sexta-feira, 31 de março de 2017

Em 1993, Cruzeiro vence o clássico e atleticano foge de Belo Horizonte

Cleison acabou com o clássico de 1993

Carlos Henrique

O clássico é a prova de fogo para qualquer jogador. É o confronto capaz de elevar a condição de um atleta a ídolo máximo da torcida em poucos minutos, como também abreviar a carreira daqueles que falham em sua missão. O clássico pelo Campeonato Mineiro, no Mineirão, em 18 de abril de 1993, não fugiu a regra. No entanto, dentro desta regra surgiu uma exceção: um zagueiro atleticano não suportou a culpa pela derrota, abandonou o clube e fugiu de Belo Horizonte. Não procurou aguardar a chance, como a maioria faz, pra dar a volta por cima. Ele nunca mais quis saber do clássico.

Por causa da fórmula esdrúxula do Campeonato Mineiro de 1992, o clássico Cruzeiro e Atlético não foi disputado naquele ano, porque o alvinegro não conseguiu se classificar para a final. Foi eliminado pelo América na semifinal. Assim, o clássico levou mais de um ano para voltar a ser disputado pelo Estadual. E por isso provocou uma imensa expectativa entre os torcedores. Os gananciosos dirigentes dos clubes aproveitaram a oportunidade pra arrancar o coro de cruzeirenses e atleticanos e majoraram os preços dos ingressos.

Durante a semana, o treinador Nelinho demonstrava preocupação com a inexperiência do plantel atleticano. Apenas Sérgio Araújo, Paulo Roberto e Ryuler haviam disputado o clássico e temia que isto prejudicasse o rendimento da equipe no início do jogo. E Nelinho tinha razão. Um deles era o jovem zagueiro Lica, que veio por empréstimo da Internacional de Limeira. Era considerado como uma das promessas do futebol brasileiro. No entanto, ele não suportou o endiabrado Cleison, que acabou com o clássico e fez o Lica desaparecer do jogo em 45 minutos. Aos 30 minutos, o defensor alvinegro cometeu pênalti em Cleison e levou o cartão amarelo. Paulo Roberto cobrou e fez Cruzeiro 1 a 0. No final do primeiro tempo, Lica foi driblado por Cleison e, como último jogador da defesa, atingiu o cruzeirense com um carrinho violento por trás. Cartão vermelho direto e fim de clássico pra Lica. Cleison ainda marcaria o gol da vitória estrelada por 2 a 1, no segundo tempo, e se consagraria no clássico.

No dia seguinte, a delegação atleticana partiu para uma viagem ao Japão, onde realizaria alguns amistosos. Na reapresentação deram falta do defensor Lica. O jovem zagueiro desapareceu da cidade. Dias depois, a diretoria foi informada que ele havia retornado à Limeira e que não pretendia voltar para Belo Horizonte. O presidente do Atlético, Afonso "Minhoca" Paulino, inconformado com a decisão do jogador, rescindiu o contrato de Lica e avisou que o jogador não vestiria mais a camisa do Atlético. No entanto, o jogador já havia tomado essa decisão, muito antes, mais precisamente, após a derrota para o Cruzeiro.

CRUZEIRO 2 x 1 ATLÉTICO
18/04/1993 (Dom-17h) - Campeonato Mineiro - Mineirão
Ingressos: 90.005 (Cr$ 5.798.665.000,)
Arbitragem: Marco A. Cunha (José Eugênio e Marco A. Gomes)
Gols: Paulo Roberto (pênalti) 30’; Reinaldo 68’; Cleison 83’
Cruzeiro: Paulo César, Paulo Roberto, Luizinho, Célio Lúcio e Nonato; Douglas (Rogério Lage), Boiadeiro e Luiz Fernando; Nivaldo (Arley Álvares), Cleison e Roberto Gaúcho. T: Pinheiro
Atlético: Assis, Luciano, Lica, Ryuler e Paulo Roberto; Toninho Pereira, Lê e Ailton (Reinaldo); Sérgio Araújo, Gilson e Bira (André). T: Nelinho
CA: R. Gaúcho, Douglas, Cleison, Boiadeiro, C. Lúcio (C); S. Araújo, Gilson (A)
CV: Cleison/83’, P. Roberto (C); Lica/44’ (A)
*Paulo Roberto perdeu pênalti no 2o tempo, quando o placar estava 1a0.

