sexta-feira, 31 de março de 2017

Em 1993, Cruzeiro vence o clássico e atleticano foge de Belo Horizonte

Cleison acabou com o clássico de 1993

Carlos Henrique

O clássico é a prova de fogo para qualquer jogador. É o confronto capaz de elevar a condição de um atleta a ídolo máximo da torcida em poucos minutos, como também abreviar a carreira daqueles que falham em sua missão. O clássico pelo Campeonato Mineiro, no Mineirão, em 18 de abril de 1993, não fugiu a regra. No entanto, dentro desta regra surgiu uma exceção: um zagueiro atleticano não suportou a culpa pela derrota, abandonou o clube e fugiu de Belo Horizonte. Não procurou aguardar a chance, como a maioria faz, pra dar a volta por cima. Ele nunca mais quis saber do clássico.

Por causa da fórmula esdrúxula do Campeonato Mineiro de 1992, o clássico Cruzeiro e Atlético não foi disputado naquele ano, porque o alvinegro não conseguiu se classificar para a final. Foi eliminado pelo América na semifinal. Assim, o clássico levou mais de um ano para voltar a ser disputado pelo Estadual. E por isso provocou uma imensa expectativa entre os torcedores. Os gananciosos dirigentes dos clubes aproveitaram a oportunidade pra arrancar o coro de cruzeirenses e atleticanos e majoraram os preços dos ingressos.

Durante a semana, o treinador Nelinho demonstrava preocupação com a inexperiência do plantel atleticano. Apenas Sérgio Araújo, Paulo Roberto e Ryuler haviam disputado o clássico e temia que isto prejudicasse o rendimento da equipe no início do jogo. E Nelinho tinha razão. Um deles era o jovem zagueiro Lica, que veio por empréstimo da Internacional de Limeira. Era considerado como uma das promessas do futebol brasileiro. No entanto, ele não suportou o endiabrado Cleison, que acabou com o clássico e fez o Lica desaparecer do jogo em 45 minutos. Aos 30 minutos, o defensor alvinegro cometeu pênalti em Cleison e levou o cartão amarelo. Paulo Roberto cobrou e fez Cruzeiro 1 a 0. No final do primeiro tempo, Lica foi driblado por Cleison e, como último jogador da defesa, atingiu o cruzeirense com um carrinho violento por trás. Cartão vermelho direto e fim de clássico pra Lica. Cleison ainda marcaria o gol da vitória estrelada por 2 a 1, no segundo tempo, e se consagraria no clássico.

No dia seguinte, a delegação atleticana partiu para uma viagem ao Japão, onde realizaria alguns amistosos. Na reapresentação deram falta do defensor Lica. O jovem zagueiro desapareceu da cidade. Dias depois, a diretoria foi informada que ele havia retornado à Limeira e que não pretendia voltar para Belo Horizonte. O presidente do Atlético, Afonso "Minhoca" Paulino, inconformado com a decisão do jogador, rescindiu o contrato de Lica e avisou que o jogador não vestiria mais a camisa do Atlético. No entanto, o jogador já havia tomado essa decisão, muito antes, mais precisamente, após a derrota para o Cruzeiro.

CRUZEIRO 2 x 1 ATLÉTICO
18/04/1993 (Dom-17h) - Campeonato Mineiro - Mineirão
Ingressos: 90.005 (Cr$ 5.798.665.000,)
Arbitragem: Marco A. Cunha (José Eugênio e Marco A. Gomes)
Gols: Paulo Roberto (pênalti) 30’; Reinaldo 68’; Cleison 83’
Cruzeiro: Paulo César, Paulo Roberto, Luizinho, Célio Lúcio e Nonato; Douglas (Rogério Lage), Boiadeiro e Luiz Fernando; Nivaldo (Arley Álvares), Cleison e Roberto Gaúcho. T: Pinheiro
Atlético: Assis, Luciano, Lica, Ryuler e Paulo Roberto; Toninho Pereira, Lê e Ailton (Reinaldo); Sérgio Araújo, Gilson e Bira (André). T: Nelinho
CA: R. Gaúcho, Douglas, Cleison, Boiadeiro, C. Lúcio (C); S. Araújo, Gilson (A)
CV: Cleison/83’, P. Roberto (C); Lica/44’ (A)
*Paulo Roberto perdeu pênalti no 2o tempo, quando o placar estava 1a0.
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