quarta-feira, 6 de maio de 2009

Os títulos estaduais que não foram disputados - 1927 a 1957

O título de "campeão mineiro" foi criado em 1927 após a reforma dos estatutos da Federação Mineira. O documento passou a permitir que clubes filiados ou ligas pudessem organizar campeonatos nas regiões sul, triângulo mineiro, zona da mata e centro do estado. O título de "campeão mineiro" seria disputado num torneio entre os vencedores de cada campeonato (Jornal Minas Gerais, 26/03/1927)

A Federação passou a prometer a disputa do título de "campeão mineiro" e uma dessas promessas foi notícia do jornal Estado de Minas, de 05/07/1930. "É pensamento da diretoria da FMF fazer realizar este ano o Campeonato Mineiro de Futebol que será efetuado depois de terminado o Campeonato da Cidade. Neste torneio tomarão parte os campeões das diversas ligas do Estado visitando-nos o campeão de Uberaba, Juiz de Fora e Sul de Minas Gerais, que enfrentarão o Campeão de Belo Horizonte"

Apenas Liga de Juiz de Fora conseguiu organizar um campeonato no interior e, finalmente, em 1933, ocorreu a unificação dos dois campeonatos disputados no Estado que foi chamado de "Campeonato Mineiro" por estar em disputa o título máximo do futebol de Minas Gerais. O Villa Nova sagrou-se o primeiro campeão e o Tupi, o vice

No ano seguinte, em 1934, a Federação decidiu que a disputa do título de Campeão Mineiro seria numa melhor de três partidas entre os campeões de cada campeonato: "Consta dos estatutos art. 56 que findo os campeonatos regionais, será realizado um torneio entre os campeões das entidades filiadas, para assim classificar-se o campeão mineiro. Sendo, porém, apenas Belo Horizonte e Juiz de Fora as entidades filiadas que disputam futebol, a Federação vai promover os encontros entre Villa Nova e Tupynambás, provavelmente em dezembro, para ver qual dos dois deve ostentar o título de campeão de Minas" (Jornal Estado de Minas, 20/11/1934)

A primeira partida da série chegou a ser disputada no estadio da Alameda, em Belo Horizonte, em 16/12/1934. O Villa venceu por 2 a 0 com gols de Perácio e Alfredo, mas no dia seguinte eclodiu uma crise no futebol mineiro e as partidas restantes foram canceladas. Os times de Juiz de Fora se desligaram da Federação Mineira reclamando que o futebol interior era tratado com descaso pela Federação. Naquele ano Villa Nova, Siderúrgica e Retiro que disputavam o certame da capital também engrossaram o coro. Sem certames no interior e sofrendo com o descaso da Federação, em 1950, a Caldense e vários clubes solicitaram a CBD a transferência de suas filiações a Federação Paulista para disputar a 2a divisão ou o Campeonato do Interior Paulista (Jornal Diário da Tarde, 21/11/1950). O jornal Diario da Tarde de 29/03/1950 havia proposto até que se organizasse um campeonato do interior para que o seu vencedor disputasse com o campeão da capital o título de campeão mineiro.

A decisão do título de campeão mineiro entre os vencedores dos campeonatos da capital e de Juiz de Fora continuou prevalecendo nos estatutos, mas sendo tratado com descaso pela própria Federação Mineira.

Quando surgiu o Campenato Brasileiro em 1959, a Taça Brasil, ficou definido que apenas os campeões estaduais participariam do certame. A Federação Mineira, em 1958, aproveitou os 10 participantes do Campeonato da Capital e incluiu em uma só divisão mais 6 equipes do interior. Organizou um torneio seletivo para para classificar os 8 participantes do Campeonato de 1958. O vencedor foi indicado para a disputa do Campeonato Brasileiro e assim homologado como "campeão mineiro". Desde então, os vencedores do Campeonato da Federação passaram a ser, finalmente, homologados como "campeões mineiros".

TÍTULOS DE CAMPEÃO MINEIRO NÃO DISPUTADOS
1957 - América x Olimpic (Barbacena)
1956 - Cruzeiro ou Atlético x Sport
*o título da capital se arrastou nos tribunais e só ficou definido em março de 1958, quando Cruzeiro e Atlético concordaram em dividir a conquista
1955 - Atlético x Sport
1954 - Atlético x Tupi
1953 - Atlético x Sport
1952 - Atlético x Tupi
1951 - Villa Nova x Tupi
1950 - Atlético x Sport
1949 - Atlético x Volante (Juiz de Fora)
1948 – América x Tupi
1947 - Atlético x Tupi
1946 - Atlético x Tupynambas
1945 - Cruzeiro x Tupi
1944 - Cruzeiro x Tupi
1943 - Cruzeiro x Mineira (Juiz de Fora)
1942 - Atlético x Sport
1941 - Atlético x Tupi
1940 - Cruzeiro x Tupi
1939 – Atlético x Duque de Caxias (Juiz de Fora)
1938 - Atlético x Mineira (Juiz de Fora)
1937 - Siderúrgica (Sabará) x Tupi
1936 - Atlético campeão de Belo Horizonte e Tupi, campeão de Juiz de Fora, não poderiam disputar o título mineiro. A Associação Mineira de Esportes, como sede em Belo Horizonte, era filiada a Federação Brasileira de Futebol-FBF, que não era reconhecida pela FIFA. Já a Associação Mineira de Esportes, com sede em Juiz de Fora, era filiada a Confederação Brasileira do Desporto-CBD, e era reconhecida pela FIFA. Assim como acontece no Rio de Janeiro e em São Paulo, o estado deveria ter dois campeões
1935 - Villa Nova, campeão de Belo Horizonte e Tupi, campeão de Juiz de Fora, não poderiam disputar o título mineiro. A Associação Mineira de Esportes, como sede em Belo Horizonte, era filiada a Federação Brasileira de Futebol-FBF, que não era reconhecida pela FIFA. Já a Associação Mineira de Esportes, com sede em Juiz de Fora, era filiada a Confederação Brasileira do Desporto-CBD, e era reconhecida pela FIFA. Assim como acontece no Rio de Janeiro e em São Paulo, o estado deveria ter dois campeões.
1934 - Villa Nova x Tupynambas
*A primeira partida chegou a ser disputada com a vitória do Villa por 2 a 0, em Belo Horizonte. A segunda partida não aconteceu, porque os clubes de Juiz de Fora se desligaram da Federação Mineira, que não homologou o Villa como campeão mineiro de 1934
1932 – Atlético x Tupynambas
1931 - Atlético x Tupynambas
1930 - Cruzeiro x Sport
1929 - Cruzeiro x Tupi
1928 - Cruzeiro x Tupynambas
1927 – Atlético.
*o campeonato de Juiz de Fora foi considerado inexistente. O Tupynambas recorreu pedindo a sua proclamação como campeão. O veredito final foi julgado no TJD da FMF em 1928 e ficou confirmado a inexistência do certame.
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