quinta-feira, 30 de março de 2017

Em 1974, Nelinho cumpriu o gol selvagem que Dario prometeu

Nelinho decidiu o clássico de 1974 com um gol de falta nos minutos finais

Carlos Henrique

O atacante Dario, do Atlético, prometeu marcar o “gol selvagem" no clássico, de 29 de setembro de 1974, pelo Campeonato Mineiro, contra o Cruzeiro. E ainda descreveu como seria: _um gol com um chute tão forte, que se o Raul pretender agarrar vai entrar com bola e tudo no gol". O jogador alvinegro também desafiou o zagueiro cruzeirense Morais: “Se não marcar vou atravessar o campo carregando o Moraes, caso contrário, ele vai ter que carregar o Dadá”. O que o atacante alvinegro não contava era que o lateral cruzeirense Nelinho decidiria o clássico com um gol exatamente descrito por ele.

Nelinho já iniciou a semana como um dos personagens do clássico, assim como o atacante alvinegro Romeu. Ambos estavam insatisfeitos com os ordenados que recebiam. O lateral estava há duas semanas sem jogar. Negou que estivesse fazendo “corpo mole” por não ter recebido o aumento salarial prometido pela diretoria ao retornar do Mundial. “Realmente, eles prometeram dobrar meu salário, mas até hoje nada. Mas não será por isso que irei deixar de treinar e jogar. Eu estava realmente machucado e já estou pronto pra voltar", explicou. O atacante Romeu também exigia um reajuste, por ter sido um dos 40 relacionados para a Copa. "No contrato que ele assinou não há nada disso. Não daremos aumento algum", esclareceu o presidente alvinegro, Nélson Campos, que estava muito irritado por ter dado falta do seu carro, pela manhã, que foi roubado pela segunda vez na semana.

Nelinho e Romeu estavam confirmados no clássico e queriam afastar os boatos de que estavam fazendo “corpo mole” por causa dos contratos. Alheio a grana, o atacante Dario participou de um treino especial na sexta-feira e explicou: _Estou aprendendo a dosar as energias e aprimorando o pique, porque o jogo não vai ser fácil e eu tenho que deixar minha marca selvagem no goleiro Raul. E o clássico não foi nada fácil, mesmo. O Cruzeiro teve Piazza expulso por reclamação ao árbitro e jogou o segundo tempo inferiorizado numericamente. No entanto, restando três minutos para o fim, o time estrelado teve uma falta a seu favor próximo a área atleticana. Nelinho cobrou, o goleiro Zolini foi no lance, mas não conseguiu segurar firme e acabou entrando com bola e tudo pra dentro do gol. O gol selvagem foi de Nelinho!

No final do jogo, Dario cumpriu o desafio e atravessou o campo carregando Morais nas costas. Na saída do Mineirão, ainda teve que enfrentar uma multidão de cruzeirenses que se aglomeraram à sua espera, para tirar um sarro. No dia seguinte, o atacante anunciou que não denominaria mais os seus gols. O treinador Telê Santana estava inconformado com o time que não soube aproveitar a superioridade numérica em campo e responsabilizou o atacante Romeu por ter se abaixado no lance do chute de Nelinho. Telê havia orientado que a barreira fosse formada por quatro jogadores nas cobranças de Nelinho, mas apenas Getúlio e Romeu se apresentaram. “Quem não sabe ganhar, tem mesmo que perder”, lamentou o treinador rival.

CRUZEIRO 1 x 0 ATLÉTICO
29/09/1974 (Dom-17h) - Campeonato Mineiro - Mineirão
Ingressos: 50.484 (Cr$ 330.237,)
Arbitragem: Maurílio J. Santiago (Jacinto Cândido e Aloísio Gonzaga)
Gol: Nelinho (falta) 87’
Cruzeiro: Raul, Nelinho, Moraes, Darci e Vanderlei; Piazza e Zé Carlos; Roberto Batata (Lima), Palhinha (Cândido), Dirceu Lopes e Eduardo. T: Ílton Chaves
Atlético: Zolini, Getúlio, Márcio, Grapete e Cláudio Mineiro; Vanderlei e Danival (Marcelo); Arlem, Campos, Dario e Romeu. T: Telê Santana
CA: Vanderlei, Grapete, Márcio (A)
CV: Piazza (C)

Campeonato Mineiro 2001

O atacante Oséas marcou o primeiro gol da vitória por 3 a 1 sobre o América, no Mineirão

