sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Campeonato Mineiro 1996

O time cruzeirense posa para foto antes do clássico contra o América, pela última rodada do turno final, no Mineirão. Nem eles mesmos acreditavam que estavam posando para o pôster do título. Em pé: Nonato, Donizete, Célio Lúcio, Vítor, William Andem e Gilmar; Agachados: Cleison, Ricardinho, Marcelo Ramos, Palhinha e Ailton.

Carlos Henrique

Primeira Fase (Primeiro turno)
04/02 - Cruzeiro 1 x 0 Villa Nova (Bonfim, Nova Lima)
08/02 - Cruzeiro 3 x 1 Mamoré (Horto)
11/02 - Cruzeiro 2 x 0 URT (Horto)
14/02 - Cruzeiro 1 x 1 Caldense (Horto)
17/02 - Cruzeiro 2 x 1 Democrata (Mamudão, Gov. Valadares)
24/02 - Cruzeiro 2 x 0 Uberlândia (Parque do Sabiá, Uberlândia)
03/03 - Cruzeiro 0 x 3 América (Lamegão, Ipatinga)
07/03 - Cruzeiro 1 x 0 Valério (Horto)
17/03 - Cruzeiro 5 x 0 Associação (João Alves, S. Sebastião do Paraíso)
23/03 - Cruzeiro 1 x 0 Guarani (Horto)
31/03 - Cruzeiro 2 x 0 Rio Branco (Parque do Azulão, Andradas)
07/04 - Cruzeiro 1 x 2 Atlético (Lamegão, Ipatinga)
Classificação: 1o Atlético; 2o Cruzeiro; 3o América; 4o Caldense; 5o Uberlândia; 6o Villa Nova; 7o Democrata-GV; 8o Mamoré; 9o Rio Branco; 10o Valério; 11o Associação Paraisense; 12o Guarani; 13o URT

Primeira Fase (Segundo turno)
10/04 - Cruzeiro 2 x 1 Villa Nova (José Flávio Carvalho, Itaúna)
14/04 - Cruzeiro 4 x 1 URT (Mangueirão, Patos de Minas)
21/04 - Cruzeiro 4 x 1 Caldense (Ronaldão, Poços de Caldas)
28/04 - Cruzeiro 2 x 2 América (Horto)
01/05 - Cruzeiro 5 x 0 Mamoré (Waldomiro Pereira, Patos de Minas)
04/05 - Cruzeiro 4 x 0 Paraisense (Horto)
07/05 - Cruzeiro 1 x 0 Uberlândia (Horto)
12/05 - Cruzeiro 3 x 0 Guarani (Farião, Divinópolis)
15/05 - Cruzeiro 0 x 2 Valério (Israel Pinheiro, Itabira)
18/05 - Cruzeiro 3 x 0 Rio Branco (Horto)
21/05 - Cruzeiro 2 x 0 Democrata-GV (Horto)
26/05 - Cruzeiro 0 x 0 Atlético (Mineirão)
Classificação: 1o Cruzeiro; 2o Villa Nova; 3o Uberlândia; 4o Atlético; 5o Guarani; 6o Democrata-GV; 7o Valério; 8o Mamoré; 9o América; 10o Caldense; 11o Rio Branco; 12o Associação Paraisense; 13o URT

Classificação da Primeira Fase: 1o Cruzeiro; 2o Atlético; 3o Uberlândia; 4o Villa Nova; 5o Caldense; 6o América; 7o Democrata-GV; 8o Mamoré; 9o Rio Branco; 10o Guarani; 11o Valério; 12o Associação Paraisense; 13o URT

Turno Final
02/06 - Cruzeiro 2 x 0 Caldense (Horto)
08/06 - Cruzeiro 3 x 0 Uberlândia (Horto)
23/06 - Cruzeiro 0 x 0 Villa Nova (Bonfim, Nova Lima)
25/06 - Cruzeiro 1 x 2 América (Mineirão)
30/06 - Cruzeiro 0 x 1 Atlético (Mineirão)
06/07 - Cruzeiro 5 x 0 Villa Nova (Mineirão)
11/07 - Cruzeiro 2 x 1 Caldense (Ronaldão, Poços de Caldas)
14/07 - Cruzeiro 2 x 0 Atlético (Mineirão)
17/07 - Cruzeiro 2 x 0 Uberlândia (Parque do Sabiá)
21/07 - Cruzeiro 1 x 0 América (Mineirão)
Classificação Final: 1o Cruzeiro (Campeão); 2o Atlético; 3o Villa Nova*; 4o Caldense; 5o América; 6o Uberlândia; 7o Democrata-GV; 8o Mamoré; 9o Rio Branco; 10o Guarani; 11o Valério; 12o Associação Paraisense**; 13o URT**
*campeão do interior
**rebaixados
Artilheiro Máximo: Marcelo Ramos (Cruzeiro) com 23 gols

