quinta-feira, 3 de março de 2016

Campeonato Mineiro 1974

O time que venceu o atletico por 2 a 1, na última rodada, no Mineirão. A vitória no clássico que confirmou o título estadual de 1974. Em pé: Nelinho, Moraes, Raul, Darci, Zé Carlos e Vanderlei; Roberto Batata, Palhinha, Eduardo, Dirceu Lopes e Joãozinho.

Carlos Henrique

CAMPEONATO MINEIRO 1974

Campanha do Cruzeiro
1ª Fase
18/08 - Cruzeiro 1 x 0 Valério (Israel Pinheiro, Itabira)
21/08 - Cruzeiro 0 x 0 Villa Nova (Mineirão)
25/08 - Cruzeiro 3 x 0 Uberaba (Uberabão)
01/09 - Cruzeiro 4 x 1 ESAB (Mineirão)
14/09 - Cruzeiro 5 x 0 Atlético Três Corações (Mineirão)
22/09 - Cruzeiro 1 x 0 Uberlândia (Juca Ribeiro)
Classificação (Grupo B): 1º Cruzeiro; 2º Villa Nova; 3º Uberaba; 4º Valerio. Eliminados: 5º Esab; 6º Uberlândia; 7º Atletico TC
Fase Semifinal
25/09 - Cruzeiro 4 x 0 Valério (Mineirão)
29/09 - Cruzeiro 1 x 0 Atlético (Mineirão)
02/10 - Cruzeiro 4 x 0 Nacional, de Muriaé (Mineirão)
06/10 - Cruzeiro 2 x 0 América (Mineirão)
10/10 - Cruzeiro 3 x 0 Uberaba (Uberabão)
13/10 - Cruzeiro 0 x 1 Caldense (Cristiano Osório)
16/10 - Cruzeiro 2 x 2 Villa Nova (Mineirão)
Classificação (Grupo B): 1º Cruzeiro; 2º Villa Nova; 3º Valerio; 4º Uberaba
Fase Final
20/10 - Cruzeiro 3 x 0 Valério (Israel Pinheiro, Itabira)
23/10 - Cruzeiro 3 x 0 Nacional (Mineirão)
27/10 - Cruzeiro 1 x 0 Caldense (Cristiano Osório)
30/10 - Cruzeiro 1 x 1 Villa Nova (Mineirão)
03/11 - Cruzeiro 3 x 0 América (Mineirão)
06/11 - Cruzeiro 1 x 1 Uberaba (Uberabão)
10/11 - Cruzeiro 0 x 0 Atlético (Mineirão)
17/11 - Cruzeiro 4 x 1 Nacional (Soares de Azevedo, Muriaé)
20/11 - Cruzeiro 3 x 0 Villa Nova (Mineirão)
24/11 - Cruzeiro 6 x 0 Caldense (Mineirão)
01/12 - Cruzeiro 3 x 0 América (Mineirão)
04/12 - Cruzeiro 5 x 1 Uberaba (Mineirão)
07/12 - Cruzeiro 4 x 0 Valério (Mineirão)
15/12 - Cruzeiro 2 x 1 Atlético (Mineirão)
Classificação (Fase Final): 1º Cruzeiro; 2º atletico; 3º Caldense; 4º Uberaba; 5º America; 6º Valerio; 7º Villa Nova; 8º Nacional

Classificação Geral: 1º Cruzeiro (campeão); 2º Atletico; 3º Caldense; 4º Uberaba; 5º America; 6º Valerio; 7º Villa Nova; 8º Nacional, de Muriaé; 9º Esab; 10º União Tijucana; 11º Uberlandia; 12º Sete; 13º Atletico TC; 14º Nacional, de Uberaba
*Cruzeiro e atletico classificados para o Campeonato Brasileiro de 1975, como campeão e vicecampeão mineiro de 1974.
Artilheiro Máximo: Dario (Cam) com 23 gols

Fórmula de disputa
Campeonato dividido em três fases. Na primeira fase, as 14 equipes foram divididas em dois grupos de 7 cada e se enfrentaram em turno único, dentro de seus grupos. Os quatro primeiros colocados de cada grupo se classificaram para a 2ª fase.
Na Fase semifinal os 8 times foram divididos em duas chaves com quatro equipes cada. Todos os clubes da 2ª fase se enfrentaram em turno único. Os dois primeiros colocados de cada chave, mais outras duas equipes com a maior soma de rendas se classificaram para a fase final. Devido a ameaças de recursos na justiça desportiva, após denúncias de que os clubes classificados pelo critério das rendas haviam manipulado os borderôs de seus jogos, a FMF decidiu classificar todos os times da 2ª fase para a fase final. 
Na fase final os 8 times se enfrentaram em turno e returno. O campeão mineiro foi o que obteve o maior número de pontos nesta fase.

Critérios de participação:
America, Atletico e Cruzeiro por estarem disputando o Campeonato Brasileiro de 1974, mais os 7 classificados pelo Torneio Eliminatório e outros 4 convidados.