Carlos Henrique

Primeira Fase
27/01 - Cruzeiro 1 x 1 Mamoré (Mineirão)
04/02 - Cruzeiro 4 x 2 Caldense (Ronaldão, Poços de Caldas)
10/02 - Cruzeiro 4 x 1 América (Horto)
17/02 - Cruzeiro 1 x 0 Democrata (Mamudão, Gov. Valadares)
24/02 - Cruzeiro 2 x 3 Guarani (Farião, Divinópolis)
03/03 - Cruzeiro 1 x 1 Atlético (Mineirão)
07/03 - Cruzeiro 2 x 1 URT (Mangueirão, Patos de Minas)
24/03 - Cruzeiro 0 x 1 Rio Branco (Horto)
28/03 - Cruzeiro 1 x 0 Ipatinga (Lamegão, Ipatinga)
31/03 - Cruzeiro 0 x 1 Uberlândia (Parque do Sabiá, Uberlândia)
08/04 - Cruzeiro 4 x 1 Villa Nova (Mineirão)
Classificação: 1o Atlético*; 2o Cruzeiro*; 3o Mamoré*; 4o Ipatinga*; 5o Villa Nova*; 6o América*; 7o Caldense*; 8o Rio Branco*; 9o URT; 10o Uberlândia; 11o Democrata; 12o Guarani (*classificados)

Segunda Fase
14/04 - Cruzeiro 1 x 0 Ipatinga (Lamegão, Ipatinga)
21/04 - Cruzeiro 0 x 1 América (Mineirão)
28/04 - Cruzeiro 2 x 1 Caldense (Ronaldão, Poços de Caldas)
05/05 - Cruzeiro 1 x 3 Ipatinga (Mineirão)
13/05 - Cruzeiro 3 x 1 América (Mineirão)
20/05 - Cruzeiro 1 x 1 Caldense (Mineirão)
Classificação (Grupo A): 1o Atlético*; 2o Villa Nova; 3o Mamoré; 4o Rio Branco
Classificação (Grupo B): 1o América*; 2o Cruzeiro; 3o Caldense; 4o Ipatinga
*finalistas

Classificação Final: 1o América (Campeão); 2o Atlético; 3o Cruzeiro; 4o Mamoré; 5o Villa Nova; 6o Ipatinga; 7o Caldense; 8o Rio Branco; 9o URT; 10o Uberlândia; 11o Democrata*; 12o Guarani*
*rebaixados
Artilheiro Máximo: Guilherme (Atlético) com 10 gols

Critérios de Participação
Disputado pelos 10 primeiros colocados do Campeonato de 2000, mais o Mamoré e o Guarani, campeão e vice do módulo II de 2000.

Sistema de disputa
Dividido em três fases: na primeira as equipes se enfrentaram em turno único e os oito primeiros colocados avançaram para a segunda fase. Os dois últimos colocados foram rebaixados para o Módulo II. Na segunda fase as 8 equipes foram divididas em dois grupos e se enfrentaram em turno e returno dentro de suas chaves. Os vencedores de cada chave avançaram para a final que foi disputada em dois jogos. O vencedor do confronto sagrou-se campeão mineiro.

Sistema 4-4-2:
Bosco, Cléber Monteiro, Cris, Luisão (Cléber) e Alex Santos; Marcus Vinícius (Ricardinho), Jackson, Jorge Wagner e Sérgio Manoel; Geovanni e Marcelo Ramos (Oséas). Treinador: Luiz Felipe

Quem jogou
Jogos Atleta
16
Geovanni
15
Marcelo Ramos
13
Jackson, Jorge Wagner, Oséas, Sérgio Manoel
12
Cléber Monteiro, Luisão
11
Marcos Paulo, Marcus Vinícius
10
Bosco, Cris
9
Cléber
8
Alex Santos, Ricardinho
7
Maicon
6
Alessandro, Luizinho Netto, Sorín
5
Adriano Chuva
4
Jefferson, Wendel
3
André, Bill, Mancuso, Neném
2
Leandro, Marcelo Djian, Viveros
1
-
Alê, Beto, Edmilson, Fernandinho, Joelson, Márcio Pedra, Muller, Walter

Quem marcou gols
Gols
Atleta
8
Oséas
6
Geovanni
4
Marcelo Ramos
3
Alessandro
2
Marcus Vinícius
1
Cléber, Cris, Mancuso, Ricardinho, Sorín

Competições simultâneas
A segunda fase do Campeonato Mineiro foi disputada, simultaneamente, com os jogos da Taça Libertadores. Com foco na competição internacional, o time acabou se desligando do Estadual. A eliminação veio num empate melancólico contra a Caldense, no Mineirão, na última rodada.