Critérios de participação
Disputado pelos 10 primeiros colocados do Campeonato de 1995, mais o Villa Nova e a Associação, campeão e vice da 2ª divisão de 1995, respectivamente. Como o Democrata havia anunciado a sua desistência em disputar o Campeonato por problemas financeiros, a Federação Mineira promoveu o Guarani, terceiro colocado da 2ª divisão de 1995, para ocupar a vaga. No entanto, posteriormente, o Democrata revogou sua decisão, e ainda assim, a FMF manteve o Guarani no Campeonato, que foi disputado por 13 equipes.

Sistema de disputa
Dividido em duas fases: a primeira disputada pelas 13 equipes e a segunda, denominada, fase final, pelos 6 melhores da primeira fase. A primeira fase foi dividida em dois turnos distintos. Os vencedores de cada turno, mais os quatro melhores na classificação geral da primeira fase avançaram para a fase final. Os dois últimos colocados na classificação geral foram rebaixados. A fase final iniciou com os pontos zerados, à exceção dos vencedores de cada turno da primeira fase que receberam um ponto extra cada. O regulamento ainda previa que, os dois turnos tivessem o mesmo vencedor, este receberia três pontos extras. A fase final foi disputada em turno e returno e a equipe que somou o maior número de pontos, nesta fase, sagrou-se o campeão mineiro. Critérios de desempate pela ordem: vitórias, saldo de gols, gols pró, gols contra, confronto direto, sorteio.

Sistema 4-4-2:
Dida, Vítor (Marcos Teixeira), Célio Lúcio (Gilmar), Gelson e Nonato; Fabinho, Donizete (Ueslei), Ricardinho (Cleison) e Palhinha (Luiz Fernando); Marcelo Ramos (Ailton) e Roberto Gaúcho (Edmundo). Treinador: Levir Culpi

Quem jogou
Jogos
Jogadores
29
Marcelo Ramos
28
Palhinha
27
Ricardinho
26
Célio Lúcio, Fabinho, Nonato
25
Roberto Gaúcho
23
Donizete, Vítor
22
Cleison, Marcos Teixeira, Ueslei
20
Ailton
19
Dida
18
Gelson
16
Edmundo, Gilmar
15
Luiz Fernando
8
Harlei
7
Jean, Serginho, William Andem
6
Dinei, Vanderci
5
Belletti
4
Luiz Fernando Gomes
2
Léo, Ronaldo Luiz
1
Euler, Lelei, Reginaldo

Quem marcou gols
Gols
Jogadores
23
Marcelo Ramos
10
Palhinha, Roberto Gaúcho
6
Cleison, Ueslei
4
Marcos Teixeira
2
Ailton, Edmundo
1
Dinei, Gelson, Gilmar, Ricardinho, Vítor
1
Renê (Caldense) e Vítor (Villa Nova)

Clássicos no interior
O Mineirão foi interditado para a troca do gramado, que era o mesmo desde a inauguração do estádio em 1965. Como a previsão da reforma era de cinco meses, todos os jogos da primeira fase foram transferidos para o Horto. Assim, os clássicos pelo Estadual foram, pela primeira vez, disputados no interior. O Lamegão, em Ipatinga, sediou o clássico contra o América, com 60% da renda para o vencedor e livre de despesas. O estádio havia sido arrendado por um ano pelo empresário Marcos Perrella, ex-proprietário do frigorífico Perrella. O Lamegão, também sediou o clássico contra o Galo, em que cada clube recebeu uma cota de R$ 55 mil livres das despesas. O jogo contra o Villa Nova foi transferido para Itaúna, livres de despesas, com 90% da renda para o Cruzeiro e 10% para o Villa Nova.

Campeonato com TV e sem público
A Rede Globo comprou os direitos de TV e transmitiu os jogos de Cruzeiro e Atletico para Belo Horizonte provocando a queda de público dos jogos. Nem as promoções nos preços dos ingressos conseguiram atrair os torcedores ao estádio. Foi o caso do clássico contra o Atlético, pela última rodada, da primeira fase, em que o Cruzeiro poupou os titulares para o jogo contra o Flamengo, pela semifinal da Copa do Brasil. Mesmo com a expectativa criada pelos atleticanos de que goleariam o expressinho do Cruzeiro, o público foi de 55.650 – muito abaixo do esperado, já que a capacidade do estádio era de 120 mil torcedores. E este número só foi possível graças a promoção de entrada gratuita para mulheres (13.840) e crianças até 12 anos (7.822).

