sexta-feira, 18 de novembro de 2011

20 anos da conquista da Supercopa de 1991 - Parte 3

Os dois confrontos contra o Olimpia, no Mineirão (foto acima - com o atacante Charles em ação) e em Assunção foram muito equilibrados. O Olimpia vivia a melhor fase de sua história e era o atual campeão da Supercopa e da Libertadores do ano anterior.

MUITO PRAZER, "LA BESTIA NEGRA"

Henrique Ribeiro

Após passar pela batalha de Montevidéu, o adversário do Cruzeiro na semifinal foi o Olimpia, que havia eliminado o Independiente, da Argentina, nas quartas de final.

Com as eliminações do Flamengo pelo River Plate e do Santos para o Peñarol nas quartas de final, o Cruzeiro passou a ser o único representante do futebol brasileiro na disputa.

A primeira partida contra o Olimpia foi disputada no Mineirão, no dia 31 de outubro e, mais uma vez, a torcida cruzeirense encheu o Mineirão, para empurrar o time para a final.

O ponta esquerda Marquinhos abriu o placar, logo aos 10 minutos, numa tentativa de cruzar a bola para a área, que acabou entrando no ângulo do gol defendido pelo goleiro Battaglia.

O início de jogo deixou a impressão de que a goleada contra o Nacional se repetiria, mas o Olimpia mostrou que não havia conquistado os títulos da Taça Libertadores e da Supercopa no ano anterior, por acaso. No segundo tempo, o treinador Aníbal Ruiz colocou em campo o astro Romerito, aquele que foi campeão brasileiro de 1984, pelo Fluminense e que até hoje é considerado como um dos maiores ídolos da torcida tricolor. Ele voltava ao futebol paraguaio, após duas temporadas no Barcelona, da Espanha. Os paraguaios equilibraram o jogo e, aos 25 minutos do segundo tempo, Guirland empatou a partida.

O jogo terminou com o placar de 1 a 1, muito comemorado pelos jogadores do Olimpia. Já os cruzeirenses saíram de campo lamentando as várias chances de gol desperdiçadas. “Nosso time era muito bom. Todos os jogadores eram muito técnicos e jogávamos com a bola no chão, como é a tradição no Cruzeiro. Era incrível como conseguíamos criar tantas chances de gol contra equipes de alto nível técnico, como naquela partida contra o Olimpia e nas outra pela Supercopa”, recorda o ex-atacante Charles.

O jogo da volta foi disputado no estádio Defensores del Chaco, em Assunção, no dia 6 de novembro. Ênio Andrade surpreendeu ao escalar o volante Andrade no lugar do atacante Marquinhos, mas mesmo assim o time manteve a ofensividade. Com a expulsão do zagueiro Paulão, no segundo tempo, Ênio surpreendeu de novo e trocou o meia Luiz Fernando pelo veloz atacante Paulinho, para puxar os contra-ataques.

A partida teve lances de gol de lado a lado, mas o placar não saiu do zero e o Cruzeiro, novamente, decidiu a vaga na disputa de tiros livres. Guirlan desperdiçou a primeira cobrança do Olimpia, enquanto o Cruzeiro aproveitou todas e venceu por 5 a 3.

Assim como aconteceria com o Colo Colo, esta também foi a primeira de uma série de eliminações que o Cruzeiro iria impor ao Olimpia nas competições sul-americanas e foi na imprensa paraguaia que o time estrelado ganhou a referência de “La Bestia Negra”.

CRUZEIRO 1 x 1 OLIMPIA (PAR)
31/10/1991 - Supercopa (semifinal) - Mineirão (Belo Horizonte, MG)
Público: 49.963 (Cr$ 115.960.000,)
Árbitro: José Torres Cardena (COL)
Auxiliares: Jorge Zuluaga e Juan Manoel Gomes
Gols: Marquinhos 10’ (1-0); Carlos Guirland 65’ (1-1)
Cruzeiro: Paulo César, Zelão, Paulão, Adilson, Nonato, Ademir, Boiadeiro, Luiz Fernando, Mário Tilico, Charles (Macalé), Marquinhos. T: Enio Andrade
Olimpia: Jorge Battaglia, Virginio Cáceres, Rogério Delgado, Mario Ramírez, Silvio Suárez, Adolfo Jara Heyn, Firmino Balbuena, Jorge Guasch, Carlos Guirland (Romerito), Miguel Sanabria, Gabriel Gonzalez (Castro). T: Anibal Ruiz
CA: Delgado (O)

CRUZEIRO 0 x 0 OLIMPIA (PAR)
06/11/1991 - Supercopa (semifinal) - Defensores del Chaco (Assunção, Paraguai)
Público: 15.680 (90.615.000 guaranis)
Árbitro: Juan Bava (ARG)
Auxiliares: Abel Gneco (ARG) e Ricardo Calábria (ARG)
Cruzeiro: Paulo César, Zelão, Paulão, Adilson, Nonato, Ademir, Boiadeiro, Luiz Fernando (Paulinho), Mário Tilico, Charles, Andrade (Macalé). T: Enio Andrade
Olimpia: Jorge Battaglia, Virginio Cáceres (Franco), Rogério Delgado, Mario Ramírez, Silvio Suárez, Firmino Balbuena, Jorge Guasch, Carlos Guirland, Miguel Sanabria, Gabriel Gonzalez, Adolfo Jara Heyn. T: Anibal Ruiz
CA: Ademir, Andrade, Paulão (C)
CV: Paulão (C)
Tiros livres: Cruzeiro 5 a 3 (Adilson 1 a 0; Guirlan errou a cobrança 1 a 0; Boiadeiro 2 a 0; Suarez 2 a 1; Mário Tilico 3 a 1; Ramos 3 a 2; Charles 4 a 2; Franco 4 a 3; Nonato 5 a 3)

twitter:
@henriqueribe

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