Apagão no Brasil
O país estava desgovernado e economicamente estagnado há alguns anos. O reflexo desse desleixo foram os apagões que se multiplicaram por todo o país. De forma medíocre, a solução que encontraram foi o racionamento de energia elétrica. Postes de iluminação pública não eram ligados à noite e a população e as empresas tiveram que colaborar com o racionamento. Com o país às escuras, os jogos de futebol foram proibidos à noite por conta dos refletores. Contra a Caldense, em 20 de maio, o Cruzeiro disputou a primeira tarde de domingo com futebol no horário do racionamento, às 15 horas.

quarta-feira, 29 de março de 2017

ZÉ DUARTE

O treinador Zé Duarte trouxe modernos e rígidos métodos de treinamento para o Cruzeiro e cativou os atletas

Carlos Henrique

José Duarte (Campinas, SP, 19/10/1935; +Campinas, SP, 23/07/2004). Foi anunciado como novo treinador do Cruzeiro em 12 de março de 1978. O treinador estava na Ponte Preta. Contava com o apoio irrestrito do presidente Felício Brandi, que desejava realizar um trabalho de renovação “para acabar com os medalhões”. Junto com o supervisor Procópio, recebeu total liberdade para contratar, afastar e dispensar jogadores.

Assinou contrato de um ano para receber Cr$200 mil de luvas e Cr$80 mil mensais de salários. Trouxe sua comissão técnica para o clube que contava com os preparadores físicos Pedro Pires de Toledo, Gilberto Tim e Dorival Geraldo dos Santos. Assim, o clube dispensou os antigos preparadores físicos Benecy Queiroz e Antônio Lacerda.

Zé Duarte deixou claro que seus métodos eram diferentes de outros treinadores e que iria impor um regime de “linha dura”. A rotina dos treinamentos passou a ser integral com início as 7 e meia da manhã. Estou fazendo exercícios aqui que nunca vi na minha vida. Nunca li, em revistas especializadas, e muito menos ouvi falar sobre eles”, comentou o goleiro Raul, que era o jogador com mais tempo no clube. Apesar da rigidez de seus métodos de treinamento, Zé Duarte cativou o plantel.

O novo treinador reintegrou alguns titulares (Raul, Nelinho, Darci, Joãozinho, Eduardo, Vanderlei) que haviam sido afastados por Aymoré Moreira. Estes mesmos jogadores foram apontados por Yustrich de tumultuar o ambiente no time.

Prometeu escalar uma mesma equipe em todos os jogos, pois a diretoria estrelada debitava ao excesso de alterações no time a desclassificação no Brasileirão de 1977.

Zé Duarte estreou na derrota por 2 a 1 para o Sport Recife, no Mineirão, em 26 de março de 1978. Criticou a ausência dos titulares na excursão amistosa ao nordeste. Para ele foi um erro (estão fora de forma por causa disso – não quis atribuir a culpa a ninguém para evitar um problema de ética com Aymoré Moreira). O time embalou no Campeonato e chegou até a terceira fase, quando acabou eliminado da disputa pelo título por causa do excesso de empates. Dirigiu a equipe na vitoriosa excursão a Espanha, Itália e Estados Unidos.

Sua trajetória como treinador do clube foi interrompida por 30 dias, após sofrer um acidente na rodovia Fernão Dias, em 29 de outubro. Seu carro capotou três vezes e Zé Duarte fraturou uma das vértebras da coluna. Enquanto esteve afastado foi substituído pelo supervisor Procópio. Retornou na vitória por 2 a 1 sobre o América, em 3 de dezembro de 1978, na reta final do segundo turno do Campeonato Mineiro, no Mineirão.

