terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Todos os confrontos entre Cruzeiro e Mamoré

Foto: Diogo Rodrigues/Folha Patense
O armador Montillo em ação no amistoso contra o Mamoré, cercado pelo
lateral esquerdo Raner (a esquerda) e o volante Tiago Carvalho  (a direita).
O centro avante, Maxgol (no fundo, a esquerda), apenas observa.
Embora o jogo tivesse sido disputado em Patos de Minas,
a Nação Cruzeirense predominou na Arena do Sapo
Por Henrique Ribeiro (Almanaque do Cruzeiro)

20/09/1953 - Cruzeiro 2 a 1
Amistoso - (Patos de Minas)
Gols: Pampolini 31’, Guerino 41’ (C); Braga 15’ (M)

30/08/1992 - Cruzeiro 5 a 0
Campeonato Mineiro (1ª fase) - Mineirão
Gols: Canário (contra) 16’, Douglas 27’, Cleison 46’, Tôto 56’, Ramon Menezes 82’

18/10/1992 - Cruzeiro 2 a 1
Campeonato Mineiro (1ª fase) - Waldomiro Pereira (Patos de Minas)
Gols: Cleison 23’, Cleison 83’ (C); Tetê 31’ (M)

05/02/1994 - Cruzeiro 2 a 0
Campeonato Mineiro (Turno) - Mineirão
Gols: Ronaldo 2’, Paulo Roberto (falta) 66’

03/04/1994 - Empate 1 a 1
Campeonato Mineiro (returno) - Waldomiro Pereira (Patos de Minas)
Gols: Ronaldo (pênalti) 25’ (C); Laerte (falta) 79’ (M)

26/03/1995 - Cruzeiro 2 a 1
Campeonato Mineiro (1º turno) - Waldomiro Pereira (Patos de Minas)
Gols: Cleison 17’, Luiz Fernando Gomes (falta) 33’ (C); Joel 22’ (M)

20/05/1995 - Empate 0 a 0
Campeonato Mineiro (2º turno) - Mineirão

08/02/1996 - Cruzeiro 3 a 1
Campeonato Mineiro (1º turno) - Independência
Gols: Roberto Gaúcho 29’, Marcelo Ramos (pênalti) 43’, Palhinha 76’ (C); Eduardo Palhinha (pênalti) 88’

01/05/1996 - Cruzeiro 5 a 0
Campeonato Mineiro (2º turno) - Waldomiro Pereira (Patos de Minas)
Gols: Marcelo Ramos 4’, Ailton 43’, Roberto Gaúcho 63’, Cleison 71’, Marcelo Ramos 83’

08/02/1997 - Cruzeiro 3 a 1
Campeonato Mineiro (1ª fase) - Waldomiro Pereira (Patos de Minas)
Gols: Reinaldo 22’, Cleison 28’, Alex Mineiro 74’ (C); Pio Eugênio 60’ (M)

30/03/1997 - Cruzeiro 3 a 1
Campeonato Mineiro (1ª fase) - Mineirão
Gols: Alex Mineiro 15’, Cleison 17’, Fabinho 80’ (C); Adauto 72’ (M)

27/01/2001 - Empate 1 a 1
Campeonato Mineiro (1ª fase) - Mineirão
Gols: Ricardinho 14' (C); Geovane 26'(M)

07/04/2002 - Cruzeiro 2 a 1
Copa Sul Minas (1ª fase) - Zama Maciel (Patos de Minas)
Gols: Ruy 47', Cris 90' (C); Edmilson 90'+1' (M)

22/05/2002 - Cruzeiro 2 a 1
Supercampeonato Mineiro (Turno Único) - Mineirão
Gols: Fábio Júnior 25', Alessandro 65' (C); Edmilson (falta) 51' (M)

21/01/2003 - Cruzeiro 3 a 1
Amistoso - Waldomiro Pereira (Patos de Minas)
Gols: Alex 12', Marcelo Ramos 44', Diego 80' (C); Leandro 70' (M)

26/02/2003 - Cruzeiro 6 a 0
Campeonato Mineiro (Turno Único) - Mineirão
Gols: Deivid 6', Mota 31', Edu Dracena 59', Aristizábal 62', Marcelo Ramos (pênalti) 70'; Deivid 89'

21/02/2004 - Cruzeiro 7 a 1
Campeonato Mineiro (1ª fase) - Waldomiro Pereira (Patos de Minas)
Gols: Rivaldo 36’, Alex (falta) 39’, Wendel 57’, Rivaldo 62’, Lima 73’, Alex 80’, Alex 86’ (C); Edmílson (pênalti) 79’ (M)

24/02/2005 - Cruzeiro 3 a 0
Campeonato Mineiro (1ª fase) - Mineirão
Gols: Edu Dracena 25’, Jean 69’, Ruy 86’

28/01/2012 - Cruzeiro 2 a 1
Amistoso - Arena do Sapo (Patos de Minas)
Gols: Wellington Paulista (pênalti) 22', Wellington Paulista (pênalti) 28' (C); Jonatan 72'(M)

Total de Jogos: 19
Vitórias do Cruzeiro: 16
Empates: 03
Total de Gols: 67
Gols do Cruzeiro: 54
Gols do Mamoré: 13

Foto: Abril Multimídia
Cleison atuou como centro-avante entre 1992 e 1995, até
que foi transformado em volante a partir de 1996. Ele foi
o jogador que mais partidas disputou no confronto
contra o Mamoré e também o que mais balançou as redes 
Quadro de artilheiros
7 gols: Cleison (Cruzeiro)
5 gols: Marcelo Ramos (Cruzeiro)
4 gols: Alex (Cruzeiro)
3 gols: Edmilson (Mamoré)
2 gols: Alex Mineiro, Deivid, Edu Dracena, Rivaldo, Roberto Gaúcho, Ronaldo, Ruy, Wellington Paulista (Cruzeiro)
1 gol: Ailton, Alessandro, Aristizabal, Cris, Diego, Douglas, Fabinho, Fábio Júnior, Guerino, Jean, Lima, Luiz Fernando Gomes, Mota, Palhinha, Pampolini, Paulo Roberto, Ramon Menezes, Reinaldo, Ricardinho, Tôto, Wendel (Cruzeiro)
1 gol: Adauto, Braga, Eduardo Palhinha, Geovane, Joel, Jonatan, Laerte, Leandro, Pio Eugênio, Tetê (Mamoré)
1 gol contra: Canário, do Mamoré, a favor do Cruzeiro

Quem mais jogou:
9 jogos: Cleison
7 jogos: Nonato
6 jogos: Dida
5 jogos: Célio Lúcio, Luiz Fernando, Marcelo Ramos, Recife, Roberto Gaúcho
4 jogos: Cris, Marcelo Batatais, Ruy, Wendel
3 jogos: Alex, Arley Alvares, Belletti, Donizete, Douglas, Edu Dracena, Fabinho, Gomes, Jorge Wagner, Luisão, Marcos Teixeira, Maurinho, Martinez, Palhinha, Ricardinho, Serginho, Zelão
2 jogos: Ademir, Ailton, Alessandro, Alex Mineiro, Catê, Dinei, Donizete Amorim, Elivelton, Geovanni, Jefferson, Joãozinho, Jussiê, Lelei, Lúcio, Luiz Fernando Gomes, Luizinho, Maldonado, Missinho, Mota, Paulo Roberto, Pingo, Reinaldo, Robson, Rogério, Ronaldo, Sandro, Thiago, Tôto, Vander, Weberth
1 jogo: Adilson, Adriano, Adriano Chuva, Agnaldo, Alê, Alex Santos, Amaral, Anselmo Ramon, Aristizabal, Artur, Athirson, Bernard, Betinho, Bobô, Bosco, Claudinei, Cléber, Cléber Monteiro, Dé, Deivid, Diego, Diego Renan, Dirceu, Eber, Edinho, Edson, Emerson, Everton, Fábio, Fábio Júnior, Fábio Santos, Fred, Gelson, Gilberto, Gilmar, Gilson, Gladstone, Guerino, Guilherme, Harlei, Irineu, Ismael, Jackson, Jean (atacante), Jean (zagueiro), João Carlos, Joelson, Jonei, Jorginho Paulista, Juca, Kanu, Kelly, Leandro Guerreiro, Léo, Leonardo, Lésio, Lima, Macalé, Maicon, Marabá, Marcelo Oliveira, Márcio, Marcos Paulo, Maurício, Montillo, Mussi, Oséas, Palhinha, Pampolini (1992), Paulo César, Paulo Miranda, Piá, Rafael, Raimundinho, Ramon Menezes, Rivaldo, Rogério Lage, Sabu, Sérgio Manoel, Tião, Tiganá, Toninho Cerezo, Ueslei, Valter, Vanderci, Victorino, Vitor, Wagner, Wallyson, Wellington Paulista, William Andem

@henriqueribe

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Cruzeiro vence Mamoré, leva troféu, mas não convence

Gols saíram em cobranças de pênalti convertidos por Wellington Paulista
Foto: Cruzeiro (divulgação)

Portal Hoje em Dia

Ainda não é o time que a torcida espera, mas o Cruzeiro mostrou evolução e derrotou o Mamoré por 2 a 1, neste sábado (28), na Arena do Sapo, em Patos de Minas. Os dois gols da equipe estrelada (ambos de pênalti) foram marcados por Wellington Paulista, ainda no primeiro tempo. O atacante Jonathan descontou para o Sapo, já na etapa complementar.


No segundo teste do ano, o time do técnico Vágner Mancini entrou mais organizado e com mais vontade em campo. Ao contrário do jogo contra o América, no último domingo, a equipe estrelada mostrou bom toque de bola. Mas ainda preocupa a torcida pela dificuldade na criação, uma vez que Montillo está sobrecarregado.

O Cruzeiro começou em cima do adversário, buscando o gol desde o início. Tanto procurou, que achou. Aos 22 minutos, Anselmo Ramon arriscou chute de longe, o arqueiro do alviverde espalmou e, no rebote, quando ia completar para dentro, Wellington Paulista foi derrubado. Na cobrança, o artilheiro chutou forte e tirou o primeiro zero do placar.

