O Cruzeiro venceu a sua filial, o Nacional, de Nova Serrana, por 4 a 2, mas sem mostrar a tão esperada evolução em seu futebol. Foi uma vitória sofrida sobre o estreante do módulo I do Estadual, que tem o plantel formado por 18 jogadores emprestados pelo time do Barro Preto.
A partida foi quase uma repetição da vitória sobre o Tupi por 3 a 0, na rodada passada. Quando o time da constelação passava um sufoco em campo e o adversário era melhor, dois gols relâmpagos e inesperados definiram o resultado ao seu favor.
Os primeiros 25 minutos da partida tiveram amplo domínio cruzeirense, que não foi traduzida em gols, porque o atacante Anselmo Ramon continua exibindo a sua arte de perder gols.
Aos 6 minutos numa arrancada de Montillo, pelo meio, o "queixo de manga" recebeu um passe, no bico esquerdo da área e, e de pé esquerdo, mandou pra fora. Minutos depois, tentou outro tiro da intermediária, que não foi suficiente para arrancar o "huuuu" da camisa nove. Aos 14 minutos, num bate rebate dentro da área da filial, o goleiro Douglas Pires chocou-se com o atacante Marcinho e a bola sobrou limpa para ele que girou e chutou onde o queixo apontava.
Coitado do Marinho! Na trombada com o goleiro saiu de campo com uma suspeita de fratura no maxilar. Logo ele que, minutos antes, proporcionou o único lance de perigo a favor do Nacional, quando recebeu uma bola na área, abriu espaço e mandou no canto direito, dando trabalho ao goleiro Fábio.
E de tanto martelar, o gol cruzeirense saiu, aos 17 minutos num lance que mostrou toda a versatilidade de Wellington Paulista. Este ano ele já fez gols de pênalti, de cabeça, com os pés e mostrou que sabe fazer gol irregular também.
Numa arrancada de Montillo para a área, o Pirata chutou cruzado para o gol, Douglas espalmou para o centro da área. O zagueiro Josimar apanhou a bola, mas Wellington Paulista o desequilibrou com um toque sutil em seu pé. O atacante tomou-lhe a bola e de pé direito mandou no canto esquerdo. Os jogadores do Nacional reclamaram, com razão, com o árbitro Renato Cardoso Conceição. Como é difícil essa vida de time do interior!
Assim como havia acontecido no jogo contra o Tupi, o Cruzeiro parou após o gol e o Nacional equilibrou o jogo. Somente aos 28 minutos, o time estrelado voltou a incomodar o goleiro Douglas. Num passe que recebeu de Roger, o atacante Wellington Paulista, dominou a bola no peito, abriu espaço e mandou um balaço para o goleiro desviar pra fora. O Nacional respondeu, aos 33 minutos. Numa triangulação próxima a área, Reinaldo Alagoano recebeu livre na área, mas o goleiro Fábio com os pés afastou o perigo.
Os minutos finais do primeiro tempo incomodaram a camisa 9, que já não sabe até quando vai ter que aturar a mediocridade do lateral esquerdo Diego Renan. As vaias começaram aos 30 minutos e, logo aos dois minutos, do segundo tempo, ficou provado a máxima do Rei Pelé de que “a voz do povo é a voz de Deus (da razão)”. Como vem acontecendo desde que subiu para o profissional, Diego Renan comprometeu o novamente o time num momento difícil da partida. Numa troca de passes rápidos do Nacional, ele bobeou na marcação do atacante Éder, que recebeu livre na área e mandou a bola no canto esquerdo.
E se não fosse Fábio, a filial chegaria à virada aos seis minutos. Numa falta cobrada para o centro da área, um jogador do Nacional cabeceou no ângulo e Fábio, no reflexo, espalmou. Para a sorte do Cruzeiro, a bola sobrou para o inofensivo Reinaldo Alagoano que desperdiçou.
O Cruzeiro reagiu aos 17 minutos, mas Anselmo Ramon, sempre ele, desperdiçou um belo cruzamento de Wellington Paulista e recuou a bola para o goleiro. Mas uma hora ele iria acertar e isso aconteceu aos 21 minutos, quando o "Queixo de Manga" serviu o lateral direito Marcos, que entrou na área e chutou cruzado no canto esquerdo. Mas é tão difícil Anselmo Ramon acertar, que o auxiliar Frederico Soares Vilarinho não acreditou que Marcos estivesse em situação legal e impugnou o lance.