Não conseguiu levar o Cruzeiro ao título estadual, após sofrer derrotas para o América e para o Galo no quadrangular final. Ainda assim, a diretoria cruzeirense aprovou o seu trabalho e lhe apresentou uma proposta de renovação por mais um ano, em 12 de março de 1979, com salários de Cr$ 120 mil mensais. No entanto, o treinador exigiu Cr$ 160 mil e também que o clube arcasse com o imposto de renda. Após não chegar a uma acordo deixou o clube, em 22 de março de 1979, para a surpresa dos jogadores. Na despedida no Barro Preto fez uma recomendação a diretoria cruzeirense: técnico para comandar o Cruzeiro e o Atlético tem que ser mineiro. Por isso aconselho à diretoria contratar Barbatana ou Ilton Chaves”. A diretoria seguiu à risca seus conselhos pois ambos sucederam Zé Duarte na temporada de 1979, Barbatana no Campeonato Mineiro e Ílton Chaves no Campeonato Brasileiro.

Zé Duarte faleceu aos 69 anos, em Campinas, em 23 de julho de 2004, de falência múltipla dos órgãos,

Números do treinador Zé Duarte no Cruzeiro:
Competição
Jogos
Vit
Emp
Der
Colocação
Campeonato Brasileiro
27
14
10
3
10o
Campeonato Mineiro
21
11
7
3
2o
Amistosos
12
10
1
1
-
Total
60
35
18
7
-

O Spray demarcador de barreiras

Carlos Henrique

O spray demarcador de barreira nas cobranças de faltas começou no Brasil e foi experimentado, pela primeira vez, em jogos de futebol profissional, pelo árbitro Cléver Gonçalves, no clássico entre América e Cruzeiro, no Horto, em 10 de fevereiro de 2001. O demarcador havia sido criado por Heine Allemagne, que apesar do nome, é mineiro, de Ituiutaba, e seu uso experimental foi na Taça BH de Futebol Júnior de 2000. Liberado pela CBF, o spray passou a ser utilizado nos jogos do Campeonato Mineiro em 2001. A espuma impede os defensores de invadir o espaço de 9 metros entre o cobrador da falta e a barreira e desaparece em 60 segundos. Em 2014 o spray de Heine foi usado, pela primeira vez, pelos árbitros no Mundial, disputado no Brasil.

CRUZEIRO 4 x 1 AMÉRICA
10/02/2001 (Sab-16h) - Campeonato Mineiro - Horto
Ingressos: 3.268 (R$ 27.581,)
Arbitragem: Cléver Gonçalves (Helbert Andrade e Roberto Nasta)
Gols: Geovanni 4’; Cléber 19’; Geovanni 40’; Marcelo Ramos 49’; Fabrício (falta) 80’
Cruzeiro: Bosco, Jackson, Cris, Cléber e Sérgio Manoel (Alex Santos); Marcus Vinícius (Maicon), Ricardinho, Jorge Wagner e Cléber Monteiro; Oséas e Geovanni (Marcelo Ramos). T: Luiz Felipe
América: Raniere, Ruy, André Figueiredo (Arley Álvares), Welington Paulo e Fabrício; Moacir, Claudinei, Tucho e Marcelo Borges; Alessandro (Fabrício Lima) e Rodrigo (Flávio Galvão). T: Procópio
CA: S. Manoel (C); Claudinei, Rui, W. Paulo, Fabrício, Moacir, M. Borges (A)

Time do Cruzeiro de 1948 não levou o título, mas ganhou todas do Galo

O time do Cruzeiro que detonava o Galo em 1948. Em pé: Ceci, Avelino, Vicente, Oldack, Geraldo II e Duque; Agachados: Helvécio, Guerino, Nonô, Paulo Florêncio e Sabu.

Carlos Henrique

Desde que o Cruzeiro vença os clássicos contra o Atlético, os cruzeirenses não se importam se não ganharem o título. Uma das vezes que esta máxima ocorreu foi no Campeonato da Cidade de 1948. O torneio teve três turnos, sendo o último disputado em campos neutros. O Cruzeiro venceu os clássicos em seu estádio e no campo do rival e empatou o último no estádio do América, em Santa Efigênia. Os americanos levaram o título de 1948, mas o que importa é que o Galo foi freguês.

O clássico do turno foi disputado no estádio atleticano do bairro de Lourdes. Vitória cruzeirense por 2 a 1. O time estrelado costumava se dar bem no estádio do rival em jogos oficiais.