Seis minutos depois, o camisa nove voltou a fazer a festa da galera. Anselmo Ramon recebeu bom passe e escapou em velocidade. Quando preparava para deixar o seu, o volante Tiago o derrubou na área. Assim como no tento anterior, Wellington Paulista não desperdiçou. O artilheiro chutou forte e correu para o abraço: 2 a 0.

O restante do primeiro tempo não foi muito empolgante. Com um futebol cadenciado, o Cruzeiro pouco ameaçou o adversário. O Sapo, por sua vez, tentava chegar na área cruzeirense, mas não tinha sucesso. Somente no final da primeira etapa é que o time da capital chegou com perigo, quando Léo, por pouco, não converteu em gol um belo cruzamento do volante Amaral, obrigando Thiago a salvar a equipe alviverde.

A etapa complementar foi de testes para os dois times. Com o placar praticamente consolidado, o técnico Vágner Mancini promoveu a estreia do lateral-direito Jackson e testou alguns jogadores como o atacante Wallyson, que retorna de contusão, e o meia Élber. Já os donos da casa também promoveram substituições, seis no total.

Quem mostrou mais vontade foi o Mamoré, que marcou seu gol aos 27 minutos. O avante Jonathan recebeu passe açucarado dentro da área e só teve o trabalho de tocar na saída de Rafael.

FICHA TÉCNICA

MAMORÉ 1 x 2 CRUZEIRO

28/01/2012 (Sab-16h) - Amistoso - Arena do Sapo (Patos de Minas, MG)
Árbitro: Adriano Alves de Oliveira
Auxiliares: Pedro Araújo Dias Cotta e Pablo Almeida Costa
Gols: Wellington Paulista (penalti) 22' e (penalti) 28' / Jonatan 72'
Cruzeiro: 1-Rafael, 2-Diego Renan (18-Jackson/46'), 3-Leo, 4-Victorino e 6-Gilson; *5-Leandro Guerreiro, 8-Amaral (19-Wallyson/74'), 7-Marcelo Oliveira (17-Everton/78') e 10-Montillo; 11-Wellington Paulista (21-Eber/85') e 9-Anselmo Ramon (13-Bobô/79'). T: Vagner Mancini
Mamoré: 1-Thiago Wanderson, 2-Ricardo (13-Diego Gomes/62'), *3-Paulinho, 4-Jonatan (15-Diego Rafael/64') e 6-Raner; 5-Tiago Carvalho (17-Robertinho/80'), 7-Marcelinho, 8-Vasconcelos (16-Léo Guerreiro/59') e 11-Evandro (20-Tiago Pitbull/74'); 10-Jouberth (18-Charles/86') e 9-Maxgol (19-Jonatan/51'). T: Erick Moura
CA: Diego Renan/32', Jackson/58', Gilson/76' (Cru); Raner/20', Thiago Carvalho/27', Paulinho/68', Jonatan/90'+1' (Mam)
*pela vitória o Cruzeiro recebeu o troféu em homenagem a Alexandre Queiroz Oliveira, comerciante cruzeirense e filho do ex-presidente da URT, que faleceu em 2011.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Estadual de 2012, mais um Campeonato de cifras marcadas

Foto: Vipcomm/Washington Alves
Cruzeiro e Caldense frente a frente na estreia do Campeonato
Mineiro de 2011. Dois competidores e duas formas discrepantes
de tratamento.

Por Henrique Ribeiro

Domingo que vem começa mais um fatídico Campeonato Mineiro. Uma competição sem graça, devido à hegemonia de Cruzeiro e Atlético e a falta de competitividade.

Alguns cruzeirenses e atleticanos ainda teimam em acreditar que a competição sirva como preparação para o Campeonato Brasileiro, que começa em maio, mas na prática, isto nunca aconteceu.

É só observar os desmanches que Atlético e América, 2º e 3º colocados respectivamente do ano passado, promoveram em seus plantéis, após a disputa do estadual. O Cruzeiro somente não fez o mesmo por causa da Libertadores, mas a expectativa é que adote a mesma reformulação este ano, já que não vai disputar a competição continental.

Os saudosistas do interior defendem a existência da disputa em defesa da revelação de jovens talentos do nosso futebol, mas o que se vê são os próprios clubes pequenos importando jogadores de outros estados. Cito como exemplo, o Uberaba que, este ano, formou uma verdadeira legião estrangeira com jogadores procedentes de vários cantos do país. Somente do futebol de Santa Catarina vieram seis atletas para o Zebu.

Uma parte dos futebolistas defende os estaduais acreditando ser um laboratório para jovens atletas, mas nem isso vem acontecendo. O Villa Nova, por exemplo, que canta aos quatro ventos ser um celeiro formador de craques, contratou vários veteranos e, mais uma vez, não deve revelar ninguém.

Há aqueles que culpam o fracasso da competição pela fórmula de disputa, a falta de empenho das autoridades políticas e a falha na organização da Federação Mineira. No entanto ninguém põe a mão no vespeiro. Enquanto Atlético e Cruzeiro forem tratados com privilégios, a competição nunca atenderá a finalidade que todos gostariam.

Atualmente, a Rede Globo é quem mais contribui para este cenário desolador dos clubes do interior e o motivo está na divisão das cotas de transmissão. A diferença que recebe Cruzeiro e Atlético para os clubes do interior é discrepante. A dupla ganha 5 milhões cada, enquanto o Villa Nova, por exemplo, que é uma das agremiações tradicionais do estado, recebe apenas 380 mil reais.

Qual o motivo da discrepância? Se todos são protagonistas da mesma competição, porque não receber o mesmo valor? A justificativa apresentada pela emissora é de que Cruzeiro e Atlético são os astros do Estadual, o que em nada nos convence, pois o valor de um torneio diminuiu à medida que cai a sua competitividade. Qual é o mérito para Cruzeiro e Atlético vencer uma competição que tem apenas um concorrente à altura? Que valor tem essa conquista?

A dupla já possui uma receita que os diferencia dos outros clubes e os habilitam a ser candidatos ao título, como bilheteria, planos de sócio torcedor, publicidade nos uniformes, parcerias e investidores. Isto os facilita a formar plantéis mais caros e qualificados. Além, é claro, do privilégio de serem de uma capital com dois milhões e meio de habitantes e de estarem próximos a sede do governo do estado.

Então, porque não dar aos clubes do interior um tratamento igual, pelo menos, em cotas de TV, para que possam investir em estrutura e planteis mais competitivos e não fiquem a mercê de empresários oportunistas que trazem de vários cantos jogadores medíocres para ocupar a vaga de talentos em formação? Já que não querem acabar com os Estaduais por causa da tradição, então que alterem essa política de cotas para mudarem esta história.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Diretoria do Cruzeiro fez a feira na esquina dos aflitos

Os zagueiros Thiago Carvalho e Mateus fazem parte do pacote 
de 10 jogadores contratados para a temporada de 2012.
Foto: Gil Leonardi/Lancepress!

Até o momento a diretoria do Cruzeiro anunciou a contratação de dez jogadores para a temporada, que ninguém ousa tratar como reforços. Foi um verdadeiro pacote de atletas novos e rodados que parecem terem sido adquiridos numa "esquina dos aflitos" do futebol.

Pra quem não se lembra o cruzamento das ruas Caetés com Olegário Maciel, em Belo Horizonte, durante os domingos de muitas décadas, foi o ponto de um verdadeiro batalhão de desesperados, que andavam de um lado para o outro oferecendo algum tipo de objeto com algum valor para tentar vender e, assim, arranjar dinheiro para pagar as contas atrasadas ou garantir ou almoço do dia. O desespero pelo negócio urgente levou o cruzamento a ser chamado de "esquina dos aflitos".

A política adotada pela diretoria cruzeirense está sendo, basicamente, a mesma dos frequentadores daquele famoso ponto de negócios da Capital. Assim trouxe dos clubes que estão desmanchando seus plantéis, após o final do Campeonato Brasileiro - alguns por causa da queda de receita, devido ao rebaixamento e outros por causa do acesso - jogadores baratos, mas de qualidade duvidosa, assim como eram os produtos da "esquina dos aflitos".

Assim a diretoria cruzeirense foi à feira e encheu a sacola adquirindo os zagueiros Mateus (Portuguesa) e Thiago Carvalho (Boa), que disputaram a Série B, mais os volantes Rudnei (Ceará), Marcelo Oliveira (Atlético-PR) e Amaral (América) e o lateral esquerdo Gilson (América), que participaram do rebaixamento de suas respectivas equipes.

O volante Diego Arias veio do Paok da Grécia. O clube europeu passa por uma grave crise financeira e está devendo quatro meses de salários aos seus jogadores e, no final do ano passado, procurou desfazer de todo o plantel. Arias, inclusive, abriu mão de receber os salários atrasados que o clube lhe devia para facilitar a sua saída.

O atacante Walter, que passava por problemas particulares, no Porto, de Portugal, foi liberado pelo clube português e oferecido pelo seu empresário ao Cruzeiro.

Outros dois jogadores foram repatriados e são apontados como apostas. O lateral direito Jackson, que estava no Dallas e o atacante Fabio Lopes, do Icasa-CE, que disputa a Série B do Campeonato Brasileiro, mas que estava emprestado ao Cerezo Osaka, do Japão.

Não há dúvidas de que, daqui há alguns meses, a diretoria do Cruzeiro voltará a “esquina dos aflitos” e, provavelmente, no papel de comprador arrependido.

twitter: @henriqueribe

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Comprovado: Rudnei não é mesmo bom da cabeça!

Foto: Washington Alves/Vipcomm

Por Henrique Ribeiro

Se a torcida andava desconfiada que o volante Rudnei era mesmo ruim da cabeça, o choque entre ele e Diego Renan, aos 7 minutos, do segundo tempo, do amistoso, contra o América, neste domingo (22), confirmou esta expectativa. Numa disputa de bola pelo alto, ele cabeceou a cabeça do próprio companheiro de time e sofreu um Knock-down. O jogador saiu de campo com o nariz quebrado e ficará afastado por, pelo menos, três semanas dos treinamentos. Ele havia acabado de substituir o colombiano Diego Arias no intervalo do amistoso e a sua estreia durou apenas sete minutos.

