sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Os artilheiros do classico na era Independencia

O time do Cruzeiro campeão de 1959 antes de um clássico no Independência: 
Procópio, Amauri, Emerson, Hilton Oliveira, Nilsinho, Massinha, Clever, 
Nelsinho, Dirceu, Raimundinho e Genivaldo

Por Henrique Ribeiro

Entre Ubaldo e Marcelo Ramos, autores do primeiro e último gols dos clássicos disputados no Independência, outros 56 artilheiros fizeram a alegria de atleticanos e cruzeirenses. Alguns se consagraram como ídolos de uma época, outros marcaram gols decisivos e tem até artilheiro que entrou para as estatísticas sem ter vazado as redes adversárias.

O atacante Ubaldo do Atlético foi o autor do primeiro gol do clássico disputado no Independência em 25 de julho de 1954. O Miquica, como era chamado, ainda se destacaria na primeira decisão entre os rivais no estádio, pelo Campeonato de 1954, ao marcar os gols do título atleticano. A preocupação dos adversários era tamanha que Ubaldo chegou até a ser agredido pela explosão de um rojão atirado em sua direção pela torcida cruzeirense antes de um clássico e também por um pó branco de mandinga atirado pelo massagista Andorinha, do Cruzeiro, que era adepto dos terreiros de umbanda.

Apesar de Ubaldo ter sido o maior destaque, o maior artilheiro foi Tomazinho, também, do Galo, com 10 gols. O atacante que foi revelado no Campeonato Brasileiro de Seleções, quando enfrentou a Seleção Mineira defendendo o selecionado de Goiás, superou Ubaldo porque marcou três de seus gols em cobranças de penalidades máximas, enquanto o Miquica só vazou as redes do Cruzeiro com a bola rolando. Tomazinho aliás foi o que mais marcou gols de pênalti.

Os atacantes Osvaldo, do Atlético, Gradim e José Carlos Fescina, ambos do Cruzeiro, foram os que marcaram mais vezes num só clássico. Todos os três fizeram três gols num só duelo. Uma proeza, pois até hoje ninguém conseguiu marcar quatro vezes num mesmo clássico e o número de artilheiros que fizeram três gols é restrito.

Apenas seis jogadores fizeram gols em cobranças de faltas, sendo três para cada lado. Avelino, Elmo e Nívio, marcaram pelo Cruzeiro, enquanto Osvaldo, Tomazinho e Luiz Carlos fizeram para o Atlético. No entanto, um gol olímpico foi o de maior destaque e o seu autor foi o atacante Toninho, que deu a vitória por 2 a 1 para o Atlético. O gol decidiu o título estadual de 1963 a favor dos alvinegros.

O atacante Elmo, do Cruzeiro, foi o autor do gol mais rápido dos clássicos no Horto. Ele precisou de apenas 15 segundos, após o trilo do apito do árbitro, para vazar as redes atleticanas, na vitória estrelada por 2 a 0, em 25 de março de 1962, pelo Campeonato Mineiro.

Na história dos clássicos no Independência tem até artilheiro de gol fantasma. Na última rodada do turno do Campeonato Mineiro de 1961, em 26 de novembro, o atacante Luiz Santos, do Atlético, acertou o travessão e a bola caiu um metro a frente da linha do gol, mas o árbitro Jaci Teixeira, deu o gol, acreditando que tivesse caído do lado de dentro da linha. O Galo venceu por 2 a 1 com o gol fantasma e ultrapassou o Cruzeiro na liderança, o que revoltou o vice-presidente Furletti, do Cruzeiro, que exercia interinamente o cargo de treinador. Ele pediu uma partida revanche. As equipes voltaram a campo em 21 de dezembro e o Cruzeiro venceu por 2 a 0.

E já teve até juiz que apanhou por causa de um gol. Na partida que decidiu o título do primeiro turno do Campeonato de 1954, em 12 de setembro, o árbitro Chico Trindade, que também era conselheiro do Galo, deixou de dar um pênalti do zagueiro Geraldino, do Atlético, sobre o ponteiro esquerdo Sabu, do Cruzeiro, e assinalou uma penalidade máxima a favor dos alvinegros, após um toque de mão involuntário do zagueiro cruzeirense, Bené. O pênalti foi convertido pelo atacante Orlando, aos 36 minutos, do segundo tempo, e deu a vitória por 2 a 1 aos alvinegros. No dia seguinte, quando caminhava pela rua da Bahia, Chico Trindade foi reconhecido e, em seguida, agredido por um grupo numeroso de torcedores cruzeirenses.

ARTILHEIROS DO CLASSICO NO INDEPENDENCIA
10 gols: Tomazinho (Atlético)
9 gols: Ubaldo (Atlético)
8 gols: Nilson (Atlético)
6 gols: Joel (Atlético)
5 gols: Dirceu (Cruzeiro)
4 gols: Elmo, Fescina, Gradim, Nilo, Pelau (Cruzeiro)
4 gols: Maurício, Noêmio, Toninho (Atlético)
3 gols: Emerson, Guerino, Raimundinho (Cruzeiro)
3 gols: Dinar, Luiz Carlos, Osvaldo (Atlético)
2 gols: Dalmar, Sabu (Cruzeiro)
2 gols: Afonsinho, Amorim, Barbatana, Dino, Murilo (Atlético)
1 gol: Abelardo, Amauri, Avelino, Chiquinho, Genuíno, Gilberto, Gradim, Lazzarotti, Marcelo Ramos, Mirim, Nerival, Nívio, Nuno, Orlando, Rossi, Tião, Tostão, Wilson Almeida (Cruzeiro)
1 gol: Alvinho, Gastão, Jaburu, Laércio, Luiz Santos, Mario, Orlando, Renaldo, Vaduca, Viladônega, William, Zezinho (Atlético)
1 gol contra: Josué e Massinha (Cruzeiro) a favor do Atlético

Maiores artilheiros numa só partida:
3 gols: Osvaldo (Atlético), Fescina e Gradim (Cruzeiro)

Maiores artilheiros em cobrança de pênalti:
3 gols: Tomazinho (Atlético)
1 gol: Afonsinho, Orlando, Toninho, Viladonega, William (Atlético); Amauri, Lazzarotti, Marcelo Ramos, Rossi (Cruzeiro)

Maiores artilheiros em cobranças de falta:
1 gol: Osvaldo, Tomazinho, Luiz Carlos (Atlético); Avelino, Elmo, Nívio (Cruzeiro)

Gol Olímpico
1 gol: Toninho (Atlético)

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