sábado, 6 de fevereiro de 2016

Campeonato da Cidade 1956


Carlos Henrique

CAMPEONATO DA CIDADE 1956

Campanha do Cruzeiro
1º Turno
05/08 - Cruzeiro 6 x 1 Meridional (Barrancos)
12/08 - Cruzeiro 5 x 2 Asas
19/08 - Cruzeiro 1 x 0 Democrata-SL (Duarte de Paiva)
26/08 - Cruzeiro 5 x 1 América (Independência)
02/09 - Cruzeiro 4 x 0 Metalusina
16/09 - Cruzeiro 0 x 2 Atlético (Independência)
23/09 - Cruzeiro 3 x 1 Siderúrgica (Independência)
30/09 - Cruzeiro 3 x 1 Villa Nova (Independência)
07/10 - Cruzeiro 2 x 2 Sete
Decisão
14/10 - Cruzeiro 2 x 0 Atlético (Independência)
18/10 - Cruzeiro 0 x 1 Atlético (Independência)
21/10 - Cruzeiro 2 x 3 Atlético (Independência)
Classificação: 1º Cam; 2º Cruzeiro; 3º Siderúrgica; 4º Democrata; 5º Asas; 6º America e Sete; 8º Meridional; 9º Villa Nova; 10º Metalusina

2º turno
10/11 - Cruzeiro 4 x 2 Asas (Alameda)
17/11 - Cruzeiro 3 x 1 Meridional
25/11 - Cruzeiro 2 x 2 Sete (Independência)
24/03/1957 - Cruzeiro 1 x 2 Villa Nova (Bonfim)
31/03/1957 - Cruzeiro 1 x 0 Siderúrgica (Independência)
07/04/1957 - Cruzeiro 4 x 0 Metalusina (Alameda)
14/04/1957 - Cruzeiro 1 x 1 América (Independência)
21/04/1957 - Cruzeiro 3 x 1 Atlético (Independência)
28/04/1957 - Cruzeiro 2 x 0 Democrata-SL (Independência)
Classificação: 1º Cruzeiro; 2º America, Democrata e Sete; 5º Siderúrgica; 6º atletico; 7º Villa Nova; 8º Asas; 9º Meridional; 10º Metalusina

Decisão
23/05/1957 - Cruzeiro 1 x 1 Atlético (Independência)
26/05/1957 - Cruzeiro 0 x 0 Atlético (Independência)
02/06/1957 - Cruzeiro 0 x 1 Atlético (Independência)
*O atletico perdeu os pontos do segundo jogo pela escalação de Laércio em situação irregular. As equipes terminaram a decisão empatadas, mas o atletico não aceitou a perda dos pontos e negou-se a disputar uma quarta partida. Diante do impasse, o Conselho Nacional do Desporto-CND, propôs a divisão do título que foi aceita pelos clubes.

Classificação Final do Campeonato: 1º Cruzeiro e Cam (Campeões); 3º Democrata e Siderúrgica; 5º America e Sete; 7º Asas; 8º Villa Nova; 9º Meridional; 10º Metalusina
Artilheiro Máximo: Tomazinho (Cam) com 19 gols
Campeão do Campeonato de Aspirantes: Asas
Campeão do Torneio Início: Siderurgica

Fórmula de disputa:
Dois turnos distintos. Os vencedores de cada turno decidiram o título numa série decisiva. Caso uma mesma equipe vencesse os dois turnos seria campeã direta. Sem acesso e rebaixamento, pois não havia Série B.

