terça-feira, 26 de julho de 2016

Os números e os nomes dos jogadores nos uniformes

Carlos Henrique

No futebol brasileiro, os números nos uniformes foram implantados em alguns estados em 1947. Eram utilizados às costas das camisas. A novidade levou três anos para chegar ao futebol mineiro, quando a Federação Mineira determinou a sua obrigatoriedade a partir do Campeonato da Cidade de 1950. Isto, porque a partir daquele ano, a numeração passou a fazer parte das regras da FIFA.

Assim, o primeiro uniforme do Cruzeiro com a numeração nas costas foi utilizado na rodada de estreia do Campeonato da Cidade de 1950, na vitória (2 a 1) sobre o Metalusina, de Barão de Cocais, no Barro Preto, em 28 de maio. Cada número correspondia a posição de cada jogador. Por exemplo: 1-goleiro, 2-lateral direito, 3-zagueiro central, 4-quarto zagueiro, 5-volante, 6-lateral esquerdo, 7- ponta direita, 8-meia direita,  9-centro-avante, 10 meia esquerda e o 11-ponta esquerda.

No jogo contra o Metalusina, o treinador Souza, escalou o time titular cruzeirense assim: 1-Geraldo II, 2-Duque, 3-Bené, 4-Adelino, 5-Vicente, 6-Ceci, 7-Nonô II, 8-Paulo Florencio, 9-Bororó, 10-Guerino e 11-Sabu.

Os números nos calções foram exigidos pela FIFA a partir do Mundial de 1974, na Alemanha. O Cruzeiro só foi utilizar essa identificação na Libertadores de 1994, na estreia contra o Palmeiras, no Palestra, em 2 de março. Os números não correspondiam mais a posição dos jogadores. O treinador Ênio Andrade escalou assim os titulares contra o Palmeiras: 1-Dida, 2-Paulo Roberto, 3-Célio Lúcio, 4-Luisinho, 6-Nonato, 14-Ademir, 5-Douglas, 10-Cleison, 15-Macalé, 9-Ronaldo e 11-Roberto Gaúcho.

Os números na parte direita da frente da camisa e os nomes dos jogadores às costas da camisa foram adotados a partir do Mundial de 1994, nos Estados Unidos. A primeira vez que o Cruzeiro utilizou o uniforme com esta identificação foi na decisão da Taça Europeia-Sulamericana contra o Borussia Dortmund, em Tóquio, no Japão, em 2 de dezembro de 1997. O técnico Nelsinho escalou o time assim: 1-Dida, 2-Vítor, 13-João Carlos, 4-Gonçalves, 6-Elivelton, 5-Fabinho, 8-Ricardinho, 9-Cleison, 10-Roberto Palácios (18-Marcelo Ramos), 7-Bebeto, 11-Donizete

A importante numeração do uniforme no futebol

Cassio Zirpoli (Diario de Pernambuco)

Demorou setenta anos a partir da criação do futebol até que alguém tivesse a ideia de numerar os uniformes. Colaborou para isso a polêmica nos jogos com atletas semelhantes, súmulas confusas, etc. Em 1933, a federação inglesa, bem à frente no profissionalismo do esporte, inovou logo na decisão da Copa da Inglaterra.

No dia 29 de abril, no estádio Wembley, o Everton venceu o Manchester City por 3 a 0. Curiosamente, os jogadores do Everton atuaram com as camisas do 1 ao 11, enquanto o City jogou do 12 a 22.

Na temporada seguinte, a entidade britânica liberou a utilização dos mesmos números para os dois times em campo. Viu que não confundia no acompanhamento dos jogos.

A Fifa demorou a aceitar a novidade (Muitos jogadores eram contra a idéia de usar número nas costas - diziam que ficariam parecidos com presidiários). O primeiro Mundial com identificação numérica foi em 1950, no Brasil. Por sinal, os clubes do país já vinham utilizando o novo recurso visual desde 1947.

Até então não havia qualquer preferência por número. Até um tal de Pelé, aos 17 anos, eternizar a camisa 10 em 1958, transformando o número em sinônimo de craque.

À parte disso, a Fifa passou a exigir em 1994 até os nomes dos atletas no Mundial, além da numeração fixa. Contudo, isso ainda não é regra para os clubes.

Para o Mundial de 1994, nos Estados Unidos, a Fifa obrigou as equipes a colocar o número também na frente das camisas, além do nome nas costas - o que facilita muito a vida de locutores esportivos e fotógrafos ao tentar identificar os jogadores em campo.
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