quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Eu acredito no São Inesperado Cruzeirense das Causas Impossíveis

Existe um santo que vez ou outra opera milagres a favor do Cruzeiro. Ele não é reconhecido pelas religiões porque é torcedor do Cruzeiro e está pouco se fudendo para os outros times.

Ele está acima do bem e do mal, ou seja, não importa se o time cruzeirense tenha feito uma boa ou má campanha, que ele ajuda assim mesmo. Ele é o Santo Inesperado Cruzeirense das Causas Impossíveis!

O São Inesperado pode operar outro milagre no próximo domingo. E será um milagre que ainda não realizou, pois em outras ocasiões, ele gorou um time adversário atuando em outro jogo e, desta vez, terá que azarar dois adversários do Cruzeiro: o Corinthians e o Fluminense.

Listei abaixo alguns milagres do Santo que ajudaram o Cruzeiro em situações que pareciam imposssíveis!

1928 - Campeonato de Belo Horizonte

O Campeonato era disputado no sistema de pontos corridos e chegou à última rodada com Atlético e Cruzeiro dividindo a liderança com 26 pontos. O Cruzeiro teria pela frente o Villa Nova, enquanto o Atlético pegaria a baba do Alves Nogueira, que levou as maiores goleadas do certame.

O título estava mais para o Atlético, porque o Villa Nova era osso duro de roer. E, caso o Villa não arrancasse um empate ou uma vitória sobre o Cruzeiro, os dois rivais terminariam o campeonato com o mesmo número de pontos e teriam de desempatar o certame numa série decisiva de três partidas. Tudo isto porque uma vitória do Atlético sobre o Alves Nogueira era dada como favas contadas.

Foi o primeiro registro da aparição do Santo. O que ocorreu naquele domingo, de 6 de janeiro de 1929, contrariou todas as previsões. O Villa Nova foi presa fácil para o Cruzeiro e levou um sacode de 6 a 1. Já o Alves Nogueira fez a sua melhor apresentação no Campeonato. Surpreendeu o Atlético arrancando um empate em 3 a 3, que acabou dando o título para o Cruzeiro.

O Gol de empate do Alves foi marcado numa penalidade máxima. O São Inesperado Cruzeirense para impor a sua ação tratou de golpear moralmente o time atleticano ao ajudar impulsionar a bola chutada pelo centro-médio Borges, que partiu com tanta violência, que nem uma barreira de aço e concreto impediria a sua trajetória. A bola furou as redes!

1967 - Campeonato Mineiro

O Campeonato foi disputado no sistema de pontos corridos e o Atlético liderou a tabela de classificação desde a primeira rodada. O clássico do returno estava marcado para a ante-penúltima rodada. O Atlético era o líder com um ponto de vantagem sobre o Cruzeiro.

O primeiro tempo do clássico foi desastroso. O meiocampo Tostão saiu contundido aos 5 minutos e o zagueirão Procópio foi expulso aos 25 de jogo. O volante Piazza foi deslocado para a zaga, mas não foi suficiente para impedir os gols de Laci e Ronaldo. No segundo tempo o Atlético ampliou para 3 a 0 aos 15 minutos e a torcida alvinegra passou a cantar "passou, passou, passou um avião e nele estava escrito que meu time é campeão!"

Daí pra frente, o Cruzeiro reagiu e promoveu uma reação espetacular. Empatou a partida e adiou a decisão do título. Acontece que o Atlético teria pela frente duas equipes já eliminadas e desinteressadas, o Villa Nova e o América. Assim, de nada adiantaria ao Cruzeiro vencer o Formiga e o Nacional.

Daí, surgiu a notícia de que os jogadores atleticanos estavam sendo turbinados por pílulas estimulantes artesanalmente manipuladas por um farmacêutico na cidade. E o doping estava sendo utilizado em todas as partidas.  Aí mexeram com o Santo que tava quieto ouvindo sua moda de viola!

Ele resolveu entrar em ação e deu uma sacaneada no farmacêutico no momento em que preparava as pílulas fazendo-o trocar as substâncias estimulantes por calmantes.

E assim o time atleticano entrou em campo sonolento contra o fraco Villa Nova, que era um dos últimos colocados da tabela, e não conseguiu passar de um empate em 1 a 1.

Com a mãozinha do Santo, o Cruzeiro alcançou o galo na liderança. Na última rodada, ambos venceram seus jogos e o Campeonato terminou empatado. O título teve de ser decidido numa série de três partidas. O Cruzeiro venceu o rival duas vezes e conquistou o estadual de 1967.

1975 - Libertadores

Na Libertadores de 1975, o Cruzeiro participou da 1a fase no mesmo grupo do Vasco, Deportivo Cali e Atlético Nacional, da Colômbia. Naqueles tempos, apenas o vencedor do grupo é que se classificava para a próxima fase.

