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Enfim, a explicação ...



segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

_Dexa dois reau pro cafezim, chefe!


segunda-feira, 30 de novembro de 2009

E agora Marcio Braga?

O presidente do flamengo, Marcio Braga, está pagando o preço de sua falastrice. Depois de ver o seu time levar um chocolate do Barueri e escutar o atacante Val Baiano dizer que o seu time foi motivado pela mala branca paga pelo Cruzeiro, o dirigente rubro-negro saiu expelindo pela boca a sua velha e já reconhecida hipocrisia. Acusou o Cruzeiro de anti-ético, de que a mala branca era crime e ainda exigiu medidas do STJD contra o time das cinco estrelas.

Agora na reta final do Brasileiro surge a notícia de que o Flamengo está sendo beneficiado pelo corpo mole de seus adversários. Na capital paulista dizem que o time do Corinthians não se esforçou em vencer o rubro negro carioca para prejudicar o São Paulo. E no Rio Grande do Sul os jogadores do Gremio ameaçam entregar o jogo para o Flamengo no Maracanã para não beneficiar o rival Inter.

Até o momemto o presidente Marcio Braga, "paladino da moralidade" do futebol ainda não exigiu medidas contra o Corinthians e o Gremio no STJD!

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Queremos porrada!

A primeira pancadaria no estádio a gente nunca esquece. A frase me ocorreu ao assistir as cenas de pugilato entre os times do Fluminense e do Cerro Porteño no jogo da semana passada pela copa sulamericana de futebol. Afirmo que a garotada tricolor que foi ao estádio nunca mais esquecerá do furdunço no gramado.

Assisti ao jogo pela televisão e depois escutei as resenhas das mesas redondas. Ouvi dezenas de comentários sobre o absurdo que foi o arranca-rabo: Um péssimo exemplo, mancha o futebol, é uma mácula no jogo limpo e quejandos.

Não sei não, mas quando eu era moleque, e não havia essa frescura politicamente correta, a torcida adorava quando o pau quebrava entre os jogadores dos dois times. Era só começar o qüiproquó que as arquibancadas gritavam:
- Porrada! Porrada!

E digo mais, no tempo em que os jogadores saiam com mais freqüência na porrada dentro de campo eram raríssimas as brigas nas arquibancadas. Alguém há de concordar comigo: A violência nas arquibancadas cresceu na medida oposta ao afrescalhamento do jogo nas quatro linhas. Quem quiser que explique as razões e faça suas sociologias; eu só constato isso.

Jogo de futebol não é espetáculo de ópera ou coisa parecida. É drama, epopéia, catarse coletiva e o escambau. Arquibancada é o melhor divã do mundo. Eu, se fosse dar um conselho a algum psicanalista, diria com absoluta convicção:
- Queres conhecer o inconsciente do fulano de tal ? Observe o comportamento dele numa arquibancada. A arquibancada é o único espaço do mundo que não comporta mentiras - o sujeito mostra efetivamente o que é. E o psicanalista, que no campo de futebol provavelmente deve se sentir tão confortável quanto um judeu ortodoxo na Faixa de Gaza, há de zombar da irrefutável verdade.

Sou, por isso, a favor de uma campanha contra o fair play da dona FIFA. Acho que precisamos incentivar a volta do conflito generalizado em campo - melhor estratégia para acalmar as coisas na arquibancada. Um gol escandalosamente ilegal como o da França contra a Irlanda na última quarta feira é muito mais nocivo ao jogo e incitador de violência que o telecatch Montilla que Flu e Cerro protagonizaram no fim da peleja - que aos olhos da garotada, podem crer, pareceu mais um espetáculo de circo.

Fiz essas observações todas para, na verdade, confessar algo que só pretendia depois de morto, a uma médium de mesa branca durante sessão de psicografia: Nunca esqueci a sensação de euforia - e alegria genuína - que experimentei ao assistir a uma pancadaria entre os jogadores de Brasil e Uruguai em um jogo pela Taça do Atlântico, disputado no Maracanã em 1976.

Estava no maraca, eu e meus oito anos, com o avô e o pai. Ganhamos dos grigos de 2 X1 , mas não me lembro dos gols. Jamais me esqueci, porém, das cenas de pugilato envolvendo jogadores, comissões técnicas, imprensa, gândulas, funcionários da SUDERJ e o diabo.

No auge da confusão, o lateral uruguaio Ramirez - que já tinha caçado Zico em campo - saiu correndo feito touro bravo em direção a Rivelino, que em desabalada carreira deu um elástico sem a bola no gringo e acabou descendo de bunda a escadaria de acesso ao vestiário, num dos maiores tombos da história do futebol. Eu aplaudi com o mesmo vigor com que aplaudia as fanfarronices do palhaço Carequinha. Meu pai e meu avô imediatamente entraram no coro de porrada que a massa, afinadíssima, começou a entoar. E eu, delirante, também comecei a gritar porrada - feliz como pinto no lixo [apud Jamelão] .

