sexta-feira, 18 de novembro de 2011

20 anos da conquista da Supercopa de 1991 - Parte 4

Gol de Ademir. O atacante Charles busca a bola dentro do gol, enquanto a dupla de zaga Paulão e Adilson comemoram. Era o início de uma das maiores vitórias da história do Cruzeiro.

A FAÇANHA ESTRELADA E O PESADELO "MILIONÁRIO"

Henrique Ribeiro

A decisão da Supercopa foi contra o River Plate, que vinha sendo o algoz dos times brasileiros, ao eliminar o Grêmio nas oitavas e o Flamengo nas quartas. Os argentinos chegaram a final após passarem pelo Peñarol, na semifinal.

O primeiro jogo da final foi em Buenos Aires, no dia 13 de novembro, e o River conquistou um placar de 2 a 0, com um gol de pênalti do zagueiro Rivarola, aos 31 minutos e outro de cabeça do lateral esquerdo Higuaín, aos 45 minutos. Um resultado confortável que poderia ser facilmente mantido para o segundo jogo. “Vai ser difícil, embora temos demonstrado que nos damos muito bem neste tipo de decisão”, previa o atacante Ramon Medina Bello, na saída de campo, após a vitória por 2 a 0.

O otimismo da torcida e do plantel “milionário” (como são chamados torcedores e jogadores do River Plate) se justificava pelas campanhas na Supercopa e no Torneio Apertura do Campeonato Argentino, que havia conquistado com quatro rodadas de antecedência.

O segundo jogo foi marcado para o dia 20 de novembro, no Mineirão, e o Cruzeiro teria a difícil missão, impossível para muitos, de vencer por três gols de diferença para levar o caneco. “O Ênio Andrade foi fundamental na preparação da equipe para o segundo jogo. Ele nos convenceu de que era possível reverter o resultado e passou muita confiança para a gente”, recorda o ex-atacante Charles.

O que ninguém poderia imaginar é que o Cruzeiro aplicaria um dos maiores bailes sobre o River Plate. O time imprimiu um ritmo alucinante do primeiro ao último minuto de jogo e com um toque de bola envolvente, transformou o onze milionário num mero espectador.

O volante Ademir abriu o placar aos 34 minutos, ao desviar de cabeça uma cobrança de escanteio. Segundo uma estatística levantada pela revista El Grafico, da Argentina, o lance do gol de Ademir foi a 13ª das 18 chances de gol criadas pelo Cruzeiro, somente, no primeiro tempo.

 O show de bola continuou na segunda etapa e, aos seis minutos, Mario Tilico ampliou ao desviar para gol, um lançamento do meia Macalé, que havia entrado na vaga de Luiz Fernando, que saiu machucado no primeiro tempo.

O gol do título foi aos 29 minutos, numa arrancada de Charles que partiu com a bola, desde o meio de campo, e terminou com o toque final de Tilico para as redes. “Acho que foi a única vez que fiz uma jogada como aquela”, recorda o ex-atacante Charles.

Para a geração de torcedores cruzeirenses da década de 1990, foi a maior vitória da história do clube e para a torcida milionária a derrota mais inesquecível. “Ninguém acreditava que o Cruzeiro pudesse reverter aquele resultado e a torcida do River não se conforma até hoje”, recorda o ex-lateral esquerdo Sorin, que na ocasião jogava nas categorias de base do River.

Aquele jogo é tratado na Argentina como “la pesadilla del Mineirao (o pesadelo do Mineirão)”.
A atuação de Charles impressionou o astro Maradona, que acompanhou as finais. No ano seguinte, o meia do Napoli, da Itália, pagou 1,2 milhão dólares do próprio bolso pelo jogador e o cedeu ao Boca Juniors. “Se não posso jogar no Boca, que jogue este fenômeno”, justificou o ídolo argentino.

“Aquele título representou uma nova era no Cruzeiro, que já tinha um título Brasileiro e uma Libertadores, mas há muitos anos não conquistava um título de expressão. Após a conquista o Cruzeiro passou a ser o que é hoje. Cresceu estruturalmente, formou times fortes e ganhou títulos em sequência”, analisa o ex-camisa 10, Luiz Fernando.

CRUZEIRO 0 x 2 RIVER PLATE (ARG)
13/11/1991 - Supercopa (final) - Monumental de Nuñez (Buenos Aires, Argentina)
Público: 60.000 (U$ 626.666)
Árbitro: Jorge Orellana (EQU)
Auxiliares: Elias Jacome (EQU) e Wilton Villavivencia (EQU)
Gols: Rivarola (pênalti) 31’; Higuaín 89’
Cruzeiro: Paulo César, Zelão, Vanderci, Adilson, Nonato, Ademir, Boiadeiro, Luiz Fernando, Mário Tilico (Paulinho), Charles (Macalé), Andrade. T: Enio Andrade
River Plate: Ángel Comizzo, Jorge Gordillo, Jorge Nicolás Higuaín, Guillermo Rivarola, Carlos Enrique, Leonardo Astrada (Gustavo Zapata), Hernán Díaz, Juan Borelli, Ramón Medina Bello, Ramón Díaz, Walter Silvani (Sergio Berti). T: Daniel Passarella
CA: Zelão, Mario Tilico, Nonato (C)

CRUZEIRO 3 x 0 RIVER PLATE (ARG)
20/11/1991 - Supercopa (final) - Mineirão (Belo Horizonte, MG)
Público: 67.279 (Cr$ 218.402.000,)
Árbitro: Hernán Silva (CHI)
Auxiliares: Gastan Castro (CHI) e Enrique Marin (CHI)
Gols: Ademir 34’; Mário Tilico 51’ e 74’
Cruzeiro: Paulo César, Nonato, Adilson, Paulão, Célio Gaúcho, Ademir, Boiadeiro, Luiz Fernando (Macalé), Mário Tilico (Paulinho), Charles, Marquinhos. T: Enio Andrade
River Plate: Ángel Comizzo, Jorge Gordillo, Jorge Nicolás Higuaín, Guillermo Rivarola, Carlos A. Enrique, Hernán Diaz (Sergio Berti), Leonardo Astrada, Gustavo Zapata (Julio César Toresani), Juan Borelli, Ramón Medina Bello, Ramón Díaz. T: Daniel Passarella
CA: Paulão (C); Rivarola (R)

twitter:
@henriqueribe
Postar um comentário