sábado, 20 de novembro de 2010

Fabrício proporcionou um fato inédito na história do Clube

Por causa da escalação de mais um árbitro
que não pertencia aos quadros da FIFA
em partidas do Cruzeiro pelo Brasileiro,
o volante Fabrício revelava sua
indignação com a escolha de Sandro Meira
Ricci na véspera da partida contra o
Corinthians. Após o desfecho do circo
armado pelo trio de arbitragem, tomou a
decisão individual de abandonar a partida
após o pênalti marcado aos 88 minutos

O abandono de campo do volante Fabrício, após a marcação do pênalti roubado a favor do Corinthians, é inédito na história do clube.

O volante, ontem a tarde, em entrevista coletiva na Toca, após seis dias em silêncio, confirmou o abandono e justificou: 

"Achei melhor sair para não prejudicar mais o time, de repente ser expulso e fazer alguma coisa e ficar fora o resto do campeonato. Do jeito que a coisa estava andando, a gente não ia ganhar nunca. Eu tomei a decisão, para mim acertada, pelas circunstâncias. Acho que foi bem tomada e fui eu que tomei, não foram os caras (comissão técnica) não”.

O abandono de campo recebeu a aprovação de toda a torcida cruzeirense. No desembarque da delegação cruzeirense em Belo Horizonte, Fabrício foi ovacionado pelos torcedores no saguão do aeroporto. A foto do jogador abandonando o campo foi transformado em avatar no perfil de usuários de sites de relacionamento como o orkut e o facebook

Este tipo de expediente foi muito utilizado nos primórdios do nosso futebol, mas era uma decisão conjunta. Por não concordar com a marcação de um gol, de um pênalti, da expulsão de um jogador, todo o time abandonava o campo impedindo a continuação dos minutos restantes da partida.

De todos os clubes tradicionais do futebol mineiro, o Cruzeiro é o único que nunca se utilizou do “abandono de campo” como forma de protesto. Mesmo que os jogadores se sentissem prejudicados pelas falhas ou má intenção da arbitragem, jamais suspenderam um espetáculo por decisão própria.

O abandono de campo era impune até a uniformização das leis esportivas no Brasil que ocorreram a partir da década de 1940. O expediente, que era imoral e desrespeitoso ao público nos estádios, passou a ser passível de punição ao clube que o praticasse e assim foi praticamente extinto.

O Cruzeiro ainda preserva na sua história o fato de nunca ter abandonado uma partida, mesmo tendo agora o caso isolado de um jogador que se utilizou por conta própria dessa forma de protesto

Segue abaixo os 7 jogos do Cruzeiro que foram suspensos por causa de abandono de campo dos adversários e seus motivos:

12/05/1929 – Cruzeiro 3 x 0 Sete – o Sete abandonou o campo, após a contusão de seu goleiro, quando ainda faltavam 20 minutos. O time não quis prosseguir o jogo sem o seu melhor jogador

08/11/1929 – Cruzeiro 3 x 1 América – os jogadores do América abandonaram o campo, quando ainda faltavam 2 minutos. Essa pesquisa não encontrou o motivo do protesto.

01/03/1931 – Cruzeiro 4 x 3 Atlético – o presidente do Atlético que acumulava a função de presidente da Federação Mineira invadiu o campo, após o quarto gol do Cruzeiro, e obrigou o árbitro a anular o lance. Diante da recusa, ordenou a retirada do seu time de campo, quando ainda faltavam 10 minutos. O temperamento do presidente alvinegro, meses depois, provocaria a cisão do futebol da capital em duas federações distintas

18/11/1932 – Cruzeiro 1 x 2 Sete – por causa de uma briga generalizada entre os jogadores, o Sete abandonou o campo quando ainda faltavam 5 minutos

08/04/1934 – Cruzeiro 2 x 2 América o goleiro Clóvis, do América, após fazer uma defesa e suspender a bola com as mãos, foi desarmado pelo meiocampo Zezé, do Cruzeiro, que lhe tomou a bola e passou para Bengala marcar o gol de empate. Os jogadores do América protestaram e, diante da confirmação do gol pelo árbitro, abandonaram o campo, quando ainda restavam 7 minutos

21/03/1937 – Cruzeiro 2 x 2 Villa Nova – o Villa Nova abandonou o campo por não concordar com o gol de empate do Cruzeiro, quando ainda faltavam 6 minutos

28/05/1944 – Villa Nova 3 x 3 CruzeiroO gol de empate do Cruzeiro, marcado pelo ponta esquerda Alcides, foi feito numa cobrança direta de escanteio (olímpico). O atacante cruzeirense Selado chegou a tocar na bola, quando já havia transposto a linha. Os jogadores do Villa Nova, contrariando as regras, alegaram impedimento no lance, quando esta infração não existe durante a cobrança de um escanteio. O Villa abandonou o campo quando ainda faltavam 5 minutos. A Federação puniu o time de Nova Lima com a perda dos pontos.

Henrique Ribeiro
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