sábado, 18 de março de 2017

AYMORÉ MOREIRA

O campeão mundial Aymoré Moreira dirigiu o Cruzeiro no Campeonato Brasileiro de 1977

Carlos Henrique

Aymoré Moreira (Miracema, RJ, 24/04/1912; +Salvador, BA, 26/07/1998). O treinador Aymore Moreira foi contratado, em 21 de novembro de 1977, para substituir Yustrich, que havia deixado a direção do time em plena disputa do Campeonato Brasileiro. Apesar do passado de campeão mundial de 1962 como treinador da Seleção Brasileira e de ser irmão de dois treinadores campeões pelo Cruzeiro - Airton, campeão Brasileiro de 1966 e Zezé, campeão sul-americano de 1976, Aymoré chegou desacreditado. Sua contratação foi muito criticada por ser velho demais, 65 anos. A palavra de ordem no clube era “renovação” e muitos a desejavam que fosse implementada no plantel e também na diretoria: Felício Brandi seguia como presidente há 17 anos!

A diretoria do Cruzeiro encontrou uma forma de dissimular o “contrato-tampão” de Aymoré. O treinador continuou vinculado a Ferroviária de Araraquara. Tinha contrato até março de 1978. Caso seu trabalho fosse aprovado e houvesse interesse em sua permanência, a renovação do compromisso seria feita de clube para clube, como se Aymoré fosse um jogador emprestado.

Aymoré chegou cauteloso e adiantou que não seria um “salvador da pátria”; “apenas mais um treinador do clube”. Sinalizou uma trégua com a imprensa que andou se estranhando com o antecessor Yustrich dizendo “que sua norma de trabalho seria o diálogo franco, mas que não admitiria indisciplina no plantel”. Fez mimos a imprensa ao prometer acatar sugestões que partissem dela para escalar o time ou armar esquemas de jogo.

Ao contrário do irmão Zezé, seu temperamento era mais dócil e era transigente com os cartolas. Era um dos discípulos do treinador Isidor Dori Krueshner, o treinador que revolucionou o futebol brasileiro nos anos 1930, e se diferenciava dos demais treinadores de sua geração pela recriação de jogadas e por transformar suas equipes nos intervalos dos jogos.

Sua prioridade era dar conjunto ao time do Cruzeiro. “O futebol brasileiro atual não tem craques, como havia tempo atrás. Por isso precisamos trabalhar o conjunto e impor nosso jogo” - observava. No entanto, Aymoré teve o mesmo problema dos treinadores anteriores: um plantel inchado com 40 atletas! Não havia lugar para todo mundo no time, o que gerava um clima de insatisfação. Muitos queriam deixar o Cruzeiro pra poder mostrar seu futebol em outro clube, mas estavam presos pela “lei do passe” que ainda vigorava no futebol brasileiro. E o presidente Felício Brandi não pretendia liberar tantos jogadores sem que houvesse uma compensação financeira.

A estreia de Aymoré foi pela última rodada da primeira fase: vitória por 3 a 1 sobre o Botafogo, em Ribeirão Preto. Não conseguiu dar o padrão competitivo ao time como pretendia. A eliminação veio na terceira fase e a imprensa passou a especular a vinda de outro treinador. Assim que o fim do seu "inusitado" vínculo de empréstimo se aproximou, deixou o cargo, em 9 de março de 1978. Seu último jogo foi o amistoso contra o Uberaba, em 7 de março de 1978, no Uberabão: vitória  por 2 a 1. Saiu do clube fazendo as mesmas observações críticas do antecessor Yustrich e alertou: “o Cruzeiro está no caminho errado”. Sua decisão havia sido tomada antes dos amistosos ao nordeste, quando alguns titulares (Raul, Darci, Vanderlei, Eduardo, Joãozinho e Nelinho) se recusaram a viajar. "Não tinha ambiente para trabalhar, meus métodos desagradaram determinados jogadores e parte da diretoria", explicou.

Aymoré faleceu de falência múltipla de órgãos, aos 86 anos, em Salvador.

Números de Aymoré Moreira no Cruzeiro:
Competição
Jogos
Vit.
Emp.
Der.
Posição
Campeonato Brasileiro
10
3
4
3
16a
Amistosos
5
3
1
1
-
Total
15
6
5
4
-
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