quinta-feira, 30 de março de 2017

Em 1974, Nelinho cumpriu o gol selvagem que Dario prometeu

Nelinho decidiu o clássico de 1974 com um gol de falta nos minutos finais

Carlos Henrique

O atacante Dario, do Atlético, prometeu marcar o “gol selvagem" no clássico, de 29 de setembro de 1974, pelo Campeonato Mineiro, contra o Cruzeiro. E ainda descreveu como seria: _um gol com um chute tão forte, que se o Raul pretender agarrar vai entrar com bola e tudo no gol". O jogador alvinegro também desafiou o zagueiro cruzeirense Morais: “Se não marcar vou atravessar o campo carregando o Moraes, caso contrário, ele vai ter que carregar o Dadá”. O que o atacante alvinegro não contava era que o lateral cruzeirense Nelinho decidiria o clássico com um gol exatamente descrito por ele.

Nelinho já iniciou a semana como um dos personagens do clássico, assim como o atacante alvinegro Romeu. Ambos estavam insatisfeitos com os ordenados que recebiam. O lateral estava há duas semanas sem jogar. Negou que estivesse fazendo “corpo mole” por não ter recebido o aumento salarial prometido pela diretoria ao retornar do Mundial. “Realmente, eles prometeram dobrar meu salário, mas até hoje nada. Mas não será por isso que irei deixar de treinar e jogar. Eu estava realmente machucado e já estou pronto pra voltar", explicou. O atacante Romeu também exigia um reajuste, por ter sido um dos 40 relacionados para a Copa. "No contrato que ele assinou não há nada disso. Não daremos aumento algum", esclareceu o presidente alvinegro, Nélson Campos, que estava muito irritado por ter dado falta do seu carro, pela manhã, que foi roubado pela segunda vez na semana.

Nelinho e Romeu estavam confirmados no clássico e queriam afastar os boatos de que estavam fazendo “corpo mole” por causa dos contratos. Alheio a grana, o atacante Dario participou de um treino especial na sexta-feira e explicou: _Estou aprendendo a dosar as energias e aprimorando o pique, porque o jogo não vai ser fácil e eu tenho que deixar minha marca selvagem no goleiro Raul. E o clássico não foi nada fácil, mesmo. O Cruzeiro teve Piazza expulso por reclamação ao árbitro e jogou o segundo tempo inferiorizado numericamente. No entanto, restando três minutos para o fim, o time estrelado teve uma falta a seu favor próximo a área atleticana. Nelinho cobrou, o goleiro Zolini foi no lance, mas não conseguiu segurar firme e acabou entrando com bola e tudo pra dentro do gol. O gol selvagem foi de Nelinho!

No final do jogo, Dario cumpriu o desafio e atravessou o campo carregando Morais nas costas. Na saída do Mineirão, ainda teve que enfrentar uma multidão de cruzeirenses que se aglomeraram à sua espera, para tirar um sarro. No dia seguinte, o atacante anunciou que não denominaria mais os seus gols. O treinador Telê Santana estava inconformado com o time que não soube aproveitar a superioridade numérica em campo e responsabilizou o atacante Romeu por ter se abaixado no lance do chute de Nelinho. Telê havia orientado que a barreira fosse formada por quatro jogadores nas cobranças de Nelinho, mas apenas Getúlio e Romeu se apresentaram. “Quem não sabe ganhar, tem mesmo que perder”, lamentou o treinador rival.

CRUZEIRO 1 x 0 ATLÉTICO
29/09/1974 (Dom-17h) - Campeonato Mineiro - Mineirão
Ingressos: 50.484 (Cr$ 330.237,)
Arbitragem: Maurílio J. Santiago (Jacinto Cândido e Aloísio Gonzaga)
Gol: Nelinho (falta) 87’
Cruzeiro: Raul, Nelinho, Moraes, Darci e Vanderlei; Piazza e Zé Carlos; Roberto Batata (Lima), Palhinha (Cândido), Dirceu Lopes e Eduardo. T: Ílton Chaves
Atlético: Zolini, Getúlio, Márcio, Grapete e Cláudio Mineiro; Vanderlei e Danival (Marcelo); Arlem, Campos, Dario e Romeu. T: Telê Santana
CA: Vanderlei, Grapete, Márcio (A)
CV: Piazza (C)
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