quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Mineirão 50 anos - A massa é do Cruzeiro

Carlos Henrique

“A massa é do Cruzeiro”, declarou Afonso Celso Raso, presidente da Ademg, após o clássico entre Cruzeiro e o time de Lourdes, pelo Campeonato Mineiro, em 8 de novembro de 1981. A análise veio após o resultado do “desafio das torcidas”. A iniciativa promovida pela Ademg diferenciava os ingressos para cruzeirenses e lurdinhas. Além dos bilhetes azuis terem sido os mais vendidos, o que chamou a atenção foi que a torcida estrelada ocupou maiores espaços nos setores de ingressos mais baratos do estádio.

A ideia do “Desafio das Torcidas” era saber qual o clube levaria mais torcida para aquele clássico de 1981. O Mineirão era dividido em três setores: geral, arquibancada e cadeiras. O último era frequentado por torcedores mais abastados. Os bilhetes para as lurdinhas foram cor de rosa (óbvio, né!), escrito Atlético. Para os cruzeirenses o ingresso foi azul escrito Cruzeiro. Como não havia separação de torcidas nas cadeiras, um carimbo marcou o nome do clube no ingresso. Houve um ingresso neutro de cor diferente, para os torcedores que não tinham preferência clubística.

O temor da inferioridade numérica afligiu as lurdinhas a ponto de um banqueiro de uma cidade do interior enviar um cheque de Cr$ 5 mil para o cronista Roberto Drummond, do jornal Estado de Minas. Ele pediu ao jornalista que comprasse 50 ingressos de geral do C.a.m. e distribuí-los. O subsídio já tomava conta daquela torcida desde aqueles tempos. Alguns cruzeirenses que receberam estes ingressos tentaram trocá-los pelos do Cruzeiro nos postos de venda, mas não tiveram êxito.

O clássico terminou empatado em 1 a 1, mas a torcida do Cruzeiro foi quem comemorou. Na apuração do desafio foi maior que as lurdinhas no Mineirão com uma diferença de 2.245 ingressos a mais.

Chamou atenção a vantagem que uma torcida levou sobre a outra nos setores. Somando-se a geral e a arquibancada, que tinham ingressos mais baratos e eram setores do povão, a vantagem foi ampla dos cruzeirenses. Já nas cadeiras e outros setores considerados de elite, aconteceu o contrário. Para se ter uma ideia, o valor do ingresso da Geral era de Cr$ 100,00, enquanto o de cadeira era Cr$ 800,00. Mais do que provar que a torcida cruzeirense foi maior no clássico, o desafio das torcidas serviu também para inverter o mito de clube de massa na cidade.

Resultado final da apuração:
Arquibancada – Cruzeiro (35.126), C.a.m. (35.308), Neutros (3.152)
Geral – Cruzeiro (17.340), C.a.m. (14.086), Neutros (1.301)
Cadeira – Cruzeiro (2.152), C.a.m. (2.873), Neutros (86)
Acompanhantes Cadeiras - Cruzeiro (96), C.a.m. (202), Neutros (11)
Total - Cruzeiro (54.714), C.a.m. (52.469), Neutros (4.550)
Total Público Pagante = 111.733

Setores que tiveram bilhetes personificados, mas não eram considerados como público pagante:
Cadeira Cativa - Cruzeiro (965), C.a.m. (2.402), Neutros (152)
Tribunas - Cruzeiro (196), C.a.m. (657), Neutros (98)
Total - Cruzeiro (1.161), C.a.m. (3.059), Neutros (98)
Público Total = 116.051
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