Rudnei (o seu nome se proununcia como se houvesse um acento agudo na letra u) foi um dos primeiros jogadores contratados pela nova diretoria para a temporada de 2012. O anúncio de seu acerto com o Ceará, clube que defendeu no Campeonato Brasileiro de 2011, que foi rebaixado para a série B, aconteceu no dia 15 de dezembro. O jogador de 27 anos assinou contrato de dois anos e foi indicado pelo treinador Vagner Mancini, que trabalhou com ele no Ceará, no ano passado.

Em três coletivos dirigidos na Toca da Raposa, o treinador Vagner Mancini optou em colocá-lo na reserva de Diego Arias, que é um dos indicados do presidente Gilvan de Pinho Tavares.

Rudnei começou sua carreira no Figueirense, de onde se transferiu em 2006, para o 15 de Novembro, de Campo Bom-RS. Após um bom Campeonato Gaúcho despertou a atenção do técnico Mano Menezes, que na época dirigia o time do Grêmio. O atual treinador da Seleção Brasileira foi quem pediu a sua contratação, junto com Valdeir.

No entanto, Rudnei mergulhou de cabeça nas noitadas da capital gaúcha e a sua falta de compromisso com a carreira incomodou a cúpula da diretoria gremista. Acabou envolvido em empréstimos para outros clubes até o encerramento do seu vínculo com o Grêmio e daí pra frente passou a perambular por vários outros times.

Num levantamento feito pelo Blog Bota de Gaúcho (http://botadegaucho.blogspot.com), Rudnei está entre as 100 piores contratações do tricolor gaúcho dos últimos dez anos. Os blogueiros ainda destacam que o Grêmio, neste período, não levantou sequer um título de expressão.

Em sua passagem pelo Ceará, Rudnei perdeu a cabeça e chegou a abandonar os treinos do time ao saber que o técnico Estevam Soares não o havia relacionado para uma partida do Campeonato Brasileiro.

Com 27 anos, o jogador acredita que está com a cabeça no lugar e quer desfazer a desconfiança que o cerca escrevendo sua história com a camisa cruzeirense. E ele está levando a coisa tão a sério que já meteu a cara no livro!

FICHA DO JOGADOR: RUDNEI 
Rudnei da Rosa (Florianópolis, SC, 07/10/1984). Mede 1.88 m e pesa 78 kg
Clubes: Figueirense (2003-2005); 15 de Novembro-RS (2006); Grêmio (2006-2009); Criciúma (2007); Botafogo-SP (2009); Náutico (2009); Avaí-SC (2010); Ventforet Kofu-JAP (2011); Ceará (2011)
Campeão: Campeonato catarinense pelo Figueirense (2003) e pelo Avaí (2010)

Temporada começa com derrota e fim de um longo tabu

Foto: América/divulgação


Por Henrique Ribeiro

O Cruzeiro começou mal a temporada. Desentrosado, sem inspiração e demonstrando as mesmas falhas do ano passado, foi derrotado por 3 a 2 para o América no amistoso deste domingo (22), no estádio do Parque do Sabiá, em Uberlândia. O time estrelado não sofria uma derrota no clássico há praticamente dez anos.

Como era de se esperar, o amistoso valeu apenas como teste para o treinador Vagner Mancini avaliar o plantel que terá em mãos nas disputas do Estadual e da Copa do Brasil neste primeiro semestre. As duas equipes, que sofreram uma grande reformulação, ainda estão muito desentrosadas e o resultado não poderia ter sido outro: um jogo feio com muitos erros individuais dos jogadores e ausência de jogadas trabalhadas.

O amistoso começou bem sonolento com as equipes excedendo nos erros de passes e só ganhou ritmo de clássico a partir dos 31 minutos, quando o América abriu o placar, num chute de fora da área do meia Rodriguinho.

Em nove minutos o Cruzeiro virou o placar, mas os gols não saíram em jogadas trabalhadas, mas em erros da defensiva americana. Wellington Paulista empatou numa cobrança de pênalti aos 34 minutos e virou o placar aos 40, quando recebeu passe de Montillo na área. O camisa 10 havia roubado uma bola de dois jogadores adversários que se atrapalharam na lateral do campo. No chute do atacante, o goleiro Neneca ainda falhou feio.

O segundo tempo foi uma autentica pelada de dar calos nas vistas. Foi diversas vezes interrompido por causa das substituições promovidas pelos treinadores e também para atender jogadores contundidos no gramado, como o goleiro Rafael e o volante Rudnei.

E foi a vez do América se aproveitar das falhas da defensiva do Cruzeiro. O volante Marcelo Oliveira falhou feio na marcação do atacante Adeílson que recebeu uma bola no meio de campo, partiu para a área e tocou na saída do goleiro Rafael. Já nos descontos, o mesmo Adeílson recebeu de Patric e partiu para a área. Mais uma vez, o volante Marcelo Oliveira, muito lento, chegou atrasado e cometeu pênalti no atacante. Bruno Meneghel fez a cobrança no canto direito. O goleiro Rafael ainda chegou a tocar na bola antes de entrar no gol.

O América não vencia o Cruzeiro há 11 jogos. A última vitória foi por 1 a 0, pelo Supercampeonato Mineiro, em 19 de maio de 2002, com gol de Tucho

19/05/2002 - América 1 a 0
Supercampeonato Mineiro (Turno Único) - Mineirão
08/03/2003 - Empate 1 a 1
Campeonato Mineiro (Turno Único) - Mineirão
07/02/2004 - Empate 2 a 2
Campeonato Mineiro (1ª fase) - Mineirão
01/04/2004 - Cruzeiro 2 a 1
Campeonato Mineiro (Semifinal/1ª) - Mineirão
04/04/2004 - Cruzeiro 4 a 1
Campeonato Mineiro (Semifinal/2ª) - Mineirão
27/02/2005 - Cruzeiro 4 a 0
Campeonato Mineiro (1ª fase) - Mineirão
19/02/2006 - Empate 1 a 1
Campeonato Mineiro (1ª fase) - Mineirão
04/03/2007 - Cruzeiro 2 a 1
Campeonato Mineiro (1ª fase) - Mineirão
15/03/2009 - Empate 0 a 0
Campeonato Mineiro (1ª fase) - Mineirão
14/03/2010 - Cruzeiro 3 a 2
Campeonato Mineiro (1ª fase) - Mineirão
27/03/2011 - Cruzeiro 3 a 2
Campeonato Mineiro (1ª fase) - Melão (Varginha)
18/06/2011 - Empate 1 a 1
Campeonato Brasileiro (turno) - Arena do Jacaré
18/09/2011 - Empate 0 a 0
Campeonato Brasileiro (returno) - Arena do Jacaré

FICHA TÉCNICA

Cruzeiro 2 x 3 América
22/01/2012 (dom-17h) - amistoso - Parque do Sabiá (Uberlândia, MG)
Público: 2.170 (R$ 22.475,)
Árbitro: Igor Junio Benevenuto
Auxiliares: Helbert Costa Andrade e Frederico Soares Vilarinho
Gols: Wellington Paulista (de pênalti) 35’ e 40’; Rodriguinho 31’, Adeílson 86’ e Bruno Meneghel (de pênalti) 90’+2’
Cruzeiro: 1-Rafael; 2-Diego Renan (15-Thiago Carvalho/73’), 3-Léo, 4-Victorino (8-Mateus/76’) e 6-Gilson (18-Everton/64’); ©5-Leandro Guerreiro, 8-Diego Arias (15-Rudnei/46’) (14-Amaral/54’), 7-Marcelo Oliveira e 10-Montillo (16-Sebá/64’); 11-Wellington Paulista (13-Bobô/64’) e 9-Anselmo Ramon (17-Wallyson/62’). T: Vágner Mancini
América: 1-Neneca; 2-Rodrigo Heffner (13-Patrick/73’), 3-Gabriel, 4-Everton Luís (14-Lula/79’), 6-Pará (Bryan/46’); 5-Leandro Ferreira, 8-Moisés (16-Gilberto/73’), 10-Rodriguinho (17-Davi Ceará/79’), 11-Luciano (18-Kaio/64’); 9-Alessandro (20-Adeílson/64’) e ©7-Fábio Júnior (Bruno Meneghel/64’). Técnico Givanildo Oliveira.
CA: Neneca/33’ e Pará/36’ (América), Amaral/84’, Marcelo Oliveira/90’+1’ (Cruzeiro)
*Curiosamente, os jogadores Mateus e Thiago Carvalho entraram em campo com as mesmas camisas utilizadas por Diego Arias e Rudnei na partida. Foi o jogo de despedida do auxiliar Helbert Costa Andrade. Ele completou a idade limite de 45 anos em 2011 e não poderá exercer funções na arbitragem de campo. A FMF o escalou para o jogo como uma forma de homenageá-lo.

@henriqueribe

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Anos 1940

O time Campeão da Cidade de 1940 derrotou o Atlético na decisão e interrompeu um jejum de 10 anos sem títulos

Por Henrique Ribeiro

Em janeiro de 1941, toma posse o presidente Ennes Ciro Poni, que era um dos integrantes da Ala Renovadora. Ele inicia o processo de reorganização e nacionalização do clube.

Com a vitória por 2 a 0 sobre o Atlético, na terceira partida da decisão do Campeonato da Cidade, no estádio da Alameda (do América), em 12 de janeiro de 1941, o Cruzeiro conquistou o título de 1940, após um jejum de 10 anos.

O Cruzeiro teve três jogadores na Seleção Mineira que disputou o Campeonato Brasileiro de Seleções em novembro de 1941: Juca (centro-médio), Caieirinha (médio-esquerdo) e Alcides (ponta-esquerda).

