quinta-feira, 4 de maio de 2017

Em 1985 a manipulação de jogos do Campeonato Mineiro foi denunciada por esposa de árbitro

Carlos Henrique

Em janeiro de 1986, Magali Cosso, esposa do árbitro Hélio Cosso, enviou uma carta aos jornais esportivos do Brasil. O texto denunciava um esquema de suborno envolvendo a dupla Atlético e Cruzeiro para os árbitros manipularem os resultados jogos destas equipes pelo Estadual. 
Para entender a denúncia, é importante lembrar que, naqueles tempos, os dois primeiros colocados do Campeonato Mineiro garantiam vaga no Campeonato Brasileiro, pois não haviam divisões e nem lei do acesso e do rebaixamento no campeonato nacional. O texto dizia:

Venho denunciar as irregularidades que ocorrem no futebol mineiro para que todos os torcedores tomem conhecimento dos escândalos da Federação Mineira de Futebol:
Será que vocês sabem por que Atlético e Cruzeiro são campeões todo ano em Minas?
Porque existe uma ordem do presidente da FMF para que nenhum clube do interior venha a ser campeão mineiro.
Vocês sabiam que o Cruzeiro e o Atlético nunca perdem para time pequeno quando jogam no Mineirão? 
Porque no vestiário do juiz existe um telefone secreto de onde parte uma ordem de seus diretores dizendo: "mudem esse jogo"!
Além disso, todo juiz da FMF tem uma conta bancária, no Banco do Brasil, aberta pelo Cruzeiro e pelo Atlético.
Cada juiz recebe, por mês, Cr$ 1 milhão para garantir a estes clubes o primeiro e o segundo lugar no Campeonato. Do contrário a conta será encerrada.

Estou denunciando esta vergonha porque meu marido, Hélio Cosso, foi demitido da Federação por não concordar com essas manobras.
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