A nossa dupla Jairo [goleiro] e Orlando Lelé [lateral direito] estava possuída - os dois devem ter batido mais em uruguaios do que todo o exército brasileiro na malfadada Guerra da Cisplatina. Jairo, aos meus olhos de menino, parecia o King Kong em fúria dando sopapos em aviões no alto do Empire State; virou meu herói imediato.

Um ano depois dessa quizumba, o Ramirez foi contratado pelo Flamengo. Muitíssimo bem recebido na Gávea, jogou ao lado do Zico, brincou com o Rivelino e deu a lição: A briga foi só dentro de campo - depois fica tudo em paz, como deve ser.

Ouso afirmar categoricamente o seguinte: Naquele noite, ao assistir a confusão generalizada que o escrete canarinho e a celeste olímpica protagonizaram no Mário Filho, me tornei uma criança absolutamente pacífica - naqueles gritos de porrada descarreguei oito anos de agressividade e meus avós e pais economizaram fortunas em psicólogos. Sou hoje um professor de história que não vê graça nenhuma em estudar ou falar de guerras e nunca saí no tapa com ninguém.

Descobri em um estádio de futebol, e nisso acredito até hoje, que só há dignidade e honra nas pancadarias travadas dentro das quatro linhas. Fora dali, vira coisa de otário ou bandido.
Assistam abaixo a um compacto do jogo, nas imagens inesquecíveis do Canal 100, e reparem o furdunço nos segundos finais. O mais bonito: O texto do Canal 100, ao contrário do discurso desses carolas de hoje que ficam achando que gramado é sacristia, diz apenas o seguinte: Brasil dois, Uruguai um; com mais uma briguinha, para manter a tradição!

AMISTOSO 1976 Brasil 2X1 Uruguai http://www.youtube.com/watch?v=UzKGtg_-y74

Por Luiz Antonio Simas

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Uma rodada para entrar para a história

A 37ª e penúltima rodada do Campeonato Brasileiro de 2009 pode definir o atual certame como o mais emocionante de todos os tempos do futebol mundial.

Ninguém ainda se atentou para o fato de que os resultados da 37ª rodada podem colocar nada menos do que 6 equipes na disputa pelo título na última rodada!

Os jogos que vão determinar isso são os confrontos São Paulo x Goiás e Flamengo x Corinthians. Se o São Paulo (62 pontos) perder para o Goiás e o Flamengo (61 pontos) não vencer o Corinthians, os já desacreditados rivais mineiros passam a sonhar com a conquista do título. Assim, o Atlético (56 pontos) e o Cruzeiro (56 pontos) poderão sonhar com a conquista caso vençam seus confrontos contra o Palmeiras (59 pontos) e o Coritiba, respectivamente. O Internacional (59 pontos), neste caso, pode até perder para o Sport que continua na luta.

Caso isso aconteça, a tabela de classificação coloca estas 6 equipes (São Paulo, Flamengo, Internacional, Palmeiras, Atlético e Cruzeiro) com apenas três pontos de diferença entre eles, ou seja, o título do Campeonato Brasileiro de 2009 virá para aquele que conquistar uma última, derradeira, histórica, decisiva e emocionante vitória na última rodada!

Jamais uma volta olímpica será tão comemorada em toda a história do futebol mundial!

O Campeonato poderá até terminar com até três equipes na liderança com o mesmo número de pontos e ser definido pelo critério de desempate como número de vitórias, saldo de gols, gols marcados e, imaginem, o aspecto disciplinar (número de cartões vermelhos).

E diante de todas as surpresas que assistimos nas últimas rodadas nada disso é impossível e o Brasileirão de 2009 entra definitivamente para a história

terça-feira, 24 de novembro de 2009

É mesmo monumental

O Cruzeiro tem o dobro de vitórias de vantagem sobre o Gremio no confronto entre as equipes. Derrotou os gaúchos numa final de Copa do Brasil e o submeteu a duas eliminações na Libertadores. Agora, até em disputa por treinador, o grêmio é um freguês monumental

A resposta tava na ponta da língua

Na semana passada o dirigente do Grêmio Duda Kroeff sem muito o que fazer e na ânsia de criar um factóide para a imprensa brasileira confessou ao jornal Zero Hora de Porto Alegre que havia convidado o treinador Adilson do Cruzeiro para o treinar o seu time em 2010. O dirigente tricolor contou que havia perguntado a Adilson se ele gostaria de treinar o Grêmio e que ele teria respondido: "_vou correndo!" Adilson assinou por mais um ano com o Cruzeiro e assim podemos supor que ele teria dado outra resposta ao convite do dirigente gremista, ou seja, "nem fudendo"!