O zagueiro Domingos da Guia e o
atacante Niginho antes do amistoso em
que o Cruzeiro derrotou o Flamengo por
4 a 2, no Barro Preto, em 29 de setembro
de 1940.
No clássico contra o Atlético em 1º de fevereiro de 1942, pelo Campeonato da Cidade, a equipe do Cruzeiro entrou em campo sem uniforme. Usou uma camisa azul com três listras horizontais brancas na altura do peito. Os dirigentes não justificaram a ausência do uniforme. Três dias antes o governo brasileiro pressionado pelos Estados Unidos havia declarado guerra à Itália, Alemanha e Japão que marcou a entrada do país na segunda grande guerra.

No dia 4 de fevereiro de 1942 os conselheiros aprovaram a mudança do nome do clube de Palestra Itália para Palestra Mineiro.

O time de basquete sagrou-se campeão do Torneio Aberto da Federação Mineira.

O zagueiro Bibi foi negociado ao Botafogo em 24 de março de 1942 por 15 contos de réis. Foi o quarto jogador do time campeão de 1940 que o clube carioca tirou do Cruzeiro. Os outros foram o atacante Geninho, em agosto de 1940 (custou 20 contos), o médio-direito Geraldino, em janeiro de 1941 (custou 5 contos) e o zagueiro Caieira, em 29 de maio de 1941 (custou 30 contos)

Na partida contra o Sete de Setembro, em 24 de maio de 1942, pelo Campeonato da Cidade, no Barro Preto, o time entrou em campo com o escudo alterado. As duas letras S, de Sociedade Sportiva, mais o I, de Itália, foram retiradas. Apenas a letra P de Palestra foi mantida.

Em 31 de agosto de 1942 um decreto federal exigiu a extinção de símbolos das nações inimigas (Japão, Itália e Alemanha) em todo o país.

No dia 2 de outubro de 1942, o presidente Ennes Ciro Poni convocou uma assembléia geral para o dia 7 de outubro de 1942, que serviria para definir se o clube permaneceria no regime profissional e se haveria a mudança do nome. O mandatário antecipou que, caso a mudança de nome fosse aprovada, o clube se chamaria Ypiranga Esporte Clube.

Entre os dias 3 e 7 de outubro de 1942 os jornais da cidade passaram a se referir ao clube como Ypiranga, porque pensavam que o nome sugerido pelo presidente Ennes Ciro Poni é o que seria aprovado na assembléia.

Na assembléia geral, em 7 de outubro de 1942, os conselheiros e sócios mantiveram o regime profissional e aprovaram a sugestão de se alterar o nome e as cores do clube. Foram sugeridos nomes como Yale e Ypiranga, mas Cruzeiro Esporte Clube acabou sendo escolhido em homenagem ao símbolo maior da pátria brasileira, a constelação do Cruzeiro do Sul. O uniforme passou a ser azul, em homenagem a cor oficial da residência da realeza italiana, a Casa de Savoia. Assim, o clube passou a ostentar os símbolos das duas pátrias e que, inclusive, eram presentes nos uniformes das seleções esportivas de ambos os países. No entanto, o clube continuou jogando com o nome e o uniforme do Palestra Mineiro até 1943.

O Cruzeiro teve três jogadores na Seleção Mineira que disputou o Campeonato Brasileiro de Seleções em novembro de 1942: Caieirinha (médio esquerdo), mais Orlando e Alcides (atacantes).

Devido a crise financeira, a diretoria do Cruzeiro decidiu adotar uma medida drástica em 5 de janeiro de 1943: padronizou os salários dos atletas em Cr$ 300,00 mensais. Isto obrigou os jogadores a exercerem outras profissões simultaneamente ao futebol, pois o valor era muito baixo.


Cruzeiro venceu o América duas vezes na campanha do título do Campeonato da Cidade de 1943. Na imagem o goleiro Geraldo II em ação.

A estréia oficial do nome Cruzeiro foi num amistoso contra o São Cristovão-RJ, em 14 de fevereiro de 1943, no Barro Preto. Os cariocas venceram por 5 a 3. No entanto, o time jogou com o uniforme do Palestra, devido a um atraso na entrega do material esportivo.

A estréia do uniforme com a camisa azul com o escudo do Cruzeiro aconteceu em outro amistoso, novamente, contra o São Cristovão-RJ, em 21 de fevereiro de 1943, no Barro Preto. Os cariocas venceram de novo, desta vez, pelo placar de 4 a 1.

O time de basquete sagrou-se bicampeão do Torneio Aberto da Federação Mineira de 1943

O Cruzeiro teve seis jogadores na Seleção Mineira que disputou o Campeonato Brasileiro de Seleções em novembro de 1943: Gérson (zagueiro), Caieirinha (médio esquerdo), mais Alcides, Ismael, Selado e Niginho (atacantes)

O Cruzeiro sagrou-se o primeiro campeão da categoria júnior de Minas Gerais. Após golear o Sete de Setembro por 5 a 1, na última rodada, em 5 de dezembro de 1943, o time estrelado levantou o primeiro caneco da categoria. O time revelou o zagueiro Duque e o atacante Alvinho.

Com a goleada por 5 a 1 sobre o Siderúrgica, no estádio da Praia do Ó, em Sabará, em 19 de dezembro de 1943, o Cruzeiro confirmou o título de campeão da cidade. A torcida cruzeirense alugou um trem especial para a cidade vizinha sendo chamado de "Trem da vitória".

O time de 1944 que sagrou-se Campeão invicto da Cidade

Em 1944, mesmo com a padronização dos salários baixos, o Cruzeiro continuava em dificuldade financeira. Um movimento sugeriu a volta ao amadorismo, que foi rejeitada pelo conselho. A torcida entrou em ação e, compreendendo a dificuldade da diretoria, organizou a “Campanha do Gol” para ajudar a renda mensal dos jogadores. Cada participante pagava Cr$ 1,00 por gol marcado pelo time.

Em 17 de junho de 1944, o Cruzeiro, junto com o Iate, América, Atlético, Olímpico, Pampulha e Sete de Setembro fundam a Federação Mineira de Remo.

O atacante Niginho em ação num clássico contra o
América pelo Campeonato de 1944
Com a saída do treinador Bengala, que foi dirigir o Botafogo (RJ) e a dificuldade financeira para investir na contratação de um técnico renomado, o Cruzeiro surpreendeu e convidou o árbitro Chico Trindade para dirigir a equipe em 25 de julho de 1944. A decisão da diretoria cruzeirense não agradou a torcida, pois Chico era conselheiro do Atlético.

Em 10 de setembro de 1944, o Cruzeiro sagrou-se bicampeão da categoria júnior ao derrotar o Siderúrgica na última rodada.

O Cruzeiro teve cinco jogadores na Seleção Mineira que disputou o Campeonato Brasileiro de Seleções entre setembro e novembro de 1944: Geraldo II (goleiro), Gérson (zagueiro), Juvenal (médio esquerdo), mais Ismael e Alcides (atacantes)

O Cruzeiro venceu o Siderúrgica por 2 a 1, no estádio da Alameda, em 21 de janeiro de 1945, e conquistou o bicampeonato da cidade de 1943-1944 com uma rodada de antecipação.

O time juvenil de basquete sagrou-se campeão metropolitano de 1944

Em 1945, o cartunista Mangabeira (Fernando Pieruccetti), do jornal Folha de Minas, criou as mascotes dos clubes que disputavam o campeonato da cidade. Ele escolheu uma raposa para representar o Cruzeiro, devido a astúcia do clube em descobrir jovens talentos do nosso futebol antes dos rivais.

Um amistoso entre Cruzeiro e Botafogo marcou a reinauguração do Estádio do Barro Preto que passaria a levar o nome oficial de Estádio Juscelino Kubitscheck de Oliveira

No dia 1º de julho de 1945, o Cruzeiro inaugurou o novo estádio do Barro Preto com um empate em 1 a 1, contra o Botafogo. Mais amplo e moderno, as antigas arquibancadas de madeira foram substituídas por degraus de cimento. A posição do campo foi alterada. As linhas de fundo, que antes ficavam apontadas para a rua Guajajaras e avenida Augusto de Lima, passaram a ficar do lado das ruas Ouro Preto e Araguari. O estádio levou o nome do governador Juscelino Kubitscheck de Oliveira.

O médio direito Adelino desembarcou em Belo Horizonte em 21 de setembro de 1945. O jogador desfalcou o Cruzeiro nas temporadas de 1944 e 1945 por ter sido convocado pelo exército brasileiro para lutar na Segunda Guerra Mundial. Ele integrou o Batalhão de Choque da Força Expedicionária Brasileira-FEB nos campos de batalha em Livorno e Monte Castelo, na Itália.

Com a vitória por 3 a 2 sobre o Siderúrgica, no estádio da Praia do Ó, em Sabará, em 4 de novembro de 1945, o Cruzeiro sagrou-se tricampeão da cidade de 1945.

O primeiro jogo noturno da história do estádio do Barro Preto foi no dia 21 de novembro de 1945. No amistoso que serviu para inaugurar o sistema de iluminação do estádio, o Cruzeiro goleou o América-RJ, por 4 a 0, numa partida amistosa.

Em 3 de janeiro de 1946, o Cruzeiro empatou em 2 a 2, com o Libertad, do Paraguai, no Barro Preto. Foi o primeiro jogo do clube contra uma equipe do exterior. Os paraguaios vinham invictos de uma excursão a São Paulo.

Por iniciativa do diretor José Fialho Pacheco, o clube passou a alugar um trem para os torcedores acompanhar os jogos do time pelo interior no Campeonato da Cidade. O "Trem da Vitória", como passou a ser chamado, duraria até o início dos anos 1960 e a sua estreia foi na partida contra o Siderúrgica, em 24 de março de 1946, no estádio da Praia do Ó, em Sabará.

Em 11 de agosto de 1946, o Botafogo pagou Cr$ 190 mil pelo passe do médio-esquerdo Juvenal. Foi o terceiro jogador do time tricampeão de 1943-44-45 que o clube carioca tirou do Cruzeiro. Os outros foi o atacante Braguinha, em 12 de julho de 1946 (custou Cr$ 80 mil), e o zagueiro Gérson, em 27 de março de 1945 (custou Cr$ 70 mil). Além dos jogadores o Botafogo também havia tirado do clube o treinador Bengala em 1944.

