O ex-presidente do Cruzeiro e atual senador, Zezé Perrella, mais o atual vice-presidente, Zé Maria Fialho. Ambos envolvidos em denúncias de crimes de fraudes e corrupção.
Por Ricardo Corrêa
Há quem às vezes se surpreenda quando falo de minhas
migrações do jornalismo esportivo para o político. Durante os quase dez anos de
carreira, ou estive trabalhando com futebol ou com política.
Muitos sabem, no entanto, que não há muita diferença.
Grosso modo, há como comparar partidos aos times de futebol, em campeonatos
disputados de dois em dois anos. Então não é surpreendente que as atividades
andem tão juntas.
Fato é que exatamente nos casos em que interesses
políticos e esportivos estão mais próximos, mais suspeitas recaem sobre aqueles
que operam nos dois lados. Basta lembrar de quantos dirigentes-políticos foram
alvos de denúncias antes da família Perrella.
Para citar dois deles, Luiz Estevão, único senador
cassado, com a atividade ligada ao Brasiliense, e Eurico Miranda, ex-deputado
federal e ex-presidente do Vasco. Ambos acabaram condenados.
No caso do primeiro, a acusação de superfaturar a obra do
prédio do TRT de São Paulo rendeu condenação a 36 anos e meio de prisão. No
caso de Eurico, uma condenação por dez anos se deu por suposta sonegação.
É evidente que os interesses que movem tais políticos não
estão no amor por seus times, nem na intenção de mudar o país pela política. No
fim, a questão é sempre econômica.
No ramo do futebol, eles sabem que a paixão dos
torcedores faz cegar os olhos para os malfeitos que praticam. No ramo político,
contam com esta paixão para conseguir votos suficientes.
Os números mostram que funciona. Zezé Perrella, em 1998,
um ano após o Cruzeiro conquistar a Libertadores, foi eleito deputado federal
com 185 mil votos.
Quando voltou a disputar o cargo, em 2006, já passados
três anos do último título importante (Brasileiro de 2003), sua votação
despencou para 69 mil votos.
É bom que casos como os citados sirvam de alerta. Afinal,
em tempo de eleições, aparecem diversos candidatos ligados a entidades
esportivas querendo se aproveitar dessa predisposição do torcedor para apoiar
seu clube.
Que o eleitor saiba dividir bem as coisas se não quiser,
mesmo no íntimo de seu voto secreto, envergonhar-se do que fez na urna, quando
as denúncias dos órgãos fiscalizadoras derem ares oficiais ao que todos já
contam pelos cantos há anos.
Ricardo Corrêa
rcorrea@hojeemdia.com.br
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