segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Com recorde de renda e de público, Cruzeiro passava pelo Olimpia e avançava as finais


Henrique Ribeiro

Depois de passar pelos campeões da Colômbia e da Argentina, Atlético Nacional e River Plate, respectivamente, o próximo adversário do Cruzeiro foi o Olimpia, do Paraguai. O "Rei de Copas" como era chamado em seu país, havia passado pelo Colo Colo, nas oitavas, e surpreendido o poderoso São Paulo, atual campeão da Libertadores, nas quartas de final.
O treinador Jair Pereira já sabia como jogavam os paraguaios. Ele acompanhou a final da Copa Conmebol, no Mineirão, entre Olimpia e Atlético e viu o atacante Amarilla jogar muito mal. No entanto, viu o mesmo centroavante se redimir nos confrontos contra o São Paulo, pela na Supercopa, quando marcou dois gols, que deu a classificação ao Olimpia.
A primeira partida das semifinais foi marcada para o Defensores del Chaco. "Temos que estar preparados para o clima de guerra. O estádio deles não oferece muita segurança e favorece o jogo de abafa que eles sempre fazem quando jogam lá", alertava o técnico Jair Pereira. "O Olimpia é rápido e perigoso nas jogadas de contra ataque. Vamos marcar em bloco para fechar os espaços deles", avisava. 
O Cruzeiro teria os desfalques de Luizinho e Boiadeiro, que cumpririam a suspensão automática. Assim o zagueiro Arley Álvares, de 20 anos, entraria no time para reeditar a dupla de zaga da equipe júnior com Célio Lúcio. Para a vaga de Boiadeiro, Jair Pereira optou em colocar o volante Rogério Lage, ao invés do meia-atacante Cleison.
O Cruzeiro dominou o primeiro tempo da partida e  não deu espaços para o Olimpia, que teve apenas uma boa chance com Caballero, aos 19 minutos. Renato Gaúcho perdeu duas boas chances. Na primeira, aos quatro minutos, ele cabeceou por cima um cruzamento na medida de Paulo Roberto. A outra ele apanhou um rebote do goleiro Goycochea e acertou a trave direita.

O Cruzeiro abriu o placar aos 32 minutos, com Luiz Fernando que aproveitou um cruzamento de Nonato pelo lado esquerdo. Antes do gol, o goleiro Goycochea havia feito uma grande defesa numa cabeçada de Luiz Fernando, após outro cruzamento de Paulo Roberto.
O Olimpia voltou para o segundo tempo querendo achar o gol de empate na base do abafa. Os paraguaios chegaram várias vezes com perigo em bolas aéreas. Numa delas um rebote sobrou para Samaniego, mas Nonato salvou em cima da linha. O Cruzeiro suportou a pressão e depois passou a encaixar contra-ataques perigosos. Num deles Renato Gaúcho tocou para Roberto Gaúcho que perdeu uma chance incrível na cara do gol. Em outro lance, Édson lançou Roberto Gaúcho livre na esquerda. Mas, ao invés de tocar para Renato na área, ele preferiu concluir, mas acabou chutando por cima. 
"Tentaram nos menosprezar. Acredito que agora eles tem outra opinião a respeito do Cruzeiro", disse o lateral direito Paulo Roberto, assim que desembarcou em Belo Horizonte. Ele se referia aos comentários da imprensa paraguaia que colocava o Cruzeiro, como inferior aos outros adversários enfrentados pelo Olimpia: o São Paulo e o Colo Colo. Consideravam o Cruzeiro defensivo e os outros ofensivos. 
E Paulo Roberto tinha razão. As manchetes dos principais jornais reverenciaram o bom futebol do Cruzeiro. O Jornal Hoy estampou a manchete: "A história se repetiu: Cruzeiro dobra o Olimpia". Referia-se a eliminação que o Cruzeiro impôs aos paraguaios na semifinal da Supercopa de 1991. "Fecharam-se todos os caminhos para o Rei", completava a matéria. 
O descrédito quanto a uma reviravolta na classificação foi grande. O Notícias estampou: "Olimpia vai ao Brasil em busca de um milagre". Já o ABC Color fazia um trocadilho entre o Cruzeiro e a desvalorizada moeda brasileira e a sina dos paraguaios contra o time estrelado na Supercopa: "Diante do Olimpia, o Cruzeiro sempre está em alta". Só não convenceram o treinador Perfumo, que ainda acreditava numa reviravolta. "Foi nossa pior partida do ano, mas assim como eles venceram aqui, nós podemos ganhar lá", avisava.
Na Toca da Raposa, os jogadores comemoravam o resultado e o "esquema matador" do treinador Jair Pereira. "No Mineirão a marcação forte será mantida", prometeu o técnico. A estratégia do treinador foi endossada pelo atacante Betinho. "O Olimpia não parte para cima, eles ficam tocando a bola em seu campo defensivo e quando menos se espera partem em contra-ataques. Não podemos deixá-los jogar. Eles não podem nem pensar", declarou.

