sexta-feira, 19 de maio de 2017

Em 1974, expulsão inédita de Dirceu Lopes provocou até tiroteio no Recife

Carlos Henrique

O primeiro cartão vermelho do meio-campista Dirceu Lopes somente aconteceu após 10 anos de carreira e foi no empate (0 a 0) contra o Sport Recife, pelo Campeonato Brasileiro de 1974. A punição dada pelo árbitro Luiz Carlos Félix foi considerada injusta e excessiva e gerou a revolta dos jogadores, da imprensa esportiva e até mesmo de um torcedor ou policial, que efetuou um disparo de arma de fogo para dentro de campo. No dia seguinte, o próprio árbitro reconheceu o excesso e pediu desculpas ao craque cruzeirense.

No início do Campeonato Brasileiro de 1974, o Cruzeiro enfrentou as três equipes pernambucanas consecutivamente. A sequência começou em 13 de março ao vencer (1 a 0) o Náutico, no Mineirão. No mesmo dia, o Galo sofria a segunda esculachada consecutiva em Recife: 1 a 0 para o Sport. Antes, dia 10, havia sido derrotado (2 a 0) para o Náutico.

Assim o Cruzeiro foi para o Recife encarar o Santa Cruz, dia 17, e o Sport, dia 20, com a missão de recuperar a imagem do futebol mineiro. “O Cruzeiro chega ao Recife com ares de vingadores dos mineiros. Ele terá de reabilitar o futebol das alterosas cujo conceito aqui, não é dos melhores”, descreveu o Diário do Pernambuco. E como o vingador de minas conquistou bons resultados: vitória (3 a 1) sobre o Santa e um empate (0 a 0) contra o Sport.

No entanto, a polêmica expulsão de Dirceu Lopes e Feitosa, foi o assunto do jogo. “O juiz Luiz Carlos Felix expulsou sem a mínima razão Dirceu Lopes e Feitosa, aos 27, do segundo tempo, num lance casual sem qualquer reação indisciplinar aparente dos dois atletas”, criticou o Diário de Pernambuco. “A bola veio dividida. Um lance normal, onde ninguém teve culpa”, falou Feitosa. O jogador do Sport lamentou o primeiro cartão vermelho recebido em dois anos de profissional. Ao ser informado que era a primeira expulsão da carreira de Dirceu, o rubro-negro salientou: “Que ele me desculpe, pois não tive essa intenção. O culpado foi o juiz que interpretou mal o lance”.

Bastante chateado, Dirceu Lopes achou o árbitro rigoroso e que nenhum dos jogadores merecia expulsão. A voz contrária foi a do treinador Ílton Chaves: “Não se pode desconhecer que o Dirceu é um atleta exemplar, mas naquela jogada dou toda a razão ao juiz. A expulsão foi justa”.

O volante Toninho que esteve no banco de reservas, neste jogo, recorda que o árbitro Luiz Carlos Felix, ao encontrar a delegação cruzeirense no saguão do aeroporto dos Guararapes, fez questão de pedir desculpas a Dirceu Lopes e assumiu o erro.

Ainda no estádio, um tiro foi desferido para dentro do campo no momento da expulsão. Tempos em que a segurança não era uma das prioridades nos estádios. “Não sei se foi tiro ou não. Ouvi um barulho e alguns repórteres em correria. Acredito que no meio da multidão alguém tenha sacado uma arma e detonado. Será que ninguém viu?” - questionou o auxiliar de arbitragem, Inácio Gonçalves.

CRUZEIRO 0 x 0 SPORT RECIFE
20/03/1974 (Qua-21h) - Arruda (Recife, PE)
Ingressos: 14.575 (Cr$ 116.595,)
Arbitragem: Luiz Carlos Félix/RJ (Gilson Cordeiro/PE e Inácio Gonçalves)
Cruzeiro: Vítor, Nelinho, Perfumo, Procópio e Vanderlei; Zé Carlos e Dirceu Lopes; Eduardo (Baiano), Palhinha, Cândido e Lima. T: Ílton Chaves
Suplentes: Hélio, Darci, Toninho, Aender
Sport: Adeildo, Marcos, Lula, Alberto e Luizinho; Feitosa e Meinha (Adãozinho); Ditinho, Luiz Fumanchu, Helinho e Orlando. T: Cilinho

CV: Dirceu Lopes/72’ (C); Feitosa/72’ (S)
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