sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Yustrich, o "homão"


Por Henrique Ribeiro

Yustrich, o "homão", foi um dos treinadores mais modernos e polêmicos de seu tempo. Foi o primeiro técnico do futebol brasileiro a introduzir treinamentos específicos para os goleiros e a valorizar a alimentação e os cuidados médicos dos atletas, quando promovia verdadeiras reformas nos centros de treinamentos dos clubes por onde passou. Pela disciplina no plantel não abdicava do uso da força e chegou, muitas vezes, a agredir atletas insurgentes de seu próprio time. Andava armado e encarava qualquer briga. Por outro lado era considerado um paizão pelos atletas, quando batia de frente com dirigentes em defesa do plantel. Pelo corpanzil de ex-goleiro ganhou o apelido de "homão".

Teve três passagens pelo Cruzeiro, sendo as duas primeiras de forma polêmica, como era de seu costume. A primeira foi em 1972. Acertou contrato com o clube estrelado, no dia 21 de fevereiro, enquanto o time excursiovava pelo exterior sob o comando de Orlando Fantoni, que mal sabia estar sendo dispensado pela diretoria cruzeirense.

O fato só chegou ao conhecimento dos atletas no dia 7 de março, através da imprensa, e acabou provocando a saída do ídolo Tostão, que não se conformou com as justificativas apresentadas pela diretoria estrelada de que faltava um comandante para dar mais disciplina a equipe. Por outro lado, o goleiro Raul, que havia ganhado a sua "liberação" do clube na justiça, resolveu permanecer no Cruzeiro. O goleiro acreditava que, com os treinamentos específicos para goleiros coordenados por Yustrich, recuperaria a sua forma técnica e retornaria a Seleção Brasileira.

A primeira passagem de Yustrich durou apenas 101 dias. Após a vitória sobre a Caldense, em Poços de Caldas, por 1 a 0, pela 2ª fase do Campeonato Mineiro, no dia 16 de julho, o treinador discutiu acirradamente com o vice-presidente de futebol, Carmine Furletti, nos vestiários do estádio Cristiano Osório e foi demitido. Foram ao todo 20 jogos sob o seu comando com 9 vitórias e 11 empates.

Retornou ao clube estrelado, em 15 de janeiro de 1977. Na ocasião, Yustrich passava por dificuldades financeiras e aceitou comandar o time B e o plantel júnior do clube. Com a saída de Zezé Moreira, após a derrota para o Atlético, no Campeonato Mineiro, assumiu o comando da equipe, que sofria um processo de reformulação no plantel.

Nesta passagem Yustrich se desentendeu com a maioria dos jogadores e com o preparador físico Antônio Lacerda. Seu esquema tático sofreu a resistência dos atletas. O presidente Felício Brandi teve que intervir por duas vezes e durante a decisão do Estadual de 1977 e trouxe o ex-zagueiro Procópio para arrumar o esquema do time nos clássicos contra o Atlético. Sobre Yustrich, o presidente Felício dizia: “é um ótimo treinador, desde que devidamente controlado”.

Ainda assim, o "homão" comandou a equipe na conquista do Campeonato Mineiro de 1977, na decisão histórica contra o Atlético, e às finais da Taça Libertadores em que acabou perdendo o título na disputa de tiros livres para o Boca Juniors.

Após a goleada sofrida para o Remo e o empate contra o Fast Club, pelo Campeonato Brasileiro, a diretoria convocou o homão para uma reunião, no dia 19 de novembro e Yustrich, para que o treinador explicasse o mau rendimento físico dos jogadores nas partidas. Assim que chegou a sala da sede clube, pela primeira vez em sua carreira, entregou o cargo. Saiu disparando acusações contra os jogadores  chamando-os de "cafajestes" e o presidente Felício Brandi de tê-lo "tirado de uma cova rasa para jogá-lo numa cova funda". Foram 29 jogos sob o seu comando com 17 vitórias, 7 empates e 5 derrotas.

Em 1982, Yustrich foi contratado durante a disputa da 2a fase do Campeonato Brasileiro para substituir o treinador Brito. Ainda magoado com as declarações de Yustrich, após sua saída em 1977, o lateral direito Nelinho, pediu sua dispensa do clube.

Esta foi a melhor passagem do homão pelo Cruzeiro. Sob o seu comando o time estrelado realizou uma excursão vitoriosa a  Espanha, quando retornou com a conquista dos torneios de Santander, Valladolid e Zaragoza e ainda conquistou a Taça Minas Gerais. Ao todo foram 56 jogos com 27 vitórias, 22 empates, 7 derrotas.

Dorival Kneippel nasceu em Corumbá-MS, em 28 de setembro de 1917 e faleceu em Belo Horizonte, em 15 de fevereiro de 1990. Ao todo comandou o time estrelado em 105 jogos com 53 vitórias, 40 empates e 12 derrotas e conquistou os títulos dos Campeonatos Mineiros de 1972 e 1977, da Taça Minas Gerais de 1982, além do vicecampeonato da Libertadores de 1977.

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