Na última rodada, os dois times colombianos lideravam a chave com 6 pontos, seguidos pelo Cruzeiro com 5 pontos. O Vasco com 3 pontos já estava eliminado.

O Cruzeiro derrotou o Deportivo Cali por 2 a 1 no Mineirão e dependia de uma vitória do desinteressado Vasco contra o Atlético Nacional, em São Januário, para poder prosseguir na taça. E os cariocas venceram por 2 a 0!

Caraca, o Santo Inesperado é um santo tão forte que consegue convencer até mesmo os vascaínos a ajudarem o Cruzeirão!

1987 - Copa Brasil

Essa foi foda! O São Inesperado Cruzeirense das Causas Impossíveis se superou! O Cruzeiro participou do Grupo B, que era formado por 8 clubes. A primeira fase do Campeonato foi dividida em dois turnos distintos. O primeiro colocado de cada grupo em cada turno classificava para a semifinal do Modulo verde.

O Cruzeiro não conseguiu obter a classificação no primeiro turno, pois terminou na terceira colocação. No entanto, passou a brigar pela conquista da vaga no segundo turno com o São Paulo.

Até a última rodada, o Cruzeiro tinha 10 pontos contra 9 do tricolor paulista. Ambos enfrentariam equipes desinteressadas. E a CBF com a sua costumeira filha-da-putagem marcou a partida do São Paulo contra o Internacional, no Morumbi, para o sábado, deixando o confronto entre o Cruzeiro e o Santos, no Pacaembu, para o domingo. Aí, mexeram com o Santo que tava tomando sua pinguinha no mercado central!

No sábado o São Paulo passou fácil pelo Inter: 3 a 0. Pois é, o Santo não compareceu, mas é que ele já havia armado uma peça pra paulistada.

A vitória do tricolor na véspera elevou ao máximo a pressão sobre o time cruzeirense que teria que vencer o Santos no domingo para avançar a semifinal.

A torcida do São Paulo compareceu ao Pacaembu reforçando a pequena torcida do Santos, mas se surpreenderam com a invasão da torcida cruzeirense que foi maior do que as duas juntas.

O Santos jogou motivado pela mala branca do São Paulo e deu a alma na partida. O goleiro Rodolfo Rodriguez jogou tudo o que sabia e o que não sabia para garantir o natal prometido pelo papai noel do morumbi.

Acontece que, durante a semana, o Santo havia comparecido a sede da CBF e burlado o sorteio dos árbitros para que um trio carioca muito filho da puta apitasse o jogo e fizesse de tudo para eliminar o São Paulo.

O jogo seguia empatado sem gols e o árbitro José Roberto Wright (o grande José Roberto Wright!!!) resolveu dar alguns minutos de descontos, quando o meia Heriberto entrou na área e chutou cruzado. A bola foi ao encontro do meia-atacante Careca que marcou o gol em posição de impedimento. E sabe o que fez o auxiliar José Dutra? Não marcou porra nenhuma! E o árbitro José Roberto Wright (o grande José Roberto Wright!!!!) o que fez? Confirmou o gol, é claro!!!

Os santistas contestaram o gol cruzeirense alegando irregularidade no lance. O goleiro Rodolfo Rodriguez liderou a retirada de campo dos jogadores santistas em protesto contra o gol.

A semifinal então foi composta por dois times de Minas, um do Rio Grande do Sul e um do Rio de Janeiro .... sem paulistas!!!

Agora imaginem isso: um time paulista sendo roubado dentro de São Paulo e um time mineiro sendo o maior beneficiado por esta ajuda. Existe algo mais impossível que isso? E não é que o São Inesperado operou esse milagre!


1988 - Copa Brasil

o Cruzeiro participou do Grupo B, que era formado por 12 clubes. A primeira fase foi dividida em dois turnos distintos. O primeiro e o segundo colocado de cada grupo, em cada turno, classificava para as oitavas de final.

O Cruzeiro foi muito mal no primeiro turno, mas reagiu no segundo e passou de quase rebaixado a concorrente ao título. Na última rodada o time dividia a segunda colocação do grupo com o Corinthians. O Cruzeiro pegaria o Santa Cruz no Mineirão e o Corinthians iria até Campinas enfrentar o Guarani. Tanto o Santa quanto o Bugre já estavam eliminados e não tinham nenhuma pretensão no Campeonato.

E o Santo Inesperado promoveu mais uma de suas aparições. Espalhou boatos em Campinas de que grandes times do Rio e de São Paulo estavam interessados na contratação dos atacantes do Bugre.
O atacante Vagner Paulista mordeu a isca e ele que não havia feito porra nenhuma no campeonato inteiro sacudiu as redes corinthianas por duas vezes no primeiro tempo. O cara jogou muito! E o time de São Jorge só conseguiu empatar no último minuto dando adeus ao Campeonato, porque o Cruzeiro fez a sua parte e derrotou o Santa Cruz por 2 a 0.