Enquanto a Federação Mineira adiava a partida do Cruzeiro contra o Trespontano, no domingo pelo Campeonato Mineiro, o Olimpia saiu derrotado para o Libertad, por 3 a 1, no Campeonato Metropolitano e entrou em crise. Os paraguaios prometiam se reabilitar no confronto no Mineirão. Um prêmio de US$ 5 mil (Cr$ 50 milhões) foi oferecido para cada jogador pela conquista da vaga para a decisão.

"Eles tinham que sair da crise lá no Paraguai e não vai ser aqui que eles conseguirão se reabilitar", rebatia o meia Boiadeiro. Sobre o prêmio de US$ 2 mil oferecido pela diretoria cruzeirense pela classificação, Boiadeiro comentou: "Não é o lado financeiro que nos motiva. É importante para o jogador o lado profissional. Uma conquista importante como a Supercopa valoriza em muito o nosso currículo".
O meia Luiz Fernando era dúvida para o jogo. O meia sofreu contratura muscular na partida em Assunção. Já o lateral direito Cáceres havia sofrido um problema estomacal antes do jogo contra o Libertad e sequer veio a Belo Horizonte.

Além de uma vaga para a decisão, a partida também valeria um recorde para a torcida do Cruzeiro. A meta era bater o recorde de arrecadação do clássico Palmeiras e Corinthians em que as bilheterias renderam CR$ 1,8 bilhão. Para superar a marca, a diretoria cruzeirense aumentou ainda mais os valores dos ingressos. A geral passou a custar Cr$ 15, a arquibancada Cr$ 25, a cadeira Cr$ 50, e o setor especial Cr$ 80,

O Cruzeiro começou a partida com o esquema matador. Logo, aos dois minutos, Renato Gaúcho foi lançado por Luiz Fernando e foi derrubado na área. Paulo Roberto converteu o pênalti e abriu o placar. No lance Renato gaúcho sentiu a pancada, mas permaneceu em campo.

O Cruzeiro pressionava o Olimpia em seu campo e criava chances para ampliar, mas errava nas finalizações. O Olimpia passou a fazer tabelas rápidas para sair da forte marcação do Cruzeiro. Boiadeiro quase ampliou o placar ao aproveitar um rebote do goleiro Goycoechea, mas o chute saiu rente a trave esquerda.

No entanto, o Olimpia chegaria ao empate num contra-ataque rápido. Amarilla recebeu um lançamento de González e mandou para as redes. No entanto, o centro-avante paraguaio sentiria uma contusão muscular e deixaria o campo aos 30 minutos. O criador da jogada do gol de empate, Gabriel Gonzalez, também pediria substituição, no final do primeiro tempo.
O Cruzeiro voltou melhor no segundo tempo, mas errava ao insistir nas jogadas com bolas aéreas. Aos 14 minutos, Renato sofreu pênalti não marcado pelo árbitro. Quatro minutos depois, Roberto Gaúcho recebeu cruzamento de Nonato na área, ele dominou no peito e mandou um balaço pro fundo das redes explodindo a nação cruzeirense no Mineirão.