CRUZEIRO 2 x 1 ATLÉTICO
20/06/1948 - Campeonato da Cidade – Lourdes
Ingressos: 4.359 (Cr$ 41.038,)
Árbitro: Francisco Graça Filho
Gols: Nonô 38’; Lauro 55’; Sabu 78’
Cruzeiro: Sinval, Duque e Bené; Adelino, Rubens e Ceci; Renato, Nonô, Abelardo, Paulo Florêncio e Sabu. T: Niginho
Atlético: Kafunga, Murilo e Ramos; Mexicano, Monte e Carango; Lucas, Afonso, Carlaile, Lauro e Nivio. T: Felix Magno

O clássico do returno foi disputado no estádio cruzeirense do bairro do Barro Preto. O atacante Abelardo marcou o gol da vitória por 1 a 0, e não ficou por isso. Recebeu Cr$ 3 mil, ganhou roupas de presente e até uma viagem de prêmio ao Rio de Janeiro ofertados pelos torcedores cruzeirenses. O restante do time recebeu uma premiação de 250 cruzeiros que foram arrecadados no estádio, no dia do clássico.

CRUZEIRO 1 x 0 ATLÉTICO
22/08/1948 - Campeonato da Cidade - Barro Preto
Ingressos: 10.070 (Cr$ 102.568,)
Árbitro: Mario Vianna/RJ
Gol: Abelardo 18’
Cruzeiro: Sinval, Duque e Bené; Adelino, Rubens e Ceci; Helvécio, Nonô, Abelardo, Paulo Florêncio e Sabu. T: Niginho
Atlético: Kafunga, Murilo e Ramos; Mexicano, Monte e Afonso; Lucas, Lauro, Carlaile, Lêro e Nivio. T: Campeão

O último clássico entre as equipes pelo Campeonato foi no estádio da alameda Álvaro Celso, no bairro de Santa Efigênia. O atacante Abelardo, mais uma vez, desencantou e marcou dois gols, que evitaram o título antecipado do Galo. O alvinegro empatou, no último minuto, com um gol marcado por Lucas. Contam que torcedores atleticanos invadiram o gramado para agredir Abelardo. Não suportavam ver o atacante cruzeirense marcar gols todos os dias no seu time.

CRUZEIRO 2 x 2 ATLÉTICO
14/11/1948 - Campeonato da Cidade - Alameda
Renda: Cr$ 105.246,
Árbitro: Geraldo Toledo
Gols: Carlaile 24’; Abelardo 32’; Abelardo 57’; Lucas 89’
Cruzeiro: Geraldo II, Duque e Bené; Adelino, Ronaldo e Ceci; Helvécio, Nonô, Abelardo, Paulo Florêncio e Sabu. T: Niginho
Atlético: Kafunga, Murilo e Ramos; Mexicano, Monte e Carango; Lucas, Tião, Carlaile, Alvinho e Nivio. T: Campeão

terça-feira, 28 de março de 2017

ABEL

Carlos Henrique

01/09/1952 Nasce Abel Carlos da Silva Braga, no Rio de Janeiro, RJ.

03/06/1978 A Seleção Brasileira estreia no Mundial disputado na Argentina e empata em 1 a 1 com a Suécia, em Mar del Plata. O zagueiro Abel participou dos sete jogos da campanha do Mundial como reserva.

10/06/1981 Abel é anunciado como o reforço para a zaga cruzeirense. O jogador estava no Paris Saint-Germain, da França. Custou US$ 100 mil ao Cruzeiro.

17/06/1981 Assina contrato por dois anos e salários mensais de Cr$ 300 mil. Foi um dos reforços do time chamado de legião estrangeira, por ter sido o primeiro na história do clube a ser formado, em sua maioria, por jogadores com origem em outros estados. Abel era carismático e conquistava a torcida pela sua garra e dedicação em cada jogo. Com 1,90m de altura dominava o jogo aéreo, mas também tinha um excelente senso de cobertura dos laterais.

26/06/1981 Sua documentação chega da França e Abel é regularizado na Federação Mineira e na Confederação Brasileira de Futebol.

05/07/1981 Abel estreia no empate em 1 a 1 contra o Valério, no Mineirão, pelo Campeonato Mineiro. Leva cartão vermelho, aos 34 minutos, ao agredir o atacante Luiz Carlos, do Valério, com uma cabeçada.

14/07/1981 Abel reclama de muitas dores e o departamento médico decide operar os meniscos do joelho esquerdo do jogador. A cirurgia é feita três dias depois. O jogador retorna ao hospital para a retirada dos pontos, em 24 de julho, e a previsão para a sua volta aos gramados é de 60 dias.

27/09/1981 Retornou ao time, no empate em 1 a 1 contra o Uberlândia, no Mineirão, pelo Estadual. Entrou no segundo tempo na vaga de Mundinho. O treinador Didi preferiu lançá-lo por alguns minutos, em alguns jogos, até recuperar a condição física.