Empatados nos erros da arbitragem e no placar, o Nacional decidiu o tira-teima aos 22 minutos. Josimar levantou uma bola para o zagueiro Alessandro Lopes que, com muita categoria, matou no peito e, de primeira, mandou uma bomba, indefensável, no ângulo esquerdo. Um golaço!
A vantagem da filial não durou dois minutos, pois o Cruzeiro virou o placar, com dois gols relâmpagos de cabeça de Wellington Paulista. O primeiro num cruzamento do lateral direito Marcos e o segundo, num cruzamento de Montillo, também pelo lado direito.
Aos 38 minutos, o Nacional teve dois lances de gol seguidos com Reinaldo Alagoano. No primeiro Fábio salvou, mas no segundo o atacante desperdiçou.
A partida foi definida, aos 44 minutos, quando o volante Tiago Santos empurrou Montillo com o braço dentro da grande área. O árbitro marcou o pênalti. Acontece que, minutos antes, ele não havia dado pênalti num lance parecido a favor do Nacional, quando o volante Marcelo Oliveira empurrou um atacante do Nacional na área. Os jogadores da filial reclamaram e choraram com razão, mais uma vez. E o árbitro distribuiu três cartões amarelos! Vida de time do interior não é nada fácil, mesmo!
Montillo era o encarregado da cobrança, apesar dele ter demonstrado no ano passado, que não é muito confiável neste tipo de lance. Ele resolveu homenagear o atacante Wallyson que ainda tenta recuperar o seu futebol, após a grave fratura no tornozelo que sofreu no ano passado, que o deixou sete meses longe do futebol. O atacante bateu de pé direito, no centro do gol, e desabou em lágrimas na comemoração.
Com a vitória, o Cruzeiro fechou a primeira rodada do Estadual, como líder. É que a partida foi adiada para esta data para que desse tempo para o estádio senador Zezé Perrella, em Nova Serrana, ficar pronto, o que acabou não acontecendo. Assim a Federação Mineira resolveu transferi-la para o acanhado estádio do Farião, em Divinópolis, com capacidade autorizada para receber até quatro mil torcedores.
Se a torcida e a cidade crescem, o mesmo não se pode dizer sobre mentalidade dos políticos divinopolitanos que não investem no esporte e na construção de um estádio mais amplo e moderno. Assim, quem não teve dinheiro pra pagar os 50 reais de ingresso, que foi o valor abusivo cobrado pela diretoria do Nacional, recorreu aos donos do morro do pitimba, que também cobram mais caro pelo pedaço em jogos do Cruzeiro. E Minas Gerais segue condenada a vergonha e ao atraso!
Ficha do Jogo
Nacional 2 x 4 Cruzeiro
16/02/2012 (Qua-19h30) - Campeonato Mineiro (1ª fase/1ª) - Farião (Divinópolis, MG)
Ingressos: 3.120 (R$ 82.600,)
Arbitro: Renato Cardoso Conceição (CBF/FMF)
Auxiliares: Pablo Almeida Costa e Frederico Soares Vilarinho
Gols: Wellington Paulista 17’, 72' e 73', Wallyson (pênalti) 89' (Cru) / Éder 48', Alessandro Lopes 70' (Nac)
Cruzeiro: 1-Fábio©; 2-Marcos, 3-Leo, 4-Victorino e 6-Diego Renan (16-Wallyson/71'); 5-Leandro Guerreiro, 7-Roger (17-Rudnei/61'), 8-Marcelo Oliveira e 10-Montillo; 9-Wellington Paulista e 11-Anselmo Ramon (18-Éverton/84'). T: Vagner Mancini
Suplentes: 12-Rafael, 13-Gilson, 14-Thiago Carvalho, 15-Amaral
Nacional: 1-Douglas; 2-Afonso (16-Dudu/78'), 3-Alessandro Lopes, 4-Josimar e 6-Gabriel; 5-Thiago Santos, 7-Marcão, 8-Éber (17-Juninho Frizzi/88') e 10-Alex Maranhão; 9-Reinaldo Alagoano© e 11-Marcinho (18-Éder/16’). T: Emerson Ávila
Suplentes: 12-Raniere, 13-Alexandre, 14-João Guilherme, 15-Caleb
CA: 8-Marcelo Oliveira/67' (Cru)/ Éder/20', Marcão/71', Alessandro Lopes/85', Thiago Santos/88', Josimar/88' (Nac)
*Classificação 1ª rodada: 1o-Cruzeiro (3 pontos); 10o-Nacional (0 ponto)



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