sexta-feira, 17 de junho de 2011

O brinde de Moraes a hostilidade


Não era nada fácil jogar nos estádios do interior de Minas, até fins da década de 1980. No dia 13 de junho de 1976, o Cruzeiro foi enfrentar o Uberaba, em seu estádio, pelo Campeonato Mineiro, sob grande pressão da torcida colorada. A partida seguia empatada sem gols, quando aos 21 minutos do segundo tempo, Isidoro - que hoje é supervisor do Atlético - cometeu falta no atacante Henrique, do Uberaba. A torcida do Zebu exigiu a expulsão do jogador e pressionou o árbitro José Alberto Teixeira atirando várias latas de cerveja no campo. O zagueiro Moraes, do Cruzeiro, pegou uma que ainda tinha cerveja, brindou a torcida hostil e tomou um bom gole.

O meia atacante Dedé de Dora chegou ao Cruzeiro emprestado pelo ABC-RN, em fevereiro de 1985. O presidente Benito Masci contratou o atleta sem nunca tê-lo visto jogar. Ele ficou empolgado com uma matéria na Folha de São Paulo, que apontava o jogador como uma grande promessa do futebol potiguar. Temendo um possível interesse de outros clubes pelo meiocampista, Benito não perdeu tempo e tratou de sair na frente. Dedé não passou de uma promessa e foi devolvido ao ABC quatro meses depois.

Foi num amistoso contra o Sete de Setembro, em 20 de abril de 1950, no estádio do Barro Preto, que o Cruzeiro jogou, pela primeira vez, de camisa branca. Ela foi criada para ser utilizada em jogos noturnos, devido a precariedade dos sistemas de iluminação dos estádios. No projeto original o uniforme seria camisa e meias brancas e o calção azul. No entanto, a empresa que o confeccionou entregou apenas as camisas. Foi por causa desse esquecimento que o uniforme branco deixou de ter o calção azul em sua composição.

O Cruzeiro fez a sua estréia na Taça Libertadores de 1975, contra o Vasco, no Mineirão, no dia 23 de fevereiro. Era a revanche da final do Campeonato Brasileiro de 1974, em que o time estrelado perdeu o título na derrota para os cariocas por 2 a 1, no Maracanã. Foi um jogo dificílimo. O Cruzeiro venceu por 3 a 2, com um gol de falta do lateral direito Nelinho, no último minuto. Além da vitória, o gol marcado pelo atacante Palhinha, aos 9 minutos do segundo tempo, valeu o ingresso e lavou a alma da torcida. Ele driblou os zagueiros Moisés e Miguel e o goleiro Andrada antes de tocar para as redes.

O atacante Reinaldo, que é o maior artilheiro da história do Atlético, assinou contrato com o Cruzeiro, em 17 de agosto de 1986. Ele estava no Rio Negro-AM, onde havia feito apenas cinco jogos em quatro meses. Na sua apresentação a imprensa, na sede do Barro Preto, ele vestiu a camisa do Cruzeiro, tirou fotos e declarou: “acho que poderei ter muitas alegrias ao lado da torcida cruzeirense. É uma torcida vibrante. Posso dizer que ela empurra mais o jogador que a do galo”

twitter: @henriqueribe
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