Cinco jogadores do Cruzeiro, além do técnico Chico Trindade, participaram da Seleção Mineira na disputa do Campeonato Brasileiro de Seleções entre outubro e dezembro de 1946: Geraldo II (goleiro), Adelino (médio direito), Ismael (atacante), mais Bituca e Bibi (zagueiros).

O atacante Ismael foi vendido ao Vasco em 1º de junho de 1947 por Cr$ 140 mil. Foi o quarto jogador do time tricampeão de 1943-44-45 a ser negociado para o futebol carioca.

Em 1947 o Cruzeiro comprou o passe do volante Ceci e pagou ao Villa Nova Cr$ 45 mil. Foi a maior negociação entre clubes mineiros até então.

O time de basquete sagrou-se vice-campeão metropolitano de 1947. Este foi o resultado mais expressivo de todos os campeonatos disputados pela equipe em toda a década. O América foi o campeão.

Sem dinheiro para contratar um treinador renomado, o clube surpreendeu novamente e, após acertar com um árbitro (Chico Trindade) em 1944, desta vez, convidou o treinador de basquete, Fu Manchu, para ser o técnico da equipe, em setembro de 1947.

As obras de remodelação do estádio do Barro Preto causaram uma grave crise financeira no clube. Os atletas deixaram de comparecer aos treinos e o presidente Fernando Tamietti renunciou. O técnico Fu Manchi declarou “estado de sítio” no clube em setembro de 1947

Em novembro de 1948, a situação política do clube estava insustentável. O presidente Antônio Cunha Lobo foi alvo de três abaixo assinados exigindo a sua renúncia. Os dois primeiros foram promovidos por sócios e torcedores, mas o último foi, surpreendentemente, promovido pelos próprios jogadores e o técnico Niginho, que ameaçaram não renovar seus contratos caso o presidente fosse reeleito. Cunha Lobo renunciou a candidatura.

Henrique Ribeiro (Almanaque do Cruzeiro)

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Anos 1930

Foi em duas salas do segundo andar do edifício do Banco Pelotense, na Praça Sete, no centro de Belo Horizonte, que funcionou a primeira sede do Cruzeiro, entre 1927 e 1930. O prédio foi demolido nos anos 1940 para dar lugar ao atual prédio onde está instalado o Banco Itaú.

Por Henrique Ribeiro

A sede do Cruzeiro mudou de endereço em fevereiro de 1930. Após o Banco Pelotense pedir de volta as duas salas alugadas pelo Clube em seu edifício. A nova sede passou a funcionar no 1º andar do Palacete Aziz Abras, na rua dos Caetés, 366, no centro da capital

Ítalo Frattesi, o Bengala, que era titular do time de futebol e Aristóteles Lodi organizam as primeiras equipes de basquete e vôlei em 1930

Somente após quase 10 anos de sua fundação é que o Cruzeiro enfrentou, pela primeira vez, a equipe do Palmeiras. Ambos ainda atendiam pelo nome de Palestra Itália e a criação do clube paulista é que motivou o surgimento do homônimo de Minas. A partida entre os Palestras aconteceu no Barro Preto, em 18 de maio de 1930, e os paulistas venceram por 4 a 2.

Com a goleada por 8 a 0 sobre o Sete, no Barro Preto, em 10 de agosto de 1930, o Cruzeiro conquistou o tricampeonato da Cidade e, pela segunda vez consecutiva, de forma invicta e com 100% de aproveitamento.

Em março de 1931, os primos Ninão (atacante) e Nininho (lateral esquerdo), são contratados pela Lazio da Itália. Foram os primeiros jogadores do futebol brasileiro contratados pelo futebol europeu.

A bola que a diretoria cruzeirense expôs na vitrine da sede do Clube em janeiro de 1931 para provocar o presidente Tomaz Neves, do Atlético e da Federação Mineira, com a inscrição (um pouco apagada) no coro: Palestra 5, Athletico 2

Como era o tricampeão de 1928-1929-1930, o Cruzeiro reivindicou a Taça Liga Mineira, junto a Federação, em janeiro de 1931. Segundo o regulamento, o troféu instituído em 1922, ficaria de posse definitiva da equipe que conquistasse três vezes consecutivas ou quatro alternadas o Campeonato da Cidade. Em vista do descaso do presidente da entidade, Tomaz Neves, que também era presidente do Atlético, a diretoria cruzeirense colocou uma bola na vitrine da sede em cujo coro vinha a seguinte inscrição: Palestra 5, Athletico 2, em alusão a goleada que definiu o Campeonato de 1929

No dia 25 de fevereiro de 1931, a Federação Mineira finalmente fez a entrega da Taça Liga Mineira ao Cruzeiro e descobriu que o clube já teria direito ao prêmio, quando conquistou o título de 1929, pois em 1927, uma reforma nos estatutos da Federação diminuiu de três para dois anos consecutivos a posse definitiva do troféu. Quanto a conquista do título de 1930, a posse da taça seria temporária.

Em 29 de novembro de 1931, o clube muda, novamente, a sua sede para o 1º andar do Palacete Lunardi, no número 343, da rua dos Caetés.

A segunda partida da decisão do Campeonato da Cidade, que deveria ser disputada no dia 6 de dezembro de 1931, no estádio de Lourdes, contra o Atlético, não acontece porque a diretoria do Galo não conseguiu acertar a contratação de um árbitro carioca para apitar a partida, conforme acordo entre os clubes. Na preliminar entre os times B, os jogadores cruzeirenses foram agredidos por torcedores do Atlético. Por causa dos incidentes a diretoria do Cruzeiro rompeu relações com o Atlético.

Jogadores de Atlético e Cruzeiro à revelia de ambas as diretorias dos clubes que estavam em litígio organizam amistosos em nome da paz entre os clubes. O primeiro em 27 de dezembro de 1931, no estádio de Lourdes, terminou empatado em 1 a 1.

Em 6 de março de 1932, Cruzeiro, América, Sete e Villa Nova fundam uma federação alternativa e organizam um campeonato próprio.

A Federação Mineira exclui o Cruzeiro, pela segunda vez na história, de seu quadro de filiados, em 26 de março de 1932

Em 1932, Cruzeiro, América, Atlético, Florestina e Associação Mineira de Moços-AMA, fundam a Federação Mineira de Basquete. O Cruzeiro sagrou-se o primeiro campeão de Belo Horizonte com a seguinte formação: Bengala, China, Manoel, Bolão, Bruno e Quinquim. Bengala que já havia sido tricampeão da cidade de futebol, também se tornou campeão de basquete como jogador e técnico

O atacante Niginho é contratado pela Lazio, da Italia, em julho de 1932.

No dia 23 de maio de 1933, Cruzeiro, Atlético, Villa Nova e Siderúrgica adotam o regime profissional. Ambos se desfiliaram da Confederação Brasileira do Desporto-CBD, que não admitia o futebol profissional e passaram a fazer parte da Federação Brasileira de Futebol-FBF, que foi criada pelos clubes profissionais do país naquele ano. A FIFA não reconheceu a FBF.

O Cruzeiro venceu o clássico contra o Atletico por 2 a 1, em 28 de maio de 1933, no Barro Preto. Foi o primeiro jogo da era do regime profissional

Em 1933, o clube muda novamente sua sede e, desta vez, para as salas 206 e 208, do número 360, da rua Caetés.

Após a goleada de 4 a 1 sofrida para o Tupybambas, em Juiz de Fora, pelo Campeonato Mineiro, em 1 de outubro de 1933, o diretor Nello Nicolai, do Cruzeiro, denunciou o árbitro Cid Roso de ter sido subornado para manipular o resultado o jogo. Semanas após a partida, o árbitro foi flagrado por dirigentes do Atlético e do Siderúrgica, no bar Tip Top, em Belo Horizonte, pedindo dinheiro para manipular o resultado de um  jogo. O árbitro foi banido do futebol mineiro.

Em 2 de dezembro de 1934, Cruzeiro e Atlético marcaram um amistoso no Barro Preto. Antes do início da partida, uma chuva forte deixou o campo alagado e impraticável para o futebol. Por causa do grande público que compareceu ao estádio, os clubes decidiram fazer um jogo de 55 minutos de duração. Estranhamente, o árbitro José Pedro Rizzo (ex-jogador do Cruzeiro) anulou um gol marcado por Carlos Alberto (Cruzeiro) e outro de Lola (Atlético), alegando que as poças d’água haviam atrapalhado os goleiros. No dia seguinte, os dirigentes de ambos os clubes admitiram, publicamente, que orientaram o árbitro a anular gols de qualquer natureza.
O atacante Niginho (no canto direito da foto num clássico contra o Atlético) foi o primeiro ídolo da nação cruzeirense. O craque tornou-se o primeiro jogador de um clube mineiro a atuar e marcar um gol pela Seleção Brasileira no Campeonato Sulamericano.

Em janeiro de 1935 a sede passou a funcionar nas salas 3 e 5 do sobrado da Rua Espírito Santo, 501, no centro de Belo Horizonte

Em março de 1935, o atacante Niginho que havia sido convocado pelo exército italiano para a guerra na abissínia, foge para o Brasil. Vários dirigentes de clubes cariocas estiveram presentes no desembarque do jogador no Rio de Janeiro, mas Niginho recusou todas as propostas e optou em voltar ao Cruzeiro justificando que ele era uma extensão do clube.

Em 1935 o clube extingue o time de basquete

Em 31 de março de 1935 o Cruzeiro estreou no Campeonato da Cidade contra o Retiro, de Nova Lima, no Barro Preto. O jogo teve a presença de dois árbitros em campo: Dunorte André e Edgar Pernambuco. Cada um era responsável por uma metade do campo. A experiência da Federação Mineira foi extinta no returno do Campeonato.