1995 - Campeonato Brasileiro

O Cruzeiro participou do grupo A formado por 12 clubes. A primeira fase do Campeonato foi dividida em dois turnos distintos. O primeiro colocado de cada grupo em cada turno classificava para a semifinal.

Até a última rodada do turno o Cruzeiro dividia com o Palmeiras a liderança do grupo A. Tudo levava crer que o Palmeiras garantiria a sua classificação de maneira fácil, pois enfrentaria o seu parceiro, o Juventude, que tinha o mesmo patrocinador, a multinacional de laticínios italiana Parmalat. Isso acabou gerando suspeitas de que o time gaúcho facilitaria o jogo.

O Cruzeiro enfrentaria o Flamengo, no Mineirão, mas aí as emissoras de TV promoveram uma tremenda duma filha-da-putagem. Por causa de um acordo entre o clube dos 13 e as emissoras, os jogos dos domingos envolvendo uma equipe do Rio ou de São Paulo poderiam ser transferidos para um campo neutro com transmissão para todo o Brasil.

Resolveram aplicar este acordo, justamente, neste jogo decisivo para o Cruzeiro tirando-o do Mineirão para um pequeno e acanhado estádio na cidade de Cariacica, no Espírito Santo.

Neutralidade? Ora, todos sabem que no Espírito Santo, o Flamengo possui a maior torcida. E isso acordou o Santo Inesperado, que tava no maior sussa pitando o seu palheiro.

Como se esperava o estádio em Cariacica ficou ocupado em sua maioria por flamenguistas capixabas, mas o Cruzeiro era mais time e venceu por 2 a 0.

Em Caxias, o Santo Inesperado azedou a relação entre os irmãos de leite. Nos bastidores tratou de influenciar a opinião dos jornalistas que colocaram em xeque o caráter e a moral dos jogadores do Juventude.  E a imagem da Parmalat como ficaria com uma suspeita de manipulação de resultados de jogos?

A crônica bateu forte! Caso o Palmeiras vencesse o jogo, os jogadores do Juventude seriam tratados como mercenários e que suas carreiras dali pra frente estariam condenadas!

A pressão da mídia insuflada pelo Santo funcionou e o Juventude jogou muito, arrancou um empate em 1 a 1 contra o fortíssimo time do Palmeiras e ajudou o Cruzeiro.

1996 - Campeonato Mineiro

Este foi o último registro que tenho guardado em minha memória sobre a aparição do São Inesperado. A fase final daquele campeonato foi disputada por 6 quipes que se enfrentaram em turno e returno.

O turno da fase final terminou com o Atlético na liderança com 6 pontos de vantagem sobre o Cruzeiro. Assim para conquistar o título o Cruzeiro não dependia mais de si e tinha que torcer pelos tropeços do rival.

Na segunda rodada do returno veio o primeiro tombo do líder que empatou sem gols com o Villa Nova diminuindo a diferença para quatro pontos. Na rodada seguinte, o Cruzeiro venceu o clássico por 2 a 0 reduzindo a vantagem alvinegra para um ponto na tabela.

A decisão foi para a última rodada. O Cruzeiro tinha o clássico contra o América, no Mineirão, enquanto o Atlético pegou o Uberlândia em crise no Parque do Sabiá.

Os jornais da capital foram enfáticos ao colocarem a taça na galeria de troféus do Atlético. Ninguém acreditava que algo pudesse impedir a conquista do alvinegro. Aí mexeram com o Santo que tava de boa dançando um forró pé da serra com sua cabocla.

Ele deu um pulo em Uberlândia, pois sabia que os jogadores do time estavam fazendo corpo mole por causa do atraso de salários. E que se esse time jogasse contra o galo no domingo, aí sim a coisa seria fácil.

O Santo cochichou ao pé do ouvido do capitão do time e propôs que fizessem uma greve. Dito e feito, no dia seguinte nenhum jogador titular compareceu ao treino.

A diretoria uberlandense ficou P da vida e dispensou a turma. Era tudo o que o Santo queria. O time escalado para enfrentar o Atlético foi um misto de reservas e juniores. Gente afim de mostrar serviço.  Sangue novo!

O Cruzeiro fez o seu papel e derrotou o América por 1 a 0, já o Atlético não conseguiu sair de um empate sem gols contra o renovado Uberlândia e o que todos imaginavam que seria apenas uma partida para cumprir tabela se transformou numa comemoração de título estadual. É que não existe nada que o São Inesperado Cruzeirense das Causas Impossíveis possa resolver! E um João de Barro me contou que andaram mexendo com o sossego dele estes dias!



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