Critérios de participação:
Clubes profissionais filiados a FMF e inscritos no Campeonato. O Sete disputou o Campeonato como agregado

Sistema 2-3-5
Genivaldo, Nozinho e Gérson (Bené); Adelino, Lazzarotti e Pireco; Raimundinho (Chiquinho), Nilo, Pelau, Guerino e Sabu. Técnicos: Artur Nequessaurt (15); Airton Moreira (9)

Quem jogou
Nilo e Pelau 24
Adelino 22
Guerino 21
Lazzarotti e Pireco 20
Nozinho 18
Genivaldo 15
Raimundinho 13
Chiquinho e Sabu 12
Bené e Gerson 10
Mussula e Vavá 8
Renê 7
Cabelinho 6
Arnaldo 5
Airton e Gilberto 2
Alagoano, Dalton, Rossi (goleiro), Salvador e Vitinho 1

Quem marcou gols
Nilo e Pelau 14
Guerino e Sabu 6
Renê 5
Chiquinho e Lazzarotti 3
Raimundinho 2
Airton e Gilberto 1

O caso Laércio
O lateral Laércio, do atletico, estava em situação irregular, e foi escalado nos dois primeiros jogos da decisão. O Cruzeiro não protelava pontos no tapetão, mas diante do descalabro promovido pela Federação Mineira para favorecer o atletico, o clube decidiu romper a tradição e entrou com um recurso pedindo os pontos do segundo jogo. O prazo para protelar os pontos do primeiro jogo, já havia passado. O TJD decidiu favoravelmente ao atletico, mas o Cruzeiro recorreu ao STJD que descascou a FMF. Para o Superior Tribunal, Laércio não possuía certificado militar, mas um documento que o convocou para uma inspeção e saúde. Este documento não o habilitava a nenhum trabalho profissional. Para o presidente da FMF, Francisco Cortes, o documento o isentava do serviço militar e lhe dava condições de trabalho (Diario da Tarde – 28/05/1957); No julgamento do STJD, por 4 votos a 2, o STJD multou o atletico e decidiu pela perda dos pontos. “A lei é quem dá a condição de jogo e não a entidade (FMF)", decidiu o Superior tribunal. (Diário da Tarde – 30/08/1957). O atletico entrou com um recurso no Conselho Nacional do Desporto-CND (Diário da Tarde – 31/08/1957).

Tradição de não recorrer ao tapetão
Em 3 de setembro de 1957, o dirigente Mario Grosso, do Cruzeiro, declarou que uma ala do clube era contrária ao quarto jogo. Comprovar que a FMF estava errada já era suficiente. Esta ala defendia que o Cruzeiro não deveria comparecer ao quarto jogo, pois o time perdeu em campo e o campeão de fato foi o adversário.

Efeito suspensivo
A FMF marcou o quarto jogo para 18 de setembro de 1957, mas o atletico entrou com um efeito suspensivo e deu entrada com o recurso no CND.

FMF reconhece a culpa
Em 30 de setembro de 1957, Armando Cordeiro, assistente da FMF, informou que o Cruzeiro obedeceu ao prazo previsto no art. 107, do código de futebol, quanto ao segundo jogo. O certificado de alistamento militar é temporário e válido dos 17 aos 20 de idade. Laércio era refratário, como atesta o documento que entrou na FMF, e a entidade não poderia lhe dar condições de jogo. Em 31 de setembro de 1957, a FMF reconheceu a situação irregular de Laércio, mas absolveu o Atlético.

Quarto jogo
O quarto jogo foi marcado para 26 de outubro de 1958 (Diario da Tarde, 10/10/1958), mas novos recursos do atletico impediram sua realização. Por causa de uma entrevista de um dirigente do atlético, que acusou os dirigentes cruzeirenses de cafajestes, o time estrelado rompeu relações esportivas com o atlético (Diário da Tarde, 28/10/1958)

Divisão do título
A CBD ameaçou punir os estados com campeonatos sub-judice excluindo-os do Campeonato Brasileiro, que começaria em 1959. Para resolver o impasse, o Conselho Nacional do Desporto-CND sugeriu que os clubes dividissem o título de 1956. Num encontro ocasional de dirigentes cruzeirenses e atleticanos, num posto de gasolina, ficou acertada a divisão do título de 1956 (Diario da Tarde, 22/03/1959). A FMF proclamou ambos campeões de 1956, em 24 de março de 1959 (Diario da Tarde, 25/03/1959).
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