Minutos após o gol, Renato Gaucho não aguentou as dores na panturrillha e saiu para a entrada de Tôto. Empolgado com o incentivo da torcida, o Cruzeiro partiu pra cima e criou várias chances para ampliar. No entanto, foi o Olimpia que chegou ao gol de empate com o zagueiro Ramirez.

Os descontos da partida foram dramáticos. O Olimpia quase chegou a virada numa fnalização de Cavallero que obrigou Paulo Cesar a fazer grande defesa. O meia Boiadeiro deu o troco e por pouco não marca o gol do Cruzeiro.

Ao final do apito do árbitro, a nação cruzeirense comemorou a classificação para a final e o recorde de renda do futebol brasileiro.
CRUZEIRO 1 x 0 OLIMPIA (PAR)
04/11/1992 (Qua-22h) - Supercopa (semifinal/G2/1ª) - Defensores del Chaco (Assunção, Paraguai)
Público: 23.677 ou 23.267 ($169.567.000,)
Arbitragem: Jorge Orellana/EQU (Alfredo Rolas/EQU e Hilton Villavicencio/EQU)
Gol: Luiz Fernando 35’
Cruzeiro: 1-Paulo César; 2-Paulo Roberto, 4-Célio Lúcio, 15-Arley Alvares e 6-Nonato; 8-Douglas, 21-Rogério Lage, 17-Luiz Fernando (16-Edson/76’) e 9-Betinho; 7-Renato Gaúcho e 11-Roberto Gaúcho. T: Jair Pereira
Suplentes: 12-Gilberto, 13-Zelão, 14-Cleison, 23-Tôto
Olimpia: 1-Sergio Goycochea; 2-Virginio Cáceres, 3-Mario César Ramírez, 13-Celso Ayala (21-Miguel Sanabria/46’) e 4-Silvio Suárez; 8-Adolfo Jara Heyn, 6-Vidal Sanabria, 24-Romerito e 19-Mauro Caballero (11-Adriano Samaniego/46’); 7-Gabriel González e 9-Raúl Amarilla. T: Roberto Perfumo
Suplentes: 12-Ricardo Tavarelli, 5-Isidro Nuñez, 10-Jorge Campos
CA: Renato Gaúcho, Paulo César, Luiz Fernando (Cru); Gabriel Gonzales (Oli)
CRUZEIRO 2 x 2 OLIMPIA (PAR)
11/11/1992 (Qua-21h30) - Supercopa (semifinal/G2/2ª) - Mineirão
Público: 83.724 (Cr$ 2.187.025.000,00)
Arbitragem: Alberto Tejada/PER (Luiz Seminário/PER e José Arana/PER)
Gols: Paulo Roberto (pênalti) 3’ (1-0), Raúl Amarilla 16’ (1-1), Roberto Gaúcho 64’ (2-1), Mario Ramírez 89’ (2-2)
Cruzeiro: 1-Paulo César; 2-Paulo Roberto, 4-Célio Lúcio, 3-Luizinho e 6-Nonato; 8-Douglas, 10-Boiadeiro, 17-Luiz Fernando (21-Rogério Lage/46’); 9-Betinho, 7-Renato Gaúcho (23-Tôto/70’) e 11-Roberto Gaúcho. T: Jair Pereira
Suplentes: 12-Gilberto, 23-Tôto, 15-Arley Alvares, 16-Édson
Olimpia: 1-Sergio Goycochea; 5-Isidro Nuñez, 3-Mario Ramírez, 13- Celso Ayala e 4-Silvio Suárez; 8-Adolfo Jara Heyn, 6-Vidal Sanabria, 24-Romerito e 19-Mauro Caballero; 7-Gabriel Gonzalez (10-Jorge Campos/36’) e 9-Raúl Amarilla (11-Adriano Samaniego/30’). T: Roberto Perfumo
Suplentes: 12-Ricardo Tavarelli, 15-Juan Ramón Jara, 16-Felipe Peralta
CA: Boiadeiro, Paulo Roberto (Cru)
Público presente: 89.022
Twitter: @henriqueribe
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