sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Site da FIFA homenageia o título estadual do Cruzeiro conquistado no dia da Independência em 1972


Foto: Arquivo Agencia Estado
O atacante Palhinha substituiu a altura o
ídolo Dirceu Lopes na conquista do título
estadual no dia 7 de setembro de 1972

No dia da Independência do Brasil, o site da FIFA recorda os 40 anos da decisão do Campeonato Mineiro de 1972, que o Cruzeiro conquistou numa decisão contra o Atlético, na data máxima da pátria. Pela primeira vez, desde a inauguração do Mineirão, o Cruzeiro disputou o clássico sem a dupla Tostão e Dirceu Lopes. O primeiro foi negociado ao Vasco, após a quinta rodada e Dirceu fraturou a perna, dias antes do clássico, vítima da violência dos zagueiros adversários. Ainda assim, o craque assistiu a partida no banco de reservas, com a perna engessada e de muletas para dar força ao seu substituto, Palhinha, que terminou como herói do titulo. Mesmo não tendo atuado na partida, Dirceu foi aclamado pelos torcedores cruzeirenses no Mineirão.

Segue abaixo o texto publicado no site da FIFA

"DIRCEU, ÉCAMPEÃO!"


A inauguração do Estádio Mineirão em 1965 coincidiu com uma fase espetacular dos dois grandes clubes de Belo Horizonte. Naquele ano, o Cruzeiro venceu o primeiro de cinco títulos consecutivos do Campeonato Mineiro e, no Campeonato Brasileiro de 1966, a equipe superou o Santos de Pelé por 9 a 4 na soma dos placares na final.

Dois jogadores foram indispensáveis para o sucesso do Cruzeiro. Na final do campeonato estadual de 1972, no entanto, o técnico Ilton Chaves ficou sem nenhum deles. Tostão, que havia participado da Copa do Mundo da FIFA 1970, que culminou na conquista definitiva da Taça Jules Rimet pelo Brasil, fora vendido ao Vasco da Gama em uma negociação recorde entre clubes brasileiros. Enquanto isso, o craque Dirceu Lopes estava com a perna quebrada.

Dirceu era indiscutivelmente o xodó da torcida cruzeirense e nunca havia sido derrotado em uma final contra o arquirrival Atlético, que seria o adversário também daquela decisão. E o desfalque acontecia em um péssimo momento, já que o clube comandado pelo técnico Telê Santana estava cheio de moral por ter vencido o último Campeonato Brasileiro, além de contar com o atacante Dadá Maravilha em ótima fase.

"Foi insuportável precisar sentar no banco", relembrou Dirceu anos mais tarde. Mas o meia-atacante não permaneceu sentado por muito tempo, ficando de pé em uma única perna para aconselhar os companheiros de time.

O jogador mais ajudado pelos conselhos foi Palhinha, que entrou no lugar de Dirceu na equipe titular. Ele disse ao jogador de 22 anos que se insistisse em se posicionar dentro da área do Atlético, uma chance acabaria aparecendo. Pouco antes do intervalo, foi exatamente o que aconteceu.

Pela enésima vez naquele dia, Dirceu se levantou de onde estava sentado, mas para comemorar o gol de Palhinha. Em uma jogada na grande área, a bola acabou sobrando para o meio-campista, que abriu o placar depois de ser mais rápido que Ladislao Mazurkiewicz — goleiro uruguaio que se celebrizou por levar o famoso drible de corpo de Pelé no Mundial de 1970, embora o Rei não tenha marcado o gol na jogada.


Dirceu Lopes
 O Cruzeiro iniciou a segunda etapa com mais chances de marcar o segundo gol da partida, mas recebeu um duro golpe quando Dadá deixou tudo igual com um golaço de bicicleta.

A torcida cruzeirense, que junto com a atleticana lotava o Mineirão com 63 mil pessoas, ficou de pé para incentivar o Cruzeiro. Dirceu também se levantou para incentivar os companheiros. "Piazza, diga a eles para não se preocuparem porque hoje a vitória é nossa", gritou ele para o capitão da equipe.

Mais tarde, Piazza comentou sobre aquele momento. "Dissemos ao Dirceu para ficar calmo porque nós venceríamos o jogo para ele, mas os gritos dele eram tão contagiantes quanto os dos nossos torcedores, que começaram a nos incentivar mesmo quando tínhamos acabado de sofrer um gol."

O restante do tempo normal transcorreu sem bolas na rede, assim como o primeiro tempo da prorrogação. No entanto, aos 9 minutos do segundo tempo extra, a situação mudou novamente. Após cobrança de escanteio de Eduardo, o baixinho Palhinha conseguiu de alguma forma subir mais que os marcadores e cabeceou para o fundo das redes de Mazurkiewicz.

Depois disso, os poucos minutos restantes pareceram horas para Dirceu, que precisou ficar só observando durante os seis minutos de acréscimo dados pelo árbitro. Mas, quando soou o apito final, o Mineirão explodiu. "Dirceu é campeão, Dirceu é campeão", gritavam os cruzeirenses reverenciando o ídolo, que fazia a festa dando a volta olímpica nos ombros dos colegas de time.

Não é comum que o responsável pela vitória de uma equipe fique ofuscado após a partida. Realmente, marcar dois gols e ser ofuscado pelo companheiro que nem sequer entrou em campo parece quase impossível. No entanto, todos os torcedores do Cruzeiro que compareceram ao Mineirão naquela data certamente concordariam que o Dia da Independência do Brasil em 1972 foi o dia de Dirceu Lopes.

 
twitter: @henriqueribe
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