sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Geninho o primeiro treinador campeão brasileiro

Time do Cruzeiro posa para foto antes do clássico contra o Atlético pelo Campeonato de 1938 no estádio do América: Geraldo, Souza, Chiquito, Juca, Caieira, Mantovani, Carlos Alberto, Geninho, Calixto, Zezé e Alcides.


Pouca gente sabe, mas o primeiro treinador a se tornar campeão brasileiro foi um ex-jogador do Cruzeiro nos anos 1930, o atacante Geninho. Foi ele quem dirigiu a campanha épica do Bahia rumo ao primeiro título de campeão brasileiro em 1959.

Geninho começou a sua carreira jogando no time do quartel da polícia militar do bairro de Santa Tereza, em Belo Horizonte, quando servia a corporação. Seu companheiro de ataque era o driblador Selado.

O Cruzeiro que sempre garimpou jovens promessas do futebol mineiro descobriu a dupla nos jogos da várzea e os levou para o Barro Preto em 1938. A prática modesta de formar times com talentos desconhecidos e sem custos aos cofres do clube é que levou o Cruzeiro a ser conhecido como a "raposa" do futebol.

Geninho chamava-se Ifigênio de Freitas Bahiense e nasceu em Belo Horizonte em 10 de setembro de 1918. Destacava-se pela habilidade em armar as jogadas de ataque. Atuava tanto na meia direita, quanto na esquerda, e não comprometeu nas vezes em que foi escalado como centro avante.

Quando chegou ao Cruzeiro, as vagas no ataque eram disputadas por jogadores como Zama, Zezé, Calixto, Nonô, Ceci, Carlos Alberto, Alcides, além dos veteranos Bengala e Ninão, mas o treinador Matturio Fabbi apostou em Geninho e, de cara, o escalou como titular. O atacante Selado preferiu não concorrer com tantos jogadores e se transferiu para o rival de Lourdes, onde eram maiores as suas chances de se tornar titular absoluto.

Já naquele ano Geninho destacou-se no time cruzeirense transformando-se no artilheiro do time com 16 gols em 24 jogos. Suas atuações lhe valeram a sua primeira convocação para a Seleção Mineira para a disputa do Campeonato Brasileiro de Seleções.

No ano seguinte, Geninho caiu de produção como todo o time, que sentia em campo a fase conturbada do clube, onde os novos associados e o conselho dos natos, formado pelos fundadores, entraram em conflito. No entanto em setembro de 1939 uma luz surgiu no fim do túnel, quando o clube acertou o retorno do ídolo Niginho que estava no Vasco.

O ano de 1940 foi promissor para Geninho e para o Cruzeiro que conseguiu sair da fila de 10 anos sem a conquista de um campeonato. Em julho o atacante foi um dos 9 jogadores titulares do time convocados para a formação de uma Seleção Mineira, que realizou treinos em Caxambu, para observação do treinador da Seleção Brasileira, Ademar Pimenta.

Em agosto, Geninho despediu-se do Cruzeiro ao ser negociado ao Botafogo, que naquele período, se utilizava de empresários que vinham a Minas aliciar os jogadores mineiros. Prática essa que ficou conhecida como o "canto da sereia". Para liberar o jogador ao clube litorâneo, o Cruzeiro foi indenizado em 20 contos de réis.

Geninho foi o primeiro de uma lista de titulares do Cruzeiro nos anos 1940, que seriam aliciados pelo clube da estrela solitária e que partiram para o clube carioca deixando o Cruzeiro com uma parca soma indenizatória. São coisas que, realmente, só acontecem com o Botafogo. 

Geninho disputou ao todo 56 partidas entre 1938 e 1940 e marcou 25 gols. Seu único título foi o de Campeão de Belo Horizonte de 1940, quando participou das partidas do turno.

Geninho fez história no alvinegro carioca. Foi titular, marcou 115 gols, disputou 422 jogos, ganhou apenas um título estadual em 1948 que livrou o clube de uma fila de 13 anos sem conquistas e ainda recebeu o apelido de "arquiteto". E foi no Botafogo que ganhou sua primeira chance como treinador do time. Ele assumiu o cargo em 1949, substituindo o disciplinador Zezé Moreira.

Em 1959 Geninho viveu a sua maior glória, quando dirigiu o timaço do Bahia na campanha do primeiro título de campeão brasileiro da história. O Bahia passou pelo CSA (AL), Ceará (CE), Sport Recife (PE), Vasco da Gama (RJ) e o Santos (SP) na terceira partida decisiva disputada no estádio do Maracanã. Foram ao todo 9 vitórias, 2 empates e 3 derrotas.

O Bahia recebeu a taça de campeão brasileiro das mãos do presidente da república Juscelino Kubitscheck. Era a consagração do grande ídolo baiano, o atacante Marito e do lendário presidente Osório Villas Boas. O título é creditado por muitos a inteligência do treinador Geninho.

Em 1962 ele retornou ao Cruzeiro como treinador. Dirigiu o time no returno do Campeonato Mineiro de 1961, que atravessou os primeiros meses de 1962. Sagrou-se campeão estadual - era o tri de 1959/60/61.

Foram apenas 13 jogos no cargo. Surgiram especulações que a sua demissão foi devido aos atritos com os repórteres. Geninho não teve uma boa relação com a imprensa mineira.

Mais tarde descobriu-se que o próprio treinador foi quem decidiu demitir-se. Ele havia se desentendido com o atacante Nelsinho num treino e pediu que a diretoria o afastasse do plantel. A diretoria cruzeirense, como nos dias atuais, não manda jogadores embora, mesmo que seja por solicitação do treinador. Como não foi atendido, Geninho resolveu sair.

twitter:
@henriqueribe


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