Jogadores e dirigentes do Cruzeiro foram vítimas de um massacre no estádio da Praia do Ó, em Sabará, em 2 de junho de 1935, numa partida pelo Campeonato da Cidade. Na metade do segundo tempo, quando o time sabarense vencia por 7 a 3, torcedores invadiram o campo dando início a uma série de agressões aos atletas cruzeirenses. Após vários minutos de interrupção, o jogo recomeçou e o Cruzeiro ainda diminuiu o placar marcando mais dois gols. Durante a semana, as relações com o Siderúrgica foram rompidas. O saldo foi de mais de 20 feridos, entre jogadores, comissão técnica e torcedores.

Em maio de 1936, o Cruzeiro inaugura a sua quadra de basquete.

Time do Cruzeiro no estádio do Barro Preto antes de um clássico amistoso contra o Atlético em 18 de agosto de 1935

Em 28 de outubro de 1936, o Cruzeiro decide desfiliar-se da Federação Mineira sob a alegação de que estava sendo perseguido pelos poderes da entidade. Consequentemente, abandona o Campeonato da Cidade que ainda estava em andamento.  

Nos dias 9 de novembro, Cruzeiro e América (que também havia abandonado o Campeonato e se desfiliado da Federação Mineira) decidem retornar a Confederação Brasileira do Desporto-CBD e abandonam a Federação Brasileira de Futebol-FBF.

Com o retorno do Cruzeiro a CBD, que era reconhecida pela FIFA, o atacante Niginho foi convocado para a Seleção Brasileira para a disputa do Campeonato Sulamericano, na Argentina, em dezembro de 1936

O Brasil estreou no Campeonato Sulamericano com uma vitória por 3 a 2 sobre o Peru, no estádio La Bombonera, em Buenos Aires, em 17 de dezembro de 1936. O atacante Niginho, do Cruzeiro, tornou-se o primeiro jogador de um clube mineiro a jogar e a marcar um gol pela Seleção Brasileira.

Primeiro encontro entre os Palestras de
Minas e São Paulo, na capital paulista.
Na foto Calixto, capitão do Cruzeiro, o
árbitro Atilio Grimaldi e Luizinho, capitão
do Palmeiras  
Levou muito tempo, mas aconteceu. Finalmente, o Palmeiras convidou o Cruzeiro para um amistoso em São Paulo. A partida foi disputada no Estádio Palestra Itália, em 23 de maio de 1937, e os palestrinos paulistas golearam os mineiros por 5 a 1.

Em setembro de 1937, o atacante Niginho foi negociado ao Vasco da Gama. O dinheiro da negociação serviu para amenizar a crise financeira que o clube atravessava.

O departamento de basquete é reorganizado em 1938.

Um grupo de sócios, dirigentes e atletas formam a ala renovadora em 30 de setembro de 1939. A proposta principal do grupo era nacionalizar o clube e alterar o nome Palestra Itália e as cores da bandeira italiana no uniforme por símbolos brasileiros.

Em 22 de abril de 1939, o Cruzeiro muda a sua sede para o Edifício Ferreti na rua Rio de Janeiro, 383, esquina com rua Tupinambás, no centro de Belo Horizonte

Henrique Ribeiro (Almanaque do Cruzeiro)

domingo, 1 de janeiro de 2012

Anos 1920

Time do Cruzeiro que empatou com o Flamengo, em 3 a 3, no amistoso que serviu de inauguração oficial do estádio do Barro Preto, em 23 de setembro de 1923

Por Henrique Ribeiro

Imigrantes italianos de Belo Horizonte fundam a Societá Sportiva Palestra Itália no dia 2 de janeiro de 1921. A reunião contou com a presença de 95 fundadores, o maior número entre todos os clubes brasileiros. Aurélio Noce foi eleito o primeiro presidente.

Em 12 de março de 1921, a diretoria cruzeirense entra com um recurso na Federação Mineira contestando a formação da primeira divisão do Campeonato da Cidade. É que quatro dos sete clubes da séria A regularizaram suas respectivas situações, após o prazo estabelecido pela Federação Mineira e deveriam ser sancionados com o rebaixamento. Como a divisão de elite não poderia ficar com apenas três clubes, o Cruzeiro propôs um torneio eliminatório com a sua participação, mais os quatro clubes punidos e os times da Série B para preencher as quatro vagas restantes, que foi aceito numa assembléia.

Em março de 1921, o Cruzeiro recebe a inscrição de 16 jogadores de origem italiana do Yale. A debandada provocou um mal estar entre os clubes. Os dirigentes do Yale acusaram o Palestra de aliciamento.

O Cruzeiro entra em campo pela primeira vez, em 3 de abril de 1921, e vence por 2 a 0, um combinado formado por dois times de Nova Lima-MG, o Villa Nova e o Palmeiras. O atacante Nani foi o autor dos dois gols da partida, sendo o primeiro deles numa cobrança de falta. O jogo disputado no estádio do Prado teve lotação máxima com 1.500 torcedores.

No dia 17 de abril de 1921, o Cruzeiro conquista a primeira vitória expressiva de sua história, logo em seu segundo confronto, ao derrotar o Atlético por 3 a 0, num amistoso no estádio do Prado, com dois gols de Atílio e um de Nani.

O Cruzeiro vence os dois compromissos pela seletiva do Campeonato da Cidade e garantiu uma das quatro vagas para a Série A de 1921. No dia 19 de abril derrotou o Ipanema, que havia sido o campeão da Série B de 1920, por 3 a 2, e se classificou para enfrentar o Palmeiras, que havia sido o vice-campeão da série B de 1920. Com a vitória por 2 a 0 sobre os palmeirenses, em 21 de abril, classificou-se para a Série A sem a necessidade de disputar a Série B.

Com um empate sem gols contra o Yale, no Prado, em 6 de novembro de 1921, o Cruzeiro encerrou a sua primeira participação no Campeonato da Cidade como penúltimo colocado com apenas oito pontos conquistados em 12 jogos. Foram apenas três vitórias, dois empates e sete derrotas.

Ainda em 1921, a prefeitura de Belo Horizonte doa um quarteirão ao clube para erguer o seu estádio. Os dirigentes tiveram que indenizar um invasor do terreno. O lançamento da pedra fundamental para a construção foi no dia em que comemorou o seu primeiro aniversário, em 2 de janeiro de 1922As obras tiveram início em julho de 1922

Em agosto de 1922, o campo do Cruzeiro passou a abrigar os jogos do Campeonato da Série B, que não necessitavam de serem murados, como os jogos da primeira divisão, pois não cobravam ingressos

O Cruzeiro encerrou o Campeonato de 1922 dividindo a primeira colocação com o América com 18 pontos cada. Foi um fato inédito na história da competição que se iniciou em 1915. O título foi decidido num jogo desempate em 5 de novembro e com a vitória por 2 a 1, o América garantiu o hepta-campeonato.

Em maio de 1923, a Federação Mineira decide oficializar os estádios do Cruzeiro e do América como sedes dos jogos da Serie A do Campeonato da Cidade, enquanto o Estádio do Prado passou a abrigar apenas as partidas da Série B. 

O empate em 2 a 2 entre Atlético e Lusitano, pela primeira rodada do Campeonato da Cidade, em 10 de junho de 1923, foi o primeiro pela série A disputada no estádio do Barro Preto. 

No dia 1º de julho de 1923, o Cruzeiro disputou sua primeira partida oficial, em seu próprio estádio, na goleada de 6 a 2 sobre o Palmeiras.

A inauguração oficial do estádio do Barro Preto foi num amistoso contra o Flamengo, campeão carioca, em 23 de setembro de 1923. Era o encerramento das comemorações do aniverário da unificação da Itália que começaram no dia 20 de setembro. Os jogadores da Seleção Brasileira (Heitor, Bianco, Gasparini, Fabi, Loschiavo, Severino e Friedenreich) compareceram a festa que ficou marcada pela ausência das autoridades políticas. O amistoso terminou empatado em 3 a 3. Gasparini, Severino e Heitor reforçaram o time cruzeirense.

Pela primeira vez, em 16 de julho de 1925, dois jogadores do Cruzeiro integram a Seleção Mineira na disputa do Campeonato Brasileiro de Seleções. O ponta direita Piorra e o meia direita Ninão fizeram parte da equipe titular que goleou a Seleção do antigo estado do Rio, que era composto por jogadores dos clubes de Niterói, por 6 a 0, no estádio das Laranjeiras, no Rio de Janeiro.

Nos dias 2 e 3 de maio de 1926, o Cruzeiro disputou seus primeiros jogos fora de Minas Gerais. Ambos foram na cidade de Caçapava-SP. No primeiro contra a Caçapavense, foi derrotado por 2 a 1 e o segundo contra a Seleção de Caçapava empatou em 1 a 1. No retorno a capital, o clube foi suspenso por seis meses por ter disputado os amistosos sem o consentimento da Federação Mineira.

O Cruzeiro cria uma Federação Mineira alternativa com os clubes pequenos da Capital para organizar o seu próprio Campeonato e, devido a isso, é eliminado do quadro de filiados da Federação Mineira em 7 de agosto de 1926.

Com a vitória por 10 a 1 sobre o Grêmio, em 9 de fevereiro de 1927, no Barro Preto, o Cruzeiro vence o Campeonato da Federação alternativa e assim conquista o seu primeiro título.

Em abril de 1927 o Cruzeiro inaugurou sua primeira sede no segundo andar do edifício do Banco Pelotense na Praça 7, no centro da capital. Anteriormente, o clube usava o salão da Casa d'Italia, na rua Tamoios, para reuniões e assembléias.

Em 11 de maio de 1927, uma assembléia na Federação Mineira decidiu absorver os clubes da Federação alternativa, mas apenas o Cruzeiro foi incluído na Série A, enquanto os demais formaram a Série B.

