terça-feira, 1 de setembro de 2015

Torneios Malucos (5) - Copa Jorge Carone de 1963

Carlos Henrique

O futebol mineiro já teve uma competição que foi criada para não terminar: a Copa Jorge Carone de 1963. O torneio que deveria ser curto e servir de pré-temporada dos clubes da capital para o Campeonato Mineiro foi transformado no decorrer de sua disputa numa competição inchada e interminável. Foi o resultado de uma sabotagem dos clubes que não estavam interessados na sua disputa.

Entre 1959 e 1961, os clubes da capital, que participavam do Campeonato Mineiro, disputavam um torneio de turno único denominado de Copa Belo Horizonte. O torneio não foi disputado em 1962, mas por iniciativa do presidente da Federação Mineira, Valter Soller, a Copa foi reativada em 1963. America, Cruzeiro e o time de Lourdes eram contra a sua realização alegando ser deficitária e inútil. Ainda assim, prevaleceu a decisão da FMF.

O prenúncio de que a reedição da Copa não daria certo foi a decisão de batizá-la de Copa Jorge Carone em homenagem ao prefeito da capital. Numa reunião dos clubes, em 14 de maio de 1963, ficou definido que a Copa teria as participações de America, Cruzeiro, Sete de Setembro, Renascença e o time de Lourdes. O Valerio, de Itabira, foi convidado por ter sido o campeão do Torneio Início de 1962. O Ferroviário, campeão amador da capital, reivindicou sua inclusão. Isto porque as Copas BH anteriores contaram com a participação do campeão amador da cidade.

Com um total de 15 jogos, a Copa deveria terminar no final de junho, já que o Campeonato Mineiro estava programado para começar no início de julho. A primeira rodada da Copa foi disputada no dia 23 de maio com as vitórias do Cruzeiro por 2 a 0 sobre o Sete e do time de Lourdes por 3 a 1 sobre o Valerio.

O trio de ferro da capital programou outra reunião, em 24 de maio, que definiu aumentar para 9 o número de participantes dando início a sabotagem. Assim Democrata-SL, Siderúrgica e Villa Nova foram convidados. A competição que era para ser de âmbito municipal foi descaracterizada. Com a inclusão dos três clubes, o total de jogos da Copa pulou de 15 para 36 jogos tornando impossível o seu desfecho antes do início do Estadual.

A segunda rodada, em 26 de maio, teve o empate em 2 a 2, entre Cruzeiro e Villa Nova, e a surpreendente goleada por 3 a 0 dos amadores do Renascença sobre o América. Quatro dias depois, outro participante do interior, o Pedro Leopoldo, foi incluído no torneio aumentando para 10 o número de participantes e o total de jogos de 36 para 45.


Até o final de junho, apenas metade das partidas previstas haviam sido disputadas. A incoerência na tabela de jogos era gritante. O Pedro Leopoldo havia disputado apenas dois jogos, enquanto o time de Lourdes já havia feito 7. A Copa Jorge Carone acabou interrompida e cancelada. Ficou a lição para a Federação de que não se deve contrariar o trio de ferro da capital.
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