sábado, 19 de novembro de 2011

20 anos da conquista da Supercopa de 1991 - Parte 5

O zagueiro Higuaín sai desolado de campo não acreditando que havia sido um dos protagonistas da maior derrota da história do River. Ao fundo os cruzeirenses da geral, que invadiram o gramado para comemorar mais uma página heroica e imortal do Cruzeiro Esporte Clube: a conquista da Supercopa de 1991

Reproduzo abaixo a crônica do jogo publicada pela Revista El Grafico da Argentina:

EL PESADILLA DEL MINERAO (O PESADELO DO MINEIRÃO)

Qual é a diferença entre o inesquecível e o tristemente célebre? O lado onde se está, quando o fato ocorre.
River teve muitas noites negras, mas a do dia 20 de novembro de 91, foi a maior e será uma mancha que jamais sairá de nossas melhores roupas.

Jogo da volta da final da Supercopa. Estádio Governador Magalhães Pinto. O famoso Mineirão. Um cilindro colossal de concreto que ferve e se enfurece como poucas vezes. Cem mil pessoas (sic) formam um um mar revolto de cabeças. As bandeiras se agitam, o calor incomoda e a fumaça de fogos de artifício no campo dão a impressão de que o estádio é um caldeirão gigante.

Sete dias antes, durante o final da primavera de Buenos Aires, River conseguiu uma vantagem de 2 a 0 sobre um adversário que não teve nada de extraordinário. Fez uma viagem cheio de esperança e otimismo, já que a equipe vivia uma grande fase na Supercopa e também no Campeonato Argentino.

Mas agora, no calor intenso da populosa e industrial Belo Horizonte, qualquer indício de comemoração desaparecerá dramaticamente com o passar dos minutos de um jogo inesquecível.

O Cruzeiro era outro. As 11 camisas azuis viajam à velocidade da luz e estão muito diferentes daqueles jogadores cautelosos, que vimos no jogo do Monumental de Nuñez.  O brio como jogam, impulsionados pela sua torcida, é a certeza de que eles estão jogando para entrar para a história. Mas também, desde o início, o River é outro. Passarella armou a equipe para jogar marcando sob pressão e sair rapidamente para o ataque. Naquela noite, o plano não funcionou por um motivo simples: River não tocou na bola.

Os Pac-Man não conseguiam, de corpo e alma, arrastarem-se no terreno com grama até os tornozelos. Porque Enrique e Gordillo chegavam atrasados e ofereciam espaços enormes em sua retaguarda. Por que Rivarola e Higuain nunca achavam os três atacantes, que vinham com a bola dominada, desde o meio-campo, antes de finalizar para gol. Por que Ramon Díaz e Medina Bello ficaram lá longe, isolados, engolidos pelos zagueiros adversários.

O jogo foi como uma tortura chinesa, uma lenta demolição. Cruzeiro revelou seus personagens. Charles (o 9, habilidoso e rápido) recebia de volta, tocava de primeira, encarava e driblava. Tilico (o 7, talentoso, corpulento) matava no peito, girava, enfrentava a marcação e ninguém o segurava. Boiadeiro (o 8, estatura média) desmontava paredes em sua área, encarava e passava. Ademir (5, um Marangoni mineiro) distribuía passes com a cabeça erguida, enfrentava e passava. No primeiro tempo Cruzeiro criou 13 situações claras para marcar. Só acertou uma, num cabeceio de Ademir.

Naquela noite, Comizzo fez o possível e o impossível. Mas a derrota era como um fruto maduro pronto para despencar da árvore. Aos 7 da etapa final Tilico desviou um lançamento de Macalé e marcou o segundo gol. Era o começo do fim. O mesmo Tilico, após uma jogada de Charles marcou o terceiro aos 33. A essa altura, ninguém estava mais surpreso.

Aos 21 minutos do período final, em meio ao baile, uma luz de esperança se acendeu para o River. Com o placar de 2 a 0 adverso, em um ataque isolado, Ramon Diaz esteva frente a frente com Paulo Cesar, mas o seu remate saiu forte e em cima do goleiro brasileiro. Definitivamente, o trem já tinha passado.

O goleiro Comizzo (na foto, perseguido pelo volante Ademir) jogou pelos onze jogadores do River. Fez uma das maiores exibições de sua carreira, mas mesmo assim não pode evitar a derrota e a perda do título

twitter:
@henriqueribe

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