quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Atlético Nacional de 1992 foi um time marcado pelas glórias e tragédidas

Com a base do plantel que disputou a Supercopa de 1992, o Atletico Nacional
levantaria o Campeonato Colombiano de 1994. Dentre eles, em pé da esquerda para a 
direita Gavíria (primeiro), Marulanda (quarto) e Higuita (goleiro). Agachados da 
esquerda para a direita: Serna (primeiro), José Fernando Santa (terceiro), Herrera
(quarto) e Aristizábal (quinto).

Por Henrique Ribeiro

Após a primeira partida em Medellin, que terminou empatada em 1 a 1, o goleiro Paulo César, do Cruzeiro,  foi considerado o destaque do jogo com boas defesas e por ter evitado a derrota ao defender um pênalti de Restrepo, aos 40 minutos do segundo tempo. Ainda no estádio, os dirigentes do Atlético Nacional ofereceram US$ 500 mil pelo passe do goleiro, que viria para ocupar a vaga do astro Higuita, que não vivia um bom momento. "Era uma oferta muito boa. Muito dinheiro. Mas a Colômbia era um país muito perigoso e eu recusei", recorda o goleiro Paulo César.

E o ex-camisa um cruzeirense tomou a decisão correta. Parte do time do Atlético Nacional que enfrentou o Cruzeiro, pela Supercopa de 1992 foi vítima de assassinatos. Suspeita-se de que alguns jogadores do time tinham envolvimento com o cartel de Medellin, ligado ao traficante Pablo Escobar.

O atacante Omar Cañas, o El Torito, que participou da derrota por 8 a 0, no Mineirão, foi a primeira vítima daquele grupo. O jogador, então com 23 anos, foi assassinado, em 4 de fevereiro de 1993, num sítio próximo a Medellin. Um grupo paramilitar criado por um dissidente do traficante Pablo Escobar, denominado Los Pepes, assumiu o atentado. O grupo era financiado por civis para combater a organização do traficante e, na época, ameaçou vários atletas do Atletico Nacional.

Um ano depois o zagueiro Andrés Escobar, que enfrentou o Cruzeiro, em Medellin, teria o mesmo fim. Ele marcou o gol contra, que definiu a eliminação da Seleção da Colômbia para os Estados Unidos, na Copa do Mundo de 1994. Dez dias depois de retornar do Mundial foi assassinado na saída de um discoteca com 12 tiros. A suspeita recaiu sobre um grupo de apostadores, que perdeu muito dinheiro com a derrota da Seleção.

O atacante Felipe Pérez, que também esteve no Mineirão, na goleada sofrida por 8 a 0, foi assassinado a tiros em 17 de outubro de 1996. Antes o jogador havia sido detido em sua casa, onde escondia um arsenal de armas.
Foto: El Colombiano
O volante Jorge Carmona foi vítima de uma emboscada numa estrada próximo a Medellin

Por último, o volante Jorge Carmona, que também esteve na goleada por 8 a 0, foi vítima de um duplo homicídio, em Medellin, em 12 de outubro de 2005, quando já havia encerrado a carreira. A emboscada sofrida pelo ex-jogador tem relação com a disputa do tráfico de drogas em Medellin.

Outro atleta daquele grupo, o meia Hernán Gaviría, que participou do empate em 1 a 1, em Medellin, foi outro que faleceu ainda como jogador, porém vítima de uma fatalidade. Quando estava no Deportivo Cali, ele e o seu companheiro de time, Giovanni Córdoba, morreram após serem atingidos por um raio, em 25 de outubro de 2002, durante um treino.

Outros dois atletas daquele grupo tornaram-se dirigentes. O volante Luis Alfonso Fajardo, o El Bendito Fajardo, que enfrentou o Cruzeiro, no Mineirão, foi preso em 20 de setembro de 2008, quando já havia encerrado a carreira. Ele era suspeito de envolvimento num esquema de lavagem de dinheiro com outros dirigentes do Deportivo Pereira. Três meses depois foi liberado por falta de provas. Atualmente, dirige o Deportivo Rionegro, da segunda divisão. Já o zagueiro Víctor Marulanda é o atual presidente do Atlético Nacional.

Apesar dos incidentes e do envolvimento com organizações criminosas, aquele time do Atlético Nacional foi o melhor de sua história. Além de terem sido o primeiro time colombiano a levantar a Taça Libertadores, em 1989, o time que enfrentou o Cruzeiro, pela Supercopa de 1992, havia ganho o campeonato colombiano do ano anterior de maneira inédita. Pela primeira vez na história, um plantel formado exclusivamente por colombianos levantou o título máximo do país, fazendo jus ao nome da agremiação.


twitter: @henriqueribe
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