Em 17 de junho de 1928, o Cruzeiro aplica a maior goleada de sua história: 14 a 0 sobre o Alves Nogueira de Sabará, no Barro Preto. O atacante Ninão fez 10 gols na partida e se tornou o maior artilheiro em uma só partida da história dos campeonatos organizados pela Federação Mineira

Com a goleada por 6 a 1 sobre o Villa Nova, no Barro Preto, no dia 6 de janeiro de 1929, o Cruzeiro conquistou o Campeonato da Cidade de 1928. O empate  surpreendente, do Atlético com o Alves Nogueira, em 3 a 3, na preliminar, beneficiou o time cruzeirense, pois o Galo, que ainda tinha um jogo a cumprir contra o Villa Nova, ficou a três pontos na tabela de classificação e sem chances de alcançar o Cruzeiro na liderança.

Time do Cruzeiro que goleou o Atlético por 5 a 2, em 17 de novembro de 1929, no estádio do Barro Preto, na partida que decidiu o título do Campeonato da Cidade. 

Na goleada de 6 a 1 sobre o Villa Nova, em 6 de janeiro de 1929, no Barro Preto, ainda valendo pelo Campeonato da Cidade de 1928, o atacante Ninão marcou dois gols e encerrou a competição com 43 gols. A maior marca da artilharia em um só campeonato em toda a história dos campeonatos organizados pela Federação Mineira.

Com a goleada por 5 a 2 sobre o Atlético, no Barro Preto, em 17 de novembro de 1929, o Cruzeiro conquista, novamente, o título do Campeonato da Cidade, mas desta vez, invicto e com 100% de aproveitamento.

Henrique Ribeiro (Almanaque do Cruzeiro)

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Catê era um ponta rápido e driblador

Formação da equipe do Cruzeiro antes da partida contra o Union Española, do Chile, no Mineirão, pela Taça Libertadores de 1994. Em pé da esquerda para a direita: Paulo Roberto, Dida, Célio Lúcio, Rogério Lage, Luizinho e Nonato. Agachados da esquerda para a direita: Ademir, Ronaldo, Catê, Luiz Fernando e Roberto Gaúcho. (Foto Jornal Estado de Minas)

Ex-atacante Catê morre em acidente de carro no Sul
Gustavo Franceschini e Vinicius Segalla (Site UOL)

O ex-atacante Catê, de 38 anos, morreu na manhã desta terça-feira (27 de dezembro de 2011) após um acidente de carro na estrada ERS 122, próximo a Antônio Prado-RS. O ex-atleta estava sozinho em seu Fiat Uno Mille quando chocou-se contra um caminhão Scania que vinha no sentido oposto, por volta das 10h. Catê morreu na hora sendo levado direto para o Instituto Médico Legal de Caxias do Sul. O motorista do caminhão, que não sofreu nenhuma escoriação, alegou que chovia durante o acidente e que o Uno invadiu a pista contrária antes da colisão. O ex-jogador estava trabalhando como técnico de equipes amadoras no Rio Grande do Sul.
Foto: Corpo de Bombeiros de Ipê-RS

Catê era um ponta rápido e driblador
Almanaque do Cruzeiro

O ponta direita Catê chegou ao Cruzeiro em janeiro de 1994, como um dos reforços para a disputa da Taça Libertadores. Apesar de ter somente 19 anos de idade, já era bastante famoso no futebol brasileiro, quando participou das conquistas do bicampeonato da Taça Libertadores de 1992 e 1993 pelo tricolor e dos títulos Mundial e Sulamericano de Juniores pela SeleçãoBrasileira em 1993, que tinha outros três jogadores que fariam parte de plantéis do Cruzeiro: o goleiro Dida (Vitória-BA) e os zagueiros Gelson Baresi (Flamengo) e Argel (Inter).

Catê chamava a atenção pela velocidade e a habilidade nos dribles e a diretoria cruzeirense acertou um empréstimo de janeiro a agosto para ter o jogador na disputa do Campeonato Mineiro e da Taça Libertadores.

Catê foi titular nos primeiros jogos do Campeonato Mineiro, quando o treinador Nelinho escalava a equipe no sistema 4-3-3. Assim ele formava o trio de atacantes com Roberto Gaúcho e outro jovem fenômeno, o goleador Ronaldo. No entanto, o técnico Nelinho, mesmo sem nenhuma derrota a frente do plantel foi demitido na quinta partida da temporada e substituído pelo experiente Ênio Andrade. O novo treinador mudou o sistema para o 4-4-2 e Catê acabou indo para a reserva.

Ao todo disputou 16 jogos com a camisa cruzeirense, marcou dois gols e sagrou-se campeão mineiro invicto. A melhor partida com a camisa cruzeirense, curiosamente, foi a mais traumática do primeiro semestre. Ele entrou como titular da equipe na partida de volta das oitavas de final da Taça Libertadores, no Mineirão, contra o Union Española, do Chile. O Cruzeiro não conseguiu mais do que um empate sem gols e acabou eliminado da competição, pois havia perdido o jogo de ida por 1 a 0, em Santiago. No entanto, Catê saiu aplaudido e reconhecido pela "camisa nove" nas arquibancadas pela bela exibição. 

Encerrado o contrato foi devolvido ao São Paulo, que não aceitou a renovação do seu empréstimo. O Cruzeiro tentou a compra do seu passe, mas o jovem talento estava muito valorizado e os valores pedidos pela diretoria tricolor estavam muito acima da realidade do futebol brasileiro.

FICHA
Marcos Antônio Lemos Tozze (Cruz Alta, RS, 07/11/1973; +Antônio Prado, RS, 27/12/2011). Media 1,70 m e pesava 67 kg.
Clubes: Guarani-RS (1989); Grêmio (1990); Cruz Alta-RS (1991); São Paulo (1992-1993); Cruzeiro (1994); São Paulo (1994-1995); Universidade Católica, do Chile (1996-1997); São Paulo (1997); Sampdoria, da Itália (1998-1999); Flamengo (2000); Sampdoria (2000); Palestino, do Chile (2005); Esportivo-RS (2006) e Brusque-SC (2008)
Campeão: Taça Libertadores 1992 e 1993, Recopa 1993, Taça Intercontinental 1992, Campeonato Paulista 1992, Copa Conmebol 1994, pelo São Paulo; Campeonato Mundial de Juniores de 1993 e Campeonato Sulamericano de Juniores de 1993, pela Seleção Brasileira; Campeonato Mineiro 1994, pelo Cruzeiro; Campeonato Chileno de 1997, pelo U. do Chile; Campeonato Carioca de 2000, pelo Flamengo

TODOS OS JOGOS DE CATÊ PELO CRUZEIRO
1 - 30/1/1994 -  4 X 2 Villa Nova
Campeonato Mineiro (Turno) - Bonfim (Nova Lima) - marcou um gol
2 - 2/2/1994 - 0 X 0 Democrata-GV
Campeonato Mineiro (Turno) - Mineirão (Belo Horizonte)
3 - 5/2/1994 - 2 X 0 Mamoré
Campeonato Mineiro (Turno) - Mineirão (Belo Horizonte)
4 - 20/2/1994 -  4 X 2 Valério
Campeonato Mineiro (Turno) - Mineirão (Belo Horizonte)
5 - 20/3/1994 -  2 X 1 Patrocinense
Campeonato Mineiro (Turno) - Pedro Alves Nascimento (Patrocínio)
6 - 1/4/1994 - 0 X 2 Velez Sarsfield (ARG)
Taça Libertadores (1ª fase) - José Amalfitani (Buenos Aires, Argentina)
7 - 3/4/1994 - 1 X 1 Mamoré
Campeonato Mineiro (Returno) - Waldomiro Pereira (Patos de Minas)
8 - 24/4/1994 -  4 X 0 Uberlândia
Campeonato Mineiro (Returno) - Mineirão (Belo Horizonte)
9 - 28/4/1994 -  0 X 0 Union Española (CHI)
Taça Libertadores (Oitavas de final/2ª) - Mineirão (Belo Horizonte)
10 - 1/5/1994 -  1 X 1 Atlético
Campeonato Mineiro (Returno) - Mineirão (Belo Horizonte)
11 - 11/5/1994 - 5 X 3 Caldense
Campeonato Mineiro (Returno) - Ronaldão (Poços de Caldas) - marcou um gol
12 - 15/5/1994 - 1 X 0 Patrocinense
Campeonato Mineiro (Returno) - Mineirão (Belo Horizonte)
13 - 19/5/1994 - 2 X 0 Alfenense
Campeonato Mineiro (Returno) - Mineirão (Belo Horizonte)
14 - 22/5/1994 - 0 X 0 Vasco da Gama
Amistoso - São Januário (Rio de Janeiro, RJ)
15 - 25/5/1994 - 1 X 0 Jequié
Amistoso - Valdomiro Borges (Jequié, BA)
16 - 5/6/1994 - 3 X 1 Vasco da Gama
Amistoso - Mineirão (Belo Horizonte)

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segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Djalma Beltrami, que apitou a maior goleada do Cruzeiro na Copa do Brasil, é preso no Rio


Do UOL Esporte (São Paulo)

O ex-árbitro Djalma Beltrami (foto ao lado de camisa listrada), que comandava o 7º Batalhão da Polícia Militar em São Gonçalo, no Rio de Janeiro, foi preso na operação "Dezembro Negro, comandada pela Polícia Civil nesta segunda-feira (19 de dezembro de 2011). O grupo de policiais corruptos do ex-árbitro teria negociado o pagamento de quantias entre R$ 5 mil e R$ 10 mil por parte de traficantes para que o comércio de drogas e os bailes funks da região seguissem funcionando normalmente.

A operação conjunta com a Corregedoria Geral Unificada executou 11 mandados de prisão contra traficantes e 13 contra policiais militares, entre eles Djalma Beltrami, que havia assumido o comando do 7º BPM há apenas três meses. Seu antecessor, Cláudio Luiz de Oliveira, havia deixado o cargo após ser acusado de participação no assassinato da juíza Patrícia Acioli, executada após tentar combater o crime organizado carioca.

Djalma Beltrami já foi preso e seu processo deve seguir os trâmites da Polícia Militar. Em 2010, ele assumiu o cargo de comandante do 14º Batalhão da Polícia Militar do Rio de Janeiro envolvido em casos de grande repercussão como a ocupação do Complexo do Alemão (em novembro de 2010) e a contenção do massacre de Realengo, neste ano, quando 12 crianças foram assassinadas por um lunático em uma escola pública do bairro carioca.

