domingo, 26 de março de 2017

Cruzeiro detém todas as grandes viradas no clássico contra o Galo

O lateral esquerdo corre pra torcida pra comemorar o gol da virada no clássico pelo Campeonato Brasileiro de 2000

Carlos Henrique

Como diz o jargão futebolístico: de virada é mais gostoso. E quando a virada surge, quando tudo parecia perdido, é mais gostoso ainda. Na história do clássico entre Cruzeiro e Atlético são raras as vezes em que uma equipe conseguiu reverter o placar desfavorável de dois gols de vantagem do adversário. Isto aconteceu apenas quatro vezes e o Cruzeiro foi o protagonista de todas.

A primeira grande virada aconteceu na última rodada do Campeonato da Cidade de 1931. O Atlético, com dois pontos de vantagem na tabela, jogou pelo empate para garantir o título. Ao Cruzeiro só a vitória interessava para igualar o alvinegro na classificação e provocar uma série de três jogos para decidir o título. O jogo foi no estádio atleticano do bairro de Lourdes e os alvinegros fizeram 2 a 0, logo no início. O Cruzeiro buscou o empate e, quando restavam dois minutos para o fim do jogo, o atacante Bengala partiu com a bola dominada do meio do campo, passou por toda a defesa atleticana e só parou quando a bola estufou as redes: Cruzeiro 3 a 2.

CRUZEIRO 3 x 2 ATLÉTICO
01/11/1931 (Dom-16h) - Campeonato da Cidade - Lourdes
Árbitro: José Maria Sousa (Alcides Machado/41')
Gols: Said 2’; Mário 15’; Niginho 25’; Piorra 41’; Bengala 78’
Cruzeiro: Catalano, Nereu e Gil; Maeco, Barros e Calixto; Piorra, Niginho, Carazo, Bengala e Alcides. T: Matturio Fabbi
Atlético: Armando, Maurílio e Álvaro; Cordeiro, Brant e Mário Gomes; Geraldino, Said, Mário, Jairo e Cunha.
*o árbitro Sousa foi substituído por Alcides no 2o tempo.

A diretoria atleticana estava tão certa da vitória de seu time no clássico que acertou, antecipadamente, um jantar numa pizzaria da cidade para comemorarem a vitória sobre a "italianada" do Palestra. O clássico foi disputado no campo do bairro do Barro Preto e o Atlético marcou 2 a 0 ainda no primeiro tempo. O Cruzeiro virou o placar para 4 a 2 e, Guará diminuiu no fim do jogo. À noite os atleticanos não compareceram a pizzaria e, como a conta já estava paga, os cruzeirenses ocuparam as mesas reservadas e jantaram as custas da diretoria alvinegra.

CRUZEIRO 4 x 3 ATLÉTICO
09/12/1934 (Dom-16h) – amistoso - Barro Preto
Árbitro: Dunorte André (Renato Fantoni/55')
Gols: Guará 3’; Paulista 37’; Zezé 40’+5’; Pantuzzo 45’; Pantuzzo 48’; Calixto 80’+27’; Guará 80'+37’
Cruzeiro: Geraldo, Raul e Caieira (Chiquinho); Souza, Ferreira e Mundico; Pantuzzo, Orlando (Carlos Alberto), Zezé, Bengala e Calixto. T: Matturio Fabbi
Atlético: Armando, Tião e Evando; Tito, Lola (Jacir) e Mário Gomes; Dario, Paulista, Guará, Bitola e Elair. T: Floriano Peixoto
*Dunorte deixou a arbitragem aos 55’ e o jogo ficou interrompido por 34 minutos. Renato foi escolhido para apitar o restante do jogo.

Foi um mero amistoso no campo do Sete, no bairro do Horto, mas inesquecível para o craque Tostão. O jogador aponta este jogo como o melhor clássico que já disputou. O Galo vencia por 2 a 0, até os 25 minutos, do segundo tempo. Tostão deu início a reação; marcou o primeiro gol e serviu duas vezes o ponteiro Dalmar, que saiu de campo consagrado como o autor dos gols da virada.

