domingo, 24 de janeiro de 2016

Campeonato da Cidade 1931

Em 1931 o artilheiro Ninão e o lateral Nininho se transferiram para a Lazio, de Roma. Os primos Fantonis tornaram-se os primeiros brasileiros contratados pelo futebol europeu.

Carlos Henrique

CAMPEONATO DA CIDADE 1931

Campanha do Cruzeiro
Turno
19/04 - Cruzeiro 11 x 3 Guarany
26/04 - Cruzeiro 7 x 0 Fluminense
17/05 - Cruzeiro 8 x 0 Sport Calafate
21/06 - Cruzeiro 2 x 3 Atlético
Returno
23/08 - Cruzeiro 5 x 2 Guarany
30/08 - Cruzeiro 4 x 0 Fluminense
06/09 - Cruzeiro 5 x 0 Sport Calafate
01/11 - Cruzeiro 3 x 2 Atlético (Lourdes)
Decisão
29/11 - Cruzeiro 1 x 2 Atlético
*o segundo jogo da decisão, no estádio de Lourdes, em 6 de dezembro, não aconteceu por falta de segurança. Uma nova partida foi marcada para 20 de março de 1932, mas o Cruzeiro havia deixado a Liga Mineira. O Cam foi proclamado campeão.

Classificação: 1º Cam (campeão); 2º Cruzeiro; 3º Fluminense; 4º Guarany; 5º Sport Calafate
Artilheiro Máximo: Niginho (Cruzeiro) 15 gols
Campeão do Campeonato de Aspirantes: Cam
Campeão do Torneio Início: Cam
Campeão da Série B: Carlos Prates

Sistema 2-3-5:
Geraldo, Nereu e Gil; Stancioli, Maeco e Calixto; Piorra, Carazo, Niginho, Bengala e Alcides. Técnico: Matturio Fabbi

Quem jogou:
Bengala, Calixto e Niginho 9
Carazo, Geraldo, Piorra e Stancioli 7
Gil, Maeco e Nereu 6
Alcides 5
Bellini, Maurício, Pantuzzo e Rizzo 3
Barros, Catalano e Vignoli 2
Custódio, Emerico e Jaime 1

Quem marcou gols:
Niginho 15
Bengala 14
Carazo 5
Alcides e Custódio 3
Bellini e Piorra 2
Emerico e Vignoli 1

Fórmula de disputa
Turno e returno com classificação definida no sistema de pontos corridos

Critérios de participação
Os clubes da Séria A de 1930 mais o Fluminense (campeão da Série B de 1930) que venceu a série de três partidas pela 8ª vaga contra o Palmeiras (último colocado da Série A de 1930).

America promove golpe na Liga Mineira
No dia seguinte a balaiada por 8 a 1 sofrida para o Cruzeiro, em 27 de setembro, os dirigentes americanos invadiram a sede da Liga Mineira para depor o presidente Aníbal Mattos, que também era presidente do atlético, mais a diretoria da entidade. O presidente do America, Otacílio Negrão de Lima, enviou telegrama a CBD: "Comunico ocorrência acabo ser nomeado presidente da Liga MG cuja diretoria se estava acéfala como comprovam grandes distúrbios ocorridos jogos ontem realizados". A polícia foi chamada e restabeleceu a ordem.

A decisão de tomar a sede estava programada, desde a suspensão de Humberto (america) e Pantuzzo (do Sport Calafate), após o jogo entre as equipes. Foi adiada, após a anulação das punições. O plano foi retomado, após a Comissão Técnica da Liga, suspender Humberto (2 jogos) e Tonico (3 jogos), em 24 de setembro. Os americanos também estavam incomodados com os favorecimentos de Aníbal de Mattos ao atletico.

