quinta-feira, 16 de junho de 2011

O cachorro Sebastião do Raul



Em 1969, o goleiro Raul tinha um cachorro e, certa vez, teve que levá-lo ao veterinário. No dia seguinte, o telefone da sua casa não parou de tocar. Eram atleticanos indignados que ligaram para lhe dirigir desaforos. Um deles esbravejou:
_Fique sabendo que eu também tenho um cachorro e o nome dele é Raul!

É que na clínica, no dia anterior, Raul havia encontrado um repórter, que publicou num jornal, que o cachorro do goleiro do Cruzeiro se chamava Sebastião. Os atleticanos imaginaram que Raul havia escolhido esse nome para tripudiar o ponta esquerda Tião, do Atlético.

O treinador Geninho foi contratado para dirigir o time do Cruzeiro no returno do Campeonato Mineiro de 1961, que foi disputado em 1962. Foram os treinos mais engraçados dos tempos do Barro Preto. Ele costumava passar instruções aos jogadores, ao mesmo tempo que contava piadas do bocage, arrancando gargalhadas dos atletas a todo instante.

Em 1937, chegou ao Barro Preto, um zagueiro vindo da cidade de Tombos, atendendo pelo apelido de Tueu. Seu nome era complicado: Otoniel. Como seu sobrenome era Xavier Serpa, alguns preferiram chamá-lo de Serpa. Quando pisou no gramado para fazer o seu primeiro treino arrancou gargalhadas dos jogadores por causa das chuteiras, que eram de cor branca! Naqueles tempos o calçado futebolístico eram marrom ou preto. Ele foi submetido a uma prova de fogo. Sua estréia foi Rio de Janeiro contra o Vasco da Gama. Jogou bem, agradou ao treinador Nelo Nicolai e ganhou um contrato até dezembro. Envergonhado, pintou suas chuteiras de preto.

Em 1994 o presidente do Cruzeiro César Masci negociou o atacante Ronaldo Fenômeno ao PSV da Holanda por 6 milhões de dólares. Pouco tempo depois Masci adquiriu uma valiosa mansão às margens da lagoa da Pampulha. Contam que, quando o ônibus dos jogadores do time júnior do Cruzeiro passava em frente a casa, eles gritavam em côro:
_Ronaldo! Ronaldo! Ronaldo!

Numa partida contra o América-RN, pelo Campeonato Brasileiro de 1975, o atacante Joãozinho não parava de dar dribles no lateral Ivan e este retribuía pontapés na tentativa de intimidá-lo. Preocupado com a violência do seu marcador, o armador Toninho alertou a Joãozinho que tomasse cuidado, pois numa dessas ele poderia machucá-lo.
 _Deixa comigo, que estou guardando uma pra ele! – respondeu o atacante.

Ao receber uma bola, Joãozinho deu um drible tão desconcertante, que Ivan caiu no chão. Ele se levantou, rapidamente, mas levou outro drible ainda mais desconcertante, que o fez sair capengando pra fora do campo indo cair sentado próximo ao banco de reservas de sua equipe. O técnico Sebastião Leônidas, segurou-o pela camisa e não o deixou voltar. Chamou o reserva Maladão e decidiu fazer ali mesmo a sua substituição.

twitter: @henriqueribe
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