segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Campeonato da Cidade 1933

Carlos Henrique

CAMPEONATO DA CIDADE 1933

Campanha do Cruzeiro
Turno
18/06 - Cruzeiro 1 x 2 Siderúrgica (Praia do Ó)
25/06 - Cruzeiro 1 x 6 Villa Nova
09/07 - Cruzeiro 3 x 0 Retiro (Retiro Saudoso)
06/08 - Cruzeiro 2 x 1 Atlético
13/08 - Cruzeiro 2 x 2 América (Alameda)
Returno
17/09 - Cruzeiro 0 x 6 Villa Nova (Bonfim)
15/10 - Cruzeiro 1 x 0 Siderúrgica
22/10 - Cruzeiro 3 x 2 Atlético (Lourdes)
29/10 - Cruzeiro 2 x 2 América
19/11 - Cruzeiro 4 x 1 Retiro
*o America impediu a cobrança de um pênalti favorável ao Cruzeiro, nos instantes finais do clássico do turno, e o árbitro suspendeu o jogo. O Conselho de julgamentos deu os dois pontos ao Cruzeiro.

Classificação: 1º Villa Nova (campeão); 2º Cruzeiro; 3º Siderúrgica; 4º atletico; 5º America; 6º Retiro
Artilheiro Máximo: Canhoto (Villa Nova) 10 gols
Campeão do Campeonato de Amadores: Cam
Campeão do Torneio Início: America

Sistema 2-3-5:
Geraldo, Raul e Álvaro; Caieira, Barata (Teixeira) e Calixto; Piorra, Ninão (Souza), Zezé, Bengala e Alcides. Técnico: Matturio Fabbi.

Quem jogou:
Alcides, Bengala, Caieira, Geraldo e Piorra 10
Calixto e Raul 8
Ninão 7
Teixeira 6
Álvaro e Souza 5
Barata, Jovem, Mundico, Orlando e Zezé 4
Barros, Pantuzzo e Rizzo 2
Américo, Nereu, Odilon e Pedrinho 1

Quem marcou gols:
Alcides e Piorra 6
Caieira e Ninão 2
Bengala, Orlando e Souza 1

Fórmula de disputa
Turno e returno com classificação definida no sistema de pontos corridos

Liga não oficial
A FAMA (nova nome da Liga Mineira) estava filiada a Federação Brasileira de Futebol (entidade criada para dirigir o futebol profissional) e não era reconhecida pela CBD e, consequentemente, pela FIFA.

Liga é transformada em Federação
Em 25 de outubro de 1932, com a intermediação dos dirigentes do Bonsucesso, do Rio, os clubes assinam um acordo e encerram a dissidência no futebol da capital. Em 9 de novembro, a Liga Mineira de Desportos Terrestres é transformada em Federação das Associações Mineiras de Athletismo-FAMA. O futebol passaria a ser dirigido pela Liga Amadora de Futebol e a AMEG continuaria existindo para dirigir os outros esportes (vôlei, basquete, athletismo e tênis). Em 28 de janeiro de 1933, a LAF e a FAMA são implantadas.

O profissionalismo é adotado no futebol brasileiro
Em 23 de janeiro de 1933, os clubes do Rio, liderados pelo Fluminense, aderem ao regime profissional e criam a Liga Carioca de Futebol. Em 26 de agosto de 1933, é fundada a Federação Brasileira de Futebol-FBF, que passaria a concorrer com a CBD, que não aceitava o regime profissional. Os dirigentes mineiros resistiam ao regime remunerado por considerá-lo impraticável, pois o público nos jogos não era numeroso, como nos grandes centros, e a sua adoção provocaria a falência dos clubes.

Briga pelo poder na Formação da Série A de 1933
O Conselho Superior da recém-criada LAF passa a ser formado por America, Cam, Cruzeiro e Villa Nova, que passariam a ditar regras no futebol mineiro. O atletico era o único do Conselho que representava os clubes que permaneceram na Liga Mineira em 1932.

O conselho decide que a Série A será formada por clubes da capital (exceto o Villa Nova). Como America, atlético e Cruzeiro estavam garantidos, as quatro vagas restantes seriam de um representante de cada uma das principais regiões da cidade: Floresta (Sete); Calafate (União Calafate - time que se originou da fusão do Sport com o Gremio); Carlos Prates (Carlos Prates); e Guarany (Lagoinha).

O America se demonstrou irredutível nas reuniões e se posicionou contrário a todas as sugestões apresentadas pelo atlético. Uma disputa pelo poder era evidente. As equipes da LMDT, que ficaram de fora da Série A, como o Retiro (Nova Lima), Siderúrgica (Sabará) e o Fluminense, da Lagoinha, não se conformaram com a formação da Série A. O clube de Sabará havia construído o seu estádio para sediar jogos na cidade. Apenas atlético e Carlos Prates da extinta LMDT estavam incluídos na Série A.

O Atlético contra ataca
Fragilizado nas reuniões, o atletico contra-ataca e o seu presidente, Thomaz Neves, se empenha no movimento pela adoção do profissionalismo. Alegou "que o novo regime era necessário para se evitar o êxodo de jogadores mineiros para o eixo Rio-São Paulo". Ele ainda observou "que o público nos jogos de futebol em Beagá estava diminuindo, pois no amadorismo não há disciplina. Nenhum torcedor está disposto a ir ao estádio para ver sururu, jogos que não terminam em harmonia, discussão entre jogadores e árbitro e paralisações das partidas por tempo indeterminado" (Estado de Minas, 23/04/1933). Siderúrgica e Retiro apoiaram o movimento por ser uma forma de retornarem a Série A.

Minas adere ao profissionalismo
O Cruzeiro se alia ao atlético e o movimento conta com apoio do Villa Nova e do Siderúrgica. Miguel Perrella (Cruzeiro) e Levy Leite (atlético), mais um diretor do Uberaba, vão a Liga Carioca, no Rio, tratar da adoção do profissionalismo. Em 23 de maio, o regime é adotado, após a resposta da Liga Carioca.

As condições para um clube se integrar a liga profissional era ter uma praça de esportes confortável, com capacidade mínima para mil pessoas, fechada e com campo gramado obedecendo às disposições regulamentares; estar em boas condições financeiras e uma equipe tecnicamente qualificada. Somente o critério da praça de esportes já desclassificava a maioria dos clubes da capital. Devido a isso, a AME cria uma divisão amadora, mas isto não evita a extinção da maioria dos clubes pequenos.

Em 8 de junho, a LAF muda sua denominação para Associação Mineira de Esportes-AME. O mesmo acontece com a Sub-LMDT, de Juiz de Fora, que passa a se chamar AME-JF. A diretoria do America renuncia em protesto a adoção do regime. Convencido pelo atlético, o Retiro adere ao profissionalismo, em 27 de abril.

America fragilizado
Com o adoção do profissionalismo, o atlético consegue diminuir a influência do America nos poderes da AME. O atletico passa a contar com dois aliados na série A: Retiro e Siderúrgica. Já o America, que era contrário ao profissionalismo, não contava mais com Cruzeiro e Villa Nova, como aliados. O alviverde concorda em disputar o campeonato profissional sob protesto.
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