Villa Nova, Sete, Sport Calafate e Montes Claros (Série B) declararam apoio ao america. O Villa por causa dos incidentes ocorridos no empate (3 a 3) contra o atlético, no Bonfim, em 27 de setembro: um gol irregular do atlético, invasão de campo, brigas, agressão ao árbitro Aquiles Pazzini e tiros dado pelo torcedor atleticano, Octávio Ferreira Santiago. Os clubes se recusaram a continuar o campeonato e exigiram a renúncia da diretoria da Liga Mineira. Numa assembleia, em 28 de setembro, os clubes declararam apoio a Liga Mineira.

Villa e America brigavam pelo título
Numa assembleia em 1º de outubro, os dissidentes decidiram abandonar o Campeonato, à exceção de Sport Calafate e Montes Claros. Curiosamente, Villa e America disputavam o título com o atlético. O Cruzeiro tinha chances, mas dependia de uma combinação de resultados. A classificação era a seguinte: 1º Villa Nova (22 pts.); 2º America e Atletico (20 pts.); 4º Cruzeiro (19 pts.); 5º Fluminense (8 pts.); 6º Guarany e Sport Calafate (5 pts.); 8º Sete (3 pts.). Ainda faltava ao América enfrentar Guarany e atletico; o Villa passar pelo Sport Calafate e o Sete por Cruzeiro e Fluminense. Para o atlético restavam os clássicos contra Cruzeiro e America. Mesmo com maiores chances de título, America e Villa (e ainda o Sete) não compareceram aos jogos das rodadas de 4 e 11 de outubro.

Crise beneficia Cruzeiro
A Liga Mineira decidiu excluir os três clubes do quadro de filiados em 22 de outubro. Assim, todos os jogos dos dissidentes foram anulados e a nova tabela de classificação beneficiou o Cruzeiro, pois o colocou na briga pelo título: 1º atletico (14 pts.); 2º Cruzeiro (12 pts.); 3º Fluminense (5 pts.); 4º Guarany (4 pts.); 5º Sport Calafate (1 pto.).

Vitória do Cruzeiro no clássico provoca uma decisão
Restaram apenas dois jogos que foram disputados em 1º de novembro: o Fluminense venceu o Guarany (3 a 1) e o Cruzeiro venceu o atlético (3 a 2). O Campeonato terminou com atlético e Cruzeiro empatados na primeira colocação. Como não existiam critérios de desempate, como saldo de gols, números de vitórias e etc, os rivais decidiram o título numa série de três jogos.

Decisão tumultuada
O atlético venceu o primeiro jogo por 2 a 1, no Barro Preto, em 29 de novembro. A segunda partida, no estádio de Lourdes, em 6 de dezembro, não aconteceu. Após o empate em 1 a 1 na preliminar entre os aspirantes, que decidia o título da categoria, “elementos estranhos às praças esportivas” invadiram o campo para agredir os cruzeirenses. Os titulares saíram dos vestiários para defender os companheiros e a confusão se generalizou. Após os ânimos serem serenados, os times principais entraram em campo, mas o bom senso indicava que o estádio não oferecia segurança para a realização do jogo. Outra agravante era a ausência de um árbitro. Um acordo pré-estabelecido entre os clubes para a decisão determinou ao mandante do jogo providenciar um árbitro carioca para a decisão. No primeiro jogo, o Cruzeiro trouxe o conceituado Virgílio Fedrighi, mas o atlético não conseguiu um árbitro da Liga Carioca para o segundo jogo.

Sem árbitro, sem segurança e sem jogo
Uma “pescaria” foi feita no estádio a procura de um desportista para dirigir o jogo. Uma medida comum naqueles tempos. O atlético indicou Sérgio Mendes e Hildebrando Oliveira, mas ambos foram recusados pelo Cruzeiro, por não terem capacidade para dirigir um jogo de decisão e assim o Cruzeiro decidiu não disputar o jogo. Hildebrando deu início ao jogo e proclamou o atlético vencedor.

Cruzeiro protesta
No dia seguinte, o presidente do Cruzeiro, Lídio Lunardi, protestou à Liga contra a medida de Hildebrando, pois ele era membro da Comissão Técnica da Liga e, de acordo com o artigo 140 do código esportivo, o delegado do jogo só pode exercer a fiscalização não podendo intervir no desenvolvimento do jogo. O regulamento também diz que apenas o árbitro pode encerrar um jogo, porém não havia árbitro, visto que o Cruzeiro não havia aceitado as indicações do Atlético.

