quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Contra o Atletico Nacional, classificação veio com massacre histórico

Foto: jornal Hoje em Dia
O meia Luiz Fernando abriu a goleada histórica de 8 a 0 sobre o Atletico Nacional,
pelas oitavas de final da Supercopa, no Mineirão. Ao fundo o atacante Édson
comemora, enquanto o zagueiro Cassiani e o goleiro Franco pressentem a goleada.

Por Henrique Ribeiro

O primeiro adversário do Cruzeiro na campanha do título do bicampeonato da Supercopa foi o Atlético Nacional, de Medelín, que era o atual campeão colombiano. O plantel verdolaga, como é conhecido, contava com quatro jogadores da Seleção da Colômbia: Higuita (goleiro), Escobar (zagueiro), Herrera (lateral direito) e Osório (lateral esquerdo). O seu treinador era Hernán Dario Gomez, que dirigiu a Seleção Colombiana Sub-23 nas Olimpíadas de Barcelona, que tinha oito jogadores do Nacional: José Fernando Santa, Marulanda, Osorio, Cassiani, Gaviría, Restrepo, Cañas e Aristizábal. Este último, então com 20 anos, era a sensação do futebol colombiano. Em 2003 ele chegaria ao Cruzeiro e seria um dos destaques na campanha da tríplice coroa.

Para a partida de estreia os desfalques de Douglas (volante), Boiadeiro (meia) e Nonato (lateral esquerdo) comprometeram o esquema com dois volantes do treinador Jair Pereira. É que Ademir e Andrade, que estavam inscritos na Supercopa, haviam sido negociados ao Racing e ao Vitória, respectivamente, na semana antes da estreia. Assim Rogério Lage era o único volante disponível no grupo. O meio de campo foi completado pelos atacantes Cleison e Betinho. O lateral direito Zelão foi deslocado para a lateral esquerda. Devido as improvisações, o treinador Jair Pereira adiantou que o Cruzeiro iria a Medellin em busca de um empate.

O Nacional não vencia a quatro jogos e havia sido derrotado por 1 a 0, no domingo, para o Once Phillips. O resultado deixou a equipe verdolaga na quinta colocação do Campeonato Colombiano. Além disso, o goleiro Higuita não atravessava um bom momento. Após a derrota, ele agrediu um jornalista que o criticou e corria risco de ser suspenso.

Apesar de jogar em casa, o Atlético Nacional atuou no sistema 4-4-2 com três volantes. Recuados, os verdolagas jogavam a base de contra-ataques rápidos e exploravam a velocidade e a habilidade de seus atacantes. Já o Cruzeiro foi bastante cauteloso com Renato Gaúcho isolado no ataque.

O primeiro tempo foi muito equilibrado. O Cruzeiro teve mais posse de bola, mas foi o Nacional que criou duas boas chances para marcar. No intervalo o Cruzeiro mudou a camisa azul pela branca e, logo aos dois minutos, chegou ao gol com Renato Gaúcho. No entanto, os colombianos chegaram ao empate, aos 13. O zagueiro Célio Lúcio cometeu pênalti no atacante Aristizábal e Restrepo converteu a cobrança. Aos 40 minutos, o zagueiro Luizinho tocou a mão na bola, dentro da área. Desta vez, o goleiro Paulo César evitou a derrota e defendeu a cobrança do meia Restrepo. Após o apito final, os torcedores verdolagas atiraram pedras em direção aos jogadores do Cruzeiro, que tiveram que ficar no campo esperando o estádio esvaziar para se dirigirem ao vestiário.

Durante a semana, o técnico Jair Pereira prometia um time mais ofensivo para decidir a vaga no Mineirão, pois teria os reforços de Nonato, Douglas e Boiadeiro. Para motivar ainda mais o grupo, a diretoria cruzeirense ofereceu um prêmio de mil dólares para cada jogador pela classificação para as quartas de final.

Antes do compromisso contra o Cruzeiro, o Atletico Nacional enfrentaria o Atletico Junior, na quarta-feira, pelo Campeonato Colombiano. Surpreendentemente, o técnico Hernán Dario Gomez escalou os titulares para este jogo e enviou para o Brasil a equipe reserva do Nacional, que seria dirigida pelo auxiliar Juan José Pelaez. Em Belo Horizonte, os verdolagas alegaram que, com o empate em Medellin, a equipe teria chances remotas de classificação. Assim, priorizaram o campeonato colombiano que dava vaga a Libertadores. A notícia irritou o atacante Renato Gaúcho que prometeu: "Já que estão não estão dando importância a Supercopa, o problema é deles. Vamos massacrar!"