07/10/1981 Jogou os 90 minutos, pela primeira vez, desde que chegou ao Cruzeiro, na vitória por 2 a 0 sobre a Caldense, no Mineirão, pelo Campeonato Mineiro. Assim que retornou da contusão passou a jogar de quarto-zagueiro ao lado de Wagner, na vaga do garoto Luiz Carlos Teixeira. No Cruzeiro estava jogando com mais técnica e Abel credita isso ao período que jogou de líbero no PSG: “_ganhei mais noção de espaço e cobertura”.

08/11/1981 Leva o segundo cartão vermelho em sua passagem pelo clube, no empate em 1 a 1, contra o Atlético, no Mineirão, pelo Campeonato Mineiro.

15/11/1981 Marca seu primeiro gol com a camisa cruzeirense no empate em 3 a 3, contra o América, no Mineirão, pelo Estadual. Foi o gol do empate aos 89 minutos. Era considerado pelo lateral-direito, Nelinho, como o doping do time, que andava desanimado. Sobre Abel, o treinador Didi disse: “_quando penso em dar uma orientação a um garoto, o Abel já conversou com ele. O capitão do time é o Nelinho, mas quem orienta os jogadores é o Abel”

18/11/1981 Por ser reincidente é julgado pelo Tribunal de Justiça Desportiva e punido com três jogos de suspensão.

24/02/1982 Marca o gol da vitória por 1 a 0 sobre a Desportiva-ES, no Mineirão, pelo Campeonato Brasileiro. O resultado evitou a saída precoce do time no Brasileirão. Foi válido pela “repescagem” por uma das vagas da segunda fase.

03/05/1982 É liberado para treinos com bola. O jogador passou a sofrer uma tendinite, após a eliminação no Campeonato Brasileiro. Ficou fora do time em toda a disputa do torneio pela “Taça dos Campeões”.

10/07/1982 O PSG protesta, junto a FIFA, exigindo US$ 100 mil que o Cruzeiro devia, como parte do pagamento do passe de Abel. A diretoria cruzeirense entra em acordo com a do Botafogo para ceder Abel. No entanto, somente liberaria o jogador, após a excursão à Europa, em agosto.

10/07/1982 Marca seu último gol com a camisa estrelada no empate (2 a 2), contra o Democrata de Sete Lagoas, no Mineirão, pelo Estadual. Após o jogo, no vestiário, discutiu acirradamente com o treinador Yustrich. Foi seu último jogo com a camisa cruzeirense, também. Ao todo foram 29 jogos e três gols com a camisa estrelada. Foi expulso três vezes. A Taça Minas Gerais, que correspondia a primeira fase do Estadual de 1982, acabou sendo o único título de Abel pelo Cruzeiro.

11/07/1982 O treinador Yustrich pede desculpas a Abel alegando estar inconformado com o resultado.

11/07/1982 A tendinite volta a incomodar o jogador que desfalca a equipe nos jogos seguintes.

23/07/1982 Abel se desentende com torcedores que assistiam ao treino nas arquibancadas da Toca da Raposa. Chegou a agredir um deles, mas após o treino pediu desculpas e prometeu uma camisa ao torcedor.

24/07/1982 Recuperado da tendinite, Abel exige que o treinador Yustrich volte a escalá-lo na equipe titular contra o Uberaba, no Mineirão, pelo Estadual. Mas o treinador discorda e mantém Zezinho Figueroa e Ozires.

02/08/1982 Botafogo, Cruzeiro e Abel entram em acordo. O Cruzeiro transfere a dívida de US$ 100 mil com o PSG para o alvinegro carioca, que também fica com a opção de compra ao final do empréstimo.

05/08/1982 No Rio, Abel comentou sobre sua relação com o treinador do Cruzeiro: “_Não dava pra aguentar figuras como o Yustrich. Ele nos mandava ajoelhar e rezar nos vestiários pra pedir vitórias, mas eu estou acostumado a ganhar jogos com o meu suor e nunca aceitei isso”.