Novas eleições na Liga Mineira
Em 16 de dezembro, Lídio Lunardi foi eleito por 24 votos contra 2, de Amintas de Barros, para a presidência da Liga. No entanto, ninguém da diretoria cruzeirense compareceu a posse. Em 22 de dezembro, toda a diretoria do atlético renunciou.

CBD e Lidio Lunardi buscam a pacificação
Os representantes da CBD, Samuel Oliveira e Honório Weiner, vieram a BH, em 26 de janeiro. Em dois dias de reuniões com representantes de Cruzeiro, America, atlético, Villa e da Liga, mas não conseguiram resolver as dissidências.  

Anistia e impasse
Aníbal Matos demitiu-se do cargo no Conselho de Julgamentos da Liga e, Afonso Paulino foi empossado no cargo. O Cruzeiro iniciou um movimento de reconciliação e promoveu reuniões na sede da Liga e dos clubes dissidentes na sede do América, em 3 de fevereiro de 1932. A anistia a America, Sete e Villa foi proposta, mas atlético, Retiro e Sub-Liga de Juiz de Fora não assinaram o documento.

Lidio Lunardi renuncia a presidência da Liga
Lunardi despachou a anistia contrariando os diretores da Liga, Adão Lopes, Otaviano Neves e José Câmara, que não foram consultados. Os três alegaram que a decisão deveria passar antes pelo Conselho de Julgamentos. Afonso Paulino convocou uma reunião na sede do Sport Calafate e 13 clubes declararam repúdio a Lunardi. A diretoria da Liga se reuniu, sem Lunardi, e submeteu a anistia a uma assembleia geral.

Lunardi solicitou a CBD uma intervenção na Liga e anulou as decisões tomadas na assembleia de 26 de fevereiro. Em represália, a Comissão Técnica da Liga multou o Cruzeiro em 500 réis pela inclusão num festival promovido pelo clube, de clubes que não pertenciam à comunidade esportiva.

Cruzeiro forma Liga alternativa
O futebol mineiro estava dividido. De um lado atlético, diretoria da Liga, Sub-Liga de Juiz de Fora e mais 9 clubes e do outro, Cruzeiro, Lunardi, América, Villa, Sete e mais 12 clubes. Lunardi renuncia a presidência da Liga e Cruzeiro, Fluminense, Alves Nogueira, Grêmio, Syrio, Uberaba, Vespasiano e Industrial abandonam a entidade. A ala dissidente cria uma liga alternativa - Associação Mineira de Esportes Geraes, em 6 de março de 1932, na sede do Cruzeiro. O manifesto foi assinado por 11 clubes (Estado de Minas, 11/03/1932). Ofícios foram enviados a CBD e a Liga. Em abril, Vasco da Gama, Prado Mineiro e Pedro Leopoldo filiam-se a AMEG.

Crise no futebol
Uma onda de cisões contamina os clubes. Diretores do Grêmio depuseram o presidente, Manoel Amorim, que apoiava a Liga, e o clube aderiu a AMEG. Diretores do Fluminense renunciaram, por não concordarem com a permanência do clube na Liga. Já no Alves Nogueira, uma assembleia decidiu a permanência do clube na Liga, por 13 votos a 10, que resultou na renúncia da diretoria. O secretário do Industrial renunciou após o clube ter passado para a AMEG. A Liga Suburbana também se dividiu.

Cam é proclamado campeão de 1931

A Comissão Técnica da Liga Mineira reuniu-se, em 8 de março de 1932, e considerou que o segundo jogo da decisão do Campeonato de 1931 não apresentava segurança e que fosse justificado sua transferência para outra data. Foi marcado para 20 de março de 1932, mas como não havia condições de ser disputado, pois o Cruzeiro havia deixado a Liga, o atlético foi proclamado campeão de 1931.
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