Foto: Vipcomm/Washington Alves
Cruzeiro e Caldense frente a frente na estreia do Campeonato
Cruzeiro e Caldense frente a frente na estreia do Campeonato
Mineiro de 2011. Dois competidores e duas formas discrepantes
de tratamento.
Por Henrique Ribeiro
Domingo que vem começa mais um fatídico Campeonato Mineiro. Uma competição sem graça, devido à hegemonia de Cruzeiro e Atlético e a falta de competitividade.
Alguns cruzeirenses e atleticanos ainda teimam em acreditar que a competição sirva como preparação para o Campeonato Brasileiro, que começa em maio, mas na prática, isto nunca aconteceu.
É só observar os desmanches que Atlético e América, 2º e 3º colocados respectivamente do ano passado, promoveram em seus plantéis, após a disputa do estadual. O Cruzeiro somente não fez o mesmo por causa da Libertadores, mas a expectativa é que adote a mesma reformulação este ano, já que não vai disputar a competição continental.
Os saudosistas do interior defendem a existência da disputa em defesa da revelação de jovens talentos do nosso futebol, mas o que se vê são os próprios clubes pequenos importando jogadores de outros estados. Cito como exemplo, o Uberaba que, este ano, formou uma verdadeira legião estrangeira com jogadores procedentes de vários cantos do país. Somente do futebol de Santa Catarina vieram seis atletas para o Zebu.
Uma parte dos futebolistas defende os estaduais acreditando ser um laboratório para jovens atletas, mas nem isso vem acontecendo. O Villa Nova, por exemplo, que canta aos quatro ventos ser um celeiro formador de craques, contratou vários veteranos e, mais uma vez, não deve revelar ninguém.
Há aqueles que culpam o fracasso da competição pela fórmula de disputa, a falta de empenho das autoridades políticas e a falha na organização da Federação Mineira. No entanto ninguém põe a mão no vespeiro. Enquanto Atlético e Cruzeiro forem tratados com privilégios, a competição nunca atenderá a finalidade que todos gostariam.
Atualmente, a Rede Globo é quem mais contribui para este cenário desolador dos clubes do interior e o motivo está na divisão das cotas de transmissão. A diferença que recebe Cruzeiro e Atlético para os clubes do interior é discrepante. A dupla ganha 5 milhões cada, enquanto o Villa Nova, por exemplo, que é uma das agremiações tradicionais do estado, recebe apenas 380 mil reais.
Qual o motivo da discrepância? Se todos são protagonistas da mesma competição, porque não receber o mesmo valor? A justificativa apresentada pela emissora é de que Cruzeiro e Atlético são os astros do Estadual, o que em nada nos convence, pois o valor de um torneio diminuiu à medida que cai a sua competitividade. Qual é o mérito para Cruzeiro e Atlético vencer uma competição que tem apenas um concorrente à altura? Que valor tem essa conquista?
A dupla já possui uma receita que os diferencia dos outros clubes e os habilitam a ser candidatos ao título, como bilheteria, planos de sócio torcedor, publicidade nos uniformes, parcerias e investidores. Isto os facilita a formar plantéis mais caros e qualificados. Além, é claro, do privilégio de serem de uma capital com dois milhões e meio de habitantes e de estarem próximos a sede do governo do estado.
Então, porque não dar aos clubes do interior um tratamento igual, pelo menos, em cotas de TV, para que possam investir em estrutura e planteis mais competitivos e não fiquem a mercê de empresários oportunistas que trazem de vários cantos jogadores medíocres para ocupar a vaga de talentos em formação? Já que não querem acabar com os Estaduais por causa da tradição, então que alterem essa política de cotas para mudarem esta história.

0 comentários:
Postar um comentário