quarta-feira, 29 de março de 2017

ZÉ DUARTE

O treinador Zé Duarte trouxe modernos e rígidos métodos de treinamento para o Cruzeiro e cativou os atletas

Carlos Henrique

José Duarte (Campinas, SP, 19/10/1935; +Campinas, SP, 23/07/2004). Foi anunciado como novo treinador do Cruzeiro em 12 de março de 1978. O treinador estava na Ponte Preta. Contava com o apoio irrestrito do presidente Felício Brandi, que desejava realizar um trabalho de renovação “para acabar com os medalhões”. Junto com o supervisor Procópio, recebeu total liberdade para contratar, afastar e dispensar jogadores.

Assinou contrato de um ano para receber Cr$200 mil de luvas e Cr$80 mil mensais de salários. Trouxe sua comissão técnica para o clube que contava com os preparadores físicos Pedro Pires de Toledo, Gilberto Tim e Dorival Geraldo dos Santos. Assim, o clube dispensou os antigos preparadores físicos Benecy Queiroz e Antônio Lacerda.

Zé Duarte deixou claro que seus métodos eram diferentes de outros treinadores e que iria impor um regime de “linha dura”. A rotina dos treinamentos passou a ser integral com início as 7 e meia da manhã. Estou fazendo exercícios aqui que nunca vi na minha vida. Nunca li, em revistas especializadas, e muito menos ouvi falar sobre eles”, comentou o goleiro Raul, que era o jogador com mais tempo no clube. Apesar da rigidez de seus métodos de treinamento, Zé Duarte cativou o plantel.

O novo treinador reintegrou alguns titulares (Raul, Nelinho, Darci, Joãozinho, Eduardo, Vanderlei) que haviam sido afastados por Aymoré Moreira. Estes mesmos jogadores foram apontados por Yustrich de tumultuar o ambiente no time.

Prometeu escalar uma mesma equipe em todos os jogos, pois a diretoria estrelada debitava ao excesso de alterações no time a desclassificação no Brasileirão de 1977.

Zé Duarte estreou na derrota por 2 a 1 para o Sport Recife, no Mineirão, em 26 de março de 1978. Criticou a ausência dos titulares na excursão amistosa ao nordeste. Para ele foi um erro (estão fora de forma por causa disso – não quis atribuir a culpa a ninguém para evitar um problema de ética com Aymoré Moreira). O time embalou no Campeonato e chegou até a terceira fase, quando acabou eliminado da disputa pelo título por causa do excesso de empates. Dirigiu a equipe na vitoriosa excursão a Espanha, Itália e Estados Unidos.

Sua trajetória como treinador do clube foi interrompida por 30 dias, após sofrer um acidente na rodovia Fernão Dias, em 29 de outubro. Seu carro capotou três vezes e Zé Duarte fraturou uma das vértebras da coluna. Enquanto esteve afastado foi substituído pelo supervisor Procópio. Retornou na vitória por 2 a 1 sobre o América, em 3 de dezembro de 1978, na reta final do segundo turno do Campeonato Mineiro, no Mineirão.

Não conseguiu levar o Cruzeiro ao título estadual, após sofrer derrotas para o América e para o Galo no quadrangular final. Ainda assim, a diretoria cruzeirense aprovou o seu trabalho e lhe apresentou uma proposta de renovação por mais um ano, em 12 de março de 1979, com salários de Cr$ 120 mil mensais. No entanto, o treinador exigiu Cr$ 160 mil e também que o clube arcasse com o imposto de renda. Após não chegar a uma acordo deixou o clube, em 22 de março de 1979, para a surpresa dos jogadores. Na despedida no Barro Preto fez uma recomendação a diretoria cruzeirense: técnico para comandar o Cruzeiro e o Atlético tem que ser mineiro. Por isso aconselho à diretoria contratar Barbatana ou Ilton Chaves”. A diretoria seguiu à risca seus conselhos pois ambos sucederam Zé Duarte na temporada de 1979, Barbatana no Campeonato Mineiro e Ílton Chaves no Campeonato Brasileiro.

Zé Duarte faleceu aos 69 anos, em Campinas, em 23 de julho de 2004, de falência múltipla dos órgãos,

Números do treinador Zé Duarte no Cruzeiro:
Competição
Jogos
Vit
Emp
Der
Colocação
Campeonato Brasileiro
27
14
10
3
10o
Campeonato Mineiro
21
11
7
3
2o
Amistosos
12
10
1
1
-
Total
60
35
18
7
-

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