quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Torneios Malucos (8) - Taça Minas Gerais de 1975

Carlos Henrique

Um torneio de acesso que classificou todos os times e não eliminou ninguém. Isso aconteceu no futebol mineiro e valeu até pela Taça Minas Gerais. Essa lambança criada pelo presidente da Federação Mineira aconteceu em 1975 e só serviu pra bagunçar o calendário do futebol mineiro.

O presidente da Federação Mineira, Coronel José Guilherme, eram quem decidia tudo no futebol do estado na década de 1970. Eram os tempos do conselho divisional, que foi um dos reflexos da ditadura militar na sociedade brasileira. O Divisional havia substituído o Conselho Arbitral em que os representantes dos clubes é que apresentavam propostas e decidiam pelo voto. Com o Divisional, o presidente passou a decidir tudo e restavam aos clubes acatar.

Em 1975, o coronel decidiu reduzir o número de participantes do Campeonato Mineiro de 14 para 12 clubes. No entanto, não houve descenso no Estadual do ano anterior. O critério estava extinto desde 1969, assim como as divisões inferiores. De 1969 em diante, os 6 melhores colocados garantiam presença no Estadual do ano seguinte. Os demais clubes da Divisão Extra disputavam as vagas restantes do Estadual num Torneio Eliminatório. Mas em 1975, o Coronel mudou de ideia e obrigou todos a disputarem o Eliminatório.

Para motivar os clubes, a Taça Minas Gerais foi colocada em disputa. Assim o Eliminatório passaria a valer título de campeão. A taça Minas Gerais havia sido instituída em 1973 para ser disputada num torneio próprio, mas a partir desse ano o seu propósito começou a ser deturpado. O campeão da Taça entraria para o quadrangular final do Estadual com um ponto na tabela de classificação. Era o chamado "ponta extra". O curioso é que o Campeonato Mineiro teria duas fases anteriores ao quadrangular final, ou seja, se o campeão do eliminatório não se classificasse para o quadrangular, de nada valeria o ponto extra que conquistou!

Os 16 clubes da Divisão Extra foram divididos em chave A (Cruzeiro, Villa Nova, Nacional de Muriaé, União Tijucana de Ituiutaba, Uberaba, Fluminense, Democrata-GV e Sete de Setembro) e Chave B (América, Valério, Esab, Esportiva, Nacional de Uberaba, Uberlândia, Caldense e o time de Lourdes). Jogaram entre si em turno único. Os dois últimos colocados de cada chave ficariam de fora do Estadual, enquanto os primeiros colocados disputariam o título da Taça Minas Gerais.

O Torneio começou em 16 de fevereiro e, logo na 1ª rodada, surgiram os primeiros problemas definiriam os rumos do Eliminatório. O Democrata e o Fluminense perderam os pontos pela escalação de jogadores em situação irregular. A partir daí, a cada rodada, o Tribunal da FMF passou a receber seguidos recursos com pedidos de perdas de pontos, devido a escalações irregulares. Como os julgamentos atrasariam o desfecho do Eliminatório, o Coronel decidiu então classificar todos os times para o Campeonato Mineiro, que começou em 19 de abril.

O Eliminatório só terminou em julho, com a disputa de algumas partidas remarcadas, quando já havia encerrado a 2ª fase do Estadual. Com os resultados, o Cruzeiro e o time de Lourdes encerraram a disputa, como vencedores de suas chaves. Como o Campeonato Brasileiro começaria em agosto, a decisão da Taça Minas Gerais e o quadrangular do Campeonato Mineiro de 1975 ficaram para ser disputados no início de 1976. A bagunça estava confirmada.

O time de Lourdes venceu a decisão da Taça Minas Gerais em duas partidas contra o Cruzeiro e ficou com o ponto extra. O quadrangular final do Estadual foi disputado por America, Cruzeiro, Caldense e o time penado. Curiosamente, o time de Poços, ficou em 7º lugar na sua chave no Torneio Eliminatório e sequer deveria ter disputado o Campeonato Mineiro!
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