*Série Jogadores do Mundial que jogaram pelo Cruzeiro

domingo, 26 de março de 2017

Campeonato Mineiro 2000

Carlos Henrique

PRIMEIRA FASE
Classificação: 1o URT; 2o Ipatinga; 3o Democrata; 4o Rio Branco; *5o Uberlândia; *6o Caldense; *7o Ipiranga; *8o Valério
*eliminados

SEGUNDA FASE
Turno
19/03 - Cruzeiro 1 x 0 Ipatinga (Lamegão, Ipatinga)
25/03 - Cruzeiro 2 x 0 URT (Horto)
29/03 - Cruzeiro 1 x 1 Rio Branco (Parque do Azulão, Andradas)
01/04 - Cruzeiro 1 x 1 América (Mineirão)
09/04 - Cruzeiro 1 x 1 Villa Nova (Mineirão)
16/04 - Cruzeiro 2 x 1 Democrata (Mineirão)
23/04 - Cruzeiro 2 x 4 Atlético (Mineirão)
Returno
29/04 - Cruzeiro 2 x 0 Ipatinga (Horto)
07/05 - Cruzeiro 4 x 1 Democrata (Mamudão, Gov. Valadares)
10/05 - Cruzeiro 2 x 0 Rio Branco (Mineirão)
13/05 - Cruzeiro 1 x 0 América (Mineirão)
17/05 - Cruzeiro 1 x 1 Villa Nova (Bonfim, Nova Lima)
21/05 - Cruzeiro 4 x 0 URT (Mangueirão, Patos de Minas)
27/05 - Cruzeiro 2 x 0 Atlético (Mineirão)
Decisão
03/06 - Cruzeiro 1 x 2 Atlético (Mineirão)
08/06 - Cruzeiro 1 x 1 Atlético (Mineirão)
Classificação Final: 1o Atlético (Campeão); 2o Cruzeiro; 3o América; 4o Ipatinga; 5o Villa Nova; 6o Rio Branco; 7o URT*; 8o Democrata; 9o Uberlândia; 10o Caldense; 11o Ipiranga**; 12o Valério**
*classificado para a Copa do Brasil 2001
**rebaixados
Artilheiro Máximo: Joãozinho (Ipatinga) com 15 gols

Critérios de Participação:
O Campeonato de 2000 foi disputado pelos 10 primeiros colocados do Campeonato de 1999, mais o Uberlândia e o Ipatinga, campeões e vice do Módulo II de 1999, respectivamente.

Sistema de disputa
Divido em três fases. A primeira fase foi disputada por 8 equipes que se enfrentaram em turno e returno. As quatro primeiras colocadas avançaram para a próxima fase. A primeira colocada desta fase se classificou, automaticamente, para a Copa do Brasil de 2001, e recebeu a Taça Minas Gerais. Os dois últimos colocados da primeira fase foram rebaixados para o Módulo II.
Cruzeiro, Atlético, América e Villa Nova que foram os quatro primeiros colocados, pela ordem, no Campeonato Mineiro de 1999, disputaram o Estadual de 2000 a partir da segunda fase.
Na segunda fase, as 8 equipes iniciaram a disputa com os pontos zerados e se enfrentaram em turno e returno. As duas melhores colocadas se classificaram para a final.
A final foi decidida numa série de três partidas. A equipe de melhor campanha na segunda fase iniciou a final com um ponto extra, além da vantagem do mando de campo no segundo jogo e, se necessário, no terceiro jogo.
As quatro equipes eliminadas da primeira fase disputaram um quadrangular em turno e returno para definir as duas equipes rebaixadas para o Módulo II.

Sistema 4-4-2:
André, Zé Maria, Cris (Alexandre), Marcelo Djian (Cléber), Sorín (Rodrigo); Donizete (Marcos Paulo), Ricardinho (Viveros), Jackson, Muller; Geovanni, Fábio Júnior (Oséas). Treinadores: Paulo Autuori (7); Marco Aurélio (9)

Quem jogou
Jogos
Atletas
16
André
14
Fábio Júnior, Geovanni, Jackson
13
Donizete, Ricardinho
12
Muller, Oséas, Zé Maria
11
Cris
10
Marcelo Djian, Marcos Paulo, Viveros
9
Sorín
8
Alexandre, Cléber, Rodrigo
7
Paulo Isidoro
4
Cléber Monteiro, Zé Roberto
3
Alonso, Leandro
2
Wendel
1
Alê, Cristian, Fernandinho, Glayssinho

Quem marcou gols
Gols
Atletas
5
Ricardinho
4
Fábio Júnior, Muller
3
Geovanni, Oséas, Zé Roberto
2
Jackson, Paulo Isidoro
1
Cris, Viveros