Em maio de 2011, ao completar 45 anos, idade limite para o árbitro de futebol, Beltrami se despediu da arbitragem, após 22 anos. Ele passou a dar aulas para os iniciantes na profissão e trabalhou como técnico de arbitragem nos jogos no Rio de Janeiro. A função que existe desde 2010 permite que os juízes recebam instruções durante o jogo.

A carreira do árbitro
Do Wikipedia

Djalma José Beltrami Teixeira nasceu em São Paulo-SP, em 15 de maio de 1966. Fez parte do quadro de árbitros de futebol da federação carioca de 1989 a 2011, dos quadros da CBF (1995 a 2010) e da Fifa (2006 a 2008).

Ele dirigiu a partida que ficou conhecida como a "Batalha dos Aflitos", em 26 de novembro de 2005, entre Náutico e Grêmio, no estádio dos Aflitos, em Recife, pelo Campeonato Brasileiro da Série B. Marcou dois pênaltis contra o Grêmio, que acabaram desperdiçados pelo Náutico, que provocaram protestos dos gremistas, que tiveram quatro jogadores expulsos e somente após a intervenção violenta da policia, desistiram de agredi-lo. Com sete em campo, o Grêmio ainda conseguiu marcar o gol da vitória que representou o acesso sofrido do tricolor gaúcho para a Série A de 2006.

Em 21 de junho de 2009, na sétima rodada do Campeonato Brasileiro, na partida entre Santos e Atlético, terminou o jogo antes do acréscimo de quatro minutos. Depois da reclamação dos jogadores, reiniciou a partida.

As atuações nas partidas do Cruzeiro
Do Almanaque do Cruzeiro

Beltrami dirigiu nove partidas do Cruzeiro entre 2005 e 2009, sendo uma delas o clássico contra o Atlético no returno do Campeonato Brasileiro de 2005 e a vitória por 7 a 0 sobre o Sergipe, em que o atacante Fred marcou quatro gols e tornou-se o maior artilheiro estrelado em uma mesma partida da competição. Ao lado da goleada de 7 a 0, sobre o Corinthians de Caicó-RN, em 2 de abril de 2003, esta foi a maior goleada do Cruzeiro na Copa do Brasil.

Todos os nove jogos do Cruzeiro apitados por Beltrami:

CRUZEIRO 7 x 0 SERGIPE (SE)
16/02/2005 - Copa do Brasil (1ª fase/2ª) - Mineirão (Belo Horizonte, MG)

CRUZEIRO 1 x 0 SÃO CAETANO (SP)
20/08/2005 - Campeonato Brasileiro (turno/21ª) - Anacleto Campanella (São Caetano do Sul, SP)

CRUZEIRO 1 x 0 ATLÉTICO (MG)
16/10/2005 - Campeonato Brasileiro (returno/32ª) - Mineirão (Belo Horizonte, MG)

CRUZEIRO 1 x 1 PALMEIRAS (SP)
14/05/2006 - Campeonato Brasileiro (turno/5ª) - Palestra Itália (São Paulo, SP)

CRUZEIRO 1 x 0 PONTE PRETA (SP)
24/09/2006 - Campeonato Brasileiro (returno/26ª) - Moisés Lucarelli (Campinas, SP)

CRUZEIRO 1 x 2 FIGUEIRENSE (SC)
03/07/2007 - Campeonato Brasileiro (turno/9ª) - Orlando Scarpelli (Florianópolis, SC)

CRUZEIRO 3 x 0 FIGUEIRENSE (SC)
21/06/2008 - Campeonato Brasileiro (turno/7ª) - Mineirão (Belo Horizonte, MG)

CRUZEIRO 0 x 1 INTERNACIONAL (RS)
30/11/2008 - Campeonato Brasileiro (returno/37ª) - Beira Rio (Porto Alegre, RS)

CRUZEIRO 1 x 0 BARUERI (SP)
26/09/2009 - Campeonato Brasileiro (returno/26ª) - Arena Barueri (Barueri, SP)

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quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Queda de energia salvou o Ceará da sede de gols da Máquina Azul em 1979

A Máquina Azul de 1979 que aplacou goleadas em série no Campeonato Brasileiro. Em pé da esquerda para a direita, Luiz Antônio, Mariano, Flamarion, Marquinhos, Zezinho Figueroa e Berto. Agachados da esquerda para a direita, Júnior Brasília, Eduardo, Paulo Luciano, Erivelto e Joãozinho.

Cruzeiro e Ceará já fizeram uma partida de 36 minutos! Foi pelo Campeonato Brasileiro de 1979, que teve o time do Cruzeiro, comandado pelo técnico Ílton Chaves, como a grande sensação, por causa das goleadas em série que aplicou sobre os adversários.

Os resultados elásticos levaram o time estrelado a ser apelido de “Máquina Azul”. O Ceará foi um dos poucos adversários que escapou da sede de gols do Cruzeiro naquele campeonato. E não foi apenas por méritos da equipe do Vovô, mas porque uma queda de energia elétrica no estádio Castelão, em Fortaleza, provocou a suspensão da partida ainda no primeiro tempo.

Antes da partida contra o Ceará, a Máquina Azul havia atropelado o Remo, por 3 a 0, no Mineirão, o Vitória, por 4 a 2, na Fonte Nova, o Nacional-AM, por 4 a 1, no Mineirão e o Bahia, por 5 a 0, também no gigante da Pampulha. Já na partida contra o Nacional, o Cruzeiro havia garantindo a classificação para a segunda fase do Campeonato com duas rodadas de antecedência.

Na última rodada da fase, o adversário foi o Ceará. O Cruzeiro abriu o placar, logo aos 7 minutos, com um gol do lateral direito Nelinho. O Ceará chegou ao empate, com um gol de Rubens Nicola, aos 30 minutos.

Aos 36 minutos, quando o Cruzeiro pressionava em busca do segundo gol, uma queda de energia deixou o estádio Castelão às escuras. O problema não foi resolvido e o árbitro sergipano, Antônio Vieira Góis, suspendeu o jogo.

Uma nova partida deveria ser realizada, já que 36 minutos não correspondem ao tempo regulamentar de um jogo de futebol. Assim, a delegação cruzeirense permaneceu em Fortaleza aguardando uma decisão da Confederação Brasileira do Desporto-CBD.

No entanto, surpreendentemente, a CBD cancelou a realização de um novo jogo e considerou os 36 minutos disputados e o placar de 1 a 1, dando um ponto para cada equipe na tabela de classificação.

A CBD justificou a medida, alegando que a partida não representaria nenhuma alteração na tabela e que não havia datas disponíveis para agendar outro jogo. Curiosamente, a decisão revoltou os jogadores cruzeirenses. Queriam uma nova partida, porque estavam confiantes que iriam aplacar uma nova goleada! 

Na segunda fase daquele Brasileiro, o Cruzeiro ainda aplicou outras goleadas: 4 a 0 sobre o Dom Bosco-MT; 5 a 2, sobre o Americano-RJ; e 4 a 1 sobre o Villa Nova-MG. Como campeão da chave, o time estrelado se classificou para a terceira fase, onde enfrentou o Goiás, o Atlético-MG e o Internacional, mas na reta final, a Máquina perdeu o fôlego. Com dois empates contra o Galo e o Verdão e uma derrota para o Colorado, que ficou com a primeira colocação na chave, a Máquina ficou fora da fase semifinal e da disputa pelo título.

A ficha do jogo de 36 minutos

CRUZEIRO 1 x 1 CEARÁ (CE)
04/11/1979 (Dom-17h) - Copa Brasil (1ª fase/9ª rodada) - Castelão (Fortaleza, CE)
Renda: Cr$ 577.280,
Árbitro: Antônio Vieira Góis (SE)
Auxiliares: Manoel Alves Araújo e Francisco Augusto Pereira
Gols: Nelinho 7’; Rubens Nicola 30’
Cruzeiro: Luiz Antônio, Nelinho, Zezinho Figueroa, Marquinhos, Mariano, Nélio, Alexandre, Mauro, Júnior Brasília, Roberto César, Joãozinho. T: Ílton Chaves
Ceará: Dalmir, Tércio, Celso, Aluísio Correia, Bezerra, Edmar, Rubens Nicola, Tiquinho, Chinês, Aloísio Chaves, Jangada. T: William Pontes

Todos os jogos entre Cruzeiro e Ceará

CAMPEONATO BRASILEIRO
Jogo 3 - 29/8/1971 - Cruzeiro 6 X 0
Campeonato Brasileiro (1ª Fase) - Mineirão (Belo Horizonte)
Jogo 4 - 5/11/1972 - Empate 1 X 1
Campeonato Brasileiro (1ª Fase) - Presidente Vargas (Fortaleza)
Jogo 5 - 9/6/1974 - Empate 1 X 1
Campeonato Brasileiro (1ª Fase) - Castelão (Fortaleza)
Jogo 7 - 4/11/1979 - Empate 1 X 1
Campeonato Brasileiro (1ª Fase) - Castelão (Fortaleza)
Jogo 8 - 31/5/2010 - Ceará 1 X 0
Campeonato Brasileiro (turno) - Castelão (Fortaleza)
Jogo 9 - 22/9/2010 - Cruzeiro 2 X 0
Campeonato Brasileiro (returno) - Arena do Jacaré (Sete Lagoas, MG)
Jogo 10 - 20/8/2011 - Cruzeiro 1 X 0
Campeonato Brasileiro (turno) - Parque do Sabiá (Uberlândia, MG)

AMISTOSO
Jogo 1 - 19/6/1962 - Ceará 3 X 2
Amistoso - Presidente Vargas (Fortaleza)
Jogo 2 - 12/10/1969 - Cruzeiro 1 X 0
Amistoso - Presidente Vargas (Fortaleza)
Jogo 6 - 26/2/1978 - Cruzeiro 3 X 1
Amistoso (Torneio de Fortaleza) - Castelão (Fortaleza)

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