Sem tomar conhecimento que se tratava de uma equipe reserva, o Cruzeiro enfrentou o Atletico Nacional como se fosse uma decisão. O Mineirão recebeu um público de 65 mil cruzeirenses que viram Renato Gaúcho comandar o massacre por 8 a 0. Pela primeira vez em sua carreira, Renato marcou cinco gols em uma só partida. Num deles o atacante completou a bola para as redes sentando no gramado. A goleada foi a maior da história do Cruzeiro em competições internacionais.

A goleada sofrida pelo Nacional é até hoje lembrada como "La masacre de Belo Horizonte". Foi a maior derrota sofrida pelo futebol colombiano em jogos internacionais oficiais.

CRUZEIRO 1 x 1 ATLÉTICO NACIONAL (COL)
08/10/1992 (Qui-21h30) - Supercopa (oitavas de final/1ª) - Atanasio Girardot (Medellin, Colômbia)
Público: 39.902 (72.789.000, pesos)
Arbitragem: Alberto Tejada/PER (Fernando Chapéu/PER e Luiz Seminário/PER)
Gols: Renato Gaúcho 47’ (1-0), Gustavo Restrepo (pênalti) 68’ (1-1)
CRUZEIRO: 1-Paulo César, 2-Paulo Roberto, 4-Célio Lúcio, 3-Luizinho e 13-Zelão; 21-Rogério Lage, 17-Luiz Fernando e 14-Cleison (15-Arley Álvarez/60’); 9-Betinho, 7-Renato Gaúcho e 11-Roberto Gaúcho (16-Édson/80’). T: Jair Pereira
Suplentes: 12-Gilberto, 23-Tôto, 19-Agnaldo
NACIONAL: 1-René Higuita, 4-Luis Fernando Herrera, 2-Andrés Escobar, 5-Víctor Marulanda e 18-Diego Osorio; 20-Gabriel Gómez, 6-Hernán Gaviría, 16-Gustavo Restrepo (7-John Mario Pérez/81’) e 17-Mauricio Serna; 11-John Jairo Trellez e 9-Victor Aristizábal. T: Hernan Dario Gomez
Suplentes: 12-Omar Franco, 22-Omar Cañas, 10-Luis Fajardo, 23-Francisco Foronda
CA: Zelão, Renato Gaúcho, Luiz Fernando, Cleison (Cru); Maurício Serna (Nac)
*Paulo César defendeu pênalti cobrado por Gustavo Restrepo aos 85’

CRUZEIRO 8 x 0 ATLÉTICO NACIONAL (COL)
15/10/1992 (Qui-21h30) - Supercopa (oitavas de final/2ª) - Mineirão
Público: 64.616 (Cr$ 981.895.000,)
Arbitragem: Ernesto Fillipi/URU (Fernando Cardillino/URU e Jorge Gambero/URU)
Gols: Luiz Fernando 11’, Renato Gaúcho 22’, Nonato 35’, Renato Gaúcho 47’, Renato Gaúcho 52’, Renato Gaúcho 54’, Cleison 75’, Renato Gaúcho 85’
CRUZEIRO: 1-Paulo César, *2-Paulo Roberto, 4-Célio Lúcio, 3-Luizinho e 6-Nonato; 8-Douglas (21-Rogério Lage/89’), 10-Boiadeiro (14-Cleison/71’), 17-Luiz Fernando e 9-Betinho; 7-Renato Gaúcho e 16-Édson. T: Jair Pereira
Suplentes: 12-Gilberto, 15-Arley Álvares, 23-Tôto
NACIONAL: 25-Omar Franco, 3-José Fernando Santa, 13-Geovanis Cassiani, 14-John Mario Caicedo e 15-Maximiliano Kemerer; 19-Carlos Jiménez, 8-John Jairo Sierra, 10-Luis Alfonso Fajardo e 24-Jorge Carmona; 7-John Mario Pérez e 22-Omar Cañas. T: Juan José Peláez
Suplentes: 25-José Castañeda, 21-Wilmar Moreno, 23-Francisco Foronda
CA: Omar Cañas (Nac)

twitter: @henriqueribe
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