sexta-feira, 24 de agosto de 2012

O classico na era independência

O Cruzeiro tricampeão mineiro de 1959, 1960 e 1961.
O maior esquadrão formado pelo clube na era do estádio Independência
Em pé: Massinha, Mussula, Benito, Amauri, Geraldino e Vavá
Agachados: Antoninho, Rossi, Paulão, Elmo e Orlando

Por Henrique Ribeiro

O estádio Independência foi inaugurado na Copa do Mundo de 1950, mas somente tornou-se o palco do clássico entre Atlético e Cruzeiro a partir de 1954. Isto porque o Sete de Setembro Futebol Clube, que era o proprietário, costumava abusar na cobrança das despesas nos borderôs e, devido aos altos custos, os rivais preferiam continuar jogando em seus acanhados estádios nos bairros de Lourdes e Barro Preto.

No entanto, a partir daquele ano, a Confederação Brasileira do Desporto-CBD e a Federação Mineira de Futebol-FMF, proibiu a gratuidade da entrada dos sócios dos clubes nos jogos. Estes ingressos não eram contabilizados nas rendas e as entidades máximas que levavam 5%, cada, se sentiam lesadas. Assim, com todos os torcedores obrigados a comprar ingressos, os rivais decidiram oficializar o Independência como palco do clássico por causa da sua capacidade, que proporcionaria maior renda. Assim, até a inauguração do Mineirão, em setembro de 1965, os rivais se enfrentaram 57 vezes no gramado do horto e a vantagem foi alvinegra com 29 vitórias contra 17 dos azuis.

O período coincidiu com a hegemonia estabelecida pelo Atlético nos campeonatos mineiros, quando venceu 9 dos 16 disputados na era Independência. O alvinegro tinha um dos planteis mais caros do estado e constrastava com o do Cruzeiro, que era um dos mais baratos formado a base de atletas juniores. É que o clube estrelado havia direcionado todos os seus recursos na construção de sua sede social e campestre, cujos benefícios receberia na era Mineirão, e assim abriu da formação de times competitivos.

O primeiro clássico no Independência aconteceu em 25 de julho de 1954. O jogo foi válido pelo primeiro turno do Campeonato daquele ano e o Galo venceu por 1 a 0 com um gol do centro-avante Ubaldo, aos 22 minutos do segundo tempo. O Miquica começava a se consagrar como ídolo atleticano da era independência. O último antes do Mineirão foi um amistoso, em 10 de agosto de 1995, que terminou empatado em 1 a 1. Neste último aconteceu a única disputa de tiros livres dos clássicos no Horto. O Cruzeiro venceu por 5 a 3 e levou o troféu do governador.

O último antes da era Mineirão foi em outro amistoso, no dia 20 de junho de 1965, que decidiu o título do Torneio Hexagonal do Bispo. O Cruzeiro venceu por 3 a 1 e a partida não chegou ao fim, por causa de uma briga que envolveu todos os jogadores, a partir dos 43 minutos do segundo tempo. O árbitro Doraci Jerônimo expulsou todos os atletas e deu a partida por encerrada. O Cruzeiro ficou com o troféu Gil César Moreira de Abreu.

Curiosamente, a maioria dos 57 confrontos disputados até a inauguração do Mineirão, em setembro de 1965, aconteceu pelos Campeonatos da Cidade de 1954 e 1956. No primeiro ocorreu 10 vezes e no segundo 8. Este excesso de jogos foi devido aos mirabolantes sistemas de disputa de ambos os certames.

Já naqueles tempos, os árbitros mineiros eram preteridos. Nos clássicos do Campeonato de 1954 um acordo entre os rivais definiu que apenas árbitros da Federação Carioca iriam dirigir o duelo. O destaque foi o suíço Joseph Guilden, que havia sido contratado por seis meses pela Federação do Rio. Guilden comportava-se como um verdadeiro turista. Entrava no gramado carregando uma máquina fotográfica e tirava fotos com os jogadores e torcedores antes e depois das partidas.

Apesar do acordo, um dos clássicos daquele campeonato teve arbitragem local e terminou mal. O árbitro Chico Trindade, que também era conselheiro do Atlético, dirigiu o segundo jogo da melhor de três que decidia o título do primeiro turno. O Cruzeiro começou vencendo aos 5 minutos de jogo, com um gol do ponteiro esquerdo Sabu e só não ampliou porque Trindade não marcou um pênalti de Geraldino sobre Sabu. Aos 35 minutos do segundo tempo, um toque involuntário de mão na bola dentro da área cruzeirense foi interpretado como pênalti por Trindade. Orlando converteu e o jogo empatou. No dia seguinte, Chico Trindade foi reconhecido por torcedores cruzeirenses na rua da Bahia e acabou levando uma surra.

Outro ato absurdo cometido pela arbitragem mineira em clássicos no Horto foi a expulsão do lateral direito Pedro Paulo, do Cruzeiro. No duelo do dia 15 de novembro de 1964, ele foi expulso de campo pelo arbitro Witan Marinho, aos 21 minutos de jogo. O lateral se preparava para cobrar uma falta e o atacante Noêmio tirou a bola do local. Inexplicavelmente, Witan expulsou o cruzeirense. Ainda assim, o time estrelado saiu vencedor por 1 a 0.

Apesar da restrição da dupla rival, o árbitro que mais dirigiu o clássico no Horto, foi o mineiro Luiz Pereira Filho, o Luiz Guarda, com 8 jogos no total.

A maior goleada pertence ao Atlético. Foi um 5 a 2 no dia 29 de junho de 1958, pelo torneio eliminatório do Campeonato Mineiro. Horas antes da partida, a Seleção Brasileira havia conquistado a sua primeira Copa do Mundo com uma vitória sobre a Suécia pelo mesmo placar e, após a partida, muitos disseram que o Galo homenageou a seleção.

Outro clássico disputado numa data histórica no Horto foi o de 25 de março de 1962. Naquele dia o Galo comemorava 54 anos de sua fundação, mas o Cruzeiro não tomou conhecimento da festa e venceu por 2 a 0.

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