sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Carlos Alberto Silva e suas passagens polêmicas pelo Cruzeiro


As passagens de Carlos Alberto Silva pelo Cruzeiro foram marcadas pelas polêmicas. Na foto (Estado de Minas) o jogador é recepcionado pelo atacante Reinaldo, recém contratado pelo Cruzeiro, na Toca da Raposa, em agosto de 1986.

Carlos Henrique

O ex-treinador do Cruzeiro, Carlos Alberto Silva, faleceu esta manhã, em sua residência em Belo Horizonte, aos 77 anos. A causa da morte ainda não foi divulgada. O treinador se recuperava de uma cirurgia, após sofrer um aneurisma no abdomen, em dezembro passado. Teve três passagens polêmicas como treinador do Cruzeiro, sendo a primeira entre 1986 e 1989 e as demais em 1993 e 1995. No comando estrelado sagrou-se campeão estadual de 1987 e da Copa Master da Supercopa de 1995.Estava afastado das funções de treinador, desde 2005.

Carlos Alberto começou sua carreira de treinador em 1967, no Nacional, do bairro Sion, em Belo Horizonte, que disputava os campeonatos mineiros de aspirantes com os grandes clubes. Foi contratado como auxiliar técnico de Fleitas Solich, no Atlético, em 1967. Seu primeiro clube profissional como treinador foi o Palm River Astro, de Massachusetts, nos Estados Unidos, em 1968. Com a conquista do título de campeão brasileiro de 1978, pelo Guarani de Campinas, passou a ser cobiçado por vários clubes brasileiros e do exterior.

Acertou contrato, pela primeira vez com o Cruzeiro, em 22 de agosto de 1986, quando ainda cumpria uma suspensão de 50 dias. Seu último clube havia sido o Goiás. Sua chegada foi polêmica, pois o treinador Jair Bala ainda era treinador do Cruzeiro e dirigia o time em amistosos na Espanha. Jair, que não havia sido avisado da contratação de Carlos Alberto e de sua provável demissão, quis retornar ao Brasil, mas foi convencido pelos jogadores a cumprir os jogos da excursão. Enquanto o time atuava na Espanha, Carlos Alberto Silva comandava treinos na Toca da Raposa com os jogadores que ficaram e os novos contratados, dentre eles, o atacante Reinaldo, ex-ídolo do Galo.

Sob o comando de Carlos Alberto, o time cruzeirense chegou às quartas de final do Campeonato Brasileiro de 1986, quando foi eliminado pelo rival Atlético. O Cruzeiro não realizava uma boa campanha na competição desde 1979. Momentos antes da estreia do time estrelado no Campeonato Mineiro de 1988, recebeu o anúncio de sua convocação para a Seleção Brasileira. Levou consigo toda a comissão técnica cruzeirense – os médicos Sérgio Freire, Carlos Piñon e Ronaldo Nazaré, o preparador físico Odilon Guimarães, o fisiologista Emerson Garcia e o massagista Teotônio. Não rescindiu o contrato com o clube cruzeirense e foi substituído, durante o período que esteve na CBF, pelos treinadores Raul, João Avelino, Paulinho de Almeida, Ruy Guimarães, Jair Pereira e Formiga. A partir de 1988 dirigiu o Cruzeiro e a Seleção, simultaneamente. Após o empate em 1 a 1 contra o Botafogo, em Niterói, nas últimas rodadas do Campeonato Brasileiro, invadiu o campo para protestar contra o gol irregular do time carioca e foi expulso pelo árbitro pernambucano, José Araújo Oliveira. Foi suspenso e o fato resultou em sua saída do comando da Seleção. Deixou o Cruzeiro em 6 de abril de 1989 e foi para o São Paulo.

Retornou ao clube em 1993 e comandou a equipe na excursão a Portugal em que o atacante Ronaldo, com 17 anos, foi o destaque da equipe. Após o Campeonato Brasileiro, a diretoria não renovou seu contrato e Carlos acertou sua saída em 22 de dezembro.

Sua última passagem pelo clube estrelado também foi polêmica. Assinou contrato em 27 de fevereiro de 1995. Veio substituir o treinador Antônio Lopes, que teve uma curta e desastrosa passagem no comando do time estrelado. Carlos assinou contrato até 30 de junho, mas após 7 partidas sem vencer, não retornou com a delegação, após o empate em 2 a 2 contra a Caldense. Aceitou uma proposta milionária de dirigentes do Palmeiras que foram encontrá-lo no hotel, em Poços de Caldas, e de lá embarcou direto para São Paulo deixando a diretoria cruzeirense revoltada.

Ao todo comandou o time cruzeirense em 135 jogos, 70 vitórias, 37 empates e 28 derrotas. Conquistou o título estadual de 1987, mas comandou o time apenas na rodada de estreia, pois após a vitória por 4 a 0 sobre o Tupi, no Mineirão, assumiu o comando da Seleção Brasileira. Sua outra conquista foi a Copa Master da Supercopa de 1995, que foi disputada em dois jogos contra o Olimpia, do Paraguai.
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