quarta-feira, 17 de novembro de 2010

A unificação dos títulos de Campeão Brasileiro


Tostão beija a tão cobiçada taça de campeão brasileiro de 1966. O Cruzeiro se juntava ao Bahia, como um dos campeões brasileiros fora do eixo Rio-São Paulo

Nas últimas semanas a "unificação dos títulos de campeão brasileiro" voltou a fazer parte das manchetes esportivas.

Os clubes campeões brasileiros de 1959 a 1970 cobram da direção da CBF um pronunciamento para acabar de vez com o mito de que o "Campeonato Brasileiro começou a ser disputado em 1971", quando todos sabem que a competição começou em 1959.

E por que isso acontece? Qual a origem dessa rejeição aos títulos de campeão brasileiro da década de 1960?

Tudo começou em 1938, quando o dirigente da Confederação Brasileira do Desporto-CBD (entidade que controlava todos os esportes no Brasil), o sr. Castelo Branco, após observar o sucesso técnico-financeiro de dois torneios interestaduais, o Rio-São Paulo de 1933 e o Torneio dos Campeões de 1937, propôs a criação de um Campeonato Brasileiro de Clubes.

Todos os esportes brasileiros tinham um campeonato nacional de seleções e de clubes em disputa de sua Taça Brasil, só faltava o futebol, que tinha apenas o Brasileiro de Seleções Estaduais, que era disputado aos trancos e barrancos desde 1922.

Por ser dirigente da CBD Castelo queria que o Campeonato fosse disputado pelos campeões de cada estado em disputa da Taça Brasil. Afinal, só poderia ser campeonato brasileiro se fosse disputado por todo o país! E isso contrariou a vontade dos clubes do eixo Rio-São Paulo que queriam um certame disputado apenas pelos estados mais desenvolvidos.

Castelo durante muitos anos insistiu na idéia do Campeonato Brasileiro, mas continuou ignorado.

Quando os clubes europeus começaram a discutir a criação de um campeonato continental em 1954, propuseram a Confederação Sulamericana a criação do seu campeonato para que, ao final de cada competição, fosse organizado um desafio entre o campeão de cada continente.

A Europa já havia definido que o seu campeonato continental seria disputado pelos campeões de cada país. Seguindo a tendência, os presidentes das confederações de cada país da America do Sul pretendiam o mesmo, o que deixou os dirigentes brasileiros embaraçados. Todo os países da América do Sul tinham o seu campeonato nacional, mas o Brasil ainda não.

O fato acordou os dirigentes brasileiros. Castelo Branco em dezembro de 1954 reuniu o departamento técnico da CBD e decidiu pela instituição da Taça Brasil e o título de "campeão brasileiro de clubes" ao detentor do troféu e deixou a cargo dos clubes e das federações as discussões a respeito de datas, criterios de participação e sistema de disputa do Campeonato Brasileiro.

Em janeiro de 1955 os dirigentes cariocas se reuniram na sede do Botafogo e trataram de forjar o regulamento, sistema de disputa e o critério de participação do Campeonato Brasileiro que, na visão deles, deveria ser disputado por 6 times de Rio e São Paulo, mais 2 clubes de Minas Gerais e Rio Grande do Sul e um representante da Bahia, Paraná e Pernambuco totalizando 19 clubes de apenas 7 estados.

A Federação Mineira de Futebol tomou a iniciativa de organizar em setembro de 1955 o Congresso Brasileiro de Futebol para tratar da criação do Campeonato Brasileiro. O congresso foi realizado em Belo Horizonte com a participação dos presidentes das federações estaduais e presidido pelo presidente da CBD, Silvio Pacheco.

Ficou firmado que o Campeonato Brasileiro teria início em 1959, porque o calendário trienal do futebol já estava aprovado e não poderia sofrer alterações por causa da Copa do Mundo de 1958.

Prevaleceu a sugestão do dirigente Castelo Branco com o campeonato brasileiro sendo disputado pelos campeões de cada estado.

Com a extinção da Taça Brasil em 1969, o título de "campeão brasileiro" foi transferido para outra competição, o Torneio Roberto Gomes Pedrosa que era o segundo torneio em importância no país e por isso concedia ao seu vencedor a "Taça de Prata" desde 1968, quando a CBD encampou a competição (Veja abaixo o quadro dos campeões).

Em 1971 o Torneio Roberto Gomes Pedrosa teve a nomenclatura alterada para "Campeonato Nacional de Clubes", mas seus campeões continuaram recebendo a Taça de Prata até 1974.

A tentativa dos inimigos da Taça Brasil não cessaram e parte da imprensa esportiva foi envolvida nesse processo de rejeição aos campeões brasileiros da decada de 1960. Mas isso é assunto para o meu próximo post aqui no blog.

CAMPEÕES BRASILEIROS (ANTES DE 1971)
1959 - BAHIA
1960 - PALMEIRAS
1961 - SANTOS
1962 - SANTOS
1963 - SANTOS
1964 - SANTOS
1965 - SANTOS
1966 - CRUZEIRO
1967 - PALMEIRAS
1968 - não houve campeão - o título brasileiro deveria ser disputado num torneio envolvendo os campeões da Taça Brasil, Robertão, Centro-Sul e Norte-Nordeste. A Taça Brasil de 1968 só terminou no final do ano de 1969 e a disputa pelo título brasileiro de 1968 perdeu o interesse.
1969 - não houve campeão
1970 - FLUMINENSE - campeão do Torneio Roberto Gomes Pedrosa que passou a conceder o título de campeão brasileiro ao seu vencedor.

Henrique Ribeiro
Twitter - @henriqueribe
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