quinta-feira, 18 de novembro de 2010

O Campeonato Brasileiro dos anos 1960 e os mitos pregados por seus detratores

Time do Cruzeiro com a taça de campeão brasileiro de 1966 desfila em carro do corpo de bombeiros pelas ruas de Belo Horizonte e é recebido por uma multidão em todo o trajeto entre o aeroporto da pampulha e a sede do Barro Preto



A cobrança sobre a CBF que fazem os clubes campeões brasileiros anteriores ao ano de 1971 nada mais são do que por um freio e um cala boca aos detratores dos campeonatos brasileiros daquele período.

Durante décadas vimos um grupo de dirigentes e jornalistas criarem e recriarem argumentos, justificativas e comparações pífias com o objetivo de desvalorizar a competição.

A primeira destas justificativas surgiu na década de 1970, quando começaram a dizer e escrever em publicações esportivas que a Taça Brasil não foi um campeonato brasileiro, mas um torneio para indicar o clube brasileiro na Taça Libertadores e que a competição havia sido criada apenas para essa finalidade.

A história desmente isso, pois o campeonato em disputa da Taça Brasil foi criada num congresso de futebol, em setembro de 1955, presidido pelo presidente da CBD, Sílvio Pacheco e com a participação dos presidentes da Federações, com o objetivo de apontar o "campeão brasileiro" da temporada.

Em dezembro de 1954, o departamento técnico da CBD, quando instituiu o troféu (Taça Brasil) para ser disputado no Campeonato Brasileiro, também instituiu o título ao seu vencedor, o de "Campeão Brasileiro".

Outro argumento utilizado para defender a edição de 1971, como a primeira da história da competição, foi ainda mais contraditória. Diziam na ocasião que "foi quando começou a ser chamada de campeonato brasileiro", ou seja, esta própria justificativa admite que já havia o campeonato brasileiro, mas que não levava este nome e, sim, o de taça brasil.

Nomenclaturas não definem se uma competição leva ou não um "título máximo". E em 1971, o Torneio Roberto Gomes Pedrosa passou a se chamar Campeonato Nacional de Clubes e não Campeonato Brasileiro. A atual denominação passou a vigorar em 1989. Entre 1975 e 1988 a pricipal competição nacional era a Copa Brasil.

Os detratores da Taça Brasil passaram a formar um outro côro a partir da década de 1980. Justificavam que era disputada num sistema de Copas e que não poderia ser um campeonato.

O conceito de Campeonato nada tem nada a ver com sistema de disputa. Campeonato é qualquer competição disputada por dois ou mais clubes cujo vencedor recebe o título de "campeão".

E Copas e Taças são nada mais que troféus. Um prêmio para simbolizar a conquista. Curiosamente, aqui no Brasil, jamais deveríamos chamar um troféu de Copa, pois o idioma português é o único que não necessita aportuguezar a palavra inglesa CUP, pois já temos a palavra TAÇA, com o mesmo significado.

E se fosse por causa dessa nomenclatura, os campeões brasileiros entre 1975 e 1988, não poderiam ser considerados, pois  a principal competição nacional chamava-se Copa Brasil.

Matéria da Folha de São Paulo de 1965 sobre a final do Campeonato Brasileiro entre Santos e Vasco, onde os santistas conquistaram o inédito pentacampeonato brasileiro consecutivo

Outro dado interessante a respeito da Copa Brasil que passou a ser disputada em 1975 foi o critério de participação que passou a ser o mesmo da Taça Brasil, ou seja, os clubes participantes eram apontados de acordo com suas respectivas classificações nos campeonatos estaduais. A única diferença era que Rio e São Paulo classificavam mais participantes de seus estaduais, enquanto outros estados como Minas Gerais, indicavam apenas o campeão e o vice.

É importante observar também que o tal campeonato que se iniciou em 1971 tinha como critério de participação o convite da CBD, pois era o Torneio Roberto Gomes Pedrosa transformado. E assim vigorou até 1974, quando foi extinto. Não possuía rebaixamento, nem acesso e não era dividido por fases não sendo definido pelo numero máximo de pontos conquistados na tabela de classificação

A perseguição a Taça Brasil não cessou na decada de 1990. Por causa do sistema do mata-mata adotado na Taça Brasil entre 1959 e 1968 e, por causa, do surgimento da Copa do Brasil, em 1989, os detratores da Taça Brasil passaram a comparar as duas competições.

O que importa não é o sistema e a nomenclatura, mas o título que é conferido ao vencedor da competição. O vencedor da Taça Brasil recebia o título máximo de "campeão brasileiro" e o da Copa do Brasil apenas o de "campeão" e isto está no regulamento.

Ou será que a Seleção Brasileira não pode ter o título de campeã mundial, porque não ganhou uma competição chamada Campeonato Mundial?

Por último haviam aqueles que justificavam a onda dizendo que a Taça Brasil não era reconhecida pela CBF.

Ora, ora, se foi o próprio presidente da entidade em 1955, o sr. Silvio Pacheco, que presidiu o congresso organizado para criar a competição e se foi o presidente do conselho técnico da CBF, o sr. Castelo Branco, que em dezembro de 1954 instituiu o troféu (Taça Brasil) e o título máximo (campeão brasileiro) ao vencedor do campeonato, que tipo de reconhecimento eles estão falando? Conversa fiada!

O que causa espécie são os defensores desse argumento conferirem o título de 1987 ao Flamengo. Este título sim é que nunca foi reconhecido pela CBF!

Concluindo, o torcedor deve entender que CAMPEONATO BRASILEIRO é simplesmente a competição que confere ao seu vencedor o título máximo de "campeão brasileiro", independente da nomenclatura, do sistema de disputa, do numero de jogos e de clubes participantes.

Que a CBF se pronuncie e admita que se omitiu.

Que interferências políticas não estejam acima da realidade do nosso futebol.

E que os perseguidores da Taça Brasil se retratem!

Matéria do jornal Estado de Minas de 1966 publica parte da tese apresentada no Congresso Brasileiro que criou o Campeonato Brasileiro em 1955 justificando que a competição serviria para apontar o "campeão brasileiro de clubes"
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