sexta-feira, 18 de maio de 2012

Presidente do Cruzeiro renuncia ao cargo e revela boicote dentro do clube


Foto: Gil Leonardi
A sede do Barro Preto teve uma manhã agitada

Por Henrique Ribeiro

O presidente do Cruzeiro anunciou a sua renúncia na reunião do Conselho Deliberativo do Clube  e distribuiu uma carta em que expôs o motivo de sua saída do cargo, que exerceu por poucos meses, onde disparou acusações aos seus subordinados de terem sabotado o seu projeto de administração.

O que diz a carta:

"Durante o pouco tempo que estive aqui, pude observar que, no Cruzeiro, quem menos manda é o presidente.

Senti a hipertrofia de grupos e sub-grupos que gerou a produção de quistos vários dentro do clube, que se constituem em feudos impenetráveis e não raro de agressiva insolência, com tradições de posse irremovíveis. Cada qual se julga dono. Reage à nossa intromissão e para isso conta com a solidariedade de seus comparsas, unidos que estão na defesa de seus intocáveis redutos.

Porque iria eu encetar uma batalha de vida ou morte contra esses acrideos vorazes, se amanhã esse mesmo Conselho Deliberativo, instigado pelas aleivosas difamações dos prejudicados nos seus subalternos interesses, poderá voltar-se contra mim, dando-me como réu de atos só executados no interesse do clube?

Somente poderia salvar o Cruzeiro com o afastamento de todos os deletérios e dissolventes que pululam dentro clube, inclusive com a exclusão sumária de todo aquele que, comprovadamente, solapa a estrutura moral do clube, no seu nome ou nas pessoas ou nos atos de seus dirigentes.

É possível que os homens que têm assento nesse Conselho Deliberativo não se iludam sobre o triste papel que estamos representando, em constantes atritos, fricções e desmoralizações, cuja repercussão lá fora é a pior possível."

Wellington Armanelli

Belo Horizonte, 25 de outubro de 1955


Wellington Armanelli era médico, industrial e professor de biologia do Colégio Marconi, em Belo Horizonte no ano de 1955. Foi eleito Presidente do Cruzeiro, em 5 de setembro de 1955, aos 24 anos de idade. É, portanto, até os dias atuais, o mais jovem mandatário eleito da história do clube.

Era conhecido pelo caráter de justiceiro e durão. Era membro do Conselho Deliberativo do Clube e sócio remido - uma categoria cujo participante doava uma soma alta em dinheiro ao clube e recebia em troca um título que lhe conferia o privilégio de frequentar as dependências e os jogos do time até o fim da vida.

Armanelli elaborou um plano financeiro para saldar as dívidas do clube, dentre elas, os quatro meses de salários atrasados dos jogadores (julho a outubro de 1955). Solicitou a exclusão sumária dos sabotadores e o fim dos grupinhos dentro do Cruzeiro, mas o plano foi reprovado pelo Conselho Deliberativo. Decidiu renunciar ao cargo, em 25 de outubro de 1955, e deixou uma carta (trecho publicada acima) expondo os motivos. O vice-presidente Felício Brandi foi solidário e também renunciou ao cargo.

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