quinta-feira, 16 de junho de 2011

Yustrich e os cabeludos


O técnico Yustrich, que tinha fama de disciplinador, foi contratado para dirigir o Cruzeiro, pela primeira vez, em 1972. Quando chegou a Toca da Raposa, foi apresentado aos jogadores, que ficaram perfilados, como um pelotão do exército. O treinador "linha dura" se deparou com um grupo de jovens bem a vontade, com cabelos compridos, barbados e de costeletas. Ele se voltou para o presidente Felício Brandi, que estava ao seu lado, e perguntou: _É uma banda de rock?

Os dirigentes do Cruzeiro sempre tiveram o terrível defeito de contratar jogadores que fizeram gol no time. Foi o caso do volante Pingo, que marcou o gol do Grêmio, na decisão da Copa do Brasil de 1993, que o Cruzeiro venceu por 2 a 1. Em 1995, logo em seu primeiro ano de mandato, o presidente Zezé Perrella pagou 800 mil dólares (!!!) ao Grêmio pelo passe do jogador. Foi o investimento mais alto feito pelo clube naquela temporada.

Além de não jogar porra nenhuma, o volantão, sem um Pingo de consideração ao investimento que lhe foi feito pelo Clube, foi para o Flamengo, em julho. O Cruzeiro, pra colocar o "Pingo nos is", deixou o jogador ir para a gávea diante de uma indenização. E o rubro negro foi generoso. Deu em troca dois jogadores no auge da forma física e técnica: o volante Fabinho e o zagueiro Gelson. Obrigado, Flamengo! O Pingo não fez falta alguma.

Em 1944 o Cruzeiro passava por uma séria crise financeira. Como o clube dispunha de parcas fontes de receita para manter os salários e as contas em dia, a torcida cooperou com a diretoria e organizou a “Campanha do Gol”. Cada participante pagava um cruzeiro por cada gol marcado pelo time. O dinheiro arrecadado era distribuído aos jogadores ao final da partida.

O atacante Reinaldo, que surgiu na categoria de base do Atlético, foi um dos reforços contratados pelo Cruzeiro para a Taça Libertadores de 1997. Ele estava jogando no Verona, da Itália, e quando soube do interesse do Cruzeiro em seu empréstimo veio correndo para o Brasil. Ao chegar em Belo Horizonte ele declarou que estava cansado de ver a sua equipe apanhar no Campeonato Italiano.

O Cruzeiro disputou um amistoso contra o Cruz Azul, do México, no Coliseu de Los Angeles, em 22 de junho de 1973. O jogo seguia empatado em 1 a 1, quando Dirceu Lopes, aos 41 minutos do segundo tempo, driblou os zagueiros Gusman e Quintano e deu um toque na bola, que encobriu o goleiro Marim. Foi um gol tão bonito, que a torcida invadiu o campo pra comemorar. O árbitro Willy Zooke encerrou a partida, ainda faltando quatro minutos para serem disputados, por não haver condições de retirar os torcedores do campo, que queriam levar as camisas dos jogadores do Cruzeiro como recordação. Pode-se dizer que Dirceu Lopes, literalmente, acabou com o jogo!

twitter: @henriqueribe
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