sexta-feira, 18 de novembro de 2011

20 anos da conquista da Supercopa de 1991 - Parte 2

O atacante Charles marcou três dos quatro gols da goleada sobre o Nacional e acabou terminando a disputa como artilheiro máximo. Dois dos três gols marcados foram de jogadas do ponta direita Mário Tilico

FUTEBOL SHOW NO MINEIRÃO E VALE TUDO EM MONTEVIDÉU

Henrique Ribeiro


O Nacional, de Montevidéu, que havia eliminado o Boca Juniors, na fase de oitavas de final, foi o adversário do Cruzeiro nas quartas de final.

Com a eliminação do Grêmio pelo River Plate nas oitavas de final, restaram apenas o Cruzeiro, o Santos e o Flamengo como representantes brasileiros na disputa.

O primeiro contra os uruguaios jogo foi no dia 16 de outubro, no Mineirão, e a dupla de ataque Charles e Mário Tilico, brindou os 60 mil cruzeirenses presentes com uma exibição antológica.
O Cruzeiro imprimiu um ritmo forte no início do jogo e abriu uma vantagem de 2 a 0, no primeiro tempo. Charles marcou duas vezes. Aos 7 minutos, o goleiro Seré rebateu uma cobrança de falta e o camisa 9 não perdoou. Aos 20 aproveitou um passe de Tilico, após uma avançada rápida pela ponta direita.

O time uruguaio passou a cadenciar o jogo e a valorizar a posse de bola, pois acreditavam que poderiam reverter a vantagem em Montevidéu, mas aos 35 minutos do segundo tempo, o meia Boiadeiro driblou um marcador e da intermediária mandou um bola indefensável no ângulo esquerdo. Nos minutos finais, em outra arrancada de Tilico pela ponta direita, Charles aproveitou o cruzamento para a área e fechou a goleada de 4 a 0. A dupla saiu consagrada do Mineirão.

“Foi fácil entrosar com o Tilico. Ele era velocista, do jeito que a torcida gostava, e tanto naquela partida, com em toda a campanha, nossa sintonia foi muito boa”, recordou o centro-avante Charles, que atualmente é o secretario de esportes da prefeitura de Itapetinga-BA.

Com o resultado de 4 a 0 conquistado no jogo de ida, no Mineirão, o Cruzeiro foi para o jogo da volta, em Montevidéu, no dia 23 de outubro, podendo até perder por três gols de diferença para se classificar para a semifinal.

“Esperava que o jogo em Montevidéu fosse tranquilo, já que a missão deles era quase impossível, pois deveriam reverter o resultado de 4 a 0, mas nunca tomei tanta pancada na minha vida, como naquela partida”, recordou Charles.

O Nacional abriu o placar, aos 26 minutos, com um gol do experiente atacante Cabrera, mas só chegou ao segundo gol, graças a marcação de um pênalti duvidoso, aos 29 do segundo tempo, que foi convertido por Venancio Ramos.

A conivência do trio de arbitragem paraguaio com o anti-futebol e a violência dos jogadores do Nacional transformou a partida, aparentemente fácil, num verdadeiro drama para o time cruzeirense. “Foi um vale-tudo. Os bandeirinhas fingiam não ver nada e o árbitro mandava seguir a pelota”, recorda o ex-meia Luiz Fernando, que hoje trabalha como auxiliar-técnico do Goiás.

Aos 45 minutos o Nacional marcou o terceiro gol com Nuñez e, inexplicavelmente, a arbitragem deu quatro minutos de descontos, mas o Cruzeiro segurou o resultado e conquistou a classificação.

“Levamos socos e cotoveladas fora da disputa pela bola. A Supercopa era difícil em todos os aspectos. Além da qualidade dos times, que tinham jogadores das Seleções de seus países, a arbitragem era sempre contra nós”, recorda o ex-atacante Mario Tilico, que atualmente trabalha como técnico.

CRUZEIRO 4 x 0 NACIONAL (URU)
16/10/1991 - Supercopa (quartas-de-final/1a) - Mineirão (Belo Horizonte, MG)
Público: 55.478 (Cr$ 102.190.000,)
Árbitro: Hernán Silva (CHI)
Auxiliares: Salvador Imperatore (CHI) e Victor Ojeda (CHI)
Gols: Charles 7’ e 20’, Boiadeiro 80’, Charles 88’
Cruzeiro: Paulo César, Zelão, Paulão, Adilson, Nonato, Ademir, Boiadeiro, Luiz Fernando (Macalé), Mário Tilico, Charles, Marquinhos (Paulinho). T: Enio Andrade
Nacional: Seré, Tony Gomez, Reveléz, Wilmar Cabrera, Pintos Saldaña, Noé, Norán, Saralegui, Venancio Ramos, Dely Valdez, Nuñes (Cardaccio). T: Raul Moller
CA: Ademir, Zelão (C); Noran, Cabrera, Venicio, Saldaña (N)

CRUZEIRO 0 x 3 NACIONAL (URU)
23/10/1991 - Supercopa (quartas-de-final/2a) - Centenário (Montevidéu, Uruguai)
Árbitro: Carlos Maciel (PAR)
Auxiliares: Efigênio Mato Verdem (PAR) e Estanislao Barros (PAR)
Gols: Cabrera 26’; Venancio Ramos (pênalti) 74’; Nuñez 90’
Cruzeiro: Paulo César, Zelão, Paulão, Adilson, Nonato, Ademir, Boiadeiro, Luiz Fernando, Mário Tilico, Charles (Macalé), Marquinhos. T: Enio Andrade
Nacional: Seré, Tony Gomez, Revelez, Wilmar Cabrera, Pintos Saldaña, Norán, Saralegui, Noé (Edgar Borges), Venancio Ramos, Dely Valdez, Nuñes. T: Raul Moller
CA: Charles (C)

 twitter:
@henriqueribe
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