quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Campeonato Mineiro 1963

Dilsinho, Fábio, Vavá, Elmo, Massinha e Emerson; Luiz Carlos, Tostão, Wilson Almeida, Dirceu Lopes e Hilton Oliveira. Formação que atuou no clássico contra o atletico, no Independência, pelo returno.

Carlos Henrique

CAMPEONATO MINEIRO 1963

Campanha do Cruzeiro
Turno
06/07 - Cruzeiro 1 x 0 Siderúrgica (Barro Preto)
14/07 - Cruzeiro 2 x 1 Villa Nova (Independência)
21/07 - Cruzeiro 3 x 1 Guarani (Independência)
28/07 - Cruzeiro 5 x 1 Pedro Leopoldo (Independência)
04/08 - Cruzeiro 1 x 1 Democrata (Independência)
11/08 - Cruzeiro 0 x 2 Uberlândia (Independência)
17/08 - Cruzeiro 2 x 0 Renascença (Independência)
24/08 - Cruzeiro 2 x 1 Valério (Independência)
31/08 - Cruzeiro 0 x 0 América (Independência)
07/09 - Cruzeiro 1 x 0 Uberaba (Alameda)
15/09 - Cruzeiro 0 x 1 Atlético (Independência)
Returno
21/09 - Cruzeiro 2 x 0 Democrata (Independência)
28/09 - Cruzeiro 3 x 1 Renascença (Independência)
05/10 - Cruzeiro 0 x 1 Guarani (Alameda)
12/10 - Cruzeiro 1 x 2 Pedro Leopoldo (Independência)
28/10 - Cruzeiro 2 x 0 América (Barro Preto)
31/10 - Cruzeiro 3 x 1 Uberaba (Barro Preto)
10/11 - Cruzeiro 1 x 3 Valério (Israel Pinheiro)
17/11 - Cruzeiro 2 x 4 Siderúrgica (Praia do Ó, Sabará)
21/11 - Cruzeiro 0 x 0 Uberlândia (Barro Preto)
01/12 - Cruzeiro 1 x 1 Atlético (Independência)
05/12 - Cruzeiro 3 x 2 Villa Nova (Barro Preto)
*os mandos de campo contra o Villa Nova, Pedro Leopoldo, Uberlândia, Uberaba, no turno e contra o Democrata, de Sete Lagoas e o Guarani, no returno, foram invertidos para a capital, devido a tabela dirigida.

Classificação: 1º Cam (Campeão); 2º Democrata; 3º Cruzeiro; 4º Siderúrgica; 5º America; 6º Guarani; 7º Villa Nova; 8º Uberaba; 9º Uberlândia; 10º Pedro Leopoldo; 11º Renascença; Rebaixado: 12º Valerio
*atletico indicado para o Campeonato Brasileiro de 1964 como campeão mineiro de 1963
Artilheiro Máximo: Fazendeiro (Uberlândia) e Viladonega (atletico) com 12 gols cada
Campeão da 1ª Divisão (interior): Nacional, de Uberaba
Campeão da Divisão Especial (Juiz de Fora): Tupi

Fórmula de disputa
Turno e Returno. Classificação definida no sistema de pontos corridos. O último colocado foi rebaixado para a divisão do interior (Primeira Divisão).

Critérios de participação:
Clubes da Divisão Extra de Profissionais inscritos no Campeonato. O Uberlândia participou como campeão da divisão do interior (1ª divisão) de 1962.

Sistema 4-2-4:
Fabio, Massinha, Vavá, Dilsinho e Juca; Elmo e Laerte; Luiz Carlos (Wilson Almeida), Tostão, Paulo e Hilton Oliveira (Dalmar). Técnicos: Marinho (6), Martim Francisco (12), Niginho (4)

Quem jogou
Dilsinho, Massinha e Vavá 22
Elmo 20
Luiz Carlos 19
Fabio 18
Tostão 17
Paulo 16
Juca 15
Hilton Oliveira 11
Wilson Almeida 10
Dalmar 9
Laerte 8
Emerson 7
Bertolo e Norival 6
Rossi 5
Dirceu Lopes, Dirceu, Hilton, Mario Jorge e Tonho 3
Aloísio 2
Mussula 1

Quem marcou gols
Elmo 7
Luiz Carlos e Tostão 6
Dalmar, Norival, Paulo e Wilson Almeida 3
Aloísio, Dirceu Lopes e Hilton Oliveira 1
Gol contra: Zé Geraldo (Valério) 1

Extinção da categoria de não amador
Em 27 de novembro de 1962, o Conselho Nacional do Desporto-CND anunciou a extinção da categoria de "não amador" e obrigou os clubes a profissionalizarem seus jogadores inscritos a partir de 1o de janeiro de 1963. Devido as baixas arrecadações de bilheterias proporcionadas nos acanhados estádios mineiros, os clubes não tinham condições de arcarem com bons salários e ofereciam empregos em repartições públicas aos atletas. Assim, estes atletas firmavam compromisso com os clubes assinando "contratos de gaveta", como "não amadores", para burlarem a lei do amadorismo. O presidente da Federação Mineira passou a temer o futuro dos times das divisões do interior (1ª divisão) e de Juiz de Fora (Especial), porque em cada um deles haviam 8 titulares "não-amadores". A FMF decidiu reformar, novamente, os estatutos para atualizá-lo e corrigir algumas falhas. Com a decisão do CND, a exigência legal passou a ser de 7 profissionais nas equipes titulares.

O fim do "futebol de fábrica"
Com a decisão do CND de acabar com a categoria de "não amador", o futebol de fábrica foi o mais atingido. Em 5 de janeiro de 1963, o presidente do Siderúrgica, Manuel Edson, anunciou que os jogadores seriam contratados exclusivamente para a prática do futebol. O Clube deixaria "de ser um encosto para atletas que procuravam emprego" nas palavras do próprio Édson. Os funcionários da Belgo Mineira também não aceitavam mais que jogadores fossem contratados como funcionários e não trabalharem. Outros não aceitavam mais a condição de "torcedores compulsórios" e sofrerem descontos nos salários em favor do clube de futebol. O Valerio, que era o time da Cia Vale do Rio Doce, acabou rebaixado. O Renascença, que era o time da fábrica de tecidos de mesmo nome, somou prejuízos de Cr$ 6 milhões no Campeonato de 1963, mas prometeu permanecer na Divisão Extra.

Sistema de "tabela dirigida"
Na reunião do divisional, em 3 de maio, foram discutidas as mudanças de alguns pontos dos estatutos que vigoravam desde 1942. Em 28 de maio, o Conselho Superior da Federação aprovou as reformas sugeridas, principalmente, a dos artigos 39, 40, 41, que instituíam o sistema da "tabela dirigida" no Campeonato da Divisão Extra.

O sistema da “tabela dirigida” consistia na escolha dos dois jogos principais de cada rodada. Para escolher os jogos 1 e 2 contava-se os pontos do líder e do vice líder. No caso de haver mais de um líder, contaria os pontos dos adversários destes. Persistindo o empate os jogos 1 e 2 eram apontados em sorteio.

Nas duas primeiras rodadas do Campeonato de 1963, a pontuação final do campeonato de 1962 foi considerada. (Estado de Minas, 31/05/1963). Cruzeiro e Atlético terminaram o campeonato de 1962 com a mesma pontuação, ou seja, 31 pontos (não se contou os pontos dos jogos da decisão). O adversário do atletico, na 1ª rodada, foi o Democrata, que somou 20 pontos no campeonato de 62, enquanto o adversário do Cruzeiro, o Siderúrgica, somou 18. Assim o jogo 1 foi o do atletico e o jogo 2 foi o do Cruzeiro na 1ª rodada do Campeonato de 1963.

O artigo 39 (parágrafo 1) indicava que os jogos 1 e 2 em que tomar parte um clube da capital serão disputados na capital e no parágrafo 9, do mesmo artigo, quando duas equipes do interior jogarem entre si e tiverem classificados como 1 e 2, os jogos obedecerão o mando de campo fixado na tabela. (Estado de Minas, 06/06/1963)

Foi sugerido ao divisional que os clubes do interior que vierem jogar na capital tivessem as despesas pagas, além de uma cota fixa (Estado de Minas 29/05/1963).

Pedro Leopoldo, Guarani, Uberaba e Uberlândia foram contrários a tabela dirigida.

Decisão do Campeonato
Caso duas equipes terminassem o campeonato na liderança, o título seria decidido numa série de três jogos. Persistindo o empate, após o termino do terceiro jogo, seriam programados quantos jogos necessários para se apontar o campeão. O terceiro jogo seria em campo neutro. Se a decisão fosse entre uma equipe da capital e outra do interior, os jogos seriam disputados na capital (Estado de Minas, 31/05/1963).

Mudanças nas substituições
Em 3 de julho, o Conselho Superior da FMF permitiu a "regra três": além do goleiro, um jogador substituto deveria ser inscrito, em súmula, antes do início do jogo, para entrar no decorrer da partida.

Taça Minas Gerais
Por iniciativa de Canor Simões Coelho, o CND instituiu a Taça Minas Gerais (avaliada em Cr$ 50 mil) ao campeão mineiro de 1963. O troféu não seria transitório e seria oferecido pelo CND todos os anos (Estado de Minas, 03/07/1963). Curiosamente, este mesmo troféu, com este mesmo nome, estava previsto para ser entregue num triangular entre os campeões das divisões extra, especial e do interior pela disputa do título de "campeão mineiro", que nunca aconteceu.
Postar um comentário