Sistema 4-2-4
Raul, Nelinho, Darci, Moraes e Vanderlei; Piazza (Toninho) e Zé Carlos; Roberto Batata, Palhinha, Dirceu Lopes e Eduardo (Joãozinho). Técnico: Ilton Chaves

Quem jogou
Eduardo e Moraes 25
Roberto Batata e Zé Carlos 24
Nelinho e Raul 23
Dirceu Lopes 22
Vanderlei 21
Darci e Palhinha 20
Joãozinho 15
Piazza e Toninho 13
Cândido 12
Ananias e Mizael 10
Ander 9
Lima 8
Eli Mendes, Lauro e Moacir 6
Baiano e Vítor 4
Silva 2
Paulo Roberto e Perfumo 1

Quem marcou gols
Roberto Batata 20
Palhinha 13
Dirceu Lopes e Joãozinho 8
Nelinho 6
Zé Carlos 4
Eduardo 2
Aender, Darci, Mizael, Moraes, Toninho, Vanderlei 1
Gol contra: Lúcio Mangabeira (America) e Luiz Carlos (Nacional de Muriaé) 1

Valendo vagas para o Campeonato Brasileiro
A partir deste, o campeão e o vicecampeão mineiro garantiriam as duas vagas destinadas ao estado de Minas Gerais para a disputa do Campeonato Brasileiro do ano seguinte. O critério de indicação das federações estaduais para a disputa do Campeonato Brasileiro existia desde 1967. A partir deste ano, duas vagas seriam garantidas pelo critério técnico.

A ditadura do Coronel
Desde o ano anterior, a ditadura militar que governava o país, havia instaurado seu modelo no futebol. Os presidentes das federações estaduais passaram a comandar as entidades sem a opinião e o voto dos clubes. Em 1974, o presidente da FMF, Coronel José Guilherme, decidiu valer a sua prerrogativa e promoveu várias modificações no regulamento do Campeonato Mineiro. A princípio, o Estadual teria o número reduzido de 12 para 10 participantes. Os clubes da Divisão Extra garantiriam sua participação no Campeonato num Torneio Eliminatório. Por estarem disputando o Campeonato Brasileiro de 1974, America, Atletico e Cruzeiro ficaram desobrigados de disputar o Eliminatório e foram classificados automaticamente para o Estadual. As 7 vagas restantes seriam definidas no Eliminatório.

Eliminatório valeu duas copas
O Torneio Eliminatório foi dividido em duas chaves regionais: Copa Centro e Copa Sul Triângulo. Foi disputado entre junho e julho. Na Copa Centro se classificaram três equipes pela ordem: Villa Nova, Nacional de Muriaé e Esab. Pela Copa Sul-Triângulo se classificaram quatro equipes pela ordem: Caldense, União Tijucana, Uberaba e Atletico TC. 

Eliminatório sem efeito
Em julho, o Coronel Guilherme desistiu de reduzir o número de participantes do Campeonato de 12 para 10 e anunciou que aumentaria para 14 o número de clubes. Desta forma, Nacional de Uberaba, Uberlândia, Patrocínio e Valério, que não haviam se classificado pelo Eliminatório, foram convidados a disputar o Estadual. O Eliminatório tornou-se sem efeito. O Sete de Setembro, que não havia participado do Eliminatório, foi convidado para a vaga do Patrocínio, que desistiu de disputar o Estadual.

Cotas para abafar protestos
Para amenizar os protestos dos “grandes clubes” contra o inchaço do Estadual e para não tornar a disputa deficitária para eles, o Coronel Guilherme estabeleceu que os times do interior devessem pagar cotas fixas de Cr$ 15 mil para Atlético e Cruzeiro e de Cr$ 8 mil para o America, quando os três fossem jogar no interior.

Uma 2ª fase sem feito no Campeonato
Em 17 de outubro, Villa Nova e Nacional de Uberaba contestaram as classificações de Valerio e Uberaba para a fase final, pelo critério das rendas, acusando-os de maquiarem os borderôs. Os clubes ameaçaram entrar na justiça e paralisar o Campeonato. Devido ao impasse, o coronel Guilherme decidiu classificar todos os clubes que disputaram a fase semifinal para a fase final.

Critérios de desempate
A novidade foi a adoção dos critérios de desempate na tabela de classificação do Estadual. Na primeira fase, no caso de empate em número de pontos ganhos, os critérios de desempate seriam na sequência: maior saldo de gols, gols marcados, renda e sorteio; Na fase semifinal: maior saldo de gols na fase semifinal, maior saldo de gols nas duas fases, gols marcados na fase semifinal, gols marcados nas duas fases e sorteio; Na fase Final: maior saldo de gols na fase final, maior saldo de gols nas três fases, gols marcados na fase final, gols marcados nas três fases e sorteio.

Campeão no octogonal
Foi o primeiro Estadual do Cruzeiro conquistado num octogonal. O título foi confirmado na última rodada contra o atletico, no Mineirão. O Cruzeiro venceu por 2 a 1 com uma grande atuação do ponta esquerda Joãozinho, que marcou um gol e criou a jogada do gol de Vanderlei. Os rivais somavam 23 pontos e uma vitória para qualquer lado significava o título. Durante a semana, a FMF escalou os árbitros vetados pela diretoria cruzeirense, Silvio Gonçalves Davi e Joaquim Gonçalves. Este último tinha o apelido de Joaquim Cocó e era acusado de beneficiar o alvinegro. A cautela cruzeirense fazia sentido. No primeiro tempo, o time estrelado teve dois gols anulados, após o auxiliar Joaquim Gonçalves indicar irregularidades nos lances. Para a imprensa esportiva não houve irregularidades nos lances dos gols.
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