Campeonato Rural
A competição somou um saldo negativo de R$ 2,5 milhões ao Cruzeiro. O prejuízo revoltou o presidente Zezé Perrella, que foi voto vencido na reunião do Conselho Arbitral ao defender o racionamento das datas e do período de disputa do Campeonato Mineiro. E foi numa entrevista coletiva à imprensa, em 2 de julho, que o dirigente chamou a competição de "Campeonato Rural" por servir apenas aos interesses dos clubes do interior. O termo pejorativo foi adotado pelos torcedores e ainda é utilizado nos dias atuais em referência ao Campeonato Mineiro.

Parceria com o Mamoré
O Cruzeiro firmou a segunda parceria com um clube do interior em sua história. O clube emprestou jogadores reservas, juniores, mais uma comissão técnica, ao Mamoré, de Patos de Minas, para a disputa do Campeonato Mineiro. A primeira parceria com um clube do interior havia sido feita com o Atlético Três Corações no Estadual de 1971.

Concorrência com a Copa do Brasil
O Cruzeiro disputou simultaneamente a Copa do Brasil e o Campeonato Mineiro e venceu ambas as competições. No entanto, a diretoria cruzeirense teve que se desdobrar para desafogar o calendário que ficou inchado com a fórmula esdrúxula do Estadual. Assim várias datas foram remanejadas. Para a estreia da Copa do Brasil, o Cruzeiro remanejou as datas contra a Caldense que foi antecipada de 22 para 14 de fevereiro; e contra o Uberlândia de 25 para 24 de fevereiro. Por causa dos confrontos pela Copa do Brasil contra o Juventus, do Acre, em 14 e 20 de março, o jogo contra o Mamoré foi antecipado de 10 de março para 8 de fevereiro; e contra a Associação foi alterado de 16 para 17 de março. O jogo contra o Juventus do Acre foi antecipado, também, de 14 para 13 de março. Para o confronto contra o Vasco, pelas oitavas de final, em 28 de março, a data do jogo contra o Guarani foi antecipada de 24 para 23 de março; e contra o Valerio de 27 para 7 de março. Por causa do confronto contra o Corinthians, pelas quartas de final, em 24 de abril, a data do jogo contra o Uberlândia foi transferida de 24 de abril para 7 de maio. Por causa dos confrontos contra o Palmeiras, pelas finais, em 13 e 19 de junho, a data do clássico contra o América foi transferida de 16 para 25 de junho. O primeiro jogo da final contra o Palmeiras foi transferido de 13 para 14 de junho, pela emissora SBT.

Maior reação da história
Restavam quatro rodadas para o término do Campeonato e o Atlético abriu uma vantagem de seis pontos sobre o Cruzeiro na tabela de classificação. Nem mesmo o empate sem gols contra o Villa Nova e a vitória do Cruzeiro contra a Caldense, que reduziu a vantagem para quatro pontos, reduziu o clima de "já ganhou" dos atleticanos para o clássico, no Mineirão, em 14 de julho. Cartazes pagos pela diretoria alvinegra foram distribuídos e afixados pelos lacaios da galoucura nos postes de iluminação em toda a capital convidando os torcedores para a festa do título. No entanto, o Cruzeiro superou o cansaço da maratona de jogos, entre o Estadual e a Copa do Brasil, e venceu o clássico por 2 a 0 reduzindo a vantagem alvinegra para um ponto. Na última rodada, o Atlético enfrentaria o combalido Uberlândia, no Parque do Sabiá. Às vésperas do jogo, um movimento grevista entre os jogadores do triângulo provocou uma reação intempestiva do presidente do clube, que afastou os revoltosos do plantel. Para o jogo contra o Galo foi lançado um time mesclado de juniores e dos jogadores que restaram. Devido a isso, na mesma rodada, o Cruzeiro enfrentou o América, no Mineirão, em clima de amistoso. O time estrelado abriu o placar num gol de cabeça do atacante Ailton no início do segundo tempo. Surpreendentemente, o Uberlândia segurou o empate sem gol contra o Atlético. O clássico no Mineirão terminou 5 minutos antes do jogo no triângulo. Os jogadores cruzeirenses permaneceram em campo aguardando o fim do jogo em Uberlândia e, após confirmado o resultado, comemoram o título com volta olímpica, no Mineirão. Foi a maior reação na reta final da história do Campeonato Mineiro.
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