CRUZEIRO 3 x 2 ATLÉTICO
09/05/1965 (Dom-16h) - amistoso - Horto
Ingressos: 10.208 (Cr$ 9.697.500,)
Arbitragem: Cidinho Bola Nossa (Simão Waxman e João M. Andere)
Gols: Toninho 28’; Toninho 67’; Tostão 70’; Dalmar 75’; Dalmar 80’
Cruzeiro: Fábio, Pedro Paulo (Massinha/46’), William, Vavá e Tenório (Neco/46’); Piazza (Ílton) e Dirceu Lopes; Wilson Almeida, Picinin (Nerival/46’), Tostão e Dalmar. T: Airton Moreira.
Atlético: Paulo Monteiro, Warley (João Batista/46’), Grapete, Elci e Décio Teixeira; Buglê e Paulista; Buião (Bueno), Nilson, Toninho e Barros (Noêmio). T: Wilson Oliveira
CV: Wilson Almeida/60’ (C); J. Batista/60’ (A)

A primeira grande virada do estádio da Pampulha foi no Campeonato Brasileiro de 2000. Até então, nenhuma equipe havia conseguido reverter um placar desfavorável de dois gols de diferença no clássico. O Galo começou arrasador e marcou dois gols em 20 minutos, além de uma sequência de chances de gols. O Cruzeiro pôs a bola no chão e, empatou e quando restavam 10 minutos para o fim, chegou a virada com um gol do lateral esquerdo Sorín. Ele correu em direção a torcida, tirou a camisa e começou a rodá-la. A comemoração do argentino criou moda no Brasil até a arbitragem coibi-la com o cartão amarelo. Oséas ainda ampliou para 4 a 2 nos minutos finais.

CRUZEIRO 4 x 2 ATLÉTICO
30/09/2000 (Sab-18h) - Campeonato Brasileiro - Mineirão
Ingressos: 35.540 (R$ 312.027,)
Arbitragem: Antônio P. Silva/GO (Marco A. Gomes/MG e Marco A. Martins/MG)
Gols: Neguete 17’; Guilherme 20’; Fábio Júnior (pênalti) 43’; Fábio Júnior 53’; Sorin 80’; Oséas 84’
Cruzeiro: Jefferson, Rodrigo (Cléber Monteiro), Cris, Cléber e Sorin; Donizete, Ricardinho (Marcos Paulo), Sérgio Manoel e Jackson; Geovanni e Fábio Júnior (Oséas). T: Luiz Felipe
Atlético: Kleber, Bruno, Neguete, Cláudio Caçapa e Mancine; Valdir, Cleison, Ramon Menezes (Lincoln) e Caíco (Fábio Melo); Guilherme e Marques (André). T: Carlos Alberto Parreira
CA: Cléber, Sorin, Ricardinho, F. Júnior, Geovanni (C); Ramon, Cleison, F. Melo, Guilherme (A)

O garoto Kerlon parte pra cima da zaga atleticana com o drible da foca no clássico pelo Campeonato Brasileiro de 2007

O clássico pelo returno do Campeonato Brasileiro de 2007 foi o mais emocionante de todos os tempos. Poderia ter sido a primeira grande virada dos atleticanos, que reverteram o placar desfavorável de 2 a 0 para 3 a 2, logo aos 12 minutos do segundo tempo. Mas a alegria alvinegra durou pouco. O atacante Guilherme empatou quatro minutos depois. E o garoto Kerlon se transformaria na figura principal do jogo. Ele entrou em campo dois minutos após o gol da virada alvinegra. Em seu primeiro lance no jogo, aplicou o drible malabarístico da foca no zagueiro Vinícius e foi atingido violentamente, na sequência, pelo lateral Coelho, que foi expulso. Com um a menos em campo, o Galo não aguentou a pressão cruzeirense, que fez o vira-vira no placar, com dois gols do atacante Guilherme. O drible da foca decidiu o clássico!

CRUZEIRO 4 x 3 ATLÉTICO
16/09/2007 (Dom-16h) - Campeonato Brasileiro – Mineirão
Ingressos: 40.697 (R$ 757.675,)
Arbitragem: Evandro Roman/PR (Marco A. Gomes/MG e Guilherme Camilo/MG)
Gols: Roni 11’; Roni (pênalti) 25’; Gérson 30’; Marinho 37’; Marinho (pênalti) 57’; Guilherme 61’; Guilherme 77’
Cruzeiro: Fábio, Mariano, Emerson©, Thiago Heleno e Fernandinho; Luís Alberto, Charles, Maicosuel (Jardel/83’) e Wagner (Kerlon/59’); Marcelo Moreno (Guilherme/61’), Roni. T: Dorival Júnior
Atlético: Édson, Coelho, Leandro Almeida©, Vinícius e Thiago Feltri (Vanderlei/89’); Thiago Carpini, Gérson, Márcio e Danilinho; Éder Luís (Lúcio/71’) e Marinho. T: Leão
CA: L. Alberto/29’, Fábio/56’ (C); Vinícius/18’, É. Luís/39’, Danilinho/41’, Coelho/63’ (A)
CV: Coelho/80’ (A)
O lateral direito Coelho tentando explicar o lance do drible da foca em seu julgamento no